{"id":278,"date":"2015-04-02T23:54:00","date_gmt":"2015-04-02T23:54:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=278"},"modified":"2015-04-02T23:54:00","modified_gmt":"2015-04-02T23:54:00","slug":"capitulo-5-xerxes-sucede-a-dario-seu-pai-no-reino-da-persia-permite-que-esdras-sacerdote-retorne-com-grande-numero-de-judeus-a-jerusalem-e-concede-tudo-o-que-ele-deseja-esdras-obriga-os-que-ha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-5-xerxes-sucede-a-dario-seu-pai-no-reino-da-persia-permite-que-esdras-sacerdote-retorne-com-grande-numero-de-judeus-a-jerusalem-e-concede-tudo-o-que-ele-deseja-esdras-obriga-os-que-ha\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 5 &#8211; Xerxes sucede a Dario, seu pai, no reino da P\u00e9rsia. Permite que Esdras, sacerdote, retorne com grande n\u00famero de judeus a Jerusal\u00e9m e concede tudo o que ele deseja. Esdras obriga os que haviam desposado mulheres estrangeiras a restitu\u00ed-las. Sua morte. Neemias obt\u00e9m de Xerxes licen\u00e7a para reconstruir os muros de Jerusal\u00e9m e termina essa grande obra."},"content":{"rendered":"<p><em>Esdras 7. <\/em>Xerxes sucedeu a seu pai, Dario, e n\u00e3o foi menos herdeiro de sua piedade para com Deus que sucessor no trono. Nada mudou a respeito do que fora determinado com rela\u00e7\u00e3o ao culto a Ele, e Xerxes teve sempre uma grande afei\u00e7\u00e3o pelos judeus. Joaquim, filho de jesua, era sumo sacerdote durante o seu reinado, e Esdras era o primeiro e o mais consider\u00e1vel dentre todos os sacerdotes que haviam ficado na Babil\u00f4nia. Era um homem de bem e muito instru\u00eddo nas leis de Mois\u00e9s. Desfrutava grande fama no meio do povo e era muito amado pelo rei.<\/p>\n<p>Assim, quando resolveu voltar a Jerusal\u00e9m e levar consigo alguns judeus que estavam morando na Babil\u00f4nia, ele obteve desse pr\u00edncipe algumas cartas de re\u00adcomenda\u00e7\u00e3o endere\u00e7adas aos governadores da S\u00edria, nestes termos: &#8220;Xerxes, rei dos reis, a Esdras, sacerdote e leitor da lei de Deus, sauda\u00e7\u00e3o, julgando que \u00e9 de nossa bondade permitir a todos os judeus, quer sacerdotes, quer levitas, bem como a outros que desejarem voltar a Jerusal\u00e9m para l\u00e1 servir a Deus, n\u00f3s, com o conselho de nossos sete auxiliares, concedemos essa gra\u00e7a e vos encarregamos de apresentar ao vosso Deus o que n\u00f3s e nossos amigos fizemos voto de lhe oferecer. Damo-vos o poder de levar todo o ouro e toda a prata que os vossos conterr\u00e2neos ainda espalhados pelo reino da Babil\u00f4nia quiserem ofertar a Deus, a fim de que seja empregado na aquisi\u00e7\u00e3o de v\u00edtimas a serem oferecidas sobre o altar, na confec\u00e7\u00e3o de vasos de ouro e de prata para o seu servi\u00e7o e no que mais v\u00f3s e vossos irm\u00e3os desejarem. Devereis oferecer tamb\u00e9m ao vosso Deus os va\u00adsos sagrados que vos entregaremos. Damo-vos o poder de fazer, al\u00e9m disso, tudo o que julgardes conveniente e entendemos que o fundo necess\u00e1rio deva ser tirado de nosso tesouro. Para isso, estamos escrevendo ao nosso tesoureiro-mor da S\u00edria e da Fen\u00edcia que vos entregue sem demora tudo o que lhe pedirdes. E, para que Deus seja favor\u00e1vel a n\u00f3s e \u00e0 nossa posteridade, queremos que lhe sejam oferecidas, por n\u00f3s, cem medidas de trigo, de conformidade com a Lei. Proibimos a todos os nossos oficiais exigir algo dos sacerdotes, dos levitas, dos cantores, dos porteiros e dos outros que servem no Templo de Deus ou impor-Ihes tributos e obriga\u00e7\u00f5es. Quanto a v\u00f3s, Esdras, usareis da prud\u00eancia e da sabe\u00addoria que Deus vos concedeu para estabelecer na S\u00edria e na Fen\u00edcia juizes que administrem a justi\u00e7a, e que os j\u00e1 instru\u00eddos nas vossas leis ensinem aos que ainda as ignoram e castiguem com multas ou mesmo com a morte os que n\u00e3o temerem violar os vossos mandamentos e os nossos&#8221;.