{"id":185,"date":"2015-04-02T23:12:46","date_gmt":"2015-04-02T23:12:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=185"},"modified":"2015-04-02T23:12:46","modified_gmt":"2015-04-02T23:12:46","slug":"capitulo-10-davi-demonstrando-excessiva-dor-pela-morte-de-absalao-e-consolado-por-joabe-davi-perdoa-simei-e-da-a-mefibosete-a-metade-de-seus-bens-todas-as-tribos-voltam-a-obedecer-lhe-a-dejuda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-10-davi-demonstrando-excessiva-dor-pela-morte-de-absalao-e-consolado-por-joabe-davi-perdoa-simei-e-da-a-mefibosete-a-metade-de-seus-bens-todas-as-tribos-voltam-a-obedecer-lhe-a-dejuda\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 10 &#8211; Davi, demonstrando excessiva dor pela morte de Absal\u00e3o, \u00e9 consolado por Joabe. Davi perdoa Simei e d\u00e1 a Mefibosete a metade de seus bens. Todas as tribos voltam a obedecer-lhe. A de jud\u00e1 \u00e9 a preferida, e as outras sentem inveja, revoltando-se por incitamento de Seba. Davi determina queAmasa marche contra ele. Como Amasa demora a voltar, envia Joabe com os que tem junto de si. Joabe encontra Amasa e mata-o \u00e0 trai\u00e7\u00e3o. Persegue Seba e traz a cabe\u00e7a dele a Davi. Grande carestia enviada por Deus devido aos maus-tratos de Saul para com os gibeonitas. Davi os satisfaz, e a carestia cessa. Ele adianta-se num combate e \u00e9 salvo porAbisai de morrer nas m\u00e3os de um gigante. Depois vencer diversas vezes os filisteus, desfruta grande paz. Comp\u00f5e diversas obras em louvor a Deus. Incr\u00edveis atos de valor dos bravos de Davi. Deus manda uma grande peste para castig\u00e1-lo por ter feito o recenseamento dos homens aptos para pegar em armas. Davi, para aplac\u00e1-lo, ergue um altar. Deus promete-lhe que Salom\u00e3o construir\u00e1 o Templo. Ele re\u00fane as coisas necess\u00e1rias para a constru\u00e7\u00e3o."},"content":{"rendered":"<p>Depois da morte de Absal\u00e3o, o seu partido desapareceu completamen\u00adte. Aimaas, filho de Zadoque, sumo sacerdote, rogou a Joabe que o mandasse levar a Davi a not\u00edcia da vit\u00f3ria e do aux\u00edlio que haviam recebido de Deus. Joabe, por\u00e9m, respondeu-lhe que, tendo ele at\u00e9 ent\u00e3o levado a Davi apenas boas not\u00ed\u00adcias, n\u00e3o julgava bom que agora lhe levasse uma informa\u00e7\u00e3o t\u00e3o triste como a da morte de Absal\u00e3o. E enviou Cusi para narrar a Davi o que se havia passado. Aimaas rogou ent\u00e3o que lhe permitisse ao menos ir para inform\u00e1-lo do feliz \u00eaxito da batalha, sem falar-lhe de Absal\u00e3o, e Joabe concordou. Partiu no mesmo ins\u00adtante e, como conhecia um caminho mais curto que o tomado pelo et\u00edope, che\u00adgou antes dele.<\/p>\n<p>Davi estava \u00e0 porta da cidade, esperando not\u00edcias de algu\u00e9m que tivesse to\u00admado parte no combate. Uma sentinela, vendo aproximar-se Aimaas e n\u00e3o o reconhecendo, porque ele ainda estava muito longe, avisou que um homem se aproximava rapidamente. O rei tomou a pressa como um bom aug\u00fario. Logo depois, a sentinela disse que vinha um outro, o que o pr\u00edncipe julgou ser ainda um bom sinal. Quando Aimaas j\u00e1 estava bem perto, a sentinela reconheceu-o e disse ao rei que era Aimaas, filho do sumo sacerdote. Ent\u00e3o Davi n\u00e3o duvidou mais de que ele lhe trazia boas not\u00edcias. Aimaas, depois de se ter prostrado diante dele, disse-lhe que o seu ex\u00e9rcito havia conquistado a vit\u00f3ria. Davi, sem falar de outra coisa, perguntou-lhe o que havia acontecido a Absal\u00e3o. Ele respondeu nada poder informar, porque Joabe o fizera partir imediatamente ap\u00f3s a vit\u00f3ria, para trazer-lhe a not\u00edcia. Sabia apenas que um grande n\u00famero de soldados o perse\u00adguia com grande \u00e2nsia.<\/p>\n<p>O et\u00edope chegou em seguida, prostrou-se diante do rei e confirmou a not\u00edcia da vit\u00f3ria. Davi perguntou-lhe tamb\u00e9m a respeito de Absal\u00e3o, e ele respondeu:<\/p>\n<p>&#8220;Desejo que o que aconteceu a Absal\u00e3o aconte\u00e7a a todos os vossos inimigos&#8221;. Essas palavras apagaram do cora\u00e7\u00e3o de Davi toda a alegria que ele sentira pela vit\u00f3ria, e a sua imensa tristeza perturbou os servidores. Foi ao lugar mais alto da cidade e l\u00e1 chorou o seu filho. Batia no pr\u00f3prio est\u00f4mago, arrancava o cabelo e, n\u00e3o pondo limites \u00e0 dor, gritava em alta voz: &#8220;Absal\u00e3o! Meu filho Absal\u00e3o! Prouvera a Deus que eu tivesse morrido contigo!