{"id":276,"date":"2015-04-02T23:41:44","date_gmt":"2015-04-02T23:41:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=276"},"modified":"2015-04-02T23:41:44","modified_gmt":"2015-04-02T23:41:44","slug":"capitulo-4-dario-rei-da-persia-propoe-a-zorobabel-principe-dos-judeus-e-a-dois-outros-questoes-para-serem-resolvidas-zorobabel-resolve-as-e-recebe-como-recompensa-a-restauracao-de-jerusalem-e-d","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-4-dario-rei-da-persia-propoe-a-zorobabel-principe-dos-judeus-e-a-dois-outros-questoes-para-serem-resolvidas-zorobabel-resolve-as-e-recebe-como-recompensa-a-restauracao-de-jerusalem-e-d\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 4 &#8211; Dario, rei da P\u00e9rsia, prop\u00f5e a Zorobabel, pr\u00edncipe dos judeus, e a dois outros quest\u00f5es para serem resolvidas. Zorobabel resolve-as e recebe como recompensa a restaura\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m e do Templo. Um grande n\u00famero de judeus volta em seguida para Jerusal\u00e9m sob o comando de Zorobabel e trabalha nessa obra. Os samaritanos e outros povos pedem a Dario que a impe\u00e7a. Mas esse pr\u00edncipe faz justamente o contr\u00e1rio."},"content":{"rendered":"<p><em>Esdras 5 e 6. <\/em>Dario era ainda um simples cidad\u00e3o, mas fizera a Deus um voto: se um dia subisse ao trono, restituiria ao Templo em Jerusal\u00e9m tudo o que estava ainda na Babil\u00f4nia dos vasos sagrados. Quando ele foi proclamado rei, aconteceu que Zorobabel, pr\u00edncipe dos judeus, que era seu velho amigo, estava pr\u00f3ximo dele. E assim, confiou a ele e a dois outros dos principais a dire\u00e7\u00e3o de sua casa e de tudo o que mais de perto se referia \u00e0 sua pessoa.<\/p>\n<p>O grande rei, no primeiro ano de seu reinado, ofereceu um suntuoso banque\u00adte aos seus principais auxiliares, aos maiorais dos medos e dos persas e aos gover\u00adnadores das cento e vinte e sete prov\u00edncias sobre as quais estendia o seu dom\u00ed\u00adnio, que ia desde as \u00edndias at\u00e9 a Eti\u00f3pia. Terminado o banquete, todos se retira\u00adram, e Dario dormiu um pouco, mas logo acordou. N\u00e3o podendo conciliar o sono novamente, p\u00f4s-se a conversar com aqueles tr\u00eas oficiais.<\/p>\n<p>Ele prometeu conceder a quem melhor resolvesse o problema que iria propor que se vestisse de p\u00farpura, usasse um colar de ouro, bebesse em ta\u00e7a de ouro, dormisse em um leito de ouro, passeasse num carro em que os arreios dos cava\u00adlos eram de ouro, usasse uma tiara de fino linho, se sentasse perto dele e fosse considerado seu parente. Perguntou ent\u00e3o ao primeiro se a mais forte de todas as coisas do mundo n\u00e3o era o vinho. Ao segundo, se n\u00e3o eram os reis. Ao tercei\u00adro, se n\u00e3o eram as mulheres ou a verdade. Disse-lhes que pensassem. No dia seguinte, pela manh\u00e3, mandou chamar os pr\u00edncipes, os grandes senhores da P\u00e9rsia e da M\u00e9dia, sentou-se no trono de onde costumava distribuir a justi\u00e7a e ordenou aos tr\u00eas oficiais que respondessem na presen\u00e7a de toda a assembl\u00e9ia \u00e0s perguntas que havia feito.