{"id":197,"date":"2015-04-02T23:20:20","date_gmt":"2015-04-02T23:20:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=197"},"modified":"2015-04-02T23:20:20","modified_gmt":"2015-04-02T23:20:20","slug":"capitulo-2-salomao-recebe-de-deus-o-dom-da-sabedoria-julgamento-que-profere-entre-duas-mulheres-a-uma-das-quais-morrera-o-filho-nomes-dos-governadores-de-suas-provincias-constroi-o-templo-e-nele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-2-salomao-recebe-de-deus-o-dom-da-sabedoria-julgamento-que-profere-entre-duas-mulheres-a-uma-das-quais-morrera-o-filho-nomes-dos-governadores-de-suas-provincias-constroi-o-templo-e-nele\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 2 &#8211; Salom\u00e3o recebe de Deus o dom da sabedoria. Julgamento que profere entre duas mulheres, a uma das quais morrera o filho. Nomes dos governadores de suas prov\u00edncias. Constr\u00f3i o Templo e nele coloca a arca da alian\u00e7a. Deus prediz a felicidade ou a desgra\u00e7a que tocaria a ele e ao povo conforme observassem ou n\u00e3o os seus mandamentos. Salotn\u00e3o constr\u00f3i um soberbo pal\u00e1cio. Fortifica Jerusal\u00e9m e constr\u00f3i v\u00e1rias cidades. Raz\u00e3o pela qual todos os reis do Egito se chamam Fara\u00f3. Salom\u00e3o torna tribut\u00e1rios o que restou dos cananeus. Organiza grande frota. A rainha do Egito e da Eti\u00f3pia vem visit\u00e1-lo. Prodigiosas riquezas desse pr\u00edncipe. Seu amor desordenado pelas mulheres leva-o \u00e0 idolatria. Deus lhe diz de que modo o castigar\u00e1. \u00c1der levanta-se contra ele. Deus comunica a Jerobo\u00e3o, por um profeta, que ele reinar\u00e1 sobre dez tribos."},"content":{"rendered":"<p>Um dos primeiros cuidados do rei Salom\u00e3o foi ir a Hebrom oferecer a Deus em holocausto mil v\u00edtimas sobre o altar de bronze que Mois\u00e9s fizera construir. Deus achou-o t\u00e3o agrad\u00e1vel que lhe apareceu \u00e0 noite, em sonho, para dizer que, como recompensa por sua piedade, lhe concederia o dom que pedisse. Ainda que jovem, Salom\u00e3o n\u00e3o se deixou levar pelo desejo das riquezas ou de outras coisas que parecem agrad\u00e1veis aos homens. Preferiu uma mais \u00fatil, mais excelente e mais digna da bondade e da liberalidade de Deus. Assim, respondeu ele: &#8220;Senhor, j\u00e1 que o permitis, suplico-vos que me concedais o Esp\u00edrito da sabedoria e do proceder, a fim de que possa governar o meu reino com prud\u00eancia e justi\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>Deus ficou t\u00e3o satisfeito com esse pedido que, ap\u00f3s conceder-lhe uma sabe\u00addoria extraordin\u00e1ria, como ningu\u00e9m antes, pr\u00edncipe ou particular, possu\u00edra, de\u00adclarou que n\u00e3o concederia somente o que ele estava pedindo, mas acrescentaria riquezas, gl\u00f3ria, vit\u00f3ria sobre os inimigos e a posse do reino aos seus descenden\u00adtes, desde que confiasse nEle, perseverasse na justi\u00e7a e imitasse tamb\u00e9m as virtu\u00addes de Davi, seu pai. Salom\u00e3o, a essas palavras, ergueu-se do leito e adorou a Deus. Quando voltou a Jerusal\u00e9m, ofereceu-lhe diante do santo Tabern\u00e1culo um grande n\u00famero de v\u00edtimas e deu um banquete ao povo.<\/p>\n<p>O jovem e admir\u00e1vel pr\u00edncipe pronunciou nesse mesmo tempo uma senten\u00e7a numa quest\u00e3o muito dif\u00edcil, que julguei dever narrar aqui, a fim de que se possa, em casos semelhantes, aproveitar o seu exemplo para se descobrir a verdade. Duas mulheres de m\u00e1 vida vieram procur\u00e1-lo. Uma delas parecia muito aflita com a injusti\u00e7a que lhe haviam feito. Ela falou: &#8220;Esta mulher e eu, majesta\u00adde, moramos no mesmo quarto, e ambas demos \u00e0 luz ao mesmo tempo. Tr\u00eas dias depois, quando ela e o filho estavam no leito, ela o sufocou, dormindo. Como eu tamb\u00e9m dormia, tomou o meu filho, que estava em meus bra\u00e7os, e p\u00f4s o dela no lugar do meu. Quando acordei e quis dar de mamar ao meu filho, que eu conhecia muito bem, encontrei em seu lugar o menino morto. Pedi-lhe ent\u00e3o o meu filho de volta, mas ela n\u00e3o o quis entregar, obstinando-se em conserv\u00e1-lo. E n\u00e3o tenho ningu\u00e9m que possa me ajudar a obrig\u00e1-la a isso. Foi por esse motivo que me vi for\u00e7ada a recorrer a vossa majestade&#8221;.<\/p>\n<p>Depois que a mulher se expressou nesses termos, o rei perguntou \u00e0 outra o que tinha a dizer. Ela afirmou ousadamente que o menino que vivia era o seu filho e que o de sua companheira havia morrido. Nenhum dos presentes achou que se poderia resolver a quest\u00e3o, t\u00e3o dif\u00edcil lhes parecia. Somente o rei encontrou um meio de solucion\u00e1-la. Mandou buscar a crian\u00e7a viva e orde\u00adnou a um dos guardas que a dividisse ao meio e desse igualmente a cada mulher uma parte.<\/p>\n<p>Tal senten\u00e7a a princ\u00edpio pareceu pueril, e todos criticavam o rei por t\u00ea-la pro\u00adferido. Mas bem depressa mudaram de opini\u00e3o. A verdadeira m\u00e3e disse que, em nome de Deus, n\u00e3o o fizessem, pois preferia entregar o filho \u00e0quela mulher a v\u00ea-lo morto. Ainda que todos acreditassem ser a outra a verdadeira m\u00e3e, pelo me\u00adnos teria a consola\u00e7\u00e3o de saber que ele ainda estava vivo. A outra, ao contr\u00e1rio, demonstrou aceitar de boa vontade a solu\u00e7\u00e3o, encontrando um cruel motivo de alegria na dor de sua companheira.<\/p>\n<p>O rei n\u00e3o teve mais dificuldade em julgar, por essa diversidade de sentimen\u00adtos que somente a natureza pode inspirar, qual das duas era a verdadeira m\u00e3e. Assim, ordenou que o menino vivo fosse dado \u00e0quela que se opusera \u00e0 sua morte e condenou a mal\u00edcia da outra mulher, que, n\u00e3o se contentando em ter perdido o filho, desejava que a sua companheira tamb\u00e9m perdesse o dela. Essa prova de incr\u00edvel sabedoria tornou o rei admirado por todos, e desde aquele dia come\u00e7a\u00adram a obedec\u00ea-lo como a um soberano pleno do Esp\u00edrito de Deus.<\/p>\n<p><em>1 Reis 4. <\/em>Devo falar agora dos que tinham o governo das prov\u00edncias.<\/p>\n<p>Uri governava a regi\u00e3o de Efraim.<\/p>\n<p>Aminadabe, genro de Salom\u00e3o, governava toda a regi\u00e3o mar\u00edtima, na qual tamb\u00e9m Dor estava compreendida.<\/p>\n<p>Benaia, filho de Achil, governava todo o Grande Campo e o pa\u00eds que se esten\u00adde at\u00e9 o Jord\u00e3o.<\/p>\n<p>Gabar governava todo o pa\u00eds de Gileade e de Gaulam, at\u00e9 o monte L\u00edbano, onde havia sessenta cidades grandes e fortes.<\/p>\n<p>Abinadabe, que desposara outra filha do rei Salom\u00e3o, chamada Bazima, go\u00advernava toda a Galil\u00e9ia at\u00e9 Sidom.<\/p>\n<p>Banachal governava a regi\u00e3o mar\u00edtima que est\u00e1 em torno do Arce.<\/p>\n<p>Safate governava os dois montes de Itabarim e do Carmelo e toda a Baixa Galil\u00e9ia que se estende at\u00e9 o Jord\u00e3o.<\/p>\n<p>Suba governava todo o pa\u00eds da tribo de Benjamim.<\/p>\n<p>Tabar governava todo o pa\u00eds que est\u00e1 al\u00e9m do Jord\u00e3o. Salom\u00e3o tinha al\u00e9m disso um lugar-tenente-general, que governava todos esses governadores.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode descrever a felicidade que os israelitas, particularmente os da tribo de jud\u00e1, desfrutaram no reinado de Salom\u00e3o, porque em t\u00e3o profunda paz, n\u00e3o perturbada por guerras estrangeiras nem internas, todos pensavam so\u00admente em cultivar os seus campos e em aumentar as suas riquezas.<\/p>\n<p>O rei tinha oficiais para receber os tributos que os s\u00edrios e os outros b\u00e1rbaros de entre o Eufrates e o Egito eram obrigados a lhe pagar. Esses oficiais forneciam cada dia, para a sua mesa, entre outras coisas, trinta medidas de farinha, sessenta de outra farinha, inferior, dez bois gordos, vinte bois de pasto, cem cordeiros gordos e grande quantidade de ca\u00e7a e de peixes.<\/p>\n<p>Possu\u00eda um n\u00famero t\u00e3o grande de carros que eram necess\u00e1rios quarenta mil cochos para os cavalos que os puxavam, atrelados dois a dois. Mantinha, al\u00e9m disso, doze mil homens de cavalaria, sendo que metade montava guarda em Jerusal\u00e9m, junto de sua esposa, e metade estava distribu\u00edda pelas cidades. O encarregado da despensa ordin\u00e1ria tinha tamb\u00e9m o cuidado de prover a alimen\u00adta\u00e7\u00e3o dos cavalos, em qualquer lugar onde eles estivessem.