{"id":338,"date":"2015-04-03T01:02:01","date_gmt":"2015-04-03T01:02:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=338"},"modified":"2015-04-03T01:02:01","modified_gmt":"2015-04-03T01:02:01","slug":"capitulo-8-demetrio-nicanor-filho-do-rei-demetrio-entra-na-cilicia-com-um-exercito-o-rei-alexandre-balas-da-o-comando-de-seu-exercito-a-apolonio-que-injustamente-ataca-jonatas-sumo-sacerdote-j","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-8-demetrio-nicanor-filho-do-rei-demetrio-entra-na-cilicia-com-um-exercito-o-rei-alexandre-balas-da-o-comando-de-seu-exercito-a-apolonio-que-injustamente-ataca-jonatas-sumo-sacerdote-j\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 8 &#8211; Demetrio Nicanor, filho do rei Demetrio, entra na Cil\u00edcia com um ex\u00e9rcito. O rei Alexandre Balas d\u00e1 o comando de seu ex\u00e9rcito a Apol\u00f4nio, que injustamente ataca J\u00f4natas, sumo sacerdote. J\u00f4natas o derrota, toma Azoto e incendeia o templo de Dagom. Ptolomeu Filometer, rei do Egito, vem em aux\u00edlio do rei Alexandre, seu genro, que lhe arma emboscadas por meio de Amorno. Ptolomeu tira-lhe afilha e a d\u00e1 em casamento a Dem\u00e9trio. Os habitantes de Antioquia recebem Ptolomeu, e expulsam Alexandre, que retorna com um ex\u00e9rcito. Ptolomeu e Dem\u00e9trio combatem e vencem Alexandre. Ptolomeu muito ferido, morre, por\u00e9m antes v\u00ea a cabe\u00e7a de Alexandre, enviada por um pr\u00edncipe \u00e1rabe, f\u00f4natas cerca a fortaleza de Jerusal\u00e9m e aplaca com presentes o rei Dem\u00e9trio, que concede novas gra\u00e7as aos judeus. Esse pr\u00edncipe, vendo-se em paz, dispensa os seus antigos soldados."},"content":{"rendered":"<p>No ano cento e sessenta e cinco, Dem\u00e9trio, cognominado Nicanor, filho do rei Dem\u00e9trio, tomou sob pagamento um grande n\u00famero de soldados que Lastene, de Creta, lhe forneceu, embarcou nessa ilha e foi \u00e0 Cil\u00edcia. Essa not\u00edcia deixou muito perturbado o rei Alexandre Balas, que ent\u00e3o estava na Fen\u00edcia. Ele partiu imediata\u00admente para Antioquia, a fim de prevenir-se antes da chegada de Dem\u00e9trio, e deu o comando de seu ex\u00e9rcito a Apol\u00f4nio Davo. Esse general avan\u00e7ou para )amnia e mandou dizer a J\u00f4natas, sumo sacerdote, que era estranho que ele fosse o \u00fanico a viver \u00e0 vontade e em paz sem prestar nenhum servi\u00e7o ao rei; que n\u00e3o permitiria por mais tempo a censura que todos lhe moviam de n\u00e3o obrig\u00e1-lo ao cumprimento do dever; que ele n\u00e3o se iludisse na esperan\u00e7a de que n\u00e3o o poderiam atacar nos mon\u00adtes; que, se de fato ele era valente e tinha confian\u00e7a em suas for\u00e7as, como queria que se pensasse, viesse ent\u00e3o \u00e0 plan\u00edcie para encerrar aquela quest\u00e3o por meio de um combate, cujo resultado haveria de mostrar qual dos dois era o mais valente; que ele estivesse avisado de que tinha os melhores soldados, recrutados em todos os lugares da terra, os quais estavam acostumados a vencer; e que aquele combate se daria num lugar onde se teria necessidade de armas, e n\u00e3o de pedras, e onde os vencidos n\u00e3o podiam esperar a salva\u00e7\u00e3o pela fuga.