{"id":292,"date":"2015-04-03T00:50:54","date_gmt":"2015-04-03T00:50:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=292"},"modified":"2015-04-03T00:50:54","modified_gmt":"2015-04-03T00:50:54","slug":"capitulo-4-jose-sobrinho-do-sumo-sacerdote-onias-obtem-de-ptolomeu-rei-do-egito-o-perdao-para-o-tio-conquista-as-boas-gracas-do-principe-e-faz-grande-fortuna-hircano-filho-de-jose-coloca-se","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-4-jose-sobrinho-do-sumo-sacerdote-onias-obtem-de-ptolomeu-rei-do-egito-o-perdao-para-o-tio-conquista-as-boas-gracas-do-principe-e-faz-grande-fortuna-hircano-filho-de-jose-coloca-se\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 4 &#8211; Jos\u00e9, sobrinho do sumo sacerdote Onias, obt\u00e9m de Ptolomeu, rei do Egito, o perd\u00e3o para o tio, conquista as boas gra\u00e7as do pr\u00edncipe e faz grande fortuna. Hircano, filho de Jos\u00e9, coloca-se tamb\u00e9m otimamente no Esp\u00edrito de Ptolomeu. Morte de Jos\u00e9."},"content":{"rendered":"<p>Jos\u00e9, filho de Tobias e de uma irm\u00e3 de Onias, o qual, embora muito jovem, era t\u00e3o sensato e virtuoso que todos o honravam em Jerusal\u00e9m, tendo sabido de sua m\u00e3e, no seu pa\u00eds natal, de nome Ficola, que chegara um homem da parte do rei para o fim de que falamos, foi imediatamente ter com Onias, seu tio, e disse-lhe que era estranho que, tendo sido escolhido pelo povo para a honra do sumo sacerd\u00f3cio, tivesse t\u00e3o pouco interesse pelo bem p\u00fablico, a pon\u00adto de n\u00e3o temer colocar todos os seus concidad\u00e3os em perigo por n\u00e3o pagar o que devia. Se a sua paix\u00e3o pelo dinheiro era t\u00e3o grande que o fazia desprezar os interesses do pa\u00eds, ele devia pelo menos ir ter com o rei e pedir-lhe que perdoasse toda ou parte da soma a pagar.<\/p>\n<p>Onias respondeu-lhe que pouco se importava com o sumo sacerd\u00f3cio e pre\u00adferia renunci\u00e1-lo a procurar o rei. Jos\u00e9, ent\u00e3o, rogou que lhe permitisse falar ao rei em nome dos habitantes de Jerusal\u00e9m. Tendo obtido com facilidade a permis\u00ads\u00e3o, mandou reunir todo o povo no Templo e disse-lhes que a neglig\u00eancia de seu tio n\u00e3o os devia atemorizar e que se oferecia para ir falar com o rei, da parte deles, a fim de provar-lhe que nada haviam feito que pudesse desagrad\u00e1-lo. O povo agradeceu-lhe muito, e Jos\u00e9 foi imediatamente procurar o deputado do rei, levou-o \u00e0 sua casa, tratou-o bem durante alguns dias, deu-lhe muitos presentes e disse que o seguiria at\u00e9 o Egito. Tanta delicadeza, unida \u00e0 franqueza e \u00e0s excelen\u00adtes qualidades de Jos\u00e9, ganharam de tal modo o cora\u00e7\u00e3o de Ateniom que ele mesmo o exortou a fazer aquela viagem e prometeu-lhe uma boa ajuda, a fim de que ele sem dificuldade conseguisse do rei tudo o que desejava.<\/p>\n<p>Quando o deputado regressou para junto do rei, censurou muito a ingratid\u00e3o de Onias, mas n\u00e3o poupou elogios a Jos\u00e9 e garantiu-lhe as raz\u00f5es do povo, cuja defesa fora obrigado a empreender por causa da neglig\u00eancia do tio. O mesmo deputado continuou a prestar t\u00e3o bons servi\u00e7os a Jos\u00e9 que o rei e a rainha Cle\u00f3patra, sua mulher, conceberam grande afeto por ele, mesmo antes de t\u00ea-lo visto. Jos\u00e9 arranjou dinheiro com amigos que tinha em Samaria. Empregou vinte mil dracmas nos pre\u00adparativos e partiu para Alexandria. Encontrou no caminho os mais ilustres das cida\u00addes da S\u00edria e da Fen\u00edcia, que iam tratar com o rei sobre o tributo que deviam pagar, o qual o pr\u00edncipe impunha todos os anos aos mais ricos. Eles zombaram da pobreza de Jos\u00e9, e aconteceu que, quando chegaram, o rei voltava de M\u00eanfis.