<\/p>\n<p>Deus encheu esse pr\u00edncipe de sabedoria e de intelig\u00eancia t\u00e3o extraordi\u00adn\u00e1rias que nenhum outro em toda a Antig\u00fcidade pode a ele ser comparado. Ele sobrepujava at\u00e9 mesmo, em muito, os mais ilustres dos eg\u00edpcios, que s\u00e3o tidos como os mais not\u00e1veis, como tamb\u00e9m os mais c\u00e9lebres dentre os hebreus da\u00adquela \u00e9poca, cujos nomes creio dever citar aqui: Et\u00e3, Hem\u00e3, Calcol e Darda, todos os quatro filhos de Maol.<\/p>\n<p>Esse grande soberano comp\u00f4s cinco mil livros de c\u00e2nticos e de versos, tr\u00eas mil livros de par\u00e1bolas, a come\u00e7ar do hissopo at\u00e9 o cedro, passando por todos os animais, p\u00e1ssaros, peixes e todos os que caminham sobre a terra. Deus lhe con\u00adcedeu perfeito conhecimento da natureza e de suas propriedades, e ele escreveu um livro no qual empregou esse conhecimento em compor, para utilidade dos homens, diversos rem\u00e9dios. Alguns deles tinham at\u00e9 mesmo for\u00e7a para expulsar dem\u00f4nios, que n\u00e3o se atreviam a voltar.*<\/p>\n<p>Essa pr\u00e1tica est\u00e1 ainda em uso entre os de nossa na\u00e7\u00e3o. Vi um judeu, chama\u00addo Eleazar, livrar diversos possessos, na presen\u00e7a do imperador Vespasiano, de seus filhos e de v\u00e1rios oficiais e soldados. Ele prendia ao nariz do possesso um anel no qual estava fincada uma raiz, a mesma de que Salom\u00e3o se servia para aquele fim. Loqo que o dem\u00f4nio a cheirava, arremessava o doente por terra e o abandonava. Ele dizia ent\u00e3o as mesmas palavras que Salom\u00e3o havia deixado por escrito e, fazendo men\u00e7\u00e3o desse pr\u00edncipe, proibia ao dem\u00f4nio voltar. Para fazer ver ainda melhor o efeito das conjura\u00e7\u00f5es, enchia uma tinha de \u00e1gua e ordenava ao dem\u00f4nio que a lan\u00e7asse por terra, como sinal de que havia abandonado o possesso, e o dem\u00f4nio obedecia. Julguei bem relatar essa hist\u00f3ria, a fim de que ningu\u00e9m possa duvidar da ci\u00eancia, assaz extraordin\u00e1ria, que Deus concedeu a Salom\u00e3o como gra\u00e7a particular.<\/p>\n<p>___________________<\/p>\n<p>* Esses estranhos procedimentos atribu\u00eddos a Salom\u00e3o por Fl\u00e1vio Josefo contrari\u00adam os ensinamentos b\u00edblicos. O autor deve t\u00ea-los extra\u00eddo de algum conjunto de tradi\u00e7\u00f5es dos judeus, as quais muitas vezes estavam sujeitas a fantasias, para dar-lhes maior colorido. (N do E)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>1 Reis 5. <\/em>Hir\u00e3o, rei de Tiro, tinha sido muito amigo de Davi e soube com grande prazer que aquele extraordin\u00e1rio pr\u00edncipe sucedera no reino ao seu pai. Enviou-lhe embaixadores para dar testemunho de sua alegria e desejar ao novo rei toda sorte de prosperidade. Salom\u00e3o escreveu-lhe nestes termos: &#8220;O rei Salom\u00e3o ao rei Hir\u00e3o: O rei, meu pai, tinha grande desejo de construir um templo em honra a Deus, mas n\u00e3o p\u00f4de faz\u00ea-lo por causa das guerras cont\u00ednuas em que se achou empenhado e que n\u00e3o lhe permitiram deixar as armas sen\u00e3o depois de vencidos e feitos tribut\u00e1rios os seus inimigos. Agora, que Deus me faz a gra\u00e7a de desfrutar grande paz, estou resolvido a empreen\u00adder essa obra, a qual Ele predisse a meu pai que eu teria a felicidade de come\u00ad\u00e7ar e de terminar. \u00c9 o que me leva a rogar-vos enviar-me alguns de vossos oper\u00e1rios para cortar, com os meus, no monte L\u00edbano, a madeira necess\u00e1ria para esse fim, pois, segundo dizem, n\u00e3o h\u00e1 outros t\u00e3o h\u00e1beis nisso como os sid\u00f4nios, e eu os pagarei como vos agradar&#8221;.<\/p>\n<p>O rei Hir\u00e3o recebeu com alegria essa carta e respondeu: &#8220;O rei Hir\u00e3o ao rei Salom\u00e3o: Dou gra\u00e7as por terdes sucedido no trono ao rei vosso pai, que era pr\u00edncipe muito sensato e virtuoso, e farei com alegria o que desejais de mim. Mandarei que cortem tamb\u00e9m, nas minhas florestas, muitos troncos de ciprestes e de cedros, que mandarei levar por mar, ligados uns aos outros, at\u00e9 a margem de vosso territ\u00f3rio, no lugar que julgardes o mais c\u00f4modo, para serem depois levados a Jerusal\u00e9m. Rogo-vos, em troca, que me mandeis uma partida de trigo, de que temos falta nesta ilha,* como sabeis&#8221;.<\/p>\n<p>Podem-se ainda ver nos dias de hoje os originais dessas duas cartas, n\u00e3o somente nos nossos arquivos mas tamb\u00e9m nos dos t\u00edrios. Se algu\u00e9m quiser consult\u00e1-los, ter\u00e1 apenas de pedir aos que t\u00eam o encargo de guard\u00e1-los e ver\u00e1 que os reproduzi fielmen\u00adte. Julguei necess\u00e1rio dizer isso para dar a conhecer que nada acrescento \u00e0 verdade e que o desejo de tornar a minha hist\u00f3ria mais agrad\u00e1vel n\u00e3o me faz mistur\u00e1-la com coisas inveross\u00edmeis. Assim, rogo aos que a lerem que lhe prestem f\u00e9 e se conven\u00e7am de que eu me julgaria um criminoso, merecendo que a rejeitassem inteiramente, se n\u00e3o me esfor\u00e7asse em tudo para dizer a verdade com base em provas bem s\u00f3lidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>___________________<\/p>\n<p>* Tiro era ent\u00e3o uma ilha, mas Alexandre, o Grande, uniu-a \u00e0 terra firme. (N do E)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Salom\u00e3o ficou muito satisfeito com o gesto do rei Hir\u00e3o e permitiu-lhe tirar de seus territ\u00f3rios duas mil medidas de trigo, duas mil de \u00f3leo e duas mil de vinho, contendo cada medida setenta e duas pintas. A amizade desses dois reis aumentou e durou para sempre.<\/p>\n<p>Salom\u00e3o nada tinha mais a peito que a constru\u00e7\u00e3o do Templo. Ordenou en\u00adt\u00e3o aos seus s\u00faditos que lhe fornecessem trinta mil oper\u00e1rios e distribuiu de tal sorte a obra \u00e0 qual se entregava que o trabalho n\u00e3o lhe podia ser dif\u00edcil. Dez mil cortavam madeira durante um m\u00eas no monte L\u00edbano, depois voltavam para as suas casas e l\u00e1 passavam dois meses. Outros dez mil tomavam os lugares deles e, depois de trabalhar durante um m\u00eas, retornavam tamb\u00e9m \u00e0s suas casas. Os dez mil restantes dos trinta mil os sucediam. Os dez mil primeiros voltavam depois, prontos para continuar o trabalho do mesmo modo.<\/p>\n<p>A superintend\u00eancia dessa empresa foi dada a Ador\u00e3o. Setenta mil desses es\u00adtrangeiros, moradores no reino de que falamos, traziam pedras e outros materi\u00adais, segundo o que o rei Davi tinha determinado. Oitenta mil outros eram pedrei\u00adros, e entre eles havia tr\u00eas mil e duzentos que eram como chefes dos demais. Antes de trazer essas pedras, de tamanho enorme, destinadas para os alicerces, eles as cortavam no monte, e os oper\u00e1rios mandados pelo rei Hir\u00e3o faziam o mesmo no que se referia ao seu trabalho.<\/p>\n<p>1 <em>Reis 6. <\/em>Estando assim preparadas todas as coisas, o rei Salom\u00e3o come\u00ad\u00e7ou a construir o Templo, no quarto ano de seu reinado e no segundo m\u00eas, que os maced\u00f4nios chamam de artem\u00edsio, e os hebreus, liar [que \u00e9 o m\u00eas de abril], quinhentos e noventa e dois anos depois da sa\u00edda do Egito, mil e vinte anos depois de Abra\u00e3o ter sa\u00eddo da Mesopot\u00e2mia para vir \u00e0 terra de Cana\u00e3, mil quatrocentos e quarenta anos depois do dil\u00favio, tr\u00eas mil cento e dois anos desde a cria\u00e7\u00e3o do mundo. Tudo isso se passava no und\u00e9cimo ano do reinado de Hir\u00e3o, cuja capital, chamada Tiro, fora constru\u00edda duzentos e quarenta anos antes.<\/p>\n<p>Os alicerces do Templo foram feitos muito profundos. E, para que pudesse resistir a todas as inclem\u00eancias do tempo e sustentar sem balan\u00e7ar a grande mole a ser constru\u00edda por cima deles, as pedras com que o encheram eram t\u00e3o grandes que o trabalho n\u00e3o era menos digno de admira\u00e7\u00e3o que os soberbos ornamentos e os maravilhosos enfeites aos quais serviriam de base. Todas as pedras que nele se empregaram, desde os alicerces at\u00e9 a cobertura, eram muito brancas.<\/p>\n<p>O Templo tinha sessenta c\u00f4vados de comprimento e outro tanto de altura. A largura era de vinte c\u00f4vados. Sobre esse edif\u00edcio construiu-se outro do mesmo tamanho, e assim a altura total do Templo era de cento e vinte c\u00f4vados. Estava voltado para o oriente, e o p\u00f3rtico era da mesma altura, cento e vinte c\u00f4vados, por vinte de comprimento e dez de largura.