{"id":268,"date":"2015-04-02T23:39:22","date_gmt":"2015-04-02T23:39:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=268"},"modified":"2015-04-02T23:39:22","modified_gmt":"2015-04-02T23:39:22","slug":"capitulo-12-morte-de-nabucodonosor-rei-da-babilonia-evil-merodaque-seu-filho-sucede-o-e-poe-jeconias-rei-de-juda-em-liberdade-serie-dos-reis-da-babilonia-ate-belsazar-ciro-rei-da-persia-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-12-morte-de-nabucodonosor-rei-da-babilonia-evil-merodaque-seu-filho-sucede-o-e-poe-jeconias-rei-de-juda-em-liberdade-serie-dos-reis-da-babilonia-ate-belsazar-ciro-rei-da-persia-e\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 12 &#8211; Morte de Nabucodonosor, rei da Babil\u00f4nia. Evil-Merodaque, seu filho, sucede-o e p\u00f5e Jeconias, rei de Jud\u00e1, em liberdade. S\u00e9rie dos reis da Babil\u00f4nia at\u00e9 Belsazar. Ciro, rei da P\u00e9rsia, e Dario, rei dos medos, cercam-no na Babil\u00f4nia. Vis\u00e3o que ele tem, explicada por Daniel. Ciro toma a Babil\u00f4nia e aprisiona o rei Belsazar. Dario leva Daniel para a M\u00e9dia e o eleva a grandes honras. A inveja dos nobres contra ele \u00e9 causa de ele ser lan\u00e7ado na cova dos le\u00f5es. Deus o salva, e ele torna-se mais poderoso do que nunca. Suas profecias e seu louvor."},"content":{"rendered":"<p>Depois da morte do rei Nabucodonosor, de que acabamos de falar, Evil-Merodaque, seu filho, sucedeu-o e n\u00e3o somente p\u00f4s Jeconias (que antes se cha\u00admava Joaquim), rei de Jud\u00e1, em liberdade, como tamb\u00e9m deu-lhe ricos presen\u00adtes, tornou-o mordomo-mor de seu pal\u00e1cio e dedicou a ele um afeto muito par\u00adticular. E assim, tratou-o de uma maneira bem diferente da que Nabucodonosor o havia tratado, quando o amor pelo bem de seu pa\u00eds, como vimos, o fez entre\u00adgar-se em boa f\u00e9 nas m\u00e3os deste, com sua mulher, seus filhos e todos os seus bens, para que fosse levantado o cerco de Jerusal\u00e9m, sendo que Nabucodonosor lhe faltou \u00e0 palavra.<\/p>\n<p>Evil-Merodaque reinou dezoito anos. Niglizar, seu filho, sucedeu-o e reinou quarenta anos. Seu filho Laboford\u00e1, que o sucedeu, reinou somente nove meses. Belsazar, filho deste, a quem os babil\u00f4nios chamam Naboandel, substituiu-o. Ciro, rei dos persas, e Dario, rei dos medos, fizeram-lhe guerra e o sitiaram na Babil\u00f4nia.<\/p>\n<p><em>Daniel <\/em>5. Enquanto a cidade era cercada, esse soberano oferecia um banquete aos nobres da corte e \u00e0s suas concubinas numa sala onde havia um arm\u00e1rio riqu\u00edssimo, em que se conservavam os preciosos vasos de que os reis se costumam servir. A isso ele quis acrescentar uma nova magnific\u00eancia e ordenou ent\u00e3o que fossem trazidos os vasos sagrados do templo de Jerusal\u00e9m, os quais Nabucodonosor mandara colocar junto com os de seus deuses, porque n\u00e3o se atrevera a servir-se deles. Como Belsazar estava turvado pelo vinho, teve a ousa\u00addia de beber num daqueles vasos e de blasfemar contra Deus. No mesmo instan\u00adte, ele viu uma m\u00e3o sair da parede e escrever nela algumas palavras.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o deixou-o at\u00f4nito, e ele mandou buscar da Cald\u00e9ia e de outras na\u00e7\u00f5es alguns dos maiores s\u00e1bios que sabiam interpretar os sonhos e ordenou-lhes que dissessem o significado daquelas palavras. Eles responderam que era imposs\u00edvel. O seu sofrimento aumentou de tal modo que ele mandou apregoar que daria uma cadeia de ouro, uma t\u00fanica de p\u00farpura, como as que usam os reis da Cald\u00e9ia, e a ter\u00e7a parte do reino a quem interpretasse aquelas palavras.