<\/p>\n<p>J\u00f4natas, irritado com tais bravatas, partiu imediatamente de Jerusal\u00e9m com dez mil homens escolhidos, acompanhado por Sim\u00e3o, seu irm\u00e3o, e foi acam\u00adpar pr\u00f3ximo da cidade de Jope. Os habitantes fecharam-lhes as portas. Ven\u00addo, por\u00e9m, que ele se preparava para for\u00e7\u00e1-las, abriram-nas. Quando Apol\u00f4nio soube que ele havia se apoderado da cidade, marchou por Azoto com oito mil soldados de infantaria e tr\u00eas mil de cavalaria. Em seguida, aproximou-se de Jope em marchas pequenas, sem rumor, e depois afastou-se um pouco para atacar J\u00f4natas na plan\u00edcie, porque confiava na sua cavalaria. J\u00f4natas avan\u00ad\u00e7ou e o perseguiu at\u00e9 Azoto.<\/p>\n<p>Apol\u00f4nio, mal o viu na plan\u00edcie, mudou de id\u00e9ia e mandou sair ao mesmo tempo mil cavaleiros de uma emboscada que havia preparado numa torrente a fim de atacar os judeus pela retaguarda. J\u00f4natas, que previra o movimento, n\u00e3o se admi\u00adrou. Formou um batalh\u00e3o compacto, em quadrados, para poder resistir de todos os lados, e exortou os seus a mostrar toda a sua coragem naquela eventualidade.<\/p>\n<p>O combate durou at\u00e9 a tarde. J\u00f4natas deu o comando de uma parte do ex\u00e9r\u00adcito a Sim\u00e3o, seu irm\u00e3o, e ordenou \u00e0s tropas perto dele que se cobrissem com os escudos, para receber os dardos da cavalaria inimiga. Eles fizeram assim, e a cavalaria gastou todos os seus dardos sem conseguir causar-lhes mal algum. Quando Sim\u00e3o viu que os inimigos estavam cansados por terem lan\u00e7ado tantos dardos inutilmente o dia todo, atacou-os com tanta viol\u00eancia, principalmente a infantaria, que os derrotou. A fuga atemorizou tamb\u00e9m a cavalaria, e assim ela foi desbaratada e fugiu desordenadamente, j\u00f4natas os perseguiu at\u00e9 Azoto e matou um grande n\u00famero deles. O resto refugiou-se num templo de Dagom, mas ele entrou na cidade e mandou incendi\u00e1-la, fazendo o mesmo com as cida\u00addes da vizinhan\u00e7a. Tamb\u00e9m n\u00e3o respeitou o templo e o incendiou, e assim mor\u00adreram queimados todos os que nele se haviam refugiado.<\/p>\n<p>O n\u00famero dos inimigos que pereceram nesse dia, tanto pelas chamas quanto pelas armas, foi de dez mil homens. J\u00f4natas, ao sair de Azoto, acampou pr\u00f3ximo de Asquelom. Os habitantes ofereceram-lhe presentes. Ele os recebeu, agrade\u00adceu-lhes a boa vontade e retornou vitorioso a Jerusal\u00e9m, com ricos despojos. O rei Alexandre Balas mostrou-se satisfeito com a derrota de Apol\u00f4nio, porque este havia atacado o seu amigo e os seus confederados contra a sua vontade. E, para mostrar a J\u00f4natas em que estima ele tinha o seu valor, mandou-lhe um broche de ouro que somente os parentes dos reis podiam usar e deu-lhe perpetuamente Acarom e seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Nesse mesmo tempo, o rei Ptolomeu Filometer veio \u00e0 S\u00edria com for\u00e7as de terra e de mar, em socorro de Alexandre, seu genro, por ordem de quem todas as cidades o receberam com alegria, exceto Azoto, que lhe fez grandes queixas de j\u00f4natas, por ele haver incendiado o templo de Dagom e todo o pa\u00eds, passando-o a ferro e fogo, ao que esse rei nada respondeu. J\u00f4natas dirigiu-se a Jope, onde ele estava, e foi muito bem recebido. Depois de acompanh\u00e1-lo at\u00e9 o rio de Eleut\u00e9rio, voltou a Jerusal\u00e9m com ricos presentes, ofertados pelo pr\u00edncipe.