<\/p>\n<p>Havia em redor do Templo trinta quartos em forma de galeria, que serviam de arcos para o sustentar. Passava-se de um para o outro, e cada um tinha vinte e cinco c\u00f4vados de comprimento por outros tantos de largura e vinte de altura. Havia por cima desses quartos dois andares com igual n\u00famero de quartos, todos semelhantes. Assim, na altura de tr\u00eas andares juntamente, medindo sessenta c\u00f4vados, chegava-se justamente \u00e0 altura da parte baixa do edif\u00edcio, e nada mais havia por cima. Todos esses quartos eram cobertos com madeira de cedro e tinham cobertura \u00e0 parte, em forma de pavilh\u00e3o, mas estavam unidos por traves longas e grossas, a fim de torn\u00e1-la mais firme. E assim, eram como um \u00fanico corpo. O teto era de madeira de cedro bem polido, enriquecido com folhagens douradas, talhadas na madeira.<\/p>\n<p>O resto era tamb\u00e9m adornado com madeira de cedro, t\u00e3o bem trabalhada e reluzente de ouro que o seu brilho ofuscava a vista. Toda a estrutura desse sober\u00adbo edif\u00edcio era de pedras polidas e t\u00e3o bem ajustadas que n\u00e3o se podia nem mesmo perceber as junturas. Parecia que a natureza as formara num \u00fanico blo\u00adco, sem que a arte e os instrumentos de que se serviram excelentes art\u00edfices para embelezar a obra para isso tivessem contribu\u00eddo. Salom\u00e3o mandou fazer na lar\u00adgura do muro do lado do oriente, onde n\u00e3o havia nenhum portal maior, mas somente duas portas, um degrau em frente, de sua inven\u00e7\u00e3o, para se subir ao alto do Templo. Dentro e fora dele havia pranchas de cedro ligadas com grandes e fortes cadeias, para garantir a sua estabilidade.<\/p>\n<p>Quando o grande corpo do edif\u00edcio ficou pronto, Salom\u00e3o mandou dividi-lo em duas partes, uma das quais, chamada o Santo dos Santos, ou Santu\u00e1rio, tinha vinte c\u00f4vados de comprimento. Era particularmente consagrada a Deus, e n\u00e3o era permitido a ningu\u00e9m l\u00e1 entrar. A outra parte, que tinha quarenta c\u00f4vados de comprimento, era chamada Santo do Templo e destinada aos sacerdotes. Essas duas partes estavam separadas por grandes portas de cedro muito bem talhadas e douradas, sobre as quais pendiam v\u00e9us de linho, cheios de flores diversas nas cores p\u00farpura, jacinto e escarlate.<\/p>\n<p>Salom\u00e3o mandou tamb\u00e9m fazer dois querubins de ouro maci\u00e7o, de cinco c\u00f4vados de altura cada um. As suas asas eram do mesmo comprimento, e essas duas figuras estavam colocadas de tal modo no Santo dos Santos que duas de suas asas estendidas se uniam e cobriam toda a arca da alian\u00e7a e as duas outras tocavam, uma do lado norte e outra do lado sul, as paredes desse lugar particu\u00adlarmente consagrado a Deus, que, como dissemos, tinha vinte c\u00f4vados de largu\u00adra. Dificilmente se poderia imaginar a forma desses querubins. Todo o pavimen\u00adto do Templo estava coberto de l\u00e2minas de ouro, e as portas da grande entrada, que tinha vinte c\u00f4vados de largura e altura proporcionada, estavam tamb\u00e9m cobertas com l\u00e2minas de ouro. Mandou colocar, sobre a porta do lugar chama\u00addo o Santo do Templo um v\u00e9u semelhante ao de que acabamos de falar, mas a porta do vest\u00edbulo n\u00e3o o tinha.<\/p>\n<p>1 <em>Reis <\/em>7. Para tudo o que acabamos de falar, mas principalmente para os trabalhos em ouro, prata e cobre, Salom\u00e3o serviu-se de um artista admir\u00e1vel, chamado Hir\u00e3o, que mandou buscar em Tiro. Seu pai chamava-se Ur. Embora morasse naquela cidade, era descendente de israelitas, pois sua m\u00e3e era da tribo de Naftali. Esse mesmo homem fez duas colunas de bronze, que tinham quatro dedos de espessura, dezoito de altura e doze de circunfer\u00eancia, sobre as quais estavam cornijas em forma de l\u00edrios, com cinco c\u00f4vados de altura. Havia em redor dessas colunas folhagens de ouro, que cobriam os l\u00edrios, e viam-se pender em duas fileiras duzentas rom\u00e3s, tamb\u00e9m fundidas. As colunas foram colocadas na entrada do p\u00f3rtico do Templo, sendo a da direita chamada Jaquim, e a da esquerda, Boaz.<\/p>\n<p>Esse admir\u00e1vel art\u00edfice fez tamb\u00e9m uma bacia de cobre em forma de semic\u00edr-culo, \u00e0 qual se deu o nome de mar, pelo seu enorme tamanho, pois a dist\u00e2ncia de uma borda \u00e0 outra era de doze c\u00f4vados, e as suas bordas tinham um palmo de espessura. Esse enorme vaso era sustentado por uma base feita \u00e0 moda de coluna, torcida de dez pregas, cujo di\u00e2metro era de um c\u00f4vado. Ao redor dessa coluna estavam doze novilhos, opostos de tr\u00eas em tr\u00eas aos quatro principais ventos, para os quais estavam dirigidos, de tal modo que a copa do vaso se apoiava sobre o seu dorso. As bordas desse vaso eram recurvadas para dentro, e continha ele duas mil medidas, das que se usam para medir os l\u00edquidos.<\/p>\n<p>Hir\u00e3o fez outros dez vasos al\u00e9m desse, sustentados por bases de cobre qua\u00addradas, cada uma com cinco c\u00f4vados de comprimento, quatro de largura e seis de altura. Todas eram compostas de diversas pe\u00e7as fundidas e fabricadas separa\u00addamente. Estavam unidas deste modo: quatro colunas quadradas dispostas em quadrado, na dist\u00e2ncia de que falei, recebiam em duas de suas faces cavadas para esse fim os lados que encaixavam. Ora, embora tivesse quatro lados em cada uma das bases, somente tr\u00eas eram vis\u00edveis: o quarto estava unido ao muro. Em um deles, em baixo-relevo, estava a figura de um le\u00e3o; no outro, a de um touro; no terceiro, a de uma \u00e1guia. As colunas eram trabalhadas do mesmo modo. Essa obra, assim reunida, estava montada sobre quatro rodas do mesmo metal e tinha um c\u00f4vado e meio de di\u00e2metro, desde o centro delas at\u00e9 a extremidade dos raios. As juntas das rodas ajustavam-se admiravelmente aos lados da base, e os raios encaixavam-se nela com a mesma perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os quatro lados dessa base, que deviam sustentar um vaso oval, tinham pelo alto quatro bra\u00e7os em relevo, dos quais sa\u00edam m\u00e3os estendidas, e sobre cada uma delas havia uma pe\u00e7a onde devia ser encaixado o vaso, que era sustentado inteiramente por essas m\u00e3os. As faces ou lados sobre os quais estavam os baixos-relevos de le\u00e3o e de \u00e1guia ajustavam-se t\u00e3o perfeitamente uns aos outros e \u00e0s pe\u00e7as que formavam os cantos que toda a obra parecia uma \u00fanica pe\u00e7a. Assim eram constru\u00eddas essas dez bases. Ele colocou em cima dez vasos ou lavat\u00f3rios redondos, fundidos como o resto, e cada um continha quarenta medidas, pois tinham quatro c\u00f4vados de altura, e o seu di\u00e2metro maior tinha tamb\u00e9m quatro c\u00f4vados. Esses dez lavat\u00f3rios foram colocados sobre bases que se chamam Mechonote. Cinco do lado esquerdo do Templo, que est\u00e1 voltado para o norte, e cinco do lado direito, voltado para o sul.<\/p>\n<p>Puseram nesse mesmo lugar o grande vaso denominado mar, para servir de lava-t\u00f3rio aos sacerdotes: eles lavariam nele as m\u00e3os e os p\u00e9s quando entrassem no Tem\u00adplo para fazer os sacrif\u00edcios, e as cubas serviam para nelas lavarem as entranhas e os p\u00e9s dos animais oferecidos em holocausto. Fez tamb\u00e9m um altar fundido de vinte c\u00f4vados de comprimento, outro tanto de largura e dez de altura, sobre o qual seriam queimados os holocaustos. Fez do mesmo modo todos os vasos e instrumentos necess\u00e1rios para o altar: caldeir\u00f5es, tenazes, bacias, ganchos e outros, t\u00e3o polidos e de um cobre t\u00e3o belo que facilmente podia ser confundido com ouro.<\/p>\n<p>O rei Salom\u00e3o mandou fazer tamb\u00e9m um grande n\u00famero de mesas, dentre elas uma bastante grande, de ouro maci\u00e7o, sobre a qual seriam colocados os p\u00e3es consagrados a Deus. As outras mesas, que n\u00e3o eram inferiores a essa em beleza, eram feitas de diversas maneiras e serviriam para que nelas se colocassem vinte mil vasos ou ta\u00e7as de ouro e quarenta mil de prata.<\/p>\n<p>Mandou fazer tamb\u00e9m, como Mois\u00e9s havia determinado, dez mil candela\u00adbros, um dos quais ficaria aceso dia e noite no Templo, como a Lei o ordenava. A mesa sobre a qual se poriam os p\u00e3es oferecidos a Deus foi colocada no lado norte do Templo, em frente ao grande candelabro, que estava na parte sul. O altar de ouro ficou entre ambos. Tudo isso foi colocado na parte anterior do Templo, de quarenta c\u00f4vados de comprimento, separada por um v\u00e9u do Santo dos Santos, no qual a arca da alian\u00e7a deveria ser colocada.