{"id":365,"date":"2015-04-03T01:08:17","date_gmt":"2015-04-03T01:08:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=365"},"modified":"2015-04-03T01:08:17","modified_gmt":"2015-04-03T01:08:17","slug":"capitulo-21-grande-vitoria-obtida-por-ptolomeu-latur-sobre-alexandre-rei-dos-judeus-e-sua-horrivel-desumanidade-cleopatra-mao-de-ptolomeu-vem-em-auxilio-dos-judeus-e-latur-tenta-inutilmente-to","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-21-grande-vitoria-obtida-por-ptolomeu-latur-sobre-alexandre-rei-dos-judeus-e-sua-horrivel-desumanidade-cleopatra-mao-de-ptolomeu-vem-em-auxilio-dos-judeus-e-latur-tenta-inutilmente-to\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 21 &#8211; Grande vit\u00f3ria obtida por Ptolomeu Latur sobre Alexandre, rei dos judeus, e sua horr\u00edvel desumanidade. Cleopatra, m\u00e3o de Ptolomeu, vem em aux\u00edlio dos judeus, e Latur tenta inutilmente tornar-se senhor do Egito. Alexandre toma Gaza e pratica grandes atos de crueldade. Diversas guerras referentes ao reino da S\u00edria. Estranho \u00f3dio da maioria dos judeus contra Alexandre, seu rei, que chamam Dem\u00e9trio Eucero em seu aux\u00edlio."},"content":{"rendered":"<p>Depois que Ptolomeu Latur tomou Azoto de assalto, foi a S\u00e9foris, que fica pr\u00f3xima, e atacou-a, mas foi repelido, com grandes perdas. Em vez de continuar esse ass\u00e9dio, ele marchou contra Alexandre, rei dos ju\u00addeus. Encontrou-o em Azofe, muito perto do Jord\u00e3o, e acampou em frente dele. A vanguarda de Alexandre era composta de oito mil homens, solda\u00addos veteranos, todos armados com escudos de bronze. Os da vanguarda de Ptolomeu tamb\u00e9m o eram, mas o resto de suas tropas n\u00e3o estava bem armado, o que os fazia recear o combate. Um certo F\u00edlonstev\u00e3o, muito experimentado na guerra, tranq\u00fcilizou-os e f\u00ea-los passar o rio que separa\u00adva os dois acampamentos, sem que Alexandre se opusesse a isso, porque ele julgava vencer mais facilmente quando os inimigos, tendo o rio por tr\u00e1s, n\u00e3o pudessem mais fugir.<\/p>\n<p>O combate foi deveras sangrento, e era dif\u00edcil julgar para que lado pendia a vit\u00f3ria. Por fim, as tropas de Alexandre come\u00e7aram a prevalecer, enquanto as de Ptolomeu estavam se esfacelando. Mas F\u00edlonstev\u00e3o as susteve com um corpo de tropas que ainda n\u00e3o havia combatido e as reanimou. Os judeus, espantados com tal mudan\u00e7a e sem receber nenhum refor\u00e7o, fugiram, e todos os outros seguiram-lhes o exemplo. Os inimigos perseguiram-nos t\u00e3o vivamente e fizeram tal mortic\u00ednio que s\u00f3 cessaram a matan\u00e7a quando n\u00e3o ag\u00fcentaram mais o cansa\u00ad\u00e7o e a ponta de suas espadas come\u00e7ava a se entortar. O n\u00famero de mortos foi de trinta mil ou, segundo uma rela\u00e7\u00e3o de Timagenes, cinq\u00fcenta mil. O resto do ex\u00e9rcito foi aprisionado ou salvou-se na fuga.