<\/p>\n<p>O primeiro, para mostrar a for\u00e7a do vinho, falou assim: &#8220;Parece-me n\u00e3o haver melhor prova para mostrar que tudo cede \u00e0 for\u00e7a do vinho que vermos como ele perturba a raz\u00e3o e p\u00f5e os pr\u00f3prios reis em tal estado que eles se tornam como crian\u00e7as, as quais t\u00eam necessidade de serem guiadas; como d\u00e1 aos escravos a liberdade de falar, deles tirada pela escravid\u00e3o, e torna os pobres t\u00e3o contentes quanto os ricos; como muda de tal sorte o Esp\u00edrito dos homens que, mesmo nas maiores mis\u00e9rias, afoga os sentimentos de sua desgra\u00e7a; como os faz esquecer a pr\u00f3pria desdita e os persuade de que est\u00e3o em tal abund\u00e2ncia que s\u00f3 falam de milh\u00f5es; como lhes p\u00f5e na boca as palavras que usam os que se encontram no cume da gl\u00f3ria e lhes tira o medo das pessoas mais tem\u00edveis e dos maiorais mo\u00adnarcas; como os faz n\u00e3o conhecer e at\u00e9 odiar os seus melhores amigos. Depois eles adormecem e, despertando, encontram-se com o Esp\u00edrito tranq\u00fcilo e nem se lembram mais do que disseram ou fizeram durante a embriaguez. Assim, creio que o vinho deve passar pela coisa mais forte do mundo&#8221;.<\/p>\n<p>Depois que o primeiro assim falou em favor do vinho, o outro, encarregado de mostrar que nada iguala ao poder dos reis, procurou prov\u00e1-lo com estas pala\u00advras: &#8220;Ningu\u00e9m pode duvidar de que os homens s\u00e3o os senhores do universo, pois dominam toda a terra e o mar e fazem uso dos elementos para o que bem lhes parece. Mas os reis governam os homens e reinam sobre aqueles que domi\u00adnam todos os animais. Que h\u00e1, pois, que se possa comparar ao seu poder? Eles governam os seus s\u00faditos, e estes est\u00e3o sempre prontos a obedec\u00ea-lo. Ele os p\u00f5e, quando lhe apraz, em todos os perigos da guerra, e, embora seja necess\u00e1rio for\u00e7ar muralhas ou combater em campo aberto ou atacar em montes inacess\u00ed\u00adveis, eles n\u00e3o imp\u00f5em dificuldade para se expor \u00e0 morte e obedec\u00ea-lo. Depois de vencerem as batalhas, obtendo vit\u00f3rias \u00e0 custa do pr\u00f3prio sangue, toda a vanta\u00adgem e toda a gl\u00f3ria reverte em favor do rei, bem como o fruto dos trabalhos e dos suores daqueles dentre o povo que, enquanto os demais pegam em armas, cultivam a terra. Assim, os pr\u00edncipes recolhem o que n\u00e3o tiveram o trabalho de semear, desfrutam todas as esp\u00e9cies de prazer e dormem \u00e0 vontade, enquanto os seus guardas velam \u00e0 porta sem dela se afastar, por maiores que sejam as necessidades que os chamem a outros lugares. Pode-se, pois, duvidar de que o poder dos reis n\u00e3o supere a todos os outros?&#8221;<\/p>\n<p>Zorobabel, que devia falar por \u00faltimo, para mostrar que o poder das mulhe\u00adres e da verdade \u00e9 o mais forte, assim se expressou: &#8220;Estou de acordo com a for\u00e7a do vinho e o poder dos reis, mas ouso afirmar que o poder das mulheres \u00e9 ainda maior. Os homens e os reis t\u00eam nelas a sua origem, e, se elas n\u00e3o tivessem posto no mundo os que cultivam as terras, a vinha n\u00e3o produziria o fruto cujo suco \u00e9 t\u00e3o agrad\u00e1vel. De tudo ter\u00edamos falta sem as mulheres. Devemos ao seu trabalho as principais comodidades da vida: elas fiam a l\u00e3 e o tecido com que nos vesti\u00admos. T\u00eam cuidado de nossas fam\u00edlias, e n\u00e3o poder\u00edamos passar sem elas. A sua beleza tem tanto encanto que nos fazem desprezar o ouro, a prata e tudo o que h\u00e1 de mais rico no mundo para ganharmos o seu afeto. Para segui-las, abando\u00adnamos sem pesar m\u00e3e, pai, parentes, amigos e a nossa pr\u00f3pria p\u00e1tria. Fazemo-las senhoras n\u00e3o somente de tudo o que conquistamos com mil trabalhos na terra e no mar, mas de n\u00f3s mesmos. Acrescentarei que vi o rei, senhor de tantas na\u00e7\u00f5es, permitir que Apam\u00e9ia, sua senhora, filha de Rapsac\u00e9s Temasim, lhe batesse no rosto e lhe arrancasse a coroa para p\u00f4-la na pr\u00f3pria cabe\u00e7a e vi o grande pr\u00edncipe rir-se quando ela estava de bom humor, afligir-se quando ela estava triste, adul\u00e1-la, unificar-se aos sentimentos dela e rebaixar-se at\u00e9 pedir-lhe desculpas quando julgava t\u00ea-la desgostado em alguma coisa&#8221;.