<\/p>\n<p>Salom\u00e3o mandou fazer ainda oitenta mil ta\u00e7as para vinho e outras dez mil de ouro e vinte mil de prata, oitenta mil pratos de ouro, para neles se p\u00f4r a farinha preparada para o altar, cento e sessenta mil pratos de prata, sessenta mil ta\u00e7as de ouro, para se molhar a farinha com \u00f3leo, cento e vinte mil ta\u00e7as de prata, vinte mil vasos ou hins de ouro e quarenta mil de prata, vinte mil tur\u00edbulos de ouro, para se queimar e oferecer os perfumes, e cinq\u00fcenta mil outros, para neles se levar o fogo do grande altar at\u00e9 o pequeno, que estava no Templo.<\/p>\n<p>Esse grande rei mandou fazer tamb\u00e9m mil vestes sacerdotais, para os sacerdo\u00adtes, com t\u00fanicas que iam at\u00e9 os calcanhares, e cada qual com o seu \u00e9fode e com pedras preciosas. A coroa em que Mois\u00e9s havia escrito o nome de Deus continuou a mesma. Ela ainda pode ser vista em nossos dias. Mandou fazer tamb\u00e9m estolas de linho para os sacerdotes, com dez mil cintos de p\u00farpura, duzentas mil outras estolas de linho, para os levitas que cantavam os hinos e os salmos, duzentas mil trompas, como Mois\u00e9s havia determinado, e quarenta mil instrumentos de m\u00fasi\u00adca, como harpas, salt\u00e9rios e outros, feitos de metal composto de ouro e prata.<\/p>\n<p>Eis com que suntuosidade Salom\u00e3o fez construir e ornar o Templo. Ele consa\u00adgrou todas essas coisas a Deus. Em seguida, mandou erguer ao redor do Templo um muro de cem c\u00f4vados de altura, chamado <em>gisom, <\/em>em hebraico, a fim de impe\u00addir a entrada aos leigos, sendo ela somente permitida aos levitas e sacerdotes. Mandou construir fora desse muro outra esp\u00e9cie de templo, de forma quadrangular, rodeado por grande galerias com quatro grandes p\u00f3rticos voltados para o levante, o ocidente, o norte e o sul, nos quais havia grandes portas douradas, mas somente os que se haviam purificado segundo a Lei e estavam resolvidos a observar os mandamentos de Deus podiam passar por elas e entrar.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o desse outro templo era obra t\u00e3o digna de admira\u00e7\u00e3o que custa crer, pois, para que fosse constru\u00eddo no n\u00edvel do alto do monte sobre o qual estava edificado o Templo, foi preciso encher at\u00e9 a altura de quatrocentos c\u00f4vados um vale cuja profundidade era tal que n\u00e3o podia ser vista sem espanto. Ele man\u00addou rodear esse templo com uma galeria dupla, sustentada por dupla s\u00e9rie de colunas de pedra de um s\u00f3 bloco. Essas galerias, cujas portas eram de prata, foram adornadas com madeira de cedro.<\/p>\n<p>Salom\u00e3o levou sete anos para realizar essas magn\u00edficas edifica\u00e7\u00f5es, o que n\u00e3o despertou menos admira\u00e7\u00e3o que a sua grandeza, riqueza e beleza, pois ningu\u00e9m podia imaginar que seria poss\u00edvel conclu\u00ed-las em t\u00e3o pouco tempo.<\/p>\n<p><em>1 Reis 8. <\/em>Esse grande pr\u00edncipe escreveu depois aos magistrados e aos anci\u00e3os que ordenassem a todo o povo que se dirigisse a Jerusal\u00e9m sete meses depois, para ver o Templo e assistir \u00e0 traslada\u00e7\u00e3o da arca da alian\u00e7a. Esse s\u00e9timo m\u00eas estava entre os que os hebreus chamam tisri, e os maced\u00f4nios, hiperbereteus. A festa dos Tabern\u00e1culos, t\u00e3o solene entre n\u00f3s, deveria ser celebrada naquele mesmo tempo. Depois que todos vieram de todas as partes do reino a essa cida\u00adde, que era a capital, no dia determinado, transportaram para o Templo o Tabernaculo e a arca da alian\u00e7a que Mois\u00e9s constru\u00edra, com todos os vasos de que se serviam para os sacrif\u00edcios.<\/p>\n<p>Os caminhos estavam todos salpicados com o sangue das v\u00edtimas oferecidas pelo rei, pelos levitas e por todo o povo. O ar estava t\u00e3o saturado de perfumes que de longe eram sentidos. Parecia mesmo que ningu\u00e9m duvidava de que Deus viria de novo honr\u00e1-los com a sua presen\u00e7a naquela nova casa que lhe era consa\u00adgrada, pois nenhum dos que assistiam \u00e0 santa cerim\u00f4nia se cansava de dan\u00e7ar e de cantar incessantemente hinos em seu louvor at\u00e9 chegar ao Templo.<\/p>\n<p>Eis como se fez a traslada\u00e7\u00e3o da arca. Quando se teve de lev\u00e1-la para o Santu\u00ad\u00e1rio, somente os sacerdotes a tomaram sobre os ombros. Eles entraram e a colo\u00adcaram entre os dois querubins, que, como j\u00e1 dissemos, tinham sido feitos de tal modo que a cobriam com as suas asas inteiramente, como um dossel. Dentro estavam as duas t\u00e1buas de pedra, sobre as quais se haviam gravado os dez man\u00addamentos que Deus pronunciara com a pr\u00f3pria bocatro monte Sinai.<\/p>\n<p>Puseram diante do Santu\u00e1rio o candelabro, a mesa e o altar de ouro, na mesma disposi\u00e7\u00e3o em que se encontravam no Tabern\u00e1culo quando se ofereci\u00adam os sacrif\u00edcios ordin\u00e1rios. O altar de bronze foi colocado diante do p\u00f3rtico, a fim de que quando se abrissem as portas todos pudessem assistir \u00e0 magnific\u00eancia dos sacrif\u00edcios. Mas aqueles vasos, em t\u00e3o grande n\u00famero, destinados ao sacri\u00adf\u00edcio de Deus e do qual acabamos de falar foram todos postos no Templo.<\/p>\n<p>Terminadas todas essas coisas, com todo o respeito e rever\u00eancia que se podia observar, j\u00e1 os sacerdotes haviam sa\u00eddo do santu\u00e1rio quando se viu apare\u00adcer uma nuvem, n\u00e3o t\u00e3o espessa quanto as que durante o inverno formam tem\u00adpestades, por\u00e9m muito mais t\u00eanue. Ela cobriu todo o Templo e fez cair um suave orvalho, do qual ficaram cobertos os sacerdotes, de tal modo que estavam quase irreconhec\u00edveis. Ent\u00e3o ningu\u00e9m mais duvidou de que Deus havia descido \u00e0quela santa casa consagrada \u00e0 sua honra para manifestar o quanto tudo aquilo lhe era agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Salom\u00e3o levantou-se e fez esta ora\u00e7\u00e3o, digna de sua soberana grande\u00adza: &#8220;Embora n\u00f3s saibamos, Senhor, que o pal\u00e1cio em que habitais \u00e9 eterno e que o c\u00e9u, o ar, o mar e a terra que criastes e que encheis n\u00e3o s\u00e3o capazes de vos conter, n\u00e3o deixamos de construir e de vos consagrar esta casa a fim de vos oferecer sacrif\u00edcios e ora\u00e7\u00f5es que se elevem at\u00e9 o trono de vossa suprema majes\u00adtade. Esperamos que queirais ficar aqui sem nunca mais nos deixar. Pois, como vedes e sabeis todas as coisas, ainda que honreis com a vossa presen\u00e7a esta santa casa, n\u00e3o deixareis de estar em toda parte, onde vos dignardes habitar, v\u00f3s que estais sempre perto de cada um de n\u00f3s e principalmente daqueles que anseiam dia e noite por vossa presen\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>O grande rei dirigiu depois a palavra ao povo, falando do poder infinito de Deus, de como \u00e9 admir\u00e1vel a sua provid\u00eancia, de como Ele predissera a Davi, seu pai, tudo o que aconteceria depois de sua morte e de como lhe aprouve, antes mesmo de ele, Salom\u00e3o, ter nascido, dar-lhe o nome que trazia e declarar que ele sucederia ao rei seu pai e construiria o Templo. E assim, via-se que Deus j\u00e1 havia cumprido grande parte do que os havia feito esperar, e eles deviam dar-lhe gra\u00e7as por isso, julgar de sua felicidade futura pela presente e jamais duvidar da realidade de suas promessas.