<\/p>\n<p>Depois de t\u00e3o assinalada vit\u00f3ria e de t\u00e3o longa persegui\u00e7\u00e3o, Ptolomeu retirou-se, \u00e0 tarde, para algumas aldeias da Jud\u00e9ia e, encontrando-as cheias de mulheres e de crian\u00e7as, ordenou aos seus soldados que as estrangulassem, fizes\u00adsem-nas em peda\u00e7os e as lan\u00e7assem numa caldeira de \u00e1gua fervente, a fim de que os judeus que haviam escapado da batalha, ao chegar \u00e0quele lugar, pensas\u00adsem que os inimigos comiam carne humana e tivessem ainda maior medo deles. Estrab\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico que faz men\u00e7\u00e3o dessa horr\u00edvel desumanidade, pois Nicolau a refere tamb\u00e9m. Ptolomeu apoderou-se depois de Ptolemaida, \u00e0 for\u00e7a, como j\u00e1 dissemos em outro lugar.<\/p>\n<p>Quando a rainha Cle\u00f3patra viu que o seu filho crescia daquele modo em poder e devastava, sem resist\u00eancia, toda a Jud\u00e9ia, submetendo Gaza \u00e0 sua obedi\u00eancia e estando j\u00e1 quase \u00e0s portas do Egito, e que ele nada mais preten\u00addia al\u00e9m de se apoderar do pa\u00eds, julgou n\u00e3o dever esperar mais para enfrent\u00e1-lo. Assim, sem perder tempo, reuniu grandes for\u00e7as de terra e mar, cujo co\u00admando confiou a Chelcias e a Ananias, judeus de nascimento. Colocou em seguran\u00e7a, na ilha de Choos, a maior parte de suas riquezas, seus netos e seu testamento, mandou Alexandre, seu outro filho, para a Fen\u00edcia com uma gran\u00adde esquadra, porque aquela prov\u00edncia estava para se revoltar, e veio em pes\u00adsoa a Ptolemaida. Os seus habitantes, por\u00e9m, fecharam-lhe as portas, e ela sitiou-os. Quando Ptolomeu viu que ela havia deixado o Egito, para l\u00e1 partiu, na esperan\u00e7a de que facilmente dele se poderia apoderar, mas viu-se engana\u00addo em seus intentos. Por aquele mesmo tempo, Chelcias, um dos generais do ex\u00e9rcito de Cle\u00f3patra, que perseguia Ptolomeu, morreu na Baixa S\u00edria.<\/p>\n<p>Cle\u00f3patra, ao saber que as inten\u00e7\u00f5es do filho a respeito do Egito haviam sido frustradas, enviou para l\u00e1 uma parte de suas for\u00e7as, que o recha\u00e7aram totalmente. Assim, ele foi obrigado a voltar e passou o inverno em Gaza. Ent\u00e3o Cle\u00f3patra tomou Ptolemaida, onde Alexandre, rei dos ju\u00addeus, veio encontrar-se com ela, trazendo-lhe muitos presentes. Ela o rece\u00adbeu com prazer e como um pr\u00edncipe que, tendo sido t\u00e3o maltratado por Ptolomeu, somente a ela podia recorrer. Alguns servidores propuseram que ela se apoderasse do pa\u00eds, para n\u00e3o permitir que um n\u00famero t\u00e3o grande de judeus, homens de bem, estivesse sujeito a um \u00fanico homem. Mas Ananias aconselhou o contr\u00e1rio, dizendo que ela n\u00e3o podia com justi\u00e7a despojar um pr\u00edncipe que fizera alian\u00e7a com ela e era parente pr\u00f3ximo dele. Tamb\u00e9m n\u00e3o podia evitar dizer-lhe que, se ela fizesse aquela injusti\u00e7a, nenhum judeu deixaria de se tornar inimigo dela. Essas raz\u00f5es persuadiram-na, e assim, ela n\u00e3o somente evitou causar desprazer a Alexandre como renovou a alian\u00e7a com ele em Cit\u00f3polis, que \u00e9 uma cidade da Baixa S\u00edria.