<\/p>\n<p>A promessa de t\u00e3o grande recompensa fez chegar de todos os lados candida\u00adtos que passavam pelos mais h\u00e1beis e peritos. Todavia, por maiores esfor\u00e7os que todos fizessem, ningu\u00e9m foi capaz de interpret\u00e1-las. A princesa sua av\u00f3, vendo-o em tal afli\u00e7\u00e3o, disse-lhe para n\u00e3o perder a esperan\u00e7a de que algu\u00e9m lhe desse a explica\u00e7\u00e3o que desejava, porque havia entre os escravos que Nabucodonosor trouxera para a Babil\u00f4nia depois da ru\u00edna de Jerusal\u00e9m um certo Daniel, cuja ci\u00eancia era extraordin\u00e1ria. Ele explicava coisas que somente eram conhecidas por Deus e interpretara um sonho que nenhum outro conseguira explicar. Precisava apenas mandar cham\u00e1-lo e dizer-lhe do seu desejo de saber o significado daque\u00adlas palavras, pois talvez at\u00e9 fosse algo inquietante que Deus quisesse comunicar.<\/p>\n<p>Diante de tal conselho, Belsazar mandou imediatamente chamar Daniel, dis\u00adse-lhe o quanto se sentia feliz por saber que ele recebera de Deus o dom de penetrar e conhecer o que os outros ignoravam e rogou que lhe dissesse o que significavam as palavras escritas naquela parede, prometendo-lhe, se o fizesse, dar-lhe uma t\u00fanica de p\u00farpura, uma cadeia de ouro e a ter\u00e7a parte de seu reino, para mostrar a todos, com aquelas demonstra\u00e7\u00f5es de honra, a sua sabedoria, quando fosse conhecida a causa de ele merec\u00ea-las. Daniel, ciente de que a sabe\u00addoria que vem de Deus deve sempre ter em vista fazer o bem sem pretender outra recompensa, suplicou ao rei que o dispensasse de aceit\u00e1-las.<\/p>\n<p>Disse-lhe em seguida que aquelas palavras significavam que o fim da vida de Belsazar estava pr\u00f3ximo, porque ele n\u00e3o havia aprendido com o castigo com o qual Deus punira a impiedade de Nabucodonosor e nem aproveitara aquele exem\u00adplo para evitar colocar-se acima da sua condi\u00e7\u00e3o de simples homem, pois n\u00e3o podia ignorar que aquele pr\u00edncipe fora obrigado a viver durante sete anos \u00e0 maneira dos animais e que s\u00f3 depois de muitas preces Deus, movido pela com\u00adpaix\u00e3o, o reconduziu ao conv\u00edvio dos homens e o restabeleceu no trono. E Nabucodonosor foi t\u00e3o grato que pelo resto de sua vida n\u00e3o deixou de dar a Deus cont\u00ednuas a\u00e7\u00f5es de gra\u00e7as e de admirar o seu poder onipotente. No entanto Belsazar, em vez de se deixar levar por aquele exemplo, n\u00e3o tivera medo de blasfemar contra Deus e de beber com as suas concubinas nos vasos consagra\u00addos em honra dEle. Por isso Ele estava t\u00e3o irritado que desejou manifestar por meio daquelas palavras qual seria o fim de sua vida.<\/p>\n<p>Daniel acrescentou ainda que esta era a explica\u00e7\u00e3o das palavras: <em>Mene, <\/em>isto \u00e9, &#8220;n\u00famero&#8221;, significava que o n\u00famero que Deus marcara aos anos do reinado de Belsazar iria se completar, e lhe restava muito pouco tempo de vida. <em>Tequel, <\/em>isto \u00e9, &#8220;peso&#8221;, significava que Deus havia pesado na sua justa balan\u00e7a a dura\u00e7\u00e3o daquele reinado, e que ele tendia ao fim. <em>Peres, <\/em>que quer dizer &#8220;fragmento&#8221; e &#8220;divis\u00e3o&#8221;, significava que o reino seria dividido entre os medos e os persas. Por maior que fosse a dor que sentia, o rei Belsazar, sabendo pela explica\u00e7\u00e3o dessas palavras mis\u00adteriosas as desgra\u00e7as que o aguardavam, julgou que Daniel agira como um ho\u00admem de bem e lhe dissera somente a verdade, e seria muito injusto maltrat\u00e1-lo por essa raz\u00e3o. Por isso n\u00e3o deixou de o recompensar, dando-lhe o que prometera.