<\/p>\n<p>Enquanto Ptolomeu estava em Ptolemaida, pouco faltou que n\u00e3o pere\u00adcesse numa emboscada que Alexandre lhe armara por meio de Am\u00f4nio, seu amigo. Mas ele descobriu e escreveu a Alexandre, dizendo que punisse aquele traidor como merecia. Vendo que ele n\u00e3o fazia caso, n\u00e3o duvidou em pensar que fora o pr\u00f3prio Alexandre o autor de t\u00e3o grande trai\u00e7\u00e3o e ficou irritado contra o p\u00e9rfido pr\u00edncipe, que j\u00e1 se tornara odioso aos habitantes de Antioquia por causa desse mesmo Am\u00f4nio, que lhes havia feito muito mal. O detest\u00e1vel ministro de t\u00e3o negra a\u00e7\u00e3o n\u00e3o deixou, no entanto, de receber o castigo que merecia. Tendo se vestido de mulher, para se salvar, foi morto nessa ocasi\u00e3o, perdendo a vida de forma vergonhosa, como diremos mais tarde.<\/p>\n<p>Ptolomeu, arrependendo-se da alian\u00e7a que fizera com Alexandre e de hav\u00ea-lo ajudado, tirou-lhe a filha e enviou embaixadores a Demetrio para oferec\u00ea-la a este em matrim\u00f4nio, com a promessa de restaur\u00e1-la no seu reino. Ele rece\u00adbeu o oferecimento com grande alegria, e assim, nada mais restava a Ptolomeu sen\u00e3o persuadir os de Antioquia a receber esse jovem pr\u00edncipe, contra o qual estavam indispostos, por causa da lembran\u00e7a do que haviam sofrido sob o reina\u00addo de seu pai. E eles, devido ao \u00f3dio que sentiam de Alexandre, por causa de Am\u00f4nio, resolveram, sem mais, expuls\u00e1-lo da cidade.<\/p>\n<p>Alexandre retirou-se para a Cil\u00edcia, e Ptolomeu Filometer entrou em Antioquia, onde foi saudado como rei pelos habitantes e pelo seu ex\u00e9rcito. Por isso foi obri\u00adgado permitir que lhe colocassem na cabe\u00e7a dois diademas: um de rei da \u00c1sia e outro de rei do Egito. Mas ele era naturalmente justo, muito prudente, modera\u00addo e pouco ambicioso, e n\u00e3o queria ofender os romanos. Por essa raz\u00e3o reuniu todos habitantes dessa grande cidade e os persuadiu a receber Demetrio como rei, garantindo-lhes que, por lhe dever Demetrio muitas obriga\u00e7\u00f5es, este esque\u00adceria a inimizade que houvera entre seu pai e eles. A isso ele acrescentou que o orientaria sobre a maneira de bem governar e recomendar-lhe-ia que nada fizes\u00adse que fosse indigno de um pr\u00edncipe. Quanto a ele, contentava-se com o reino do Egito. Assim, esse s\u00e1bio rei os persuadiu a receber Demetrio.<\/p>\n<p>Alexandre, depois de reunir um grande ex\u00e9rcito, entrou na Cil\u00edcia e na S\u00edria, devastou-as e incendiou tudo. Ptolomeu e Demetrio, ent\u00e3o seu genro, com\u00adbateram-no e o venceram, obrigando-o a fugir para a Ar\u00e1bia. Aconteceu nessa batalha que o cavalo de Ptolomeu assustou-se com o barrido de um elefante e jogou-o por terra. Os inimigos imediatamente o rodearam de todos os lados e o teriam matado os seus guardas n\u00e3o o tivessem tirado daquele perigo. Mas ele recebeu tantas feridas na cabe\u00e7a que ficou quatro dias sem poder falar nem compreender o que lhe diziam. No quinto dia, quando come\u00e7ava a voltar a si, um pr\u00edncipe \u00e1rabe, de nome Zabez, mandou-lhe a cabe\u00e7a de Alexandre. Assim ele soube ao mesmo tempo da morte de seu inimigo e viu com os pr\u00f3prios olhos que a not\u00edcia era verdadeira. Mas a sua alegria n\u00e3o durou muito, pois logo em seguida ela tamb\u00e9m terminou, junto com a sua vida. Alexandre Balas reinou apenas cinco anos, como j\u00e1 dissemos.<\/p>\n<p>Demetrio Nicanor, com a morte de Alexandre, entrou na posse do reino e logo deu mostras de seu mau g\u00eanio. Esquecendo-se de todas as obriga\u00e7\u00f5es que devia a Ptolomeu Filometer e da alian\u00e7a que fizera com ele, pelo casamento com Cle\u00f3patra, tratou t\u00e3o mal os seus soldados que eles se retiraram para Alexandria, detestando a sua ingratid\u00e3o. Deixaram-lhe, por\u00e9m, os elefantes.