<\/p>\n<p>O s\u00e1bio rei voltou depois os olhos para o Templo e, estendendo as m\u00e3os para o povo, falou ainda a Deus, deste modo: &#8220;Senhor, as palavras s\u00e3o os \u00fanicos sinais de que os homens se podem servir para manifestar-vos a sua gratid\u00e3o pelos benef\u00edcios recebidos, porque a vossa grandeza infinita vos eleva de tal modo acima deles que eles vos s\u00e3o inteiramente in\u00fateis. Por\u00e9m, como estamos sobre a terra, obra-prima de vossas m\u00e3os, \u00e9 justo que empreguemos pelo menos a nossa voz para publicar os nossos louvores e que eu vos d\u00ea, por toda a minha fam\u00edlia e por todo este povo, infinitas gra\u00e7as por tantos favores de que vos somos devedo\u00adres. Agrade\u00e7o-vos, Senhor, porque vos aprouve elevar meu pai da humilde con\u00addi\u00e7\u00e3o em que havia nascido a t\u00e3o grande gl\u00f3ria e porque realizastes em mim at\u00e9 este dia todas as vossas promessas. Pe\u00e7o-vos, \u00f3 Deus Todo-poderoso, a continu\u00ada\u00e7\u00e3o de vossos favores. Tratai-me sempre, se vos aprouver, como tendo a honra de ser sempre amado por v\u00f3s. Firmai o cetro em minhas m\u00e3os e nas de meus sucessores durante v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es, como prometeste a meu pai. Dai-me, e aos meus, as virtudes que vos s\u00e3o mais agrad\u00e1veis. Difundi tamb\u00e9m, eu vos suplico, uma parte de vosso Esp\u00edrito sobre esta casa, para mostrar que habitais entre n\u00f3s. E, ainda que ela n\u00e3o seja digna de vos receber, sendo o pr\u00f3prio c\u00e9u demasiado pequeno para servir de morada eterna \u00e0 vossa majestade, n\u00e3o deixeis de honr\u00e1-la com a vossa presen\u00e7a. Tomai cuidado dela, Senhor, como de uma coisa que vos pertence, preservando-a contra todos os esfor\u00e7os de nossos inimigos. Se o vosso povo tiver a infelicidade de vos ofender e vos desagradar, contentai-vos, se vos apraz, em castig\u00e1-lo com carestia, peste ou flagelos semelhantes, com que costumais castigar os que n\u00e3o observam as vossas santas leis. Mas quando movi\u00addos pelo arrependimento recorrerem a esta casa, \u00e0 vossa miseric\u00f3rdia, n\u00e3o afasteis deles os vossos olhos e ouvi as suas ora\u00e7\u00f5es. Ouso mesmo, \u00f3 Deus Todo-podero\u00adso, pedir-vos ainda mais, pois n\u00e3o vos suplico que ou\u00e7ais nesta casa consagrada \u00e0 vossa honra somente os votos daqueles que vos dignastes escolher para vosso povo, mas tamb\u00e9m as ora\u00e7\u00f5es daqueles que vierem de todas as partes do mun\u00addo implorar o vosso aux\u00edlio, a fim de que todas as na\u00e7\u00f5es conhe\u00e7am e saibam que foi para vos obedecer que constru\u00edmos esta casa. E, longe de ser t\u00e3o injustos e desumanos a ponto de invejar a felicidade dos outros, desejamos que eles participem de vossos benef\u00edcios e que espalheis os vossos favores generosamente entre todos os homens&#8221;.<\/p>\n<p>Depois de assim falar, Salom\u00e3o prostrou-se em terra e, depois de permanecer assim muito tempo, adorando a Deus numa fervorosa ora\u00e7\u00e3o, levantou-se e ofe\u00adreceu sobre o altar um grande n\u00famero de v\u00edtimas. Deus ent\u00e3o fez conhecer cla\u00adramente como aquele sacrif\u00edcio lhe era agrad\u00e1vel, pois um fogo descido do c\u00e9u at\u00e9 o altar consumiu as v\u00edtimas inteiramente, \u00e0 vista de todo o povo. T\u00e3o grande milagre n\u00e3o lhes permitiu duvidar de que Deus n\u00e3o habitasse o Templo, e pros-traram-se todos por terra, para ador\u00e1-lo e para dar-lhe gra\u00e7as.<\/p>\n<p>Salom\u00e3o continuou a entoar cada vez mais os seus louvores e, para levar o povo a fazer a mesma coisa e a rogar a Deus com mais ardor ainda, disse-lhes que, depois de sinais t\u00e3o manifestos da extrema bondade de Deus para com eles, podiam pedir a Ele com insist\u00eancia que lhes fosse sempre favor\u00e1vel, que os pre\u00adservasse de todo pecado e que os fizesse viver na piedade e na justi\u00e7a, segundo os mandamentos dados por meio de Mois\u00e9s, cuja observ\u00e2ncia podia torn\u00e1-los os mais felizes dos homens. Por fim, exortou-os a considerar que o \u00fanico meio de conservar os bens que desfrutavam ou de conseguir outros maiores era servir a Deus com inteira pureza de cora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o pensar haver mais honra em adquirir aquilo que n\u00e3o se tem que em conservar o que se possui.<\/p>\n<p>Esse bem-aventurado pr\u00edncipe ofereceu a Deus em sacrif\u00edcio, naquele mesmo dia, tanto por ele quanto por todo o povo, doze mil novilhos e cento e vinte mil cordeiros. Essas v\u00edtimas foram as primeiras cujo sangue se derramou no Templo. Ofereceu em seguida um banquete a todo o povo, tanto aos homens quanto \u00e0s mulheres, com a carne dos muitos animais imolados e celebrou diante do Tem\u00adplo, durante quatorze dias, a festa dos Tabern\u00e1culos, com banquetes p\u00fablicos e magnific\u00eancia real.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s terminar tudo e depois de ter feito o que podia para demonstrar o seu zelo e a sua devo\u00e7\u00e3o para com Deus, Salom\u00e3o deu ordem para regressarem \u00e0s suas casas. O povo n\u00e3o se cansava de elogi\u00e1-lo pela bondade com que o gover\u00adnava nem de louvar a sua sabedoria, que lhe permitira empreender e realizar aquelas grandes obras. Rogaram a Deus que o fizesse reinar por muitos anos e partiram cantando hinos a Ele, t\u00e3o satisfeitos e alegres que chegaram \u00e0s suas casas sem perceberem a extens\u00e3o da estrada que haviam percorrido.<\/p>\n<p>1 <em>Reis 9. <\/em>Depois que a arca foi colocada no Templo e ap\u00f3s todos have\u00adrem admirado a majestade e a beleza do edif\u00edcio e tantas v\u00edtimas serem imola\u00addas a Deus e tantos dias serem passados em festas e banquetes de regozijo p\u00fablico, quando cada um j\u00e1 havia regressado \u00e0 sua casa, Deus, em sonhos, deu a conhecer a Salom\u00e3o que ouvira a sua ora\u00e7\u00e3o e conservaria o Templo, n\u00e3o deixando de honr\u00e1-lo com a sua presen\u00e7a enquanto ele e o povo observassem os seus mandamentos.<\/p>\n<p>Quanto ao que se referia a ele em particular, cumul\u00e1-lo-ia de tanta felicidade que nenhum outro que n\u00e3o fosse da sua descend\u00eancia e da tribo de Jud\u00e1 reinaria em Israel, contanto que ele se regulasse sempre pelas instru\u00e7\u00f5es recebidas de seu pai. Se delas se esquecesse, por\u00e9m, a ponto de renunciar \u00e0 piedade, e por uma mudan\u00e7a criminosa prestasse culto sacr\u00edlego aos falsos deuses das outras na\u00e7\u00f5es, Ele o exterminaria completamente, com toda a sua posteridade.<\/p>\n<p>O povo tamb\u00e9m seria atingido pelo castigo. Seriam afligidos com guerras e opri\u00admidos por toda esp\u00e9cie de males. Seriam expulsos do pa\u00eds que Ele dera aos seus antepassados e andariam errantes por terras estrangeiras. E o Templo que permitira construir seria destru\u00eddo e reduzido a cinzas pelas na\u00e7\u00f5es b\u00e1rbaras. As cidades tam\u00adb\u00e9m seriam arrasadas. Enfim, eles cairiam em tal extremo de males que a not\u00edcia, espalhada por toda parte, pareceria incr\u00edvel, e dir-se-ia com espanto: &#8220;Como \u00e9 pos\u00ads\u00edvel esses israelitas, que Deus havia elevado ao c\u00famulo da felicidade e da gl\u00f3ria, serem agora odiados e abandonados por Ele?&#8221; E a isso as tristes rel\u00edquias desse povo infeliz responderiam: &#8220;Foram os nossos pecados e a viola\u00e7\u00e3o das leis outorgadas por Deus a nossos antepassados que nos precipitaram neste abismo de mis\u00e9rias&#8221;. As Escrituras narram desse modo o que Deus manifestou em sonho a Salom\u00e3o.<\/p>\n<p><em>1 Reis <\/em>7. O poderoso rei empregou, como dissemos, sete anos para cons\u00adtruir o Templo. Mas levou treze anos para edificar o pal\u00e1cio real, porque n\u00e3o iniciou essa obra com o mesmo ardor, embora fosse t\u00e3o majestosa que ele teve necessidade do aux\u00edlio de Deus para termin\u00e1-la em t\u00e3o pouco tempo. Por mais admir\u00e1vel que fosse, no entanto, n\u00e3o se comparava \u00e0 maravilha do Templo, por\u00adque o material n\u00e3o foi preparado com tanto cuidado: era somente a resid\u00eancia do rei, e n\u00e3o a de Deus. A magnific\u00eancia desse soberano pal\u00e1cio, por\u00e9m, de\u00admonstrava em que m\u00e3os Deus colocara o cetro. Julgo oportuno, para satisfa\u00e7\u00e3o dos leitores, fazer aqui a sua descri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O pal\u00e1cio era sustentado por v\u00e1rias colunas e era t\u00e3o espa\u00e7oso quanto mag\u00adn\u00edfico, porque Salom\u00e3o o quisera capaz de conter a grande multid\u00e3o que l\u00e1 se reuniria para a solu\u00e7\u00e3o de problemas. Tinha cem c\u00f4vados de comprimento, cinq\u00fcenta de largura e trinta de altura. Dezesseis grandes colunas quadradas, de estilo cor\u00edntio, o sustentavam, e portas muito bem trabalhadas contribu\u00edam tanto para a sua beleza quanto para a sua seguran\u00e7a. Um grande pavilh\u00e3o de trinta c\u00f4vados quadrados, sustentado tamb\u00e9m por fortes colunas e colocado em frente do Templo, elevava-se no meio desse soberbo edif\u00edcio. Nesse pavi\u00adlh\u00e3o havia um grande trono, onde o rei ministrava a justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Perto desse pal\u00e1cio, Salom\u00e3o construiu uma casa real para a rainha e ou\u00adtros pr\u00e9dios, onde ele ia descansar ap\u00f3s atender aos interesses do reino. Tudo era enriquecido com madeira de cedro e feito com pedras de dez c\u00f4vados quadrados, das quais uma parte era incrustada com m\u00e1rmore muito precioso, empregado apenas para ornamento dos templos e nas casas dos reis. Esses diversos aparta\u00admentos eram revestidos com tr\u00eas ordens de tapetes riqu\u00edssimos, sobre os quais havia em relevo diversas \u00e1rvores e v\u00e1rias plantas, cujos ramos e folhas eram feitos com tanta arte que enganavam a vista, parecendo mover-se. O espa\u00e7o restante at\u00e9 o teto era tamb\u00e9m enriquecido com diversas pinturas sobre um fundo branco.