{"id":280,"date":"2015-04-02T23:54:41","date_gmt":"2015-04-02T23:54:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=280"},"modified":"2015-04-02T23:54:41","modified_gmt":"2015-04-02T23:54:41","slug":"capitulo-6-artaxerxes-sucede-a-xerxes-seu-pai-no-reino-da-persia-repudia-a-rainha-vasti-sua-mulher-e-desposa-ester-sobrinha-de-mardoqueu-hama-persuade-artaxerxes-a-exterminar-todos-os-judeus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-6-artaxerxes-sucede-a-xerxes-seu-pai-no-reino-da-persia-repudia-a-rainha-vasti-sua-mulher-e-desposa-ester-sobrinha-de-mardoqueu-hama-persuade-artaxerxes-a-exterminar-todos-os-judeus\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 6 &#8211; Artaxerxes, sucede a Xerxes, seu pai, no reino da P\u00e9rsia. Repudia a rainha Vasti, sua mulher, e desposa Ester, sobrinha de Mardoqueu. Ham\u00e3 persuade Artaxerxes a exterminar todos os judeus e enforcar Mardoqueu, mas ele mesmo \u00e9 enforcado. Mardoqueu \u00e9 posto em seu lugar com grande autoridade."},"content":{"rendered":"<p><em>Ester <\/em>1. Depois da morte do rei Xerxes, Ciro, seu filho, que os gregos cha\u00admam Artaxerxes,* sucedeu-o. Os judeus correram grande perigo de ser inteiramente exterminados durante o seu reinado, conforme vamos narrar. Antes, por\u00e9m, falare\u00admos do soberano, dizendo que ele desposou uma mulher judia que era de fam\u00edlia real e \u00e0 qual toda a nossa na\u00e7\u00e3o reconhece dever, abaixo de Deus, a sua salva\u00e7\u00e3o. Quando esse novo rei subiu ao trono de seu pai e estabeleceu governadores nas cento e vinte e sete prov\u00edncias sujeitas ao imp\u00e9rio, desde as \u00edndias at\u00e9 a Eti\u00f3pia, ele resolveu, no terceiro ano de seu reinado, entreter a eles e aos amigos durante cento e oitenta dias na cidade de Sus\u00e3, capital da P\u00e9rsia, com uma suntuosidade extraordi\u00adn\u00e1ria. Os embaixadores de v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es l\u00e1 ficaram durante sete dias.<\/p>\n<p>Os banquetes realizaram-se sob os pavilh\u00f5es sustentados por colunas de ouro e de prata e cobertos de ricos tapetes, t\u00e3o espa\u00e7osos que podiam abrigar um grande n\u00famero de pessoas. Toda a baixela de que se serviam era de ouro e enriquecida de pedras preciosas. Artaxerxes ordenou aos seus serventes que n\u00e3o obrigassem nin\u00adgu\u00e9m a beber segundo o costume dos persas, mas deixassem a cada qual a liber\u00addade de fazer como quisesse. Mandou ao mesmo tempo proclamar por toda parte de seu territ\u00f3rio que o povo deixasse de trabalhar durante alguns dias e pensasse apenas em se regozijar e em desejar-lhe um feliz reinado.<\/p>\n<p>A rainha Vasti, ao mesmo tempo, cuidava das damas de seu pal\u00e1cio com magnific\u00eancia igual \u00e0 que o rei dispensava aos grandes e aos pr\u00edncipes. Artaxerxes, querendo mostrar que ela sobrepujava a todas as outras mulheres em beleza, mandou que comparecesse \u00e0 grande assembl\u00e9ia. Mas como o costume dos persas n\u00e3o permite \u00e0s mulheres se apresentarem diante de estrangeiros, ela decidiu n\u00e3o aparecer, embora o rei enviasse diversas vezes os eunucos para busc\u00e1-la.<\/p>\n<p>Essa teimosia o aborreceu. Ele saiu do banquete, reuniu os magos, que entre os persas interpretam as leis, e queixou-se a eles de ter v\u00e1rias vezes pedido \u00e0 rainha que comparecesse ante a assembl\u00e9ia e que ela n\u00e3o queria obedecer. Or\u00addenou-lhes ent\u00e3o que dissessem a que a lei se obrigava naquele caso. Memuc\u00e3, um deles, respondeu que aquela desobedi\u00eancia da rainha e a inj\u00faria que ela fizera ao rei n\u00e3o somente atingia e ofendia o soberano, mas tamb\u00e9m a todos os persas. Porque as suas mulheres, vendo que a rainha n\u00e3o temia ofender t\u00e3o po\u00adderoso pr\u00edncipe com aquele insolente desprezo, seriam tamb\u00e9m levadas a des\u00adprezar os maridos, para imitar-lhe o exemplo. E assim, aconselhava-o a castig\u00e1-la severamente e a mandar publicar em todo o seu territ\u00f3rio o que fosse determina\u00addo contra ela. Os outros magos, depois dessa opini\u00e3o, deram tamb\u00e9m cada qual o seu parecer e chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que o rei deveria repudiar a rainha e desposar uma outra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>_____________________<\/p>\n<p>* A B\u00edblia chama-o Assuero.