<\/p>\n<p>Esdras, ao receber essa carta, adorou a Deus e deu-lhe imensas gra\u00e7as, pois s\u00f3 podia atribuir ao seu aux\u00edlio demonstra\u00e7\u00f5es de bondade t\u00e3o extraordin\u00e1rias da parte do rei. Reuniu em seguida todos os judeus que estavam na Babil\u00f4nia, leu-lhes as cartas e, conservando o original, enviou c\u00f3pias aos judeus que estavam na M\u00e9dia. Pode-se imaginar a alegria que eles sentiram por saber da piedade do rei para com Deus e de seu afeto por Esdras. Muitos decidiram dirigir-se imediata\u00admente \u00e0 Babil\u00f4nia com o que possu\u00edam de bens a fim de irem com Esdras a Jerusal\u00e9m. Mas o resto dos israelitas n\u00e3o quis abandonar esse pa\u00eds. Assim, somen\u00adte as tribos de Jud\u00e1 e de Benjamim voltaram a Jerusal\u00e9m, e est\u00e3o ainda hoje sujeitas, numa parte da \u00c1sia e da Europa, ao dom\u00ednio dos romanos. As outras dez tribos permaneceram al\u00e9m do Eufrates, e \u00e9 incr\u00edvel o quanto se multiplicaram.<\/p>\n<p>Dentre os que se dirigiram em grande n\u00famero a Esdras, havia muitos sacer\u00addotes, levitas, porteiros, cantores e outros consagrados ao servi\u00e7o de Deus. Ele os reuniu ao longo do Eufrates e, depois de jejuarem durante tr\u00eas dias e orarem a Deus pedindo prote\u00e7\u00e3o na viagem, puseram-se a caminho no d\u00e9cimo segundo dia do primeiro m\u00eas do s\u00e9timo ano do reinado de Xerxes, sem que Esdras quises\u00adse receber a escolta da cavalaria, oferecida pelo pr\u00edncipe, declarando que confia\u00adva no aux\u00edlio de Deus, que cuidava dele e de seu povo.<\/p>\n<p>Chegaram no quinto m\u00eas do mesmo ano a Jerusal\u00e9m. Esdras entregou logo aos que tinham a guarda dos tesouros do Templo e que eram da descend\u00eancia dos sacerdotes o dep\u00f3sito sagrado que o rei, os amigos dele e os judeus que moravam na Babil\u00f4nia lhe haviam confiado e que consistia de seiscentos e cinq\u00fcenta talentos de prata, vasos de prata no valor de cem talentos, vasos de ouro no valor de vinte talentos e vasos de cobre, mais preciosos que o ouro, no peso de doze talentos.<\/p>\n<p>Em seguida, Esdras ofereceu a Deus em holocausto, como a Lei ordenava, doze touros para a salva\u00e7\u00e3o do povo e, pelos pecados, setenta e dois carneiros e cordeiros e doze bodes. Na S\u00edria e na Fen\u00edcia, entregou aos governadores e oficiais do rei a carta que o soberano lhes escrevera. E, como n\u00e3o podiam deixar de obedecer, prestaram grandes honras \u00e0 na\u00e7\u00e3o judaica e nos ajudaram em nossas necessidades. Deve-se a Esdras a honra dessa transmigra\u00e7\u00e3o. E ele n\u00e3o somente a idealizou, como tamb\u00e9m n\u00e3o tenho d\u00favidas de que a sua virtude e a sua pieda\u00adde foram a causa do feliz \u00eaxito que Deus lhe quis outorgar.