<\/p>\n<p>T\u00e3o magn\u00edfico pr\u00edncipe mandou tamb\u00e9m construir, somente pela beleza, v\u00e1\u00adrios outros edif\u00edcios, com grandes galerias e salas imensas, destinadas aos festins e aos banquetes. Todos os objetos necess\u00e1rios ao seu servi\u00e7o eram de ouro. Seria dif\u00edcil descrever a diversidade, a extens\u00e3o e a majestade dos edif\u00edcios \u2014 uns eram maiores, e outros, menores; uns estavam ocultos por baixo da terra, outros, ele\u00advados bem alto no ar \u2014, bem como a beleza dos bosques e jardins que ele mandou plantar para recreio da vista e para se ter um recanto ameno e sombre-ado durante os rigores do sol de ver\u00e3o. O m\u00e1rmore branco, a madeira de cedro, o ouro e a prata foram os materiais com que se fizeram e enriqueceram esse pal\u00e1cio. Via-se nele tamb\u00e9m uma grande quantidade de pedras preciosas encastoadas no ouro e nos adornos, como no Templo.<\/p>\n<p>Salom\u00e3o ordenou tamb\u00e9m que se fizesse um grande trono de marfim ador\u00adnado com um excelente trabalho de escultura. A ele o rei subia por seis degraus, e na extremidade de cada um deles estava a est\u00e1tua de um le\u00e3o. No lugar onde se sentava, havia bra\u00e7os em relevo, que pareciam receb\u00ea-lo, e no lugar onde podia encostar-se foi colocada a est\u00e1tua de um novilho, para seu apoio. Nada havia nesse augusto trono que n\u00e3o fosse revestido de ouro.<\/p>\n<p><em>1 Reis 5. <\/em>Hir\u00e3o, rei de Tiro, querendo demonstrar o seu afeto pelo rei Salom\u00e3o, contribuiu para essas obras com grande quantidade de ouro, de prata, de madeira de cedro e de pinho. Salom\u00e3o, em troca, enviava-lhe todos os anos trigo, vinho e \u00f3leo em abund\u00e2ncia e deu-lhe vinte cidades da Galil\u00e9ia, que esta\u00advam pr\u00f3ximas de Tiro. O pr\u00edncipe foi v\u00ea-las, e n\u00e3o lhe agradaram. Recusou-as, e por esse motivo elas foram chamadas Chabelom, que em l\u00edngua fen\u00edcia significa &#8220;desagrad\u00e1veis&#8221;. O mesmo soberano rogou a Salom\u00e3o que lhe explicasse alguns enigmas. Ele o fez, com penetra\u00e7\u00e3o de Esp\u00edrito e intelig\u00eancia admir\u00e1veis.<\/p>\n<p>Menandro, que traduziu em grego os anais da Fen\u00edcia e de Tiro, fala desses dois reis desta maneira: &#8220;Depois da morte de Abibal, rei dos t\u00edrios, Hir\u00e3o, seu filho, sucedeu-o. Viveu cinq\u00fcenta e tr\u00eas anos, dos quais reinou trinta e quatro.<\/p>\n<p>Esse soberano aumentou a ilha de Tiro com quantidade de terra que para l\u00e1 fez levar. Esse aumento foi denominado Campo Grande. Consagrou tamb\u00e9m uma coluna de ouro no templo de J\u00fapiter e mandou cortar muita madeira no monte L\u00edbano, para com ela cobrir templos, pois mandara demolir os velhos e cons\u00adtruir novos, que consagrou a H\u00e9rcules e a Astarote. Foi ele que por primeiro ergueu uma est\u00e1tua a H\u00e9rcules, no m\u00eas que os maced\u00f4nios denominam per\u00edtio [que \u00e9 o m\u00eas de fevereiro]. Fez guerra aos licienses, que recusavam pagar o tributo que lhe deviam, e venceu-os. Viveu no seu tempo um mo\u00e7o de nome Abdemom, que explicava os enigmas que Salom\u00e3o, rei de Jerusal\u00e9m, lhe pro\u00adpunha&#8221;.<\/p>\n<p>Outro historiador, chamado D\u00edon, fala deles deste modo: &#8220;Depois da morte de Abibal, Hir\u00e3o, seu filho e sucessor, fortificou a cidade de Tiro do lado do orien\u00adte. E, para uni-la ao templo de J\u00fapiter Ol\u00edmpico, mandou encher de terra o espa\u00ad\u00e7o que dele a separava. Deu uma soma muito grande de ouro a esse templo e mandou tamb\u00e9m cortar muita madeira no monte L\u00edbano, para empreg\u00e1-la em edif\u00edcios semelhantes&#8221;.<\/p>\n<p>O historiador acrescenta ainda que esse pr\u00edncipe, n\u00e3o conseguindo explicar os enigmas que lhe haviam sido propostos por Salom\u00e3o, rei de Jerusal\u00e9m, pagou-lhe uma soma muito grande. Por\u00e9m depois que ele enviou a Salom\u00e3o um t\u00edrio chamado Abdemom, que lhe explicou todos os enigmas, Salom\u00e3o devolveu-lhe o dinheiro.<\/p>\n<p>Salom\u00e3o, vendo que os muros de Jerusal\u00e9m n\u00e3o correspondiam \u00e0 gran\u00addeza e \u00e0 fama de t\u00e3o c\u00e9lebre cidade, mandou edific\u00e1-los de novo e, para fortific\u00e1-los ainda mais, acrescentou grandes torres e basti\u00f5es. Construiu tamb\u00e9m Hazor e Magedom,* duas cidades t\u00e3o belas que podem figurar entre as maiores, e reconstruiu por completo Gezer, na Palestina, a qual Fara\u00f3, rei do Egito, depois de tom\u00e1-la \u00e0 for\u00e7a e de passar a fio de espada todos os seus habitantes, havia arrasado completamente, fazendo dela um presente \u00e0 filha que se casou com o rei Salom\u00e3o. Ela foi reconstru\u00edda por causa da import\u00e2ncia de sua localiza\u00e7\u00e3o, porque era de grande valia em tempo de guerra e muito pr\u00f3pria para impedir as agita\u00e7\u00f5es que podem suceder em tempo de paz. Construiu, ainda, bem perto dali, Betachor,** Baalate e algumas outras cidades, pr\u00f3prias somente para prazeres e divertimentos, porque o ar era muito puro, a terra abundante em excelentes frutos e as \u00e1guas muito vivas e de boa qualidade.<\/p>\n<p>Esse bem-aventurado pr\u00edncipe, depois de se tornar senhor do deserto que est\u00e1 acima da S\u00edria, l\u00e1 fez construir tamb\u00e9m uma grande cidade, distante dois dias de caminho da S\u00edria superior, um dia do Eufrates e seis dias da Babil\u00f4nia, a grande. Embora esse lugar seja muito afastado da S\u00edria habitada, julgou que devia empreender essa obra, porque era o \u00fanico lugar onde os que atravessavam o deserto podiam encontrar fontes e po\u00e7os. Mandou cerc\u00e1-la com fortes mura\u00adlhas e a chamou Tadmor. Os s\u00edrios a chamam ainda assim, e os gregos, Palmira.<\/p>\n<p>____________________<\/p>\n<p>* Ou Megido.<\/p>\n<p>** Ou Bete-Horom.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essas foram as obras que Salom\u00e3o realizou durante o seu reinado. E, como notei que muitos t\u00eam dificuldade em saber por que os reis do Egito, du\u00adrante mais de mil e trezentos anos, desde Minos, que construiu a cidade de M\u00eanfis e precedeu Abra\u00e3o de v\u00e1rios anos, at\u00e9 os tempos de Salom\u00e3o, sempre usaram o nome de Fara\u00f3, que foi um de seus reis, penso que devo esclarecer-lhe a raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Fara\u00f3, em eg\u00edpcio, significa &#8220;rei&#8221;, e assim julgo que esses pr\u00edncipes, mesmo tendo outros nomes em sua juventude, adotavam aqueie logo que subiam ao trono, porque, segundo a l\u00edngua de seu pa\u00eds, designava a autoridade soberana. Do mesmo modo, sabemos que todos os reis de Alexandria, depois de haver usado outros nomes, tomavam o de Ptolomeu quando ascendiam ao trono. Os imperadores romanos tamb\u00e9m deixavam o nome de suas fam\u00edlias para tomar o de C\u00e9sar, para eles muito mais honroso.<\/p>\n<p>\u00c9 este o motivo, segundo a minha opini\u00e3o, de Her\u00f3doto de Halicamasso n\u00e3o mencionar os nomes dos trezentos e trinta reis do Egito, que diz haverem reina\u00addo sucessivamente desde Minos: todos se chamavam Fara\u00f3. Mas quando ele fala de uma mulher que reinou depois deles, n\u00e3o deixa de dizer que ela se chamava Nicolis, porque s\u00f3 aos homens competia o t\u00edtulo de Fara\u00f3. Acho tamb\u00e9m em nossas cr\u00f4nicas que nenhum outro rei do Egito, depois do sogro do rei Salom\u00e3o, usou o nome de Fara\u00f3 e que essa mesma princesa, Nicolis, foi a que veio visitar Salom\u00e3o, rei de Israel, como diremos em seguida. Digo isso para fazer mostrar que a nossa hist\u00f3ria, em muitas coisas, est\u00e1 de acordo com a dos eg\u00edpcios.