<\/p>\n<p>Todos os assistentes ficaram t\u00e3o impressionados com essas palavras que co\u00adme\u00e7aram a se entreolhar. Zorobabel ent\u00e3o passou do louvor \u00e0s mulheres ao da verdade: &#8220;Mostrei qual o poder das mulheres, mas nem as mulheres nem os reis s\u00e3o compar\u00e1veis \u00e0 verdade. Por maior que seja a terra, por mais alto que seja o c\u00e9u, por mais r\u00e1pido que seja o curso do Sol, \u00e9 Deus que os move e governa. Deus \u00e9 justo e verdadeiro, e assim \u00e9 evidente que nada se iguala ao poder da verdade. A injusti\u00e7a nada pode contra ela. Enquanto todas as demais coisas s\u00e3o perec\u00edveis e passam como um rel\u00e2mpago, ela \u00e9 imortal e subsiste eternamente. Al\u00e9m disso, as vantagens com que nos enriquece n\u00e3o duram menos que ela mesma: a fortuna n\u00e3o poderia tir\u00e1-la de n\u00f3s nem o tempo alter\u00e1-la, porque est\u00e1 acima do alcance deles. E ela \u00e9 t\u00e3o pura que nada a pode corromper&#8221;.<\/p>\n<p>Zorobabel assim falou, e muitos louvaram-no e confessaram que ele havia provado muito bem que nada \u00e9 mais poderoso que a verdade, a qual jamais envelhece e n\u00e3o est\u00e1 sujeita a mudan\u00e7as. O rei disse-lhe que declarasse o que desejava daquilo que prometera ao que melhor respondesse \u00e0s quest\u00f5es propos\u00adtas, e o concederia de boa vontade, reconhecendo-o como o mais s\u00e1bio e mais inteligente de todos. Disse ainda que desejava, no futuro, receber os seus conse\u00adlhos e ter tanta considera\u00e7\u00e3o por ele como a um parente.<\/p>\n<p>Zorobabel respondeu-lhe que n\u00e3o lhe pedia outra gra\u00e7a sen\u00e3o que cumprisse o voto que havia feito antes de ser elevado \u00e0 dignidade da coroa: mandar recons\u00adtruir Jerusal\u00e9m, restaurar o Templo de Deus e restituir todos os vasos sagrados que o rei Nabucodonosor mandara tirar e levar para a Babil\u00f4nia. O rei ent\u00e3o levantou-se do trono com o rosto alegre, beijou Zorobabel e ordenou que se escrevesse aos governadores de suas prov\u00edncias, para que o ajudassem a recons\u00adtruir o Templo, bem como aos que o acompanhassem na viagem a Jerusal\u00e9m. Deu tamb\u00e9m aos magistrados da S\u00edria e da Fen\u00edcia ordem para que mandassem cortar cedros sobre o monte L\u00edbano e os fizessem levar a Jerusal\u00e9m e para que ajudassem os que iam reconstruir a cidade.<\/p>\n<p>Essas mesmas cartas diziam que o rei desejava que todos os judeus que fos\u00adsem a Jerusal\u00e9m de volta do cativeiro fossem libertados, proibiam a todos os seus oficiais fazer-lhes imposi\u00e7\u00f5es ou obrig\u00e1-los a pagar tributo e ordenavam que lhes fosse permitido cultivar todas as terras aproveit\u00e1veis. O rei ordenava aos idumeus, aos samaritanos e aos da Baixa S\u00edria que lhes entregassem tudo o que os seus pais haviam possu\u00eddo e contribu\u00edssem com cinq\u00fcenta talentos para a constru\u00e7\u00e3o do Templo. Permitia tamb\u00e9m aos judeus oferecer a Deus os mesmos sacrif\u00edcios e observar as mesmas cerim\u00f4nias que seus antepassados. Podiam ainda tomar do fundo dos bens reais o que fosse necess\u00e1rio para as vestes dos sumos sacerdotees e dos outros sacerdotes e para os instrumentos de m\u00fasica com os quais os levitas cantavam louvores a Deus, e a cada ano se daria aos guardas do Templo e da cidade terras e o dinheiro necess\u00e1rio \u00e0 sua manuten\u00e7\u00e3o. Por fim, Dario confir\u00admou tudo o que Ciro havia determinado, tanto para a restaura\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o judaica quanto para a restitui\u00e7\u00e3o dos vasos sagrados.