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 foi \u00e0 sua presen\u00e7a e encontrou-o ainda no carro com a rainha sua esposa. Ateniom l\u00e1 estava tamb\u00e9m e, logo que viu Jos\u00e9, disse ao rei que era aquele o judeu de quem havia falado. O rei saudou-o, pediu que subisse ao carro e fez-lhe amargas queixas de Onias. Jos\u00e9 respondeu que o rei devia perdoar a velhice do tio, pois os velhos em nada diferem das crian\u00e7as, e que ele e todos os outros, que eram jovens, nada fariam que pudesse desagrad\u00e1-lo. Essa resposta t\u00e3o sensata aumentou ainda a afei\u00e7\u00e3o que o rei j\u00e1 concebera por ele. Ordenou que o alojas\u00adsem no pal\u00e1cio e convidou-o \u00e0 sua mesa. Isso causou n\u00e3o pouco desprazer aos s\u00edrios que Jos\u00e9 havia encontrado no caminho.<\/p>\n<p>No dia da adjudica\u00e7\u00e3o dos tributos, os da S\u00edria, da Fen\u00edcia, da jud\u00e9ia e de Samaria, todos juntos, chegaram \u00e0 soma de oito mil talentos. Jos\u00e9, ent\u00e3o, cen\u00adsurou-os por se reunirem para contribuir com t\u00e3o pouco e ofereceu-se para dar duas vezes aquela import\u00e2ncia e deixar ainda, em favor do rei, o confisco dos condenados, do qual pretendiam aproveitar-se. O rei viu com prazer que Jos\u00e9 aumentava as suas rendas, mas perguntou que cau\u00e7\u00f5es oferecia. Jos\u00e9 respon\u00addeu, com gentileza, que eram muito boas, as quais o rei n\u00e3o poderia recusar. O rei pediu-lhe que as apresentasse, e ele disse: &#8220;Minhas cau\u00e7\u00f5es, majestade, ser\u00e3o vossa majestade e a rainha, pois ambos respondereis por mim&#8221;. O pr\u00ednci\u00adpe sorriu e adjudicou-lhe os tributos sem exigir cau\u00e7\u00e3o. Assim, os homens ilus\u00adtres das outras cidades, que tamb\u00e9m estavam ali, voltaram confusos para os seus pa\u00edses.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 tomou depois dois mil homens das tropas do rei, a fim de for\u00e7ar os recusantes a pagar os tributos, e, depois de entregar a Alexandre quinhentos talentos da parte dos que estavam em melhor condi\u00e7\u00e3o na corte, foi para a S\u00edria. Os habitantes de Asquelom foram os primeiros a desprezar as suas ordens. E, n\u00e3o se contentando em n\u00e3o querer pagar, ultrajaram-no com palavras. Mas ele sou\u00adbe castig\u00e1-los. Ordenou imediatamente a pris\u00e3o de vinte dos principais do povo e os mandou matar. Depois escreveu ao rei, para prestar contas do que havia feito, e enviou-lhe mil talentos, provenientes do confisco. O pr\u00edncipe ficou t\u00e3o satisfeito com o seu proceder que o elogiou magnificamente e permitiu que, dali por diante, fizesse do confisco o uso que desejasse.<\/p>\n<p>O castigo dos ascalonitas encheu de temor as outras cidades da S\u00edria, que lhe abriram as portas e pagaram o tributo sem dificuldade alguma. Os habitantes de Cit\u00f3polis, contudo, tamb\u00e9m recusaram pagar e igualmente ultrajaram Jos\u00e9. Ele os tratou como aos ascalonitas e enviou tamb\u00e9m ao rei o que obteve do confisco. Aumentando as rendas do rei, fez a si mesmo um grande benef\u00edcio. E, como era muito sensato, julgou dever servir-se disso para aumentar o pr\u00f3prio prest\u00edgio. Por isso, n\u00e3o se contentou em dar inteira satisfa\u00e7\u00e3o ao pr\u00edncipe, mas fez grandes pre\u00adsentes aos que desfrutavam o favor do soberano e aos mais ilustres da corte.