<\/p>\n<p>Como ainda havia cananeus na terra, desde o monte L\u00edbano at\u00e9 a cidade de Hamate, os quais n\u00e3o queriam reconhecer os reis de Israel, Salom\u00e3o subju\u00adgou-os e os obrigou a dar-lhe todos os anos, como tributo, certo n\u00famero de escravos, para que servissem em diversos empregos, particularmente no cultivo das terras, pois ningu\u00e9m dentre os israelitas era obrigado a se dedicar a esse mister, e n\u00e3o era justo que eles, tendo tantos povos submetidos ao seu dom\u00ednio por a\u00e7\u00e3o de Deus, fossem de condi\u00e7\u00e3o inferior \u00e0 dos vencidos. Assim, dedica\u00advam-se somente aos exerc\u00edcios pr\u00f3prios da guerra e \u00e0 provis\u00e3o de armas, cavalos e carros. Seiscentos homens foram escolhidos para dirigir os escravos destinados \u00e0quele trabalho.<\/p>\n<p>Salom\u00e3o construiu tamb\u00e9m v\u00e1rios navios no golfo do Egito, pr\u00f3ximo do mar Vermelho, em um lugar chamado Eziom-Geber, hoje Berenice. Essa cidade n\u00e3o fica longe de outra, de nome El\u00e3, que ent\u00e3o pertencia ao reino de Israel. O rei Hir\u00e3o mostrou-lhe muito afeto nessa ocasi\u00e3o, pois deu a Salom\u00e3o quantos pilotos este desejou, todos muito experimentados na arte da navega\u00e7\u00e3o, para ir com os seus oficiais buscar ouro numa prov\u00edncia da \u00edndia, de nome Ofir, que hoje se chama Terra do Ouro, de onde trouxeram quatrocentos talentos de ouro.<\/p>\n<p><em>1 Reis <\/em>7 <em>0. <\/em>Nicolis, rainha do Egito e da Eti\u00f3pia, que era uma excelente princesa, tendo ouvido falar das virtudes e da sabedoria de Salom\u00e3o, desejou ver com os pr\u00f3prios olhos se a fama dele era verdadeira ou se era somente um daqueles boatos que se dissipam quando conhecidos e estudados a fun\u00addo. Assim, n\u00e3o teve receio de empreender a viagem, para se informar e para resolver com ele v\u00e1rias dificuldades. Veio a Jerusal\u00e9m com equipagem digna da grande rainha que era, trazendo camelos carregados com ouro, pedras preciosas e custosos perfumes. Salom\u00e3o recebeu-a com a devida honra e deu solu\u00e7\u00e3o a todas as suas d\u00favidas, com tanta facilidade que mal ela as propu\u00adnha ele logo as resolvia.<\/p>\n<p>Capacidade t\u00e3o extraordin\u00e1ria encheu-a de admira\u00e7\u00e3o. Ela confessou que aquela sabedoria sobrepujava a fama que se havia espalhado por todo o mundo. N\u00e3o se cansava de admirar tamb\u00e9m o seu Esp\u00edrito, a sua grandeza, a magnific\u00eancia de seus edif\u00edcios, a economia da casa e todo o resto de seu proceder. Mas nada a surpreendeu tanto quanto a beleza de uma sala a que chamavam Floresta do L\u00edbano e a suntuosidade dos banquetes que ele oferecia freq\u00fcentemente, nos quais tudo era servido com ordem admir\u00e1vel, por criados t\u00e3o ricamente vestidos que nada podia ser mais sublime. A grande quantidade de sacrif\u00edcios que diaria\u00admente se ofereciam a Deus e o cuidado e a piedade dos sacerdotes e levitas no exerc\u00edcio de seu minist\u00e9rio n\u00e3o a comoveram menos que o resto.<\/p>\n<p>Assim, a sua admira\u00e7\u00e3o crescia sempre, e ela n\u00e3o p\u00f4de deixar de manifest\u00e1-la ao rei, nestes termos: &#8220;Pode-se duvidar com raz\u00e3o das coisas extraordin\u00e1rias quando elas s\u00e3o conhecidas apenas pela fama. Mas, embora me tivessem falado de todas as prerrogativas que possuis, tanto em v\u00f3s mesmo, pela vossa sabedoria e excelente proceder, como fora de v\u00f3s, pela grandeza de um reino t\u00e3o poderoso e florescente, confesso que reconhe\u00e7o por mim mesma que a vossa felicidade sobrepuja em muito tudo o que eu havia imaginado e que \u00e9 preciso ver para crer. Como s\u00e3o felizes os vossos s\u00faditos, por terem um rei t\u00e3o grande, e como s\u00e3o felizes os vossos amigos e servidores, por desfrutarem continuamente a vossa presen\u00e7a! Certamente nem uns nem outros poderiam agradecer o bastante a Deus essa t\u00e3o grande gra\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o foi somente com palavras que essa rainha manifestou ao rei a sua maravilhosa estima. Ela acrescentou um presente de vinte talentos de ouro, muitas pedras preciosas e uma grande quantidade de excelentes perfumes. Diz-se tamb\u00e9m que o nosso pa\u00eds deve \u00e0 sua liberalidade uma planta de b\u00e1lsa-mo, a qual multiplicou-se de tal modo que a Jud\u00e9ia hoje a possui em grande quantidade. Salom\u00e3o, por seu lado, n\u00e3o lhe foi inferior em magnific\u00eancia e nada lhe recusou de tudo o que ela dele podia desejar. Assim, a princesa voltou sem que nada se pudesse acrescentar \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o que havia recebido e \u00e0 que havia causado.<\/p>\n<p>Nesse mesmo tempo, trouxeram a Salom\u00e3o, do pa\u00eds que se chama Terra do Ouro, pedras preciosas e madeira de pinho, das mais belas que se tinham visto. Desta ele mandou fazer as balaustradas do templo e do pal\u00e1cio real e harpas e salt\u00e9rios, para os levitas cantarem os hinos em louvor a Deus. Essa madeira parecia-se com a da figueira, mas era muito mais branca e mais brilhante, muito diferente da que os negociantes assim chamam para vender mais. Julguei dever dizer isso a fim de que ningu\u00e9m venha a se enganar.<\/p>\n<p>Essa mesma frota trouxe ao pr\u00edncipe seiscentos e setenta talentos de ouro, sem se incluir o que os negociantes trouxeram para ele e o que os reis da Ar\u00e1bia lhe enviaram como presente. Assim, mandou fazer duzentos escudos de ouro maci\u00e7o, pesando cada um seiscentos sidos, e trezentos outros, pe\u00adsando trezentas minas cada um, e colocou-os na sala chamada Floresta do L\u00edbano. Mandou fazer tamb\u00e9m grande quantidade de ta\u00e7as de ouro adorna\u00addas com pedras preciosas e bacias de ouro, para delas se servir nos banque\u00adtes, nos quais nada empregava que n\u00e3o fosse de ouro, pois a prata ent\u00e3o era tida em pouca conta. Isso porque o grande n\u00famero de navios que Salom\u00e3o tinha no mar de Tarso e que empregava para levar toda sorte de mercadoria \u00e0s na\u00e7\u00f5es estrangeiras e afastadas traziam-lhe uma quantidade incr\u00edvel de ouro, marfim, escravos da Eti\u00f3pia e macacos. As viagens eram de longo curso e n\u00e3o eram feitas em menos de tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>A fama da virtude e da sabedoria desse poderoso monarca difundiu-se de tal modo por toda a terra que v\u00e1rios reis, n\u00e3o podendo acreditar no que diziam, desejavam certificar-se da verdade e manifestavam a estima extraordi\u00adn\u00e1ria que tinham por ele com os presentes que lhe traziam. Mandavam-lhe vasos de ouro e de prata, vestidos de p\u00farpura, toda esp\u00e9cie de especiarias, cavalos, carros e mulas t\u00e3o belas e fortes que n\u00e3o se podia duvidar de que n\u00e3o lhe seriam agrad\u00e1veis.<\/p>\n<p>Assim, ele p\u00f4de acrescentar quatrocentos carros aos mil que j\u00e1 possu\u00eda e aos vinte mil cavalos que mantinha ordinariamente. Os cavalos que lhe eram manda\u00addos n\u00e3o somente eram perfeitamente belos, mas sobrepujavam a todos os ou\u00adtros em velocidade. Os que os montavam ressaltavam-lhes ainda mais a beleza, pois eram jovens de belo talhe, vestidos de p\u00farpura t\u00edria, armados de aljavas e possuidores de longas cabeleiras cobertas de papelotes de ouro, que faziam res\u00adplandecer as suas cabe\u00e7as quando o sol os feria com os seus raios. Essa tropa magn\u00edfica acompanhava o rei todas as manh\u00e3s, quando, segundo o costume, ele sa\u00eda da cidade vestido de branco, num carro soberbo, para ir a uma casa de campo num lugar pr\u00f3ximo de Jerusal\u00e9m, de nome Et\u00e3, onde ele se recreava, pois havia ali belos jardins, lindas fontes e uma terra extremamente f\u00e9rtil.<\/p>\n<p>Como a sabedoria que ele havia recebido de Deus estendia-se a tudo, e assim nada podia escapar aos seus interesses, ele n\u00e3o descuidou nem mesmo do que se referia \u00e0s estradas. Mandou pavimentar com pedras negras todas as que levavam a Jerusal\u00e9m, quer para comodidade do povo, quer para mostrar-lhes magnific\u00eancia. Ficou com uns poucos carros e distribuiu os outros pelas cidades que estavam obrigadas a manter um determinado n\u00famero deles, o que as fazia denominar-se cidades dos carros.