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ester 2. <\/em>Tal determina\u00e7\u00e3o deixou o pr\u00edncipe muito aflito porque, de um lado, ele n\u00e3o queria contrariar as leis e, de outro, nutria uma violenta paix\u00e3o pela rainha, por causa de sua extrema beleza. Seus amigos, vendo-o t\u00e3o agitado, aconselharam-no a afastar do cora\u00e7\u00e3o aquele afeto que o atormentava inutil\u00admente, a mandar procurar em todas as prov\u00edncias as mais belas jovens e a despo-sar a que mais lhe agradasse. O amor que teria por ela diminuiria cada vez mais a paix\u00e3o por Vasti, at\u00e9 desaparecer por completo. O rei aprovou a proposta e mandou imediatamente, para esse fim, que em todo o seu territ\u00f3rio se escolhes\u00adsem as mais belas jovens.<\/p>\n<p>Trouxeram-lhes as mo\u00e7as mais formosas, dentre as quais distinguia-se uma da Babil\u00f4nia, de nome Ester, que n\u00e3o tinha nem pai nem m\u00e3e e fora criada por seu tio, de nome Mardoqueu, da tribo de Benjamim, um dos mais ilustres dentre os judeus. A beleza dessa mo\u00e7a, a sua mod\u00e9stia e a sua gra\u00e7a eram t\u00e3o extraordin\u00e1\u00adrias que atra\u00edam os olhares e a admira\u00e7\u00e3o de todos. Puseram-na entre quatrocen\u00adtas outras que foram entregues ao cuidado dos eunucos, e tudo se fez para que fossem cercadas de todos os bens. Durante seis meses, foram alvo de todas as aten\u00e7\u00f5es. Eram bem alimentadas e cuidadas e adornavam-se e perfumavam-se com requinte. Passado esse tempo, julgou-se que j\u00e1 estavam em condi\u00e7\u00f5es de agradar ao rei. Assim, eles lhe mandavam uma por dia, a qual o pr\u00edncipe devolvia no dia seguinte.<\/p>\n<p>Quando chegou a vez de Ester, Artaxerxes agradou-se tanto dela que a esco\u00adlheu para esposa, e as bodas foram celebradas no s\u00e9timo ano de seu reinado, no d\u00e9cimo segundo m\u00eas, de nome adar. Ele mandou em seguida aos chamados <em>agares <\/em>que proclamassem por todo o seu territ\u00f3rio que o povo deveria festejar o seu matrim\u00f4nio e tratou magnificamente durante um m\u00eas os principais cida\u00add\u00e3os, tanto dos persas e dos medos quanto dos de outras na\u00e7\u00f5es que lhe esta\u00advam sujeitas. Depois de instalar a nova rainha em seu pal\u00e1cio, p\u00f4s-lhe a coroa na cabe\u00e7a e amou-a sempre como sua esposa, sem lhe perguntar de que na\u00e7\u00e3o ela era e sem que ela tamb\u00e9m nada dissesse a esse respeito. Mardoqueu, que a amava como se fosse sua pr\u00f3pria filha, deixou a Babil\u00f4nia para ir morar em Sus\u00e3. E n\u00e3o se passava um dia sem que ele desse uma volta ao redor do pal\u00e1cio, para ter not\u00edcias dela.<\/p>\n<p>Nesse entretempo, o rei publicou uma ordem pela qual proibia a todos os de sua casa, sob pena de morte, vir procur\u00e1-lo sem serem chamados quando ele estivesse assentado no trono. Guardas armados junto de sua pessoa tinham ordem para afastar qualquer um que ousasse se aproximar. Ele empunhava uma vara de ouro e, quando queria conceder gra\u00e7a a algu\u00e9m que se apresentara sem ser chamado, ele o tocava com ela. A pessoa ent\u00e3o deveria beij\u00e1-la, e assim evi\u00adtava a morte.<\/p>\n<p>Algum tempo depois, dois eunucos, chamados Bigt\u00e3 e Teres, fizeram uma conspira\u00e7\u00e3o para matar o rei. Um judeu de nome Barnabas, que servia a um deles, avisou Mardoqueu. Este comunicou-o imediatamente ao rei, por meio de sua sobrinha, a rainha Ester. Eles foram presos e enforcados. Artaxerxes n\u00e3o re\u00adcompensou a Mardoqueu pelo servi\u00e7o prestado, mandou apenas registrar o fato em suas cr\u00f4nicas e permitiu-lhe entrar no pal\u00e1cio como se fosse um de seus familiares.<\/p>\n<p><em>Ester 3. <\/em>Um amalequita chamado Ham\u00e3, filho de Hamedata, desfrutava ent\u00e3o tal prest\u00edgio que quando ele entrava no pal\u00e1cio os persas e os estrangeiros eram obrigados, por ordem do rei, a se prostrar diante dele. Mardoqueu era o \u00fanico que n\u00e3o lhe prestava essa homenagem, porque a lei de Deus o proibia. Ham\u00e3, tendo notado isso, perguntou-lhe de que na\u00e7\u00e3o ele era. Sabendo que era judeu, ficou muito irritado e exclamou: &#8220;Ora! Os persas, que s\u00e3o livres, p\u00f5em o joelho em terra diante de mim, e esse escravo n\u00e3o se digna fazer o mesmo!&#8221; Como ele era por natureza inimigo mortal dos judeus, porque os amalequitas haviam sido outrora vencidos por eles, o seu furor cresceu tanto que seria muito pouco, para a sua vingan\u00e7a, mandar matar Mardoqueu: seria necess\u00e1rio exterminar toda a na\u00e7\u00e3o judaica.