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 passou vinte e dois anos desse modo, sempre em franca prosperida\u00adde. Teve sete filhos de uma esposa e um oitavo, de nome Hircano, de outra, que era filha de Solim, seu irm\u00e3o, e que desposara como vou narrar. Partiu ele para Alexandria com Solim, que para l\u00e1 levara a filha a fim de cas\u00e1-la com alguma personalidade importante de sua na\u00e7\u00e3o. Jos\u00e9 ceava com o rei, e uma jovem muito bela dan\u00e7ou com tanta gra\u00e7a diante do pr\u00edncipe que conquistou o cora\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9. Ele falou com o irm\u00e3o e rogou-lhe que, como a sua lei n\u00e3o lhe permitia despos\u00e1-la, providenciasse um meio para que pudesse t\u00ea-la como senhora. Solim o prometeu, mas \u00e0 noite, em vez disso, mandou colocar na cama de Jos\u00e9 a pr\u00f3pria filha, muito bem trajada. Jos\u00e9, que naquele dia estava muito contente, n\u00e3o perce\u00adbeu a fraude.<\/p>\n<p>O amor de Jos\u00e9 aumentou ainda mais, e ele disse ao irm\u00e3o que, n\u00e3o podendo vencer aquela paix\u00e3o, temia que o rei n\u00e3o lhe quisesse mais dar aquela jovem. Solim disse-lhe para n\u00e3o ficar apreensivo, pois poderia, sem temor, satisfazer o seu desejo e despos\u00e1-la. Disse-lhe depois quem ela era e de como preferira per\u00admitir que a pr\u00f3pria filha sofresse aquela vergonha a deixar que ele se submetesse a outra ainda maior. Jos\u00e9 agradeceu-lhe o afeto demonstrado e desposou a filha dele, da qual teve Hircano, de quem acabamos de falar. Este demonstrou, desde a idade de treze anos, tanta intelig\u00eancia e sabedoria que sobrepujava todos os outros irm\u00e3os. Mas as suas excelentes qualidades, em vez de faz\u00ea-lo amado, despertaram neles \u00f3dio e inveja.<\/p>\n<p>Jos\u00e9, querendo saber qual dos filhos do primeiro matrim\u00f4nio era o melhor, mandou educ\u00e1-los e instru\u00ed-los com grande cuidado por excelentes mestres. Eram, por\u00e9m, t\u00e3o pregui\u00e7osos que voltaram dos estudos t\u00e3o ignorantes como quando partiram. Mandou depois Hircano, que era o mais jovem de todos, com trezentos pares de bois para o deserto, a sete dias dali, a fim de faz\u00ea-lo trabalhar a terra e seme\u00e1-la, mas deu ordem para que, secretamente, se tiras\u00adsem os arreios necess\u00e1rios para os atrelar. Assim, quando Hircano chegou ao lugar determinado, aconselharam-no a voltar ao seu pai para obter os arreios. Como, no entanto, ele n\u00e3o queria perder tempo, serviu-se de um expediente que superava a sua idade. Mandou matar uns vinte daqueles bois, deu a car\u00adne para os servos comerem e usou o couro para fazer os arreios. Assim, arou e semeou a terra. O pai, ao regresso dele, abra\u00e7ou-o e o louvou muito por aquela atitude. Essa demonstra\u00e7\u00e3o de ju\u00edzo e intelig\u00eancia aumentou ainda mais o afeto que o pai sentia por ele, e Jos\u00e9 sempre o amou como se fosse o \u00fanico filho. Entretanto crescia cada vez mais entre os irm\u00e3os de Hircano o despeito e a inveja.