<\/p>\n<p>Reuniu em Jerusal\u00e9m t\u00e3o grande quantidade de prata, que esta tornou-se t\u00e3o comum quanto as pedras. Mandou plantar cedros nos campos da Jud\u00e9ia, onde antes nada havia, mas que depois tornaram-se t\u00e3o comuns como as amoreiras. Mandava comprar no Egito cavalos dos quais o par, com o carro, custava-lhe seiscentas dracmas de prata e os enviava ao rei da S\u00edria e aos outros soberanos que estavam al\u00e9m do Eufrates.<\/p>\n<p><em>1 Reis 11. <\/em>Esse virtuoso soberano, o mais glorioso de todos os de seu s\u00e9culo, que sobrepujava tanto em prud\u00eancia quanto em riqueza a todos os que antes dele haviam reinado sobre o povo de Deus, n\u00e3o perseverou at\u00e9 o fim. Aban\u00addonou as leis de seus antepassados, e as suas \u00faltimas a\u00e7\u00f5es obscureceram todo o brilho e gl\u00f3ria de sua vida, porque se deixou levar a tal ponto pelo excesso de amor \u00e0s mulheres que essa louca paix\u00e3o perturbou-lhe o ju\u00edzo. N\u00e3o se contentou com as mulheres de sua na\u00e7\u00e3o, mas tomou tamb\u00e9m estrangeiras: sid\u00f4nias, t\u00edrias, amonitas, idum\u00e9ias. E, para agrad\u00e1-las, n\u00e3o teve vergonha de adorar os falsos deuses a quem elas serviam, desprezando os mandamentos de Mois\u00e9s, que proibiam expressa\u00admente tomar mulheres de outras na\u00e7\u00f5es, para que elas n\u00e3o levassem o povo \u00e0 idolatria e ao abandono do culto ao \u00fanico Deus eterno e verdadeiro.<\/p>\n<p>A voluptuosidade brutal do soberano, por\u00e9m, o fez esquecer todos os seus deveres. Chegou a desposar setecentas mulheres, todas de muito boa condi\u00e7\u00e3o, entre as quais estava, como j\u00e1 vimos, a filha de Fara\u00f3, rei do Egito. Possu\u00eda, al\u00e9m dessas, trezentas concubinas. Sua paix\u00e3o tornou-o escravo delas, e ele n\u00e3o p\u00f4de deixar de imit\u00e1-las em sua impiedade. Quanto mais ele alcan\u00e7ava em anos, mais o seu Esp\u00edrito, enfraquecendo-se, se afastava do servi\u00e7o de Deus e se entregava \u00e0s cerim\u00f4nias sacr\u00edlegas da falsa religi\u00e3o.<\/p>\n<p>T\u00e3o horr\u00edvel pecado era apenas conseq\u00fc\u00eancia de um outro, pois ele come\u00e7ara a desobedecer aos mandamentos de Deus quando mandou fazer aqueles doze bois de bronze que sustentavam o grande vaso de cobre denominado mar e os doze le\u00f5es esculpidos nos degraus do trono. Assim, como ele n\u00e3o caminhava mais nas pegadas de Davi, seu pai, ao qual a piedade elevara a t\u00e3o alto grau de gl\u00f3rias e a quem ele era obrigado a imitar tanto quanto devia obedecer ao que Deus lhe havia ordenado diversas vezes em sonhos, o seu fim foi t\u00e3o infeliz quan\u00adto fora feliz e ilustre o in\u00edcio de seu reinado.<\/p>\n<p>Deus disse-lhe, por meio de seu profeta, que conhecia a sua impiedade e que ele n\u00e3o teria o prazer de continuar a ofend\u00ea-lo impunemente. No entanto, por causa da promessa que fizera a Davi, deix\u00e1-lo-ia reinar durante o resto de sua vida. Depois de sua morte, por\u00e9m, castigaria o seu filho por causa dele, embora n\u00e3o o fosse privar inteiramente do reino: dez tribos separar-se-iam de sua obedi\u00ad\u00eancia e duas lhe ficariam submissas, quer por causa do afeto que Deus tinha por Davi, quer por considera\u00e7\u00e3o \u00e0 cidade de Jerusal\u00e9m, onde lhe aprouvera deixar erguer o Templo. Seria in\u00fatil dizer-se da afli\u00e7\u00e3o de Salom\u00e3o ao saber, com essas palavras, que tal mudan\u00e7a em sua sorte torn\u00e1-lo-ia t\u00e3o infeliz quanto antes fora bem-aventurado. Algum tempo depois da amea\u00e7a do profeta, Deus suscitou contra ele um inimigo de nome \u00c1der,* por este motivo:<\/p>\n<p>Quando Joabe, general do ex\u00e9rcito de Davi, submeteu a Idum\u00e9ia, durante o espa\u00e7o de seis meses fez passar a fio de espada todos os que estavam em idade de pegar em armas, \u00c1der, que era da fam\u00edlia real e ainda muito jovem, fugiu e foi para a corte de Fara\u00f3, rei do Egito. Este n\u00e3o somente o recebeu muito bem e o tratou favoravelmente, como teve por ele tal afeto que depois de ele crescer o fez desposar a irm\u00e3 da rainha sua mulher, de nome T\u00e1fis, da qual teve um filho, que foi educado com os filhos de Fara\u00f3. Depois da morte de Davi e de Joabe, \u00c1der rogou ao rei que lhe permitisse voltar ao seu pa\u00eds. Por mais que insistisse, por\u00e9m, jamais conseguiu permiss\u00e3o. Fara\u00f3 perguntava sempre o motivo por que queria deix\u00e1-lo e se lhe faltava alguma coisa no Egito. Mas Deus, que antes fazia Fara\u00f3 dificultar a licen\u00e7a para \u00c1der, resolveu fazer Salom\u00e3o sentir os efeitos de sua c\u00f3lera. J\u00e1 n\u00e3o lhe podia mais tolerar a impiedade e p\u00f4s na mente de Fara\u00f3 a id\u00e9ia de consentir que \u00c1der voltasse \u00e0 Idum\u00e9ia.<\/p>\n<p>Logo que l\u00e1 chegou, \u00c1der tudo fez para levar o povo a quebrar o jugo dos israelitas. Mas n\u00e3o os p\u00f4de persuadir porque as fortes guarni\u00e7\u00f5es que Salom\u00e3o mantinha no pa\u00eds o impediram de tomar qualquer delibera\u00e7\u00e3o. Por isso foi \u00e0 S\u00edria procurar Raazar,** que se havia revoltado contra Adrazar, rei dos sofonianos, e que com um grande n\u00famero de ladr\u00f5es que havia reunido roubava e devastava os campos. \u00c1der fez alian\u00e7a com ele e, com o seu aux\u00edlio, apoderou-se de uma parte da S\u00edria. Foi declarado rei e, vivendo ainda Salom\u00e3o, fazia a este freq\u00fcentes incurs\u00f5es, causando bastante preju\u00edzo \u00e0s terras israelitas.<\/p>\n<p>______________________<\/p>\n<p>* Ou Hadade.<\/p>\n<p>** Ou Rezom.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o foram somente os estrangeiros que perturbaram a profunda paz que Salom\u00e3o desfrutava. Os seus pr\u00f3prios s\u00faditos fizeram-lhe guerra, jerobo\u00e3o, filho de Nebate, animado por antiga profecia, ergueu-se tamb\u00e9m contra ele. Seu pai o havia deixado em tenra idade, e sua m\u00e3e n\u00e3o cuidara de sua educa\u00e7\u00e3o. Quando cresceu, Salom\u00e3o, vendo que ele era muito promissor, deu-lhe a supe\u00adrintend\u00eancia das fortifica\u00e7\u00f5es de Jerusal\u00e9m. Desempenhou t\u00e3o bem o encargo que o rei lhe confiou em seguida o governo das tribos de Jos\u00e9.<\/p>\n<p>Quando ele partia para tomar posse, encontrou-se com o profeta A\u00edas, que era da cidade de Silo. Depois de o saudar, o profeta levou-o a um campo afastado do caminho, onde ningu\u00e9m os podia ver, rasgou o pr\u00f3prio manto em doze peda\u00e7os e ordenou-lhe da parte de Deus que tomasse dez deles, como sinal de que Ele desejava constitu\u00ed-lo rei de dez tribos, a fim de castigar Salom\u00e3o por este se ter abandonado ao amor das mulheres e por prestar culto aos falsos deuses, para ser agrad\u00e1vel a elas. Quanto \u00e0s outras duas tribos, ficariam para o filho do rei, em considera\u00e7\u00e3o \u00e0 promessa que Deus fizera a Davi.<\/p>\n<p>Acrescentou o profeta: &#8220;Assim, vede o que obrigou Deus a retirar as gra\u00e7as de Salom\u00e3o e a rejeit\u00e1-lo. Observai, pois, religiosamente os seus mandamentos. Amai a justi\u00e7a e ficai certo de que, se prestardes a Deus sem cessar a honra que lhe \u00e9 devida, Ele recompensar\u00e1 a vossa piedade e vos cumular\u00e1 dos mesmos favores com que cumulou Davi&#8221;. Como jerobo\u00e3o era de natureza muito ambiciosa e ardente, as pala\u00advras do profeta levantaram-lhe tanto o \u00e2nimo e fizeram t\u00e3o forte impress\u00e3o em seu Esp\u00edrito que ele n\u00e3o perdeu tempo em persuadir o povo a se revoltar contra Salom\u00e3o e faz\u00ea-lo rei em seu lugar. Salom\u00e3o foi disso avisado e mandou prend\u00ea-lo e mat\u00e1-lo, mas ele fugiu para a corte de Sisaque, rei do Egito, e l\u00e1 ficou at\u00e9 a morte de Salom\u00e3o, esperando tempo mais favor\u00e1vel para a execu\u00e7\u00e3o de seu intento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos primeiros cuidados do rei Salom\u00e3o foi ir a Hebrom oferecer a Deus em holocausto mil v\u00edtimas sobre o altar de bronze que Mois\u00e9s fizera construir. Deus achou-o t\u00e3o agrad\u00e1vel que lhe apareceu \u00e0 noite, em sonho, para dizer que, como recompensa por sua piedade, lhe concederia o dom que pedisse. 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