<\/p>\n<p>Pouco tempo depois, ele soube que alguns sacerdotes e levitas, n\u00e3o querendo se sujeitar \u00e0 disciplina, haviam, por um insolente desprezo \u00e0s leis de seus maiores, desposado mulheres estrangeiras e manchado a pureza da ordem sacerdotal. Os que lhe deram esse aviso rogaram-lhe que se armasse do zelo da religi\u00e3o para impedir que o crime de alguns atra\u00edsse a c\u00f3lera divina sobre todo o povo e os precipitasse de novo na desgra\u00e7a da qual acabavam de sair. Como eram de qualidade as pessoas culpadas desse pecado, esse santo homem, consi\u00adderando que uma ordem para despedir as mulheres e os filhos n\u00e3o seria obede\u00adcida por eles, foi tomado de t\u00e3o viva dor que rasgou as pr\u00f3prias vestes, arrancou a barba e os cabelos e lan\u00e7ou-se por terra banhado em l\u00e1grimas. Os outros ho\u00admens de bem reuniram-se a ele e juntaram as suas l\u00e1grimas \u00e0s dele.<\/p>\n<p>Nessa amargura de cora\u00e7\u00e3o, ele elevou os olhos e as m\u00e3os ao c\u00e9u e disse: &#8220;Tenho vergonha, meu Deus, de ousar levantar os meus olhos ao c\u00e9u, quando penso que este povo recai sempre mais no pecado e perde logo a lembran\u00e7a dos castigos com que punistes a impiedade de seus maiores. Todavia, Senhor, como a vossa miseric\u00f3rdia \u00e9 infinita, tende, por favor, piedade destes que restaram do antigo cativeiro que suportamos e que quisestes reconduzir \u00e0 antiga p\u00e1tria. Perdoai-lhes, Senhor, mais esse crime e, embora eles mere\u00e7am a morte, n\u00e3o vos canseis de lhes demonstrar a vossa bondade, conservando-lhes a vida&#8221;.<\/p>\n<p><em>Esdras 10<\/em>. Enquanto assim falava e todos os presentes, homens e mulheres, choravam com ele, Secanias, que era o primeiro cidad\u00e3o de Jerusal\u00e9m, aproxi\u00admou-se e disse que, n\u00e3o se podendo duvidar de que os que tomaram esposas estrangeiras haviam cometido um grande pecado, era preciso convenc\u00ea-los a restitu\u00ed-las, bem como aos filhos que delas haviam gerado, e castigar os que recusassem obedecer \u00e0 lei de Deus. Esdras aprovou essa proposta e fez jejuar os principais sacerdotes, os levitas e o povo, o qual os ajudaria a obrig\u00e1-los a isso. Depois que saiu do Templo, foi para a casa de Joana, filho de Eliasibe, e passou ali o resto do dia sem comer nem beber, t\u00e3o abatido estava pela dor. Mandou em seguida publicar por toda parte que todos os que haviam voltado da escravid\u00e3o deveriam vir dentro de dois ou tr\u00eas meses a Jerusal\u00e9m, sob pena de serem exco\u00admungados e de terem os seus bens confiscados em favor do tesouro do Templo, segundo o ju\u00edzo que seria pronunciado pelos anci\u00e3os.<\/p>\n<p>No terceiro dia, que era o vig\u00e9simo do nono m\u00eas, que os hebreus chamam tebete, e os maced\u00f4nios, apel\u00e9ia, os da tribo de Jud\u00e1 e de Benjamim dirigiram-se \u00e0 parte superior do Templo, e os principais assentaram-se. Esdras levantou-se e disse-lhes que os que haviam desposado mulheres estrangeiras, contra a proibi\u00e7\u00e3o da Lei, tinham cometido um grande pecado e que Deus s\u00f3 tornaria a ser-lhes favor\u00e1\u00advel se as mandassem embora. Todos responderam em voz alta que o fariam de boa vontade, mas o n\u00famero delas era t\u00e3o grande e a esta\u00e7\u00e3o t\u00e3o contr\u00e1ria, pois era inverno, de frio intenso, que aquilo n\u00e3o podia ser feito imediatamente. Assim, seria necess\u00e1rio um pouco de paci\u00eancia. Enquanto isso, os principais dentre o povo que estivessem isentos desse pecado, ajudados pelos anci\u00e3os, informar-se-iam com exatid\u00e3o a respeito dos que haviam transgredido a determina\u00e7\u00e3o da Lei.