<\/p>\n<p>A not\u00edcia de que o rei Ptolomeu tivera mais um filho causou muita alegria e regozijo em toda a S\u00edria. Os mais ilustres do pa\u00eds foram, por esse motivo, com grande aparato a Alexandria. Jos\u00e9 foi obrigado a ficar, por causa da idade avan\u00ad\u00e7ada, mas pediu aos filhos do primeiro matrim\u00f4nio que fizessem aquela viagem. Eles n\u00e3o quiseram ir porque, diziam, n\u00e3o conheciam os costumes da corte nem sabiam tratar com os reis, mas que ele poderia enviar Hircano, o irm\u00e3o mais mo\u00e7o. Jos\u00e9 ficou muito satisfeito com essa proposta e perguntou a Hircano se estava disposto a ir. Ele respondeu que sim e que dez mil dracmas lhe seriam suficientes, porque n\u00e3o queria fazer muitas despesas. Quanto aos presentes que devia oferecer ao rei, julgava que n\u00e3o seria preciso envi\u00e1-los por ele, mas poderia mandar que lhe fosse entregue em Alexandria o dinheiro necess\u00e1rio para com\u00adprar algo raro e de grande valor e oferec\u00ea-lo, de sua parte, ao pr\u00edncipe.<\/p>\n<p>O pai, que era bom administrador, ficou t\u00e3o satisfeito com a modera\u00e7\u00e3o e sabedoria do filho que julgou que dez talentos bastariam para os presentes e escreveu a Ariom que os entregasse. Ariom era o encarregado de manusear todo o dinheiro que se mandava da S\u00edria para Alexandria para pagar ao rei os tributos quando o prazo expirasse. Passavam-lhe todos os anos pelas m\u00e3os mais ou me\u00adnos tr\u00eas mil talentos. Hircano partiu com as cartas e, chegando a Alexandria, entregou-as a Ariom. Este perguntou a Hircano quanto iria querer, julgando que ele pediria dez talentos ou um pouco mais. Mas ele exigiu mil talentos.<\/p>\n<p>O homem ficou t\u00e3o encolerizado que o repreendeu, dizendo-lhe que, em vez de seguir o exemplo do pai, que economizara e ajuntara riquezas com trabalho e modera\u00e7\u00e3o, ele queria gast\u00e1-las em superfluidades e em coisas desnecess\u00e1rias e que s\u00f3 lhe daria dez talentos, conforme a ordem recebida e ainda com a condi\u00e7\u00e3o de serem empregados unicamente na compra de presentes para o rei. Hircano, irritado com essa resposta, mandou prender Ariom, mas como esse homem tinha grande prest\u00edgio perante a rainha Cle\u00f3patra, mandou a esposa procur\u00e1-la para informar o que se passava e suplicar que mandasse castigar t\u00e3o grande insol\u00eancia.<\/p>\n<p>A princesa falou com o rei, que logo mandou perguntar a Hircano por que, tendo sido enviado a ele por seu pai, n\u00e3o viera ainda cumpriment\u00e1-lo e por que mandara colocar Ariom na pris\u00e3o. Ele respondeu que a lei de seu pa\u00eds proibia aos filhos de fam\u00edlia provar carnes imoladas antes que entrassem no Templo para oferecer sacrif\u00edcios a Deus, e ele julgara que n\u00e3o devia comparecer diante de sua majestade at\u00e9 poder oferecer os presentes de que seu pai o havia encarregado, nara demonstrar o seu reconhecimento pelos favores que devia ao soberano.<\/p>\n<p>Quanto a Ariom, ele o havia castigado com justi\u00e7a por n\u00e3o ter querido obedecer-lhe, pois os senhores, quer grandes, quer pequenos, t\u00eam igual poder sobre os seus servidores, e, se os particulares n\u00e3o fossem obedecidos pelos seus senhores, os pr\u00f3prios reis poderiam ser desprezados pelos seus s\u00faditos. O rei sorriu e admi\u00adrou a resolu\u00e7\u00e3o do mo\u00e7o. Assim, Ariom n\u00e3o fez mais oposi\u00e7\u00e3o a ele e, para sair da pris\u00e3o, entregou os mil talentos que ele pedia.