<\/p>\n<p>Ele foi ent\u00e3o falar com o rei e disse-lhe que existia espalhado por todo o seu territ\u00f3rio um certo povo que era inimigo de todos os demais e cujas leis, cerim\u00f4\u00adnias e costumes eram totalmente estranhos, sendo odiosos aos outros homens, e que o maior favor que podia fazer aos seus s\u00faditos era extermin\u00e1-lo. Mas, para que as rendas do soberano n\u00e3o fossem diminu\u00eddas com isso, ele lhe oferecia de boa mente quarenta mil talentos de prata, por prestar t\u00e3o grande servi\u00e7o, ou seja, livrar o imp\u00e9rio de tal peste. O rei respondeu que, quanto ao dinheiro, ele o restituiria de boa vontade. E, quanto ao que se referia \u00e0quela classe de gente, deixava tudo ao crit\u00e9rio de Ham\u00e3.<\/p>\n<p>Ham\u00e3, depois de haver obtido o que desejava, mandou publicar, em nome do rei, em todo o seu territ\u00f3rio um edito, cujas palavras eram estas: &#8220;O grande rei Artaxerxes, aos cento e vinte e sete governadores que constitu\u00edmos desde as \u00edndias at\u00e9 a Eti\u00f3pia, sauda\u00e7\u00e3o. Muitas e v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es est\u00e3o sujeitas ao nosso imp\u00e9rio, e estendemos o nosso dom\u00ednio sobre a terra o quanto quisemos, porque, em vez de tratar os nossos s\u00faditos com rigor, n\u00e3o temos mais prazer que lhes dar todas as demonstra\u00e7\u00f5es de nossa estima e bondade, fazendo-os desfru\u00adtar muita paz. E, para isso, envidamos os maiores esfor\u00e7os para que a sua felicida\u00adde seja eterna. Por isso, tendo sido avisados por Ham\u00e3, a quem honramos mais que a qualquer outro com o nosso afeto, pela sua fidelidade, probidade e sabe\u00addoria, de que h\u00e1 um povo espalhado por toda a terra o qual \u00e9 inimigo de todos os outros e possui leis e costumes pr\u00f3prios e tem por inclina\u00e7\u00e3o natural um gran\u00adde \u00f3dio aos reis, n\u00e3o tolerando domina\u00e7\u00e3o alguma, nem a nossa, nem a prospe\u00adridade do nosso imp\u00e9rio, desejamos e ordenamos que quando Ham\u00e3, a quem consideramos como pai, vos der a ordem, extermineis inteiramente esse povo, com as suas mulheres e filhos, sem poupar um sequer e sem que a compaix\u00e3o seja mais forte sobre o vosso Esp\u00edrito que a obedi\u00eancia. O que entendemos seja feito no d\u00e9cimo terceiro dia do d\u00e9cimo segundo m\u00eas do presente ano, a fim de que, sendo mortos num mesmo dia esses inimigos p\u00fablicos, possais passar em paz e tranq\u00fcilidade o resto de vossas vidas&#8221;.<\/p>\n<p>Depois que essa carta em forma de edito foi publicada por toda parte, todos se prepararam para exterminar os judeus no tempo determinado e se dispuse\u00adram a fazer a mesma coisa na cidade de Sus\u00e3, capital da P\u00e9rsia, que por isso estava muito agitada. No entanto, o rei e Ham\u00e3 passavam os dias em banquetes.<\/p>\n<p><em>Ester 4. <\/em>Quando Mardoqueu soube do conte\u00fado daquele cruel edito, rasgou as pr\u00f3prias vestes, cobriu-se com um saco, espalhou cinza sobre a cabe\u00e7a e saiu cla\u00admando por toda a cidade que era horr\u00edvel querer destruir daquele modo uma na\u00e7\u00e3o inocente. Mas ele foi obrigado a ficar \u00e0 porta do pal\u00e1cio, porque no estado em que se encontrava n\u00e3o lhe foi permitido entrar. A afli\u00e7\u00e3o de todos os judeus n\u00e3o era menor em todas as outras cidades onde o edito fora publicado, e, em t\u00e3o geral desola\u00e7\u00e3o, o ar repercutia gritos e lamenta\u00e7\u00f5es. A rainha, perturbada por saber que Mardoqueu estava \u00e0 porta do pal\u00e1cio no deplor\u00e1vel estado em que o descrevi, mandou-lhe outras vestes, para que as trocasse. Ele, por\u00e9m, as recusou, porque a causa de seu penar subsistia ainda e ele n\u00e3o podia se desfazer dos sinais.<\/p>\n<p>A princesa, ante a recusa, mandou o eunuco Hataque perguntar o motivo de t\u00e3o grande afli\u00e7\u00e3o e de ele n\u00e3o querer deixar aqueles trajes t\u00e3o tristes. Mardoqueu mandou dizer-lhe pelo mesmo eunuco que Ham\u00e3 oferecera ao rei uma grande soma de dinheiro a fim de obter permiss\u00e3o para exterminar todos os judeus e que sua majestade lhe concedera a licen\u00e7a. Assim, em Sus\u00e3 e em todas as prov\u00edncias do imp\u00e9rio fora publicado um edito, do qual lhe mandava uma c\u00f3pia. Trata\u00adva-se portanto da ru\u00edna de toda a na\u00e7\u00e3o judaica, na qual a pr\u00f3pria rainha tinha a sua origem. Ele suplicava que ela n\u00e3o temesse humilhar-se a ponto de se prostrar aos p\u00e9s do rei para suplicar-lhe gra\u00e7a, pois somente ela o podia fazer. Al\u00e9m disso, Ham\u00e3, ao qual ningu\u00e9m igualava em prest\u00edgio e em autoridade, fazia continua\u00admente crescer a irrita\u00e7\u00e3o do rei contra eles. A rainha respondeu que a menos que o rei solicitasse n\u00e3o podia ir ter com ele, sob pena de perder a vida, caso ele n\u00e3o a tocasse com a vara de ouro que tinha na m\u00e3o.