<\/p>\n<p>A proposta foi aprovada, e no primeiro dia do d\u00e9cimo m\u00eas come\u00e7ou-se a inda\u00adga\u00e7\u00e3o dos que haviam contra\u00eddo matrim\u00f4nio il\u00edcito. A investiga\u00e7\u00e3o durou at\u00e9 qua\u00adse o primeiro dia do m\u00eas seguinte, e v\u00e1rios parentes de Jesua, sumo sacerdote, dos outros sacerdotes, dos levitas e de outros dentre o povo devolveram imediatamen\u00adte as suas mulheres, preferindo assim a observ\u00e2ncia da Lei \u00e0 paix\u00e3o que sentiam por elas, por maior que fosse. Depois ofereceram a Deus carneiros em sacrif\u00edcio, para aplacar-lhe a c\u00f3lera. Eu poderia citar nomes, mas n\u00e3o julgo necess\u00e1rio. Dessa forma, Esdras remediou o erro cometido por esses matrim\u00f4nios profanos e aboliu esse mau costume, no qual ningu\u00e9m mais caiu.<\/p>\n<p>No s\u00e9timo m\u00eas, que era o tempo de se comemorar a festa dos Tabern\u00e1culos, quase todo o povo reuniu-se pr\u00f3ximo da porta do Templo, a qual est\u00e1 do lado do oriente, e rogou a Esdras que lhes desse a lei de Mois\u00e9s. Ele consentiu, e essa leitura durou desde a manh\u00e3 at\u00e9 a tarde. Eles se foram t\u00e3o comovidos que derra\u00admavam l\u00e1grimas, porque aquelas santas leis n\u00e3o somente lhes mostraram o que eles deviam fazer no tempo presente e no futuro, como tamb\u00e9m revelaram que, se as tivessem observado no passado, n\u00e3o teriam ca\u00eddo em tantas desgra\u00e7as. Esdras, vendo-os naquela afli\u00e7\u00e3o, disse-lhes que se retirassem para as suas casas e enxugassem as l\u00e1grimas, pois n\u00e3o deviam chorar no dia de uma festa t\u00e3o solene, e sim alegrar-se e regozijar-se e aproveitar o arrependimento que demonstravam pelas suas faltas passadas para n\u00e3o cometer outras semelhantes no futuro. Essas palavras consolaram-nos, e eles celebraram alegremente durante oito dias essa grande festa, gratos a Esdras pela reforma de seus costumes, e voltaram cantan\u00addo hinos de louvor a Deus. Um feito t\u00e3o importante, somado \u00e0s outras obriga\u00ad\u00e7\u00f5es de que a na\u00e7\u00e3o lhe era devedora, conquistou-lhe tanta gl\u00f3ria que quando ele terminou os seus dias, em venturosa velhice, enterraram-no em Jerusal\u00e9m com grande magnific\u00eancia. Joaquim, sumo sacerdote, morreu tamb\u00e9m nesse mesmo tempo, e Eliaquim, seu filho, substituiu-o.<\/p>\n<p><em>Neemias 1. <\/em>Depois da morte de Esdras, um judeu dentre os escravos, de nome Neemias, que era mordomo do rei Xerxes, passeando um dia fora da cida\u00adde de Sus\u00e3, capital da P\u00e9rsia, viu uns estrangeiros que vinham de prov\u00edncias distantes e percebeu que eles falavam a l\u00edngua hebraica. Aproximou-se deles para perguntar de onde vinham e soube que eram da Jud\u00e9ia. Perguntou-lhes como ia aquele pa\u00eds, particularmente Jerusal\u00e9m. Responderam-lhe que tudo es\u00adtava em muito mau estado, que as muralhas da cidade estavam em ru\u00ednas e que n\u00e3o havia males que os povos vizinhos n\u00e3o lhes causassem, pois devastavam continuamente os campos, levavam prisioneiros os habitantes da cidade, e freq\u00fcentemente encontravam-se cad\u00e1veres pelas estradas.<\/p>\n<p>Neemias ficou t\u00e3o desconsolado pela afli\u00e7\u00e3o do povo de seu pa\u00eds que n\u00e3o p\u00f4de reter as l\u00e1grimas. E, elevando os olhos ao c\u00e9u, disse a Deus: &#8220;At\u00e9 quando, Senhor, permitireis que a vossa na\u00e7\u00e3o seja perseguida e torturada por tantos males? At\u00e9 quando permitireis que ela seja presa de vossos inimigos?