<\/p>\n<p>Logo que o pr\u00edncipe se viu livre dos receios quanto a Ptolomeu, entrou na Baixa S\u00edria, tomou a cidade de Gadara depois de um cerco de dez meses e Hamate logo em seguida, que \u00e9 a mais resistente de todas as fortalezas situadas sobre o Jord\u00e3o e na qual Teodoro, filho de Zen\u00e3o, havia posto tudo o que tinha de mais precioso. Teodoro, para vingar-se, atacou os judeus quando menos esperavam, matou cerca de dez mil e tomou toda a bagagem de Alexandre. Esse pr\u00edncipe, sem se abater com tal perda, n\u00e3o deixou de sitiar e de tomar Rafa, que est\u00e1 \u00e0 beira-mar, e Antedom, que Herodes depois chamou Agrip\u00edada. Vendo que Ptolomeu abandonara Gaza para voltar a Chipre e que a rainha Cle\u00f3patra, sua m\u00e3e, retomara tamb\u00e9m o caminho para o Egito, o seu ressenti\u00admento pelo fato de os moradores de Gaza haverem chamado Ptolomeu em seu aux\u00edlio, contra ele, levou-o a devastar-lhes o pa\u00eds e a siti\u00e1-los.<\/p>\n<p>Apolodoto, que os comandava, atacou o acampamento dos judeus com dois mil soldados estrangeiros e mil servidores que p\u00f4de reunir. Durante a noi\u00adte, ele obteve vantagem, porque os judeus estavam certos de que Ptolomeu viera em socorro dos sitiados, mas quando raiou o dia eles viram que se haviam enganado, retomaram \u00e2nimo e atacaram Apolodoto com tanta coragem que mataram ali mesmo mil de seus soldados. Os sitiados, por\u00e9m, n\u00e3o perderam a coragem, embora fossem ainda acossados pela fome. Preferiam sofrer at\u00e9 o fim a se entregar. Aretas, rei dos \u00e1rabes, que lhes prometia aux\u00edlio, fortalecia-os em seu intento. Mas Apolodoto foi morto \u00e0 trai\u00e7\u00e3o antes que esse rei tivesse chegado, e a cidade foi tomada. Foi Lis\u00edmaco, seu pr\u00f3prio irm\u00e3o, quem cometeu esse crime, por inveja do prest\u00edgio que os pr\u00f3prios e grandes m\u00e9ritos haviam granjeado a Apolodoto. Lis\u00edmaco ent\u00e3o reuniu um grupo de soldados e entre\u00adgou a pra\u00e7a a Alexandre.<\/p>\n<p>Quando esse pr\u00edncipe l\u00e1 entrou, parecia ter Esp\u00edrito de paz, mas depois en\u00adviou tropas \u00e0s quais permitiu castigar o povo com toda esp\u00e9cie de crueldade. Eles n\u00e3o pouparam um sequer de todos os que puderam matar, por\u00e9m isso cus\u00adtou tamb\u00e9m a vida a v\u00e1rios judeus, pois uma parte dos habitantes morreu com armas na m\u00e3o, defendendo-se valentemente, outros incendiaram as pr\u00f3prias casas, para impedir que fossem presa do inimigo, e outros mataram as pr\u00f3prias mulhe\u00adres e filhos, para evitar-lhes uma vergonhosa escravid\u00e3o. Sabendo que o senado estava reunido quando essas tropas sanguin\u00e1rias entravam na cidade, eles fugi\u00adram para o templo de Apoio, a fim de ali buscar asilo seguro, mas n\u00e3o o encon\u00adtraram. Alexandre mandou mat\u00e1-los e, depois de destruir a cidade, que conser\u00advava sitiada durante um ano, voltou a Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p>Por esse mesmo tempo, o rei Antioco Gripo foi morto \u00e0 trai\u00e7\u00e3o por Heracleu, na idade de quarenta e cinco anos, ap\u00f3s reinar vinte e nove. Seleuco, seu filho, sucedeu-o e fez guerra a Antioco Cizicenio, seu tio, aprisionou-o numa batalha e mandou mat\u00e1-lo. Pouco tempo depois, Antioco, filho de Cizicenio, e Antonino, cognominado Eus\u00e9bio, vieram a Arade, onde foram coroados reis. Eles fizeram guer\u00adra a Seleuco, venceram-no numa batalha e o expulsaram da S\u00edria. Ele fugiu para a Cil\u00edcia, onde foi recebido pelos mopseatas, mas, em vez de reconhecer a obriga\u00e7\u00e3o que lhes devia, quis ainda exigir deles tributo. Ent\u00e3o eles, n\u00e3o o podendo suportar, puseram fogo ao seu pal\u00e1cio, onde morreu queimado com os seus amigos.