<\/p>\n<p>Mardoqueu ent\u00e3o rogou ao eunuco que dissesse \u00e0 rainha que ela n\u00e3o devia, em tal conting\u00eancia, considerar tanto a sua vida quanto a de sua na\u00e7\u00e3o. Se ela o fizesse, Deus n\u00e3o deixaria de ter cuidado dela, mas se ela fosse insens\u00edvel \u00e0 ru\u00edna de seu pr\u00f3prio povo, Ele mesmo a castigaria, destruindo-a com toda a na\u00e7\u00e3o. A rainha, comovida por essas palavras, mandou dizer-lhe pelo mesmo eunuco que reunisse todos os judeus que estavam em Sus\u00e3 e ordenasse um jejum de tr\u00eas dias e que fizessem ora\u00e7\u00f5es a Deus em favor dela. Ela faria o mesmo com as outras mulheres e iria em seguida falar com o rei sem ser chamada, o que talvez lhe custasse a vida.<\/p>\n<p>Mardoqueu executou a ordem e durante o jejum rogou a Deus que n\u00e3o per\u00admitisse a destrui\u00e7\u00e3o de seu povo, mas o ajudasse naquela ocasi\u00e3o, tal como fizera tantas outras vezes, que lhes perdoasse os pecados e que os livrasse de t\u00e3o grave perigo, pois nele n\u00e3o se haviam metido por culpa pr\u00f3pria. Disse ainda: &#8220;V\u00f3s sabeis, meu Deus, que a c\u00f3lera de Ham\u00e3, que jurou a nossa ru\u00edna, prov\u00e9m de eu n\u00e3o ter querido violar as vossas santas leis, prostrando-me diante dele para lhe prestar uma homenagem que somente a v\u00f3s \u00e9 devida&#8221;.<\/p>\n<p>Essa fervorosa ora\u00e7\u00e3o foi acompanhada por todo o povo, que pedia a Deus com n\u00e3o menor ardor que os ajudasse naquela grave conting\u00eancia. A rainha, por seu lado, em vestes de luto, passou esses tr\u00eas dias prostrada por terra, sem comer nem beber e sem cuidar de sua pessoa. Ela pedia a Deus, sem cessar, que tivesse compaix\u00e3o dela, pondo-lhe na boca o que devia dizer ao rei e tornando-a mais agrad\u00e1vel aos seus olhos do que nunca, a fim de que, em tal perigo, pudesse n\u00e3o somente atrair a sua clem\u00eancia sobre ela e sobre os de sua na\u00e7\u00e3o, mas fazer ele voltar a sua c\u00f3lera contra os inimigos, de modo que ca\u00edssem na mesma desgra\u00e7a em que os queriam precipitar.<\/p>\n<p><em>Ester 5. <\/em>Depois de assim orar durante tr\u00eas dias, ela tirou as vestes tristes e revestiu-se de outras, magnificamente ricas, \u00e0s quais ajuntou os ornamentos com os quais se podem enfeitar uma grande rainha. Foi em seguida falar com o rei, acompanhada somente por suas damas, sobre uma das quais se apoiava, en\u00adquanto outra sustentava a cauda de suas vestes, cujas dobras pareciam flutuar sobre o pavimento. Via-se um modesto rubor tingir as suas faces, e a majestade e a beleza resplandeciam igualmente em seu temor. Quando ela viu o soberano assentado no trono resplandecente de pedras e j\u00f3ias a contempl\u00e1-la, quem sabe, de maneira pouco favor\u00e1vel, ficou tomada de tanto medo que as for\u00e7as quase lhe faltaram, e ela teve de se apoiar na mulher que vinha ao seu lado.<\/p>\n<p>O rei, cujo cora\u00e7\u00e3o Deus sem d\u00favida tocou naquele momento, temeu tanto por ela que desceu apressadamente do trono e a tomou nos bra\u00e7os. E, com palavras repassadas de amor e ternura, disse-lhe que nada temesse por ter vindo sem ser chamada, porque aquela lei havia sido feita somente para os seus s\u00faditos, e n\u00e3o para ela, que com ele partilhava a coroa e por isso estava acima de todas as leis. Depois de assim falar, ele p\u00f4s-lhe o cetro na m\u00e3o e, para tranq\u00fciliz\u00e1-la com\u00adpletamente e n\u00e3o transgredir a lei, tocou-a docemente com a vara de ouro.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o a virtuosa rainha voltou a si, tomou \u00e2nimo e falou deste modo: &#8220;N\u00e3o vos posso dar outra raz\u00e3o do desfalecimento que de mim se apoderou sen\u00e3o a grande surpresa de ver-vos cheio de gl\u00f3ria, de beleza e de majestade e ao mes\u00admo tempo t\u00e3o tem\u00edvel. N\u00e3o sei o que se passou comigo&#8221;. Ela pronunciou essas poucas palavras com uma voz t\u00e3o fraca que a apreens\u00e3o do rei aumentou, e ele tudo fez para tranq\u00fciliz\u00e1-la, garantindo que concederia qualquer favor que ela pedisse: ainda que fosse metade de seu reino, lhe daria com prazer. Ela respon\u00addeu que o \u00fanico favor que almejava era obter consentimento para cear com ele no dia seguinte, e que ele levasse tamb\u00e9m Ham\u00e3. Ele o concedeu de boa mente. E, quando se puseram \u00e0 mesa, ele insistiu em que ela dissesse o que desejava, asseverando-lhe ainda que nada havia que ele n\u00e3o lhe concedesse com prazer, mesmo que fosse uma parte de seu reino. Ela suplicou que o seu pedido fosse protelado at\u00e9 o dia seguinte e que ele lhe concedesse ainda a honra de vir nova\u00admente cear com ela, trazendo Ham\u00e3 em sua companhia. Isso ela tamb\u00e9m obteve facilmente.