<\/p>\n<p>Depois que Zorobabel obteve do soberano tudo o que podia desejar, a primeira coisa que fez ao sair do pal\u00e1cio foi elevar os olhos ao c\u00e9u e agradecer a Deus o favor que Ele lhe fizera, ou seja, torn\u00e1-lo perante o pr\u00edncipe o mais h\u00e1bil e inteligente de todos. Confessou que devia toda a sua felicidade ao aux\u00edlio dEle e pediu que Ele continuasse a ajud\u00e1-lo. Quando chegou \u00e0 Babil\u00f4nia e deu essa grata not\u00edcia aos de sua na\u00e7\u00e3o, eles tamb\u00e9m deram gra\u00e7as a Deus por Ele haver permitido que se restabelecessem em sua p\u00e1tria e passaram sete dias inteiros em festas de regozijo. As fam\u00edlias escolheram em seguida pessoas de sua tribo para que fossem levadas a Jerusal\u00e9m e procuraram cavalos e outros animais para car\u00adregar as suas mulheres e filhos. Assim uma grande multid\u00e3o de todas as idades e ambos os sexos, guiadas por aqueles que Dario havia posto \u00e0 frente, fez toda a caminhada com incr\u00edvel alegria, ao som de flautas e de timbales.<\/p>\n<p>O temor de aborrecer o leitor e de interromper o fio de minha narra\u00e7\u00e3o n\u00e3o me deixar\u00e1 mencionar nomes em particular. Contentar-me-ei em dizer o seu n\u00famero. Havia nas tribos de Jud\u00e1 e de Benjamim, da idade de doze anos para cima, quatro milh\u00f5es seiscentas e vinte e oito mil pessoas. A multid\u00e3o era segui\u00adda por quatro mil e setenta levitas e quarenta mil setecentos e quarenta e duas mulheres e crian\u00e7as. Da estirpe dos levitas, havia cento e vinte e oito cantores, cento e dez porteiros e trezentos e vinte e dois que serviam no Santu\u00e1rio. Seis-centos e cinq\u00fcenta e dois se diziam israelitas, rrias, sem poder prov\u00e1-lo, n\u00e3o foram reconhecidos como tais. Quinhentos e vinte e cinco haviam desposado mulheres que eles diziam ser da descend\u00eancia dos sacerdotes e dos levitas, mas os seus nomes n\u00e3o constavam das genealogias. Sete mil trezentos e trinta e sete escravos caminhavam atr\u00e1s deles, bem como duzentos e quarenta cantores e cantoras. Havia ainda quatrocentos e trinta e cinco camelos e quinhentos e vinte e cinco cavalos ou outros animais de carga no transporte das bagagens.<\/p>\n<p>Zorobabel, de que falamos h\u00e1 pouco, era filho de Sealtiel, da tribo de Jud\u00e1 e da estirpe de Davi. Ele chefiava essa grande multid\u00e3o, auxiliado por Jesua, filho de Jozadaque, sumo sacerdote, Mardoqueu e Cerebeu, escolhidos pelas outras duas tribos. Os dois \u00faltimos contribu\u00edram, das pr\u00f3prias economias, com cem pe\u00e7as de ouro e cinco mil de prata para as despesas dessa viagem. Os sacerdotes, os levitas e uma parte do povo judeu que estava na Babil\u00f4nia voltaram para morar novamente em Jerusal\u00e9m, e os que l\u00e1 ficaram os acompanharam durante uma parte do caminho e depois retornaram.