<\/p>\n<p>Enquanto esse Antioco reinava na S\u00edria, um outro Antioco, irm\u00e3o de Seleuco, fez-lhe guerra. Mas foi derrotado com todo o seu ex\u00e9rcito. Filipe, seu irm\u00e3o, fez-se coroar rei e reinou numa parte da S\u00edria. No entanto, Ptolomeu Latur mandou chamar Dem\u00e9trio Eucero, seu quarto irm\u00e3o, em Gnida, o constituiu rei em Damasco. Antioco resistiu valentemente a esses dois irm\u00e3os, mas n\u00e3o viveu por muito tempo. Tendo partido para Laodic\u00e9ia em aux\u00edlio da rainha dos galadenianos, que faziam guerra aos partos, foi morto numa batalha, lutando corajosamente. Filipe e Dem\u00e9trio, que eram irm\u00e3os, com a morte dele ficaram de posse pac\u00edfica do reino da S\u00edria, como j\u00e1 dissemos em outro lugar.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, Alexandre, rei dos judeus, viu turbar-se o seu reino, pelo \u00f3dio que o povo tinha contra ele. No dia da festa dos Tabern\u00e1culos, quando se levam ramos de palmas e de limoeiros, ele preparava-se para oferecer sacrif\u00edcio. O povo n\u00e3o se contentou de lhe lan\u00e7ar lim\u00f5es \u00e0 cabe\u00e7a, mas o ofendeu com palavras, dizendo que, tendo sido escravo, ele n\u00e3o merecia honra alguma e era indigno de oferecer sacrif\u00edcios a Deus. Ele ficou de tal modo enfurecido que mandou matar uns seis mil deles e em seguida reprimiu o esfor\u00e7o da multid\u00e3o irritada com uma cerca de madeira que mandou fazer ao redor do Templo e do altar, e que se estendia at\u00e9 o lugar onde somente os sacerdotes t\u00eam direito de entrar.<\/p>\n<p>Ele assalariou soldados pis\u00eddios e cil\u00edcios porque, sendo inimigo dos s\u00edrios, n\u00e3o se servia deles. Venceu depois os \u00e1rabes, imp\u00f4s tributos aos moabitas e aos galaditas e destruiu Hamate sem que Teodoro se atrevesse a dar-lhe combate. Fez tamb\u00e9m guerra a Obede, rei dos \u00e1rabes, mas, tendo ca\u00eddo numa embosca\u00adda perto de Gadara, na Galil\u00e9ia, impelido por um grande n\u00famero de camelos a um estreito muito apertado e dif\u00edcil de transpor, chegou a salvo com muita dificuldade em Jerusal\u00e9m. Esse mau resultado foi seguido de uma guerra que seus s\u00faditos lhe moveram durante seis anos. Ele matou mais ou menos uns cinq\u00fcenta mil deles e, embora tudo fizesse para estar bem com eles, o \u00f3dio que lhe tinham era t\u00e3o violento que, quanto mais queria acalm\u00e1-lo, tanto mais ele aumentava. Assim, perguntando-lhes um dia o que queriam que fizesse para content\u00e1-los, todos exclamaram que ele devia se matar. Mandaram ent\u00e3o ime\u00addiatamente chamar Dem\u00e9trio Eucero, para pedir-lhe aux\u00edlio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois que Ptolomeu Latur tomou Azoto de assalto, foi a S\u00e9foris, que fica pr\u00f3xima, e atacou-a, mas foi repelido, com grandes perdas. Em vez de continuar esse ass\u00e9dio, ele marchou contra Alexandre, rei dos ju\u00addeus. Encontrou-o em Azofe, muito perto do Jord\u00e3o, e acampou em frente dele. 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