<\/p>\n<p>Tr\u00eas dias depois, Hircano foi prestar a sua homenagem ao rei e \u00e0 rainha, que o receberam muito favoravelmente, concedendo-lhe a grande honra de comer \u00e0 sua mesa, pelo afeto que nutriam por seu pai. Ele comprou depois secretamente cem mo\u00e7os belos e apresent\u00e1veis e instru\u00eddos nas letras, que lhe custaram um talento cada um, e tamb\u00e9m cem mo\u00e7as, pelo mesmo pre\u00e7o. O rei, em seguida, deu um banquete aos mais ilustres de suas prov\u00edncias e mandou convid\u00e1-lo, por\u00e9m o colocaram no lugar mais afastado. Os outros convidados desprezavam-no por sua pouca idade e por isso puseram diante dele os ossos das iguarias que haviam comido, sem que Hircano se mostrasse ofendido.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, um certo Trifom, que fazia alarde ao zombar de todos e divertia o rei com os seus chistes, disse, para fazer rir os convidados: &#8220;Majestade! Veja a quanti\u00addade de ossos que est\u00e1 diante de Hircano e poder\u00e1 assim imaginar de que maneira o seu pai r\u00f3i toda a S\u00edria&#8221;. Essas palavras provocaram gargalhadas, e o rei pergun\u00adtou a Hircano como \u00e9 que ele tinha diante de si tantos ossos. Respondeu ele: &#8220;Vossa majestade n\u00e3o se deve admirar, pois os c\u00e3es comem os ossos com a carne, como vossa majestade pode ver que fizeram os que est\u00e3o \u00e0 mesa&#8221; \u2014 e indicou os convidados \u2014, &#8220;pois nada mais resta diante deles. Mas os homens se contentam em comer a carne e deixar os ossos, como eu fiz, pois sou homem&#8221;. O rei ficou t\u00e3o satisfeito com essa resposta que proibiu aos convidados se ofenderem.<\/p>\n<p>No dia seguinte, Hircano foi \u00e0 casa dos mais estimados pelo rei e perguntou aos servidores que presentes os seus amos haviam preparado para dar ao rei pelo nascimento do pr\u00edncipe seu filho. Disseram-lhe que uns dariam doze talentos, outros, um pouco mais ou um pouco menos, cada qual segundo as suas posses. Ele fingiu-se aborrecido porque, dizia, n\u00e3o tinha meios para dar o mesmo e ape\u00adnas poderia oferecer-lhe cinco. Os servidores contaram tudo aos seus senhores, que se alegraram, convencidos de que o rei ficaria insatisfeito ao receber de Hircano um presente t\u00e3o mesquinho.<\/p>\n<p>Chegou o dia, e os que maior presente deram ao rei ofereceram-lhe vinte talentos. Hircano ofereceu ao pr\u00edncipe os cem mo\u00e7os que havia comprado, cada qual apresentando-lhe um talento, e \u00e0 rainha, as cem mo\u00e7as de que fala\u00admos, cada uma delas entregando tamb\u00e9m o mesmo presente \u00e0 soberana. O rei, a rainha e toda a corte ficaram extraordinariamente admirados com t\u00e3o grande e surpreendente magnific\u00eancia. Mas Hircano n\u00e3o se limitou a isso. Deu tamb\u00e9m presentes de grande valor aos que desfrutavam maior prest\u00edgio peran\u00adte o rei e aos seus oficiais, a fim de que lhe fossem favor\u00e1veis e o salvassem do perigo em que o colocaram algumas cartas de seus irm\u00e3os, que pediam para a qualquer custo a sua morte.<\/p>\n<p>O rei ficou t\u00e3o comovido com a sua generosidade que lhe disse para pedir o que quisesse. Ele respondeu que desejava apenas que sua majestade escrevesse em seu favor ao seu pai e a seus irm\u00e3os. O pr\u00edncipe o fez e escreveu tamb\u00e9m aos governadores de suas prov\u00edncias, recomendando-o. E, depois de lhe dar provas de muito particular afei\u00e7\u00e3o, despediu-o com grandes presentes.