<\/p>\n<p>Sete meses depois, Jesua, sumo sacerdote, e o pr\u00edncipe Zorobabel en\u00adviaram a toda parte convites aos de sua na\u00e7\u00e3o, para que se dirigissem a Jerusa\u00adl\u00e9m. Eles foram com grande alegria e, depois de constru\u00edrem um altar no mes\u00admo local onde estivera o primeiro, ofereceram sacrif\u00edcios a Deus segundo o que Mois\u00e9s havia determinado. As na\u00e7\u00f5es vizinhas viram isso com grande desprazer, por causa do \u00f3dio que lhe votavam. Os judeus celebraram tamb\u00e9m nesse mes\u00admo tempo a festa dos Tabern\u00e1culos, segundo fora institu\u00edda anteriormente: fizeram as obla\u00e7\u00f5es e os sacrif\u00edcios que se deviam fazer todos os dias, como tamb\u00e9m os dos s\u00e1bados, das festas sagradas e das solenidades ordin\u00e1rias. Os que haviam feito votos cumpriram-nos, oferecendo sacrif\u00edcios depois da lua nova do s\u00e9timo m\u00eas.<\/p>\n<p>Come\u00e7aram depois a trabalhar na constru\u00e7\u00e3o do Templo, sem lastimar a des\u00adpesa necess\u00e1ria para o pagamento e a alimenta\u00e7\u00e3o dos oper\u00e1rios. Os sid\u00f4nios enviaram, com bastante agrado, grandes vigas de cedro, que haviam cortado nas florestas do monte L\u00edbano e ligado umas \u00e0s outras, fazendo-as flutuar nas \u00e1guas do mar at\u00e9 o porto de Jope, como Ciro e Dario haviam determinado.<\/p>\n<p>Depois de no segundo m\u00eas do segundo ano lan\u00e7arem os alicerces do Tem\u00adplo, come\u00e7aram, no dia primeiro de dezembro, a construir a parte superior. Todos os levitas com vinte anos ou mais, e Jesua, com os seus tr\u00eas filhos e seus irm\u00e3os, e Cadmiel, irm\u00e3o de Jud\u00e1, filho de Aminadabe, com os seus filhos, que haviam sido encarregados da dire\u00e7\u00e3o dessa obra, nela trabalharam com tanto empenho e solicitude que a conclu\u00edram muito antes do esperado. Ent\u00e3o os sacerdotes, revestidos de seus vestes sacerdotais, marcharam ao som de trom-betas, enquanto os levitas e os descendentes de Asafe cantavam em louvor a Deus hinos e salmos compostos pelo rei Davi. Os mais antigos do povo, que haviam contemplado a magnific\u00eancia e a riqueza do primeiro templo, conside\u00adrando o quanto esse estava longe de igual\u00e1-lo e julgando assim a grande dife\u00adren\u00e7a entre a sua prosperidade no passado e a presente, sentiram t\u00e3o profunda dor que n\u00e3o puderam reter as l\u00e1grimas e solu\u00e7os. O povo em geral, por\u00e9m, ao qual somente o presente podia impressionar, n\u00e3o fazia tal compara\u00e7\u00e3o. Estava t\u00e3o contente que as queixas de uns e os gritos de j\u00fabilo de outros impediam que se ouvisse o som das trombetas.<\/p>\n<p>Essa not\u00edcia chegou at\u00e9 Samaria, e os habitantes dessa cidade vieram indagar o que se passava. Ao saber que os judeus, regressando do cativeiro da Babil\u00f4nia, haviam reconstru\u00eddo o Templo, rogaram a Zorobabel, a Jesua, sumo sacerdote, e aos principais das tribos que lhes permitissem contribuir para aquelas despesas, dizendo que adoravam o mesmo Deus e que n\u00e3o ti\u00adnham outra religi\u00e3o desde que Salmaneser, rei da Ass\u00edria, os trouxera da Chut\u00e9ia e da M\u00e9dia para morar em Samaria. Todos de comum acordo responderam que n\u00e3o podiam fazer o que desejavam, porque Ciro e Dario haviam permiti\u00addo que s\u00f3 eles, os judeus, reconstru\u00edssem o Templo, mas que isso n\u00e3o impedi\u00adria que eles e todos os de sua na\u00e7\u00e3o viessem adorar a Deus, o que podiam fazer com toda a liberdade.<\/p>\n<p>Os chuteenses (pois \u00e9 assim que chamamos os samaritanos) ficaram t\u00e3o ofen\u00addidos com essa resposta que persuadiram os s\u00edrios e seus governados a empre\u00adgar, para impedir a constru\u00e7\u00e3o do Templo, os mesmos meios de que se haviam servido outrora, nos tempos de Ciro e de Cambises, acrescentando que n\u00e3o ha\u00advia um momento a perder, por causa da pressa com que os judeus trabalhavam naquela obra. Naquele mesmo tempo, Sisina, governador da S\u00edria e da Fen\u00edcia, acompanhado por Sarabazam e por alguns outros, veio a Jerusal\u00e9m e perguntou aos principais dos judeus quem lhes permitira reconstruir o Templo, fazendo-o t\u00e3o robustecido que mais parecia uma fortaleza, e tamb\u00e9m cercar toda a cidade com muralhas t\u00e3o espessas.