<\/p>\n<p>Nesse mesmo tempo, J\u00f4natas, sumo sacerdote, reuniu todas as suas for\u00e7as na Jud\u00e9ia, para atacar a fortaleza de Jerusal\u00e9m, onde havia uma guarni\u00e7\u00e3o de maced\u00f4nios e para onde os judeus desertores da religi\u00e3o de seus antepassados se haviam retirado. A confian\u00e7a na resist\u00eancia da pra\u00e7a fez com que eles, no in\u00edcio, zombassem daquela empresa, e alguns desses judeus foram avisar Demetrio do ass\u00e9dio. Ele ficou t\u00e3o encolerizado que partiu de Antioquia com o seu ex\u00e9rcito, para marchar contra J\u00f4natas. Quando chegou a Ptolemaida, escreveu-lhe dizendo que viesse encontr\u00e1-lo, e j\u00f4natas foi, sem abandonar o cerco. Fez-se acompanhar por alguns sacerdotes e anci\u00e3os do povo, e levou-lhe ouro, prata, ricos vestess e grande quantidade de outros presentes, que aplacaram a sua c\u00f3lera.<\/p>\n<p>Ele o recebeu com grande honra, confirmou-o no sumo sacerd\u00f3cio, como os reis seus predecessores haviam feito, e n\u00e3o somente deixou de prestar f\u00e9 \u00e0s acusa\u00e7\u00f5es dos judeus tr\u00e2nsfugas como ainda decretou que toda a Jud\u00e9ia e as tr\u00eas prov\u00edncias que a ela estavam unidas, a saber, Samaria, Jope e a Calil\u00e9ia, pagariam doravante apenas trezentos talentos de tributo, no total, como se v\u00ea pelas cartas que ele fez expedir, nestes termos: &#8220;O rei Demetrio a J\u00f4natas, seu irm\u00e3o e \u00e0 na\u00e7\u00e3o dos judeus, sauda\u00e7\u00e3o. Mandamo-vos c\u00f3pia da carta que escre\u00advemos a Lastenes, nosso parente, a fim de que vejais o que ela cont\u00e9m: O rei Demetrio, a Lastenes, nosso pai, sauda\u00e7\u00e3o. Querendo mostrar aos judeus o quanto estamos satisfeitos pela maneira como correspondem por suas a\u00e7\u00f5es ao afeto que lhes dedicamos e dar-lhes provas disso, ordenamos que os tr\u00eas bailiados de Aferema, Lida e Ramate, com os seus territ\u00f3rios, sejam tirados de Samaria e anexados \u00e0 Jud\u00e9ia e lhes restitu\u00edmos tudo o que os reis nossos prede\u00adcessores estavam habituados a receber dos que iam oferecer sacrif\u00edcios em Je\u00adrusal\u00e9m, bem como os outros tributos que deles tiravam, provenientes dos frutos da terra e das \u00e1rvores. N\u00f3s os dispensamos, al\u00e9m disso, do imposto do direito de gabela e dos presentes que davam aos reis, sem que nada mais, por esse motivo, se exija deles para o futuro. Dai, pois, ordem para que o nosso desejo seja satisfeito e enviai uma c\u00f3pia desta carta a J\u00f4natas, para ser conser\u00advada num lugar muito digno do santo Templo&#8221;.<\/p>\n<p>514.\u00a0 Dem\u00e9trio, vendo-se em paz, julgou nada mais ter a recear. Licenciou as suas tropas, das quais antes havia diminu\u00eddo o soldo, e conservou somente os estrangeiros por ele trazidos de Creta e das outras ilhas. Assim, ele atraiu a ira de seus pr\u00f3prios soldados, os quais os reis predecessores n\u00e3o trataram do mesmo modo, pagando-os mesmo em tempo de paz, a fim de que eles estivessem sempre prontos para servi-los com afeto quando deles tivessem necessidade na guerra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No ano cento e sessenta e cinco, Dem\u00e9trio, cognominado Nicanor, filho do rei Dem\u00e9trio, tomou sob pagamento um grande n\u00famero de soldados que Lastene, de Creta, lhe forneceu, embarcou nessa ilha e foi \u00e0 Cil\u00edcia. Essa not\u00edcia deixou muito perturbado o rei Alexandre Balas, que ent\u00e3o estava na Fen\u00edcia. 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