<\/p>\n<p>Naquela mesma noite, Babil\u00f4nia foi tomada e Belsazar, morto. Isso acon\u00adteceu no d\u00e9dicmo s\u00e9timo ano do reinado de Ciro, rei da P\u00e9rsia. Dario, filho de Ast\u00edages, ao qual os gregos d\u00e3o outro nome, tinha sessenta e dois anos quando, com o aux\u00edlio de Ciro, seu parente, destruiu o imp\u00e9rio da Babil\u00f4nia. Levou consi\u00adgo para a M\u00e9dia o profeta Daniel e, para mostrar at\u00e9 que ponto o estimava, nomeou-o um dos tr\u00eas governadores supremos, cujo poder se estendia sobre outros trezentos e sessenta, pois o considerava um homem todo divino e s\u00f3 se aconselhava com ele nos assuntos mais importantes.<\/p>\n<p>Os outros ministros, como geralmente acontece na corte dos reis, n\u00e3o po\u00addendo tolerar que ele fosse t\u00e3o preferido, sentiram tal inveja que tudo fizeram para encontrar um motivo de caluni\u00e1-lo. Mas isso lhes foi imposs\u00edvel, porque a virtude de Daniel era t\u00e3o grande e as suas m\u00e3os t\u00e3o puras que ele julgava que seriam manchadas se recebessem presentes e considerava coisa vergonhosa de\u00adsejar recompensa pelo bem que se faz. Eles, por\u00e9m, n\u00e3o se arrependeram nem desistiram. E, faltando-lhes outros meios, imaginaram um pelo qual, pensaram, poderiam destru\u00ed-lo.<\/p>\n<p>Tendo notado que tr\u00eas vezes por dia ele fazia as suas ora\u00e7\u00f5es a Deus, foram ter com o rei e disseram-lhe que todos os grandes e governadores do imp\u00e9rio haviam julgado conveniente elaborar um edito pelo qual seria proibido a todos os s\u00faditos, durante trinta dias, fazer ora\u00e7\u00f5es a qualquer deus ou a qualquer ho\u00admem, sen\u00e3o a ele, o rei, devendo ser lan\u00e7ados na cova dos le\u00f5es todos os que desprezassem essa ordem. Dario, que n\u00e3o desconfiava de sua mal\u00edcia, aceitou a proposta e mandou publicar esse edito em todo o seu territ\u00f3rio. Todos o obser\u00advaram, exceto Daniel, que sem se impressionar continuou a fazer as suas ora\u00e7\u00f5es a Deus, como era seu costume.<\/p>\n<p>Os seus inimigos n\u00e3o deixaram de ir imediatamente ao rei acus\u00e1-lo de ter viola\u00addo a ordem. Afirmaram que ele fora o \u00fanico a ousar desobedecer, e era tanto mais culpado porque n\u00e3o o fizera por um sentimento de piedade apenas, mas por saber que aqueles que n\u00e3o o estimavam observavam as suas a\u00e7\u00f5es. E, como esses nobres temiam que a grande afei\u00e7\u00e3o de Dario por Daniel o levasse a perdo\u00e1-lo, insistiram tanto em que fosse inflex\u00edvel em fazer observar o seu edito e ordenasse que Daniel fosse atirado na cova dos le\u00f5es que n\u00e3o lhe foi poss\u00edvel defender-se. Mas ele espe\u00adrava que Deus libertasse Daniel do furor daqueles tem\u00edveis animais e exortou-o a suportar generosamente a sua desdita. E assim, foi Daniel atirado \u00e0quele lugar, e fecharam a porta com uma grande pedra. Dario mandou sel\u00e1-la com o seu sinete e voltou para o pal\u00e1cio imerso em t\u00e3o grande afli\u00e7\u00e3o pelo que poderia acontecer a Daniel que n\u00e3o quis comer e passou toda a noite sem dormir.