<\/p>\n<p>Zorobabel e o sumo sacerdote responderam que eram servidores do Deus Todo-poderoso; que o Templo fora outrora constru\u00eddo em sua honra por um de seus reis, que era um dos mais bem-aventurados pr\u00edncipes do mundo, ao qual nenhum outro jamais se igualara em sabedoria e em intelig\u00eancia; que aquele soberbo edif\u00edcio fora conservado intacto durante v\u00e1rios s\u00e9culos; que seus antepassados, tendo desgostado a Deus com os seus pecados, haviam permitido que Nabucodonosor, rei de Babil\u00f4nia e da Cald\u00e9ia, tomasse a cida\u00adde e a destru\u00edsse e incendiasse, bem como ao Templo, depois de retirar dele tudo o que existia de mais precioso, e levasse o povo escravo para a Babil\u00f4nia; que Ciro, depois rei da P\u00e9rsia e da Babil\u00f4nia, ordenara expressamente, por cartas escritas a esse respeito, que se reconstru\u00edsse o Templo e que depois de terminado se levassem para l\u00e1 os vasos sagrados que haviam sido dele retira\u00addos e que os confiara a Zorobabel e a Mitredate, seu tesoureiro-mor; que antes, para apressar a constru\u00e7\u00e3o do Templo, havia mandado Abazar a Jerusa\u00adl\u00e9m, o qual ent\u00e3o j\u00e1 lhe lan\u00e7ara os alicerces; que desde ent\u00e3o somente as na\u00e7\u00f5es inimigas haviam feito esfor\u00e7os para impedir os trabalhos; e que, como prova daquela afirma\u00e7\u00e3o, ele precisava apenas escrever ao rei, para que este lhe mostrasse nos registros dos reis precedentes se tudo n\u00e3o se havia passado como estavam dizendo.<\/p>\n<p>Sisina e os que o acompanhavam ficaram satisfeitos com essas raz\u00f5es e n\u00e3o impediram a continua\u00e7\u00e3o dos trabalhos, mas indagaram antes da vontade do rei e para isso lhe escreveram. No entanto os judeus temiam que esse pr\u00edncipe se arre\u00adpendesse da permiss\u00e3o concedida, por\u00e9m os profetas Ageu e Zacarias disseram-lhes que nada temessem, nem de Dario nem dos persas, porque estavam informa\u00addos da vontade de Deus sobre aquele assunto. Assim, tranq\u00fcilizaram-se e continu\u00adaram a trabalhar com o mesmo ardor. Os samaritanos ou chuteenses n\u00e3o deixa\u00adram, por sua vez, de escrever ao rei Dario, contando que os judeus fortificavam a sua cidade e constru\u00edam um templo que mais parecia uma fortaleza que um lugar destinado ao culto a Deus. E, para testemunhar ao rei o quanto aquilo lhe seria prejudicial, mandaram-lhe as cartas do rei Cambises pelas quais ele havia proibido a continua\u00e7\u00e3o daquelas obras, pois n\u00e3o as julgava proveitosas para o seu servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Quando Dario recebeu essas cartas e as de Sisina, mandou procurar os registros dos reis. Encontraram um deles no castelo de Ecb\u00e1tana, na M\u00e9dia, onde estava escrito assim: &#8220;O rei Ciro ordenou no primeiro ano de seu reina\u00addo que se constru\u00edsse em Jerusal\u00e9m um templo de sessenta c\u00f4vados de altura e outros tantos de largura, com tr\u00eas ordens de pedras polidas e uma da ma\u00addeira que se encontra naquele pa\u00eds; que se edificasse um altar naquele tem\u00adplo; que tudo seria feito \u00e0s suas expensas; que os vasos sagrados retirados por Nabucodonosor seriam levados para l\u00e1; e que Abazar, governador da S\u00edria e da Fen\u00edcia, e os