&#8221; O sofri\u00admento fez-lhe esquecer at\u00e9 o momento em que se encontrava, pois vieram dizer-lhe que o rei estava prestes a se p\u00f4r \u00e0 mesa, e ele correu para servi-lo.<\/p>\n<p><em>Neemias 2. <\/em>O pr\u00edncipe, que estava de bom humor, tendo notado ao sair da mesa que Neemias estava muito triste, perguntou-lhe o motivo. Ele respondeu, depois de rogar a Deus em seu cora\u00e7\u00e3o que tornasse as suas palavras bem persua-sivas: &#8220;Como poderia, majestade, n\u00e3o estar triste pela afli\u00e7\u00e3o de saber a que estado se acha reduzida a cidade de Jerusal\u00e9m, minha querida p\u00e1tria, onde est\u00e3o os sepul-cros de meus antepassados? Os seus muros est\u00e3o completamente em ru\u00ednas, e as suas portas, reduzidas a cinzas. Fazei-me, Senhor, o favor de permitir que eu v\u00e1 reergu\u00ea-las e de fornecer o que falta para completar a restaura\u00e7\u00e3o do Templo!&#8221;<\/p>\n<p>O soberano recebeu t\u00e3o bem esse pedido que n\u00e3o somente concedeu o que ele desejava, como tamb\u00e9m prometeu escrever aos seus governadores para que o tra\u00adtassem com muita honra e o ajudassem em tudo o que ele desejasse. Acrescentou o pr\u00edncipe: &#8220;Esquecei ent\u00e3o a vossa afli\u00e7\u00e3o e continuai a servir-me, com alegria&#8221;. Neemias adorou a Deus e deu ao rei os seus humildes e sinceros agradecimentos por t\u00e3o grande favor. O seu rosto tornou-se t\u00e3o alegre quanto antes estava triste.<\/p>\n<p>No dia seguinte, o rei entregou-lhe as cartas endere\u00e7adas a Sad\u00e9, governador da S\u00edria, da Fen\u00edcia e de Samaria, pelas quais ordenava tudo o que dissemos h\u00e1 pouco. Neemias partiu com essas cartas para a Babil\u00f4nia, de onde levou v\u00e1rias pessoas de sua na\u00e7\u00e3o, e chegou a Jerusal\u00e9m no vig\u00e9simo quinto ano do reinado de Xerxes. Depois de entregar as cartas a Sad\u00e9 e as que eram endere\u00e7adas aos outros, mandou reunir todo o povo e falou: &#8220;N\u00e3o ignorais o cuidado que o Deus Todo-poderoso teve de Abra\u00e3o, de Isaque e de Jac\u00f3, nossos antepassados, por causa da piedade deles e de seu amor pela justi\u00e7a. E hoje ainda Ele nos faz ver que n\u00e3o nos abandonou, pois obtive do rei, por aux\u00edlio dEle, permiss\u00e3o para reedificar as nossas muralhas e ultimar a constru\u00e7\u00e3o do Templo. No entanto, como n\u00e3o posso duvidar do \u00f3dio que nos t\u00eam as na\u00e7\u00f5es vizinhas, as quais, quando virem o entusiasmo com que trabalhamos nestas obras, tudo far\u00e3o para nos atrapalhar, creio que temos duas coisas a fazer. A primeira \u00e9 pormos toda a nossa confian\u00e7a no aux\u00edlio de Deus, que pode sem dificuldade confundir os des\u00edgnios de nossos inimigos. A segunda \u00e9 trabalhar dia e noite com ardor infatig\u00e1vel, para terminarmos a nossa empresa sem perda de tempo, pois este nos \u00e9 favor\u00e1vel e deve ser para n\u00f3s muito precioso&#8221;.<\/p>\n<p>Depois dessas palavras, Neemias ordenou aos magistrados que mandassem medir o per\u00edmetro das muralhas. Dividiu o trabalho entre o povo, fixou a cada por\u00e7\u00e3o um n\u00famero de aldeias e de vilas, para tamb\u00e9m trabalharem com eles, e prometeu ajud\u00e1-los o quanto poss\u00edvel. Todos animaram-se com essas palavras e puseram m\u00e3os \u00e0 obra. Foi ent\u00e3o que se come\u00e7ou a chamar de judeus os que de nossa na\u00e7\u00e3o regressaram da Babil\u00f4nia e da jud\u00e9ia ao pa\u00eds, porque fora outrora propriedade da tribo de Jud\u00e1.