<\/p>\n<p>No dia seguinte, ao despontar do sol, o rei foi \u00e0 cova dos le\u00f5es e viu que o seu selo estava intacto. Chamou Daniel por uma abertura que havia na entrada e perguntou, gritando com todas as suas for\u00e7as, se ele ainda estava vivo. Daniel respondeu que n\u00e3o sofrer\u00e1 mal algum, e o soberano no mesmo instante mandou que o retirassem de l\u00e1. Os inimigos de Daniel, em vez de reconhecerem que Deus o salvara por um milagre, disseram ousadamente ao rei que aquilo aconte\u00adcera porque antes se dera demasiado alimento aos le\u00f5es, os quais, n\u00e3o tendo mais fome, n\u00e3o o quiseram devorar. O rei ofendeu-se com a mal\u00edcia deles e orde\u00adnou que se desse grande quantidade de carne aos le\u00f5es e que depois de eles estarem fartos fossem atirados \u00e0 cova os acusadores de Daniel, para ver se os animais os poupariam, como diziam haverem poupado Daniel. A ordem foi ime\u00addiatamente executada, e ningu\u00e9m mais p\u00f4de duvidar de que Deus salvara Daniel, porque os le\u00f5es devoraram os caluniadores com tanta avidez que pareciam os mais esfomeados do mundo. Minha opini\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 que foi o crime desses malvados, e n\u00e3o a fome, o que irritou os le\u00f5es contra eles, porque Deus quis que esses animais irracionais fossem ministros de sua justi\u00e7a e de sua vingan\u00e7a.<\/p>\n<p>Depois que os inimigos de Daniel foram assim punidos, Dario mandou publi\u00adcar em todo o seu territ\u00f3rio que o Deus que Daniel adorava era o \u00fanico verdadei\u00adro e Todo-poderoso e elevou esse grande personagem a t\u00e3o alto grau de honras que ningu\u00e9m duvidava que ele fosse o homem mais estimado pelo rei em todo o imp\u00e9rio, e todos admiravam t\u00e3o grande gl\u00f3ria e t\u00e3o extraordin\u00e1rio favorecimento da parte de Deus.<\/p>\n<p>Dario mandou construir em Ecb\u00e1tana,* capital da M\u00e9dia, um soberbo pal\u00e1\u00adcio, que ainda hoje se v\u00ea e que parece ter sido rec\u00e9m-conclu\u00eddo, pois conserva o seu primitivo brilho, ao contr\u00e1rio do comum dos edif\u00edcios, aos quais o tempo apaga a beleza, envelhecendo-os como aos homens. \u00c9 nesse pal\u00e1cio que est\u00e1 a sepultura dos reis dos medos, dos persas e dos partos. A sua guarda ainda hoje est\u00e1 confiada a um sacerdote de nossa na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nada encontro de mais admir\u00e1vel nesse grande profeta que esta felicidade particular e quase incr\u00edvel de que desfrutou, acima dos demais: ter sido durante toda a sua vida honrado pelos reis e pelos povos e deixar depois de sua morte uma mem\u00f3ria imortal. Os livros que ele escreveu, lidos ainda hoje, comprovam que Deus mesmo lhe falou e que ele n\u00e3o somente predisse em geral, como os outros profetas, as coisas que deviam acontecer, mas tamb\u00e9m determinou o tempo em que sucederiam. E, enquanto eles prediziam somente desgra\u00e7as, o que os tornava odiosos aos soberanos e aos s\u00faditos, ele predisse coisas favor\u00e1\u00adveis, que levaram os reis a am\u00e1-lo. E a veracidade de suas palavras, confirmada depois pelos fatos, fez com que todos n\u00e3o somente prestassem f\u00e9 \u00e0s suas pala\u00advras, mas cressem que havia nele algo de divino.<\/p>\n<p>Narrarei uma de suas profecias, para mostrar como eram corretas. Ele disse que, tendo sa\u00eddo com os seus companheiros da cidade de Sus\u00e3, que \u00e9 a capital do reino da P\u00e9rsia, para tomar ar no campo, houve um tremor de terra, que surpreendeu e espantou de tal modo os que estavam com ele que todos fugiram e o deixaram sozinho. Ele lan\u00e7ou-se ent\u00e3o com o rosto em terra e, estando assim nesse estado, percebeu que algu\u00e9m o tocava e lhe dizia para levantar, a fim de ver as coisas que sucederiam muito tempo depois aos de sua