<\/p>\n<p>Ham\u00e3 estava muito satisfeito ao sair do banquete, pela honra insigne que a rainha lhe concedia, escolhendo a ele somente para ter a honra de comer com ela \u00e0 mesa do rei. Contudo, encontrando Mardoqueu no pal\u00e1cio, ficou fora de si pela c\u00f3lera, ao constatar que ele continuava a n\u00e3o se prostrar diante dele. Quan\u00addo voltou ao seu aposento, contou \u00e0 sua mulher, de nome Zeres, e aos seus amigos o favor singular que o rei e a rainha lhe haviam concedido, convidando a ele somente para sentar-se \u00e0 sua mesa e repetindo o convite tamb\u00e9m para o dia seguinte. Por\u00e9m ele acrescentou: &#8220;Como poderia eu estar plenamente satisfeito, tendo encontrado Mardoqueu, o judeu, no pal\u00e1cio, que tem a ousadia de me desprezar?&#8221; Sua mulher respondeu-lhe que, para livrar-se dele, devia mandar erguer uma forca de cinq\u00fcenta c\u00f4vados de altura e pedir ao rei licen\u00e7a para nela pendurar Mardoqueu no dia seguinte. Ele aprovou o conselho e mandou erguer a forca em sua casa, o que foi feito.<\/p>\n<p><em>Ester 6. <\/em>Deus, que via o que estava para acontecer, zombou de sua detest\u00e1vel esperan\u00e7a. Para confundir os seus des\u00edgnios, fez com que na noite seguinte o rei n\u00e3o pudesse dormir e que para empregar utilmente o tempo para o bem de sua na\u00e7\u00e3o mandasse trazer alguns registros, nos quais ele e os seus predecessores faziam escrever as coisas mais importantes, a fim de lhes conservar a mem\u00f3ria. Ele ordenou ao seu secret\u00e1rio que o lesse e l\u00e1 encontrou que se haviam dado muitas terras a um homem para recompens\u00e1-lo por uma a\u00e7\u00e3o insigne. Um outro recebera grandes presentes por haver se mostrado fiel, e Mardoqueu descobrira a conjura\u00e7\u00e3o feita pelos eunucos Bigt\u00e3 e Teres.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio queria continuar a ler, mas o rei o deteve, para saber se havia men\u00e7\u00e3o de alguma recompensa a Mardoqueu por t\u00e3o grande servi\u00e7o. O secret\u00e1\u00adrio respondeu que sobre isso nada havia escrito, e o soberano mandou-o ent\u00e3o suspender a leitura. Perguntou em seguida a um dos oficiais da guarda que horas eram e mandou que fossem ver se havia \u00e0 porta do pal\u00e1cio algum daqueles aos quais ele mais estimava. Ham\u00e3 l\u00e1 estava, porque viera pedir a morte de Mardoqueu. O rei mandou cham\u00e1-lo e, quando ele entrou, disse-lhe: &#8220;Como estou certo de que ningu\u00e9m tem mais afeto por mim do que v\u00f3s, rogo-vos que me digais o que posso fazer para honrar de maneira digna de mim um homem ao qual estimo muit\u00edssimo&#8221;.<\/p>\n<p>Ham\u00e3, que sabia que nenhum outro era mais estimado pelo rei, julgou logo que aquelas palavras se referiam a ele. Assim, persuadido de que as suas sugest\u00f5es seriam aceitas e ainda reverteriam em seu favor, respondeu: &#8220;Se vossa majestade quer cumular de favores aquele que merece toda a vossa estima, ordenai que o fa\u00e7am montar sobre um de vossos cavalos vestido \u00e0 maneira dos reis e com uma cadeia de ouro e que um daqueles que vossa majestade mais estima caminhe diante dele por toda a cidade, clamando como um arauto: E assim que se deve honrar aquele a quem o rei concede os seus favores&#8221;.<\/p>\n<p>O rei acolheu com alegria essa sugest\u00e3o, que Ham\u00e3 pensava estar dando em favor de si mesmo, e disse-lhe: &#8220;Tomai ent\u00e3o um de meus cavalos e levai um de meus mantos de p\u00farpura e uma cadeia de ouro para p\u00f4r no judeu Mardoqueu. E, estando ele assim revestido como acabais de descrever, ide diante dele, cla\u00admando como um arauto o que julgastes conveniente dizer, pois como n\u00e3o amo ningu\u00e9m mais do que v\u00f3s, \u00e9 justo que sejais o executor do s\u00e1bio conselho que me destes para recompensar um homem ao qual sou devedor da vida&#8221;.