<\/p>\n<p><em>Neemias 4 e 6. <\/em>Quando os amonitas, os moabitas, os samaritanos e os habi\u00adtantes da Baixa S\u00edria souberam que a obra progredia, sentiram grande desgosto, e nada houve que n\u00e3o fizessem para dificultar o empreendimento: faziam em\u00adboscadas aos nossos, matavam os que lhes ca\u00edam nas m\u00e3os e, como Neemias era o principal objeto de seu \u00f3dio, deram dinheiro a alguns assassinos, para que o matassem. Procuraram tamb\u00e9m assustar os judeus com v\u00e3os terrores, fazendo correr o boato de que um ex\u00e9rcito formado por diversas na\u00e7\u00f5es avan\u00e7ava para atac\u00e1-los. Tantos esfor\u00e7os e artif\u00edcios acabaram assustando o povo, e pouco fal\u00adtou para que abandonassem o empreendimento.<\/p>\n<p>Nada, por\u00e9m, foi capaz de assustar ou desanimar Neemias. Intr\u00e9pido em meio a tantas dificuldades, continuou a trabalhar com mais ardor do que nunca e fez-se acompanhar por alguns soldados, para lhe servirem de guardas, n\u00e3o que tivesse medo da morte, mas por saber que os seus concidad\u00e3os perderiam a coragem se n\u00e3o o tivessem mais entre eles para anim\u00e1-los na execu\u00e7\u00e3o de t\u00e3o santa empresa. Ordenou aos oper\u00e1rios que, no trabalho, mantivessem a espada sempre ao lado e perto de si os seus escudos, para deles se servirem em caso de necessidade. Colocou trombeteiros de quinhentos em quinhentos passos, para dar o alarme e obrigar o povo a tomar logo as armas se aparecessem os inimigos. Ele mesmo fazia, durante toda a noite, a ronda pela cidade. Para fazer o trabalho progredir n\u00e3o bebia, n\u00e3o comia e n\u00e3o dormia, exceto quando obrigado pela necessidade. Isso ele fez n\u00e3o por pouco tempo, mas de forma cont\u00ednua pelo espa\u00e7o de vinte e sete meses, que foi o quanto empregaram na restaura\u00e7\u00e3o das muralhas da cidade. Por fim, a obra foi conclu\u00edda, no nono m\u00eas do vig\u00e9simo oitavo ano do reinado de Xerxes.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Neemias e todo o povo ofereceram sacrif\u00edcios a Deus e passaram oito dias em festas e banquetes de regozijo, o que causou aos s\u00edrios vis\u00edvel desprazer. Neemias, vendo que Jerusal\u00e9m n\u00e3o estava bastante povoada, induziu os sacerdotes e os levitas que moravam no campo a vir para a cidade morar nas casas que ele mandara cons\u00adtruir e obrigou os camponeses a lhes trazer os d\u00edzimos (o que eles fizeram com prazer), a fim de que nada os pudesse impedir de se dedicar inteiramente ao servi\u00e7o de Deus. Assim, Jerusal\u00e9m povoou-se, e esse grande homem, ap\u00f3s realizar ainda outras coisas dignas de m\u00e9rito, morreu em idade avan\u00e7ada. Era um homem t\u00e3o bom, justo e zeloso do bem de sua p\u00e1tria, a quem ela \u00e9 devedora de tantos benef\u00ed\u00adcios, que a sua mem\u00f3ria jamais h\u00e1 de perecer entre os judeus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esdras 7. Xerxes sucedeu a seu pai, Dario, e n\u00e3o foi menos herdeiro de sua piedade para com Deus que sucessor no trono. Nada mudou a respeito do que fora determinado com rela\u00e7\u00e3o ao culto a Ele, e Xerxes teve sempre uma grande afei\u00e7\u00e3o pelos judeus. 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