oficiais da prov\u00edncia tomariam o cuidado de mandar prosse\u00adguir a obra sem no entanto ir a Jerusal\u00e9m, porque os judeus, que eram servi\u00addores de Deus, e seus pr\u00edncipes deveriam assumir a dire\u00e7\u00e3o. Seria suficiente ajud\u00e1-los com o dinheiro que se obteria dos tributos das prov\u00edncias e dar-lhes para os seus sacrif\u00edcios touros, carneiros, cordeiros, cabritos, farinha, \u00f3leo, vinho e todas as outras coisas que os sacerdotes lhes pedissem, a fim de que rogassem pela prosperidade dos reis e pelo imp\u00e9rio dos persas. E, se algu\u00e9m se atrevesse a desobedecer a essa ordem, que fosse crucificado e tivesse to\u00addos os seus bens confiscados. A isso acrescentou uma impreca\u00e7\u00e3o que atingiu a todos os que quisessem impedir a constru\u00e7\u00e3o do Templo. Ele rogava a Deus que fizesse desencadear sobre eles a sua justa vingan\u00e7a, para castig\u00e1-los por tal impiedade&#8221;.<\/p>\n<p>Dario, tendo visto os registros de Ciro, escreveu a Sisina e aos seus outros oficiais o que segue: &#8220;O rei Dario a Sisina, lugar-tenente-general de nossa cavalaria, a Sarabazam e aos outros governadores, sauda\u00e7\u00e3o. Mandamo-vos a c\u00f3pia das ordens do rei Ciro que encontramos nos seus registros e quere\u00admos que o que elas cont\u00eam seja rigorosamente executado. Adeus!&#8221; Sisina e os outros aos quais era endere\u00e7ada essa carta, tendo conhecido a inten\u00e7\u00e3o do rei, nada esqueceram, no que dependia deles, para execut\u00e1-la e ajudaram os judeus com todas as suas for\u00e7as para que pudessem continuar as obras do Templo.<\/p>\n<p>Com esse aux\u00edlio, as obras progrediram e, pelo entusiasmo que as profecias de Ageu e de Zacarias continuavam a dar ao povo, o Templo foi terminado ao fim de sete anos, no nono ano do reinado de Dario e no vig\u00e9simo terceiro dia do d\u00e9cimo primeiro m\u00eas a que chamamos adar, e os maced\u00f4nios, distro. Os sacer\u00addotes, os levitas e o resto do povo deram gra\u00e7as a Deus por lhes permitir recupe\u00adrar a antiga felicidade depois de t\u00e3o longo cativeiro e por lhes dar o novo Tem\u00adplo. Ofereceram-lhe em sacrif\u00edcio cem touros, duzentos carneiros, quatrocentos cordeiros e doze bodes pelos pecados das doze tribos. Os levitas escolheram entre eles alguns porteiros, para distribu\u00ed-los por todas as portas do Templo, segundo ordenava a lei de Mois\u00e9s.<\/p>\n<p>A festa dos P\u00e3es \u00c1zimos aproximava-se e devia ser celebrada no primeiro m\u00eas, a que os maced\u00f4nios denominam x\u00e2ntico, e n\u00f3s, nis\u00e3. O povo das aldeias e das cidades veio a Jerusal\u00e9m com as suas mulheres e filhos e, depois de se haverem purificado, ofereceram o cordeiro pascal no d\u00e9cimo quarto dia da lua do mesmo m\u00eas, segundo o costume de nossos antepassados. Passaram sete dias em banque\u00adtes de regozijo, sem deixar de oferecer a Deus os holocaustos e de agradecer-lhe por haver tocado o cora\u00e7\u00e3o do rei, que lhes permitira regressar ao seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>Estabeleceram em seguida uma nova forma de governo aristocr\u00e1tico, no qual os sumos sacerdotes tiveram sempre autoridade soberana, at\u00e9 que os hasmoneus chegaram \u00e0 realeza e assim os judeus tornaram a entrar no governo mon\u00e1rquico, sob o qual tinham vivido durante quinhentos e trinta e dois anos, seis meses e dez dias, desde Saul e Davi at\u00e9 o cativeiro. Antes tamb\u00e9m haviam sido governa\u00addos durante mais de quinhentos anos, desde Mois\u00e9s e Josu\u00e9, por aqueles aos quais davam o nome de juizes.