<\/p>\n<p>Ham\u00e3 n\u00e3o ficou menos surpreendido com essas palavras do que teria ficado se fosse atingido por um raio. Sendo, por\u00e9m, obrigado a obedecer a uma ordem t\u00e3o clara, saiu do pal\u00e1cio com um cavalo, uma veste de p\u00farpura e uma cadeia de ouro e foi procurar Mardoqueu. Encontrou-o perto da porta e ordenou-lhe que tomasse as vestes reais, a cadeia e montasse no cavalo. Mardoqueu, que n\u00e3o tinha a menor id\u00e9ia do que se passava e do que o levava a falar daquele modo, pensou que Ham\u00e3 estava zombando dele e respondeu: &#8220;Homem mau, o mais perverso de todos os homens! \u00c9 assim que zombais de nossa infelicidade?&#8221; Mas, quando ele soube que o rei o honrava com aquele favor em considera\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o que lhe prestara, vestiu os trajes reais, p\u00f4s a cadeia, montou no cavalo e assim percorreu a cidade, levado por Ham\u00e3, que clamava diante dele: &#8220;\u00c9 assim que se deve fazer \u00e0quele a quem o rei deseja honrar&#8221;.<\/p>\n<p>Mardoqueu saiu em seguida do pal\u00e1cio, e Ham\u00e3, coberto de confus\u00e3o, foi com l\u00e1grimas contar \u00e0 mulher e aos amigos o que lhe havia acontecido. Eles disseram que, como parecia visivelmente que Deus ajudava Mardoqueu, ele n\u00e3o podia mais esperar vingar-se dele. Ainda falavam desse assunto quando dois eunucos da rainha vieram dizer-lhe que se apressasse para ir ao banquete. Um deles, de nome Harbona, vendo a forca levantada, perguntou o motivo e soube que estava preparada para Mardoqueu e que Ham\u00e3 queria pedir ao rei para o executar ali.<\/p>\n<p><em>Ester 7. <\/em>O rei, no meio do banquete, disse \u00e0 rainha que lhe pedisse o que quisesse, pois podia estar certa de o obter. Ela respondeu que o perigo em que ela e todos os de sua na\u00e7\u00e3o se encontravam n\u00e3o lhe permitia falar de outra coisa e que n\u00e3o tomaria a liberdade de importun\u00e1-lo se se tratasse de conden\u00e1-los todos a uma dura escravid\u00e3o, pois tal afli\u00e7\u00e3o, por maior que fosse, seria de algum modo suport\u00e1vel. Tratava-se, por\u00e9m, de sua inteira destrui\u00e7\u00e3o e do exterm\u00ednio de todo o seu povo, por isso ela n\u00e3o podia, em t\u00e3o extremo perigo, deixar de recorrer \u00e0 sua clem\u00eancia.<\/p>\n<p>O rei, surpreendido com essas palavras, perguntou-lhe quem havia concebido aquela trama. Ela respondeu que fora Ham\u00e3, o qual, pelo \u00f3dio mortal que tinha aos judeus, deliberara extermin\u00e1-los. A surpresa do rei foi t\u00e3o grande que ele se levantou da mesa e, muito perturbado, foi para o jardim. Ent\u00e3o Ham\u00e3 n\u00e3o duvi\u00addou mais de que estava perdido. Suplicou \u00e0 rainha que o perdoasse e, como naquele momento se inclinava, caiu junto do assento onde ela estava. O rei en\u00adtrou e, vendo-o naquela posi\u00e7\u00e3o, exclamou, ainda mais irritado: &#8220;Celerado! O mais p\u00e9rfido de todos os homens! Quer ainda violar a rainha?!&#8221; Essas palavras infundiram t\u00e3o grande terror no Esp\u00edrito e no cora\u00e7\u00e3o de Ham\u00e3 que ele nada p\u00f4de responder. O eunuco Harbona, que estava presente, disse ao rei que quan\u00addo estivera na casa de Ham\u00e3, para cham\u00e1-lo ao banquete, vira uma forca de cinq\u00fcenta c\u00f4vados erguida na sua casa e soubera por um de seus servidores que era destinada a Mardoqueu.<\/p>\n<p>O rei ordenou que Ham\u00e3 nela fosse enforcado imediatamente, para castig\u00e1-lo com justi\u00e7a com o mesmo supl\u00edcio que ele t\u00e3o injustamente queria infligir a ou\u00adtro. Nisso eu n\u00e3o saberia admirar suficientemente a sabedoria e o proceder de Deus, que n\u00e3o somente castigou Ham\u00e3 como ele merecia, mas empregou para isso o mesmo expediente de que ele planejara servir-se para se vingar de seu inimigo. Os maus deveriam aproveitar-se desse exemplo, pois vemos o mal que eles desejam para os outros cair muitas vezes sobre a cabe\u00e7a deles pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>Ham\u00e3 assim veio a perecer, por haver insolentemente abusado da excessiva afei\u00e7\u00e3o com que Artaxerxes o honrava. O soberano deu \u00e0 rainha o confisco de todos os seus bens. Sabendo ent\u00e3o que Mardoqueu era tio da princesa, entregou-lhe o anel que antes Ham\u00e3 usava. A rainha deu-lhe tamb\u00e9m todos os bens de Ham\u00e3 e suplicou ao rei que a tirasse da d\u00favida em que a punham as cartas que aquele malvado escrevera em nome do rei a todas as prov\u00edncias do imp\u00e9rio para fazer massacrar todos os judeus num mesmo dia, pois a morte ser-lhe-ia muito mais doce que sobreviver \u00e0 ru\u00edna de seu povo. O soberano n\u00e3o teve dificuldade em lhe conceder o que ela pedia. Prometeu escrever outras cartas como ela