<\/p>\n<p>Os irm\u00e3os de Hircano souberam, com grande desprazer, da grande honra que o rei lhe prestara, e partiram ao seu encontro com a delibera\u00e7\u00e3o de mat\u00e1-lo, sem que o pai se atrevesse a impedi-los, embora o soubesse, mas estava encole-rizado por haver ele gastado nos presentes t\u00e3o grande soma de dinheiro. S\u00f3 n\u00e3o ousava manifestar-se por temer o rei. Assim, os irm\u00e3os atacaram Hircano no ca\u00adminho. Ele, por\u00e9m, defendeu-se t\u00e3o valentemente que matou dois deles e v\u00e1rios dos que os acompanhavam. O resto fugiu para Jerusal\u00e9m, e Hircano ficou muito surpreso, quando l\u00e1 chegou, por ver que ningu\u00e9m o vinha receber. Ent\u00e3o reti\u00adrou-se para al\u00e9m do Jord\u00e3o e ocupou-se em receber os tributos que os b\u00e1rbaros deviam pagar.<\/p>\n<p>Seleuco, cognominado S\u00f3ter, filho de Ant\u00edoco, o Grande, reinava ent\u00e3o na \u00c1sia. Jos\u00e9, pai de Hircano, morreu nessa \u00e9poca, depois de recolher os tributos da S\u00edria, da Fen\u00edcia e da Samaria durante vinte e dois anos. Era um homem de bem, de grande intelig\u00eancia e t\u00e3o h\u00e1bil nos neg\u00f3cios que tirou os judeus da pobreza em que jaziam e os p\u00f4s em condi\u00e7\u00f5es de viver comodamente. Onias, seu tio, morreu tamb\u00e9m pouco depois e deixou Sim\u00e3o, seu filho, como sucessor no sumo sacerd\u00f3cio, o qual teve tamb\u00e9m um filho, de nome Onias, que o substituiu no cargo. Ario, rei da Lacedem\u00f4nia,* escreveu-lhe a seguinte carta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>____________________<\/p>\n<p>* Ou Esparta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9, filho de Tobias e de uma irm\u00e3 de Onias, o qual, embora muito jovem, era t\u00e3o sensato e virtuoso que todos o honravam em Jerusal\u00e9m, tendo sabido de sua m\u00e3e, no seu pa\u00eds natal, de nome Ficola, que chegara um homem da parte do rei para o fim de que falamos, foi imediatamente ter&#8230; <a href=\"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-4-jose-sobrinho-do-sumo-sacerdote-onias-obtem-de-ptolomeu-rei-do-egito-o-perdao-para-o-tio-conquista-as-boas-gracas-do-principe-e-faz-grande-fortuna-hircano-filho-de-jose-coloca-se\/\">ler mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[602,670,1021,1157,1288,1339,1391,1474,1476,1520,1713,1971,2076,2107,2132,2201,2362,2418,2546,2701,2860,2914,2991],"class_list":["post-292","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livro-decimo-segundo","tag-colocase","tag-conquista","tag-egito","tag-espirito","tag-faz","tag-filho","tag-fortuna","tag-gracas","tag-grande","tag-hircano","tag-jose","tag-morte","tag-obtem","tag-onias","tag-otimamente","tag-perdao","tag-principe","tag-ptolomeu","tag-rei","tag-sacerdote","tag-sobrinho","tag-sumo","tag-tio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/292","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=292"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/292\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=292"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=292"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=292"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}