<\/p>\n<p>No entanto os samaritanos, que al\u00e9m do \u00f3dio e da inveja que tinham de nossa na\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podiam tolerar a obriga\u00e7\u00e3o de contribuir com as coisas necess\u00e1rias para os nossos sacrif\u00edcios e al\u00e9m disso se vangloriavam de ser do mesmo pa\u00eds que os persas, n\u00e3o deixavam do mesmo modo de nos fazer todo o mal que podiam. E os governadores da S\u00edria e da Fen\u00edcia n\u00e3o perdiam ocasi\u00e3o alguma de secund\u00e1-los em seus des\u00edgnios. O senado e o povo de Jerusal\u00e9m, vendo-os t\u00e3o animados con\u00adtra si, resolveram enviar Zorobabel e quatro outros dos mais ilustres a Dario para se queixar dos samaritanos.<\/p>\n<p>Logo que esse pr\u00edncipe escutou os deputados, mandou que lhes dessem cartas endere\u00e7adas aos principais oficiais de Samaria, cujas palavras s\u00e3o estas: &#8220;O rei Dario a Tangar e Sembabe, que comandam a cavalaria em Samaria, e a Sadrague, Bobelom e outros, que est\u00e3o encarregados dos nossos neg\u00f3cios nesse pa\u00eds, sauda\u00e7\u00e3o. Zorobabel, Ananias e Mardoqueu, deputados pelos judeus junto de n\u00f3s, queixaram-se das dificul\u00addades que lhes moveis na constru\u00e7\u00e3o do Templo e de que recusais contribuir para os sacrif\u00edcios com aquilo que ordenamos. Escrevemo-vos esta carta a fim de que logo que a tenhais recebido n\u00e3o deixeis de cumprir as vossas obriga\u00e7\u00f5es e de tomar para esse fim, no nosso tesouro proveniente dos tributos da Samaria, tudo o que os sacerdotes de Jerusal\u00e9m tiverem necessidade, porque a nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o se deixe de oferecer sacrif\u00edcios a Deus pela nossa prosperidade e pela do imp\u00e9rio dos persas&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esdras 5 e 6. Dario era ainda um simples cidad\u00e3o, mas fizera a Deus um voto: se um dia subisse ao trono, restituiria ao Templo em Jerusal\u00e9m tudo o que estava ainda na Babil\u00f4nia dos vasos sagrados. Quando ele foi proclamado rei, aconteceu que Zorobabel, pr\u00edncipe dos judeus, que era seu velho amigo, estava pr\u00f3ximo&#8230; <a href=\"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-4-dario-rei-da-persia-propoe-a-zorobabel-principe-dos-judeus-e-a-dois-outros-questoes-para-serem-resolvidas-zorobabel-resolve-as-e-recebe-como-recompensa-a-restauracao-de-jerusalem-e-d\/\">ler mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[610,798,997,1288,1476,1552,1693,1727,1743,2020,2044,2054,2183,2227,2304,2362,2400,2457,2482,2499,2546,2594,2597,2610,2732,2764,2797,2945,3039,3192,3212],"class_list":["post-276","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livro-decimo-primeiro","tag-comando","tag-dario","tag-dois","tag-faz","tag-grande","tag-impeca","tag-jerusalem","tag-judeus","tag-justamente","tag-nessa","tag-numero","tag-obra","tag-pedem","tag-persia","tag-povos","tag-principe","tag-propoe","tag-questoes","tag-recebe","tag-recompensa","tag-rei","tag-resolveas","tag-resolvidas","tag-restauracao","tag-samaritanos","tag-seguida","tag-serem","tag-templo","tag-trabalha","tag-volta","tag-zorobabel"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/276","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=276"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/276\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=276"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=276"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=276"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}