o desejas\u00adse, sel\u00e1-las com o seu sinete e envi\u00e1-las a todas as prov\u00edncias, a fim de que ningu\u00e9m ousasse desobedecer. Mandou depois escrever as cartas e endere\u00e7\u00e1-las aos gover\u00adnadores e magistrados das cento e vinte e sete prov\u00edncias do imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>As cartas estavam assim exaradas: &#8220;O grande rei Artaxerxes, a todos os gover\u00adnadores de nossas prov\u00edncias e a todos os nossos oficiais, sauda\u00e7\u00e3o. Acontece muitas vezes que aqueles aos quais os reis, por um excesso de bondade, cumulam de benef\u00edcios e de honras deles abusam, n\u00e3o somente desprezando os seus infe\u00adriores, mas se elevando com insol\u00eancia contra os seus pr\u00f3prios benfeitores, como se tivessem deliberado abolir toda esp\u00e9cie de gratid\u00e3o entre os homens e julgas\u00adsem poder enganar a Deus e esquivar-se \u00e0 justi\u00e7a. Assim, eles, quando o favor de seus pr\u00edncipes os constitui em autoridade no governo de seus Estados, em vez de cuidar somente do bem p\u00fablico, n\u00e3o temem surpreend\u00ea-los pelo excesso de suas inimizades particulares e nem receiam em oprimir os inocentes com cal\u00fanias. E isso n\u00e3o \u00e9 apenas uma id\u00e9ia ou simples suposi\u00e7\u00e3o ou exemplos passados, mas um crime que os nossos pr\u00f3prios olhos testemunharam e que nos obriga a no futuro n\u00e3o prestar f\u00e9 t\u00e3o facilmente a qualquer acusa\u00e7\u00e3o, mas cuidar antes de indagar da verdade, a fim de castigar severamente os culpados e proteger os inocentes, julgando de uns e de outros por suas a\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o pelas palavras. Ham\u00e3, filho de Hamedata, amalequita de nacionalidade e por isso estrangeiro, e n\u00e3o persa, educado por n\u00f3s com tal honra que o cham\u00e1vamos nosso pai, raz\u00e3o pela qual hav\u00edamos ordenado que todos se prostrassem diante dele, e considera\u00addo o primeiro depois de n\u00f3s, n\u00e3o p\u00f4de conservar-se em tanta honra nem guar\u00addar modera\u00e7\u00e3o em t\u00e3o grande prosperidade. Sua ambi\u00e7\u00e3o levou-o a atentar contra o nosso pa\u00eds, chegando mesmo a querer persuadir-nos de mandar matar Mardoqueu, a quem devemos a vida, e a procurar, com os seus artif\u00edcios, fazer a rainha Ester, nossa esposa, correr o mesmo perigo, a fim de que, privando-nos das pessoas mais queridas, afei\u00e7oadas e fi\u00e9is, ele pudesse apoderar-se da coroa. Como, por\u00e9m, reconhecemos que os judeus, cuja ru\u00edna ele nos fez decretar, n\u00e3o s\u00e3o culpados, mas, ao contr\u00e1rio, observam uma disciplina muito santa e adoram ao Deus que nos p\u00f4s o cetro nas m\u00e3os, tal como nas de nossos predecessores, e que conserva este imp\u00e9rio, n\u00e3o nos contentamos em apenas isentar esse povo do castigo que lhe seria infligido pelas cartas que Ham\u00e3 nos persuadiu a escrever, das quais n\u00e3o deveis fazer nenhuma conta, mas ordenamos que os trateis com muita honra. Assim, para fazer-lhes justi\u00e7a e obedecer \u00e0 vontade de Deus, que nos governa e nos manda castigar os crimes, mandamos enforcar \u00e0s portas de Sus\u00e3 esse p\u00e9rfido homem. Ordenamos que c\u00f3pias destas cartas sejam levadas a todas as prov\u00edncias, a fim de que todos sejam informados de nossa vontade e deixem viver em paz os judeus na observ\u00e2ncia de suas leis, e que eles sejam at\u00e9 mesmo auxiliados na vingan\u00e7a que lhes permitimos tomar dos ultrajes que sofre\u00adram durante esse tempo de amargura, escolhendo para esse fim o d\u00e9cimo tercei\u00adro dia do d\u00e9cimo segundo m\u00eas, de nome adar, em que Deus quer torn\u00e1-los felizes \u2014 o mesmo dia que fora destinado \u00e0 sua completa ru\u00edna. Quanto a n\u00f3s, desejamos que esse dia traga felicidade a todos os que nos s\u00e3o fi\u00e9is e seja para sempre um sinal do devido castigo aos maus. Todas as na\u00e7\u00f5es e cidades saber\u00e3o tamb\u00e9m que os que deixarem de obedecer ao determinado nas presentes cartas ser\u00e3o destru\u00eddos pelo ferro e pelo fogo. E, para que ningu\u00e9m possa duvidar, queremos que elas sejam publicadas em todas as terras de nosso dom\u00ednio, a fim de que os judeus se preparem para a vingan\u00e7a contra os seus inimigos, no dia que determinamos&#8221;.