na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois que ele se ergueu, viu um carneiro que tinha v\u00e1rios chifres, sendo o \u00faltimo maior que os outros. Voltando os olhos para o lado do ocidente, viu aproximar-se um bode, que se chocou com o carneiro, derrubou-o e o pisou. Viu depois sair da fronte desse bode um chifre bem grande, que foi quebrado, e dele sa\u00edram outros quatro, voltados para os quatro ventos. Entre esses quatro chifres, surgiu um menor. Deus lhe disse que esse chifre, quando crescesse, faria guerra \u00e0 sua na\u00e7\u00e3o, tomaria Jerusal\u00e9m, aboliria todas as cerim\u00f4nias do Templo e durante mil e duzentos e noventa e seis dias proibiria que ali se ofere\u00adcessem sacrif\u00edcios.<\/p>\n<p>Depois que Deus lhe manifestou essa vis\u00e3o, explicou-a deste modo: o carnei\u00adro significava o imp\u00e9rio dos medos e dos persas, cujos reis eram representados pelos chifres. O maior era o \u00faltimo deles, porque sobrepujava a todos em rique\u00adzas e em poder. O bode significava que viria da Gr\u00e9cia um rei que venceria os persas e se tornaria senhor daquele grande imp\u00e9rio \u2014 o chifre grande significava esse rei. Os quatro chifres pequenos nascidos desse grande chifre e que se dirigi\u00adam para as quatro partes do mundo representavam aqueles que depois da morte desse soberano dividiriam entre si esse grande imp\u00e9rio, embora n\u00e3o fossem nem seus filhos nem seus descendentes. Eles reinariam durante v\u00e1rios anos, e de sua posteridade viria um rei que faria guerra aos judeus, aboliria todas as suas leis e toda a forma de sua rep\u00fablica, saquearia o Templo e durante tr\u00eas anos proibiria que ali se oferecessem sacrif\u00edcios. Isso tudo aconteceu sob o reinado de Ant\u00edoco Epif\u00e2nio.<\/p>\n<p>Esse grande profeta deu tamb\u00e9m not\u00edcia do imp\u00e9rio de Roma e da extrema desola\u00e7\u00e3o a que reduziria o nosso pa\u00eds. Deus lhe tornou patentes todas essas coi\u00adsas, e ele as deixou por escrito para serem admiradas pelos que lhe vissem os efeitos, para mostrar os favores que recebera dEle e para confundir os erros dos epicureus, que, em vez de adorarem a Provid\u00eancia, dizem que Ele n\u00e3o se importa com os interesses deste mundo e que a terra n\u00e3o \u00e9 conservada nem governada por essa suprema Ess\u00eancia, igualmente bem-aventurada, incorrupt\u00edvel e onipotente, mas subsiste por si mesma. Se eles considerassem verdade o que dizem, ver-se-iam logo perecendo como um navio que, n\u00e3o tendo piloto, \u00e9 batido pela tempestade ou como um carro sem condutor, que \u00e9 arrastado pelos cavalos. N\u00e3o pode haver melhor prova que as profecias de Daniel para nos fazer constatar a loucura de quem n\u00e3o aceita que Deus tenha cuidado com o que se passa sobre a terra. Pois se tudo o que acontece no mundo \u00e9 por acaso, como explicar o cumprimento de todas essas profecias? Julguei meu dever relatar tudo isso conforme o que encon\u00adtrei nos Livros Santos, mas deixo a cada qual liberdade para ter outras opini\u00f5es ou acreditar no que quiser.<\/p>\n<p>__________________<\/p>\n<p>* Ou Acmet\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois da morte do rei Nabucodonosor, de que acabamos de falar, Evil-Merodaque, seu filho, sucedeu-o e n\u00e3o somente p\u00f4s Jeconias (que antes se cha\u00admava Joaquim), rei de Jud\u00e1, em liberdade, como tamb\u00e9m deu-lhe ricos presen\u00adtes, tornou-o mordomo-mor de seu pal\u00e1cio e dedicou a ele um afeto muito par\u00adticular. 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