<\/p>\n<p>Logo que essas cartas foram escritas, enviaram-se mensageiros a lev\u00e1-las por toda parte, com a maior rapidez poss\u00edvel. Mardoqueu, ao mesmo tempo, saiu do pal\u00e1cio real vestido majestosamente, com uma coroa de ouro na cabe\u00e7a e uma cadeia de ouro. Os judeus que estavam em Sus\u00e3, vendo o grande prest\u00edgio que ele desfrutava, tomavam tamb\u00e9m parte na sua felicidade. Os judeus das prov\u00edn\u00adcias, para onde as cartas do rei haviam sido levadas, consideraram-nas, em trans\u00adportes de alegria, uma luz favor\u00e1vel que lhes anunciava a liberta\u00e7\u00e3o, e os seus inimigos sentiram tanto medo do ressentimento deles que v\u00e1rios se fizeram cir-cuncidar, a fim de n\u00e3o perecer. Os correios do rei n\u00e3o deixaram de comunicar aos judeus que eles podiam, no d\u00e9cimo terceiro dia do d\u00e9cimo segundo m\u00eas, ao qual chamamos adar, e os maced\u00f4nios, distro, vingar-se impunemente dos ini\u00admigos. Assim, n\u00e3o havia pr\u00edncipe, governador, grande ou magistrado que n\u00e3o prestasse honras aos judeus, de tanto que eles temiam Mardoqueu.<\/p>\n<p>Quando chegou o dia marcado para a vingan\u00e7a dos judeus, eles mataram, em Sus\u00e3, cerca de quinhentos homens. O rei disse-o \u00e0 rainha e perguntou-lhe se ela estava satisfeita, porque nada havia que ele n\u00e3o fizesse para content\u00e1-la. Ela rogou-lhe que prolongasse a vingan\u00e7a at\u00e9 o dia seguinte e mandasse enforcar os dez filhos de Ham\u00e3. Ele a satisfez, e assim, no d\u00e9cimo quarto dia daquele mesmo m\u00eas, os judeus mataram ainda em Sus\u00e3 cerca de trezentos homens, sem tocar em coisa alguma de seus bens. O n\u00famero dos que eles mataram no dia prece\u00addente, em todas as outras cidades, foi de setenta e cinco mil. Empregaram o dia seguinte em regozijar-se com banquetes, e, ainda hoje, os judeus espalhados por todo o mundo solenizam esse dia e enviam uns aos outros parte do que \u00e9 servido nas festas e nos banquetes.<\/p>\n<p>Mardoqueu escreveu a todos os judeus s\u00faditos do rei Artaxerxes que soleni-zassem aqueles dois dias e ordenassem aos seus descendentes fazer o mesmo, para que fosse conservada a mem\u00f3ria daquele fato, pois era muito justo que, tendo o \u00f3dio mortal de Ham\u00e3 feito com que corressem o grande perigo de se\u00adrem exterminados, eles agradecessem a Deus para sempre, n\u00e3o somente por t\u00ea-los salvo do furor de seus inimigos, mas por lhes providenciar um meio de se vingarem deles. Os judeus deram \u00e0quele mesmo dia o nome de Purim, isto \u00e9, &#8220;dia de conserva\u00e7\u00e3o&#8221;, porque eles haviam sido milagrosamente preservados. O prest\u00edgio de Mardoqueu crescia sempre, e o rei o elevou a tal grau de autoridade que ele governava, sob depend\u00eancia do soberano, todo o reino e tinha tamb\u00e9m todo poder perante a rainha, de modo que a felicidade dos judeus ia muito al\u00e9m do que eles podiam desejar.<\/p>\n<p>O que acabo de narrar foi o que aconteceu de mais importante \u00e0 nossa na\u00e7\u00e3o durante o reinado de Artaxerxes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ester 1. Depois da morte do rei Xerxes, Ciro, seu filho, que os gregos cha\u00admam Artaxerxes,* sucedeu-o. Os judeus correram grande perigo de ser inteiramente exterminados durante o seu reinado, conforme vamos narrar. Antes, por\u00e9m, falare\u00admos do soberano, dizendo que ele desposou uma mulher judia que era de fam\u00edlia real e \u00e0 qual toda a&#8230; <a href=\"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-6-artaxerxes-sucede-a-xerxes-seu-pai-no-reino-da-persia-repudia-a-rainha-vasti-sua-mulher-e-desposa-ester-sobrinha-de-mardoqueu-hama-persuade-artaxerxes-a-exterminar-todos-os-judeus\/\">ler mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[306,372,906,1058,1059,1179,1241,1476,1503,1727,1816,1881,1983,2148,2227,2229,2300,2465,2552,2583,2859,2902,3113,3199],"class_list":["post-280","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livro-decimo-primeiro","tag-artaxerxes","tag-autoridade","tag-desposa","tag-enforcado","tag-enforcar","tag-ester","tag-exterminar","tag-grande","tag-hama","tag-judeus","tag-lugar","tag-mardoqueu","tag-mulher","tag-pai","tag-persia","tag-persuade","tag-posto","tag-rainha","tag-reino","tag-repudia","tag-sobrinha","tag-sucede","tag-vasti","tag-xerxes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/280","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=280"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/280\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=280"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=280"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=280"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}