&#8221;<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ser Davi de uma natureza extremamente terna, Absal\u00e3o, dentre os filhos que lhe restavam, era o que mais ele amava. Os soldados, regressando, souberam de sua extrema afli\u00e7\u00e3o e julgaram que n\u00e3o seria conveniente compa\u00adrecer \u00e0 sua presen\u00e7a como vitoriosos e triunfantes. E assim entraram tamb\u00e9m chorando na cidade, de olhos baixos, como se tivessem sido vencidos.<\/p>\n<p>Joabe, por\u00e9m, vendo que o rei tinha a cabe\u00e7a coberta e continuava a chorar amargamente o filho, falou-lhe: &#8220;Vossa majestade sabe o que faz e em que perigo se p\u00f5e? N\u00e3o est\u00e1 parecendo que vossa majestade odeia os que tudo arriscaram a vosso servi\u00e7o e tamb\u00e9m a v\u00f3s mesmos e toda a fam\u00edlia real, afligindo-vos tanto com a morte de vosso maior inimigo? Se Absal\u00e3o tivesse vencido e confirmado a sua injusta domina\u00e7\u00e3o, haveria algum de n\u00f3s a quem ele teria poupado a vida? N\u00e3o teria ele come\u00e7ado por vossa majestade e pelos vossos filhos? Longe de chorar por n\u00f3s e por vossa majestade, como vossa majestade o faz, ele n\u00e3o somente se teria regozijado, mas teria castigado at\u00e9 os que tivessem compaix\u00e3o de nossa infelicidade. N\u00e3o tem pois vossa majestade vergonha de lamentar assim o maior de vossos inimigos, o qual, ap\u00f3s receber vida de vossa majestade, tornou-se tanto mais \u00edmpio quanto vos devia em honra e respeito? Deixai portanto de lamentar e de vos afligir por motivo injusto. Apresentai-vos aos vossos soldados e expressai a eles o agradecimento que lhes deveis por haverem conquistado com o pre\u00e7o do pr\u00f3prio sangue t\u00e3o importan\u00adte vit\u00f3ria. Se n\u00e3o o fizerdes e continuardes a mostrar t\u00e3o irrazo\u00e1vel m\u00e1goa, protesto-vos que desde hoje, sem esperar mais, porei a coroa sobre a cabe\u00e7a de um outro, e ent\u00e3o ter\u00e1 vossa majestade verdadeiro motivo de afli\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Essas palavras acalmaram o Esp\u00edrito de Davi e despertaram-lhe as obriga\u00e7\u00f5es que a qualidade de rei exigia para o povo e para a na\u00e7\u00e3o. Mudou os vestess e, para alegrar os soldados, saiu de seu aposento e apresentou-se a eles. Ent\u00e3o cada um deles veio prestar-lhe homenagens.<\/p>\n<p>Os que se haviam salvado do ex\u00e9rcito de Absal\u00e3o vieram de todas as cidades apresentar as suas homenagens a Davi, pois a vit\u00f3ria deste os fez recon\u00adquistar a liberdade. Eles reconheceram que estavam errados e que haviam feito mal em se revoltar contra ele. E, agora que Absal\u00e3o estava morto, queriam pedir a Davi que os perdoasse e suplicar que retomasse o governo do reino.<\/p>\n<p>Davi soube de tudo e escreveu ent\u00e3o aos sumos sacerdotes, Zadoque e Abiatar, que dissessem tamb\u00e9m aos chefes da tribo de Jud\u00e1 que, sendo o rei da mesma tribo que eles, ser-lhes-ia vergonhoso se fossem os \u00faltimos a manifestar-lhe a sua afei\u00e7\u00e3o e em restabelec\u00ea-lo em seu estado e que relatassem a mesma coisa a Amasa, acrescentando que, tendo a vantagem de ser sobrinho do rei, ele deveria esperar n\u00e3o somente o perd\u00e3o por ter tomado as armas contra ele, mas tamb\u00e9m a confirma\u00e7\u00e3o no cargo de general, a que Absal\u00e3o o elevara.<\/p>\n<p>Zadoque e Abiatar cumpriram seriamente essa comiss\u00e3o, de modo que tudo saiu como Davi desejava. Assim, todas as tribos enviaram-lhe embaixadores, por iniciativa de Amasa, rogando-lhe que voltasse a Jerusal\u00e9m. Mas a de jud\u00e1 sobres\u00adsaiu-se dentre as demais nessa ocasi\u00e3o, pois veio at\u00e9 diante dele, no rio Jord\u00e3o.<\/p>\n<p>Simei foi tamb\u00e9m, com mil homens de sua tribo, e Ziba l\u00e1 estava, com os seus quinze filhos e vinte servidores. Ao chegar \u00e0 margem do rio, fizeram uma ponte com barcos, para facilitar a passagem do rei e dos que o acompanhavam. E, quando ele se aproximou da margem, toda a tribo de Jud\u00e1 saudou-o. Simei lan\u00e7ou-se-lhe aos p\u00e9s, sobre a ponte, pedindo perd\u00e3o e suplicando-lhe que con\u00adsiderasse que ele era o primeiro a manifestar arrependimento. Conjurou-o ainda a n\u00e3o usar do poder para castigar aos que o haviam ofendido.<\/p>\n<p>Abisai, ouvindo-o falar assim, disse-lhe: &#8220;Julgais ent\u00e3o que isso basta para evitar o supl\u00edcio que mereceis por ter blasfemado contra o rei que o pr\u00f3prio Deus nos deu?&#8221; Mas Davi tomou a palavra e disse a Abisai: &#8220;N\u00e3o perturbemos a alegria desta jornada. Eu a considero como o primeiro dia do meu reinado e quero perdoar a todos&#8221;. Disse em seguida a Simei: &#8220;N\u00e3o temas! Tua vida est\u00e1 segura!&#8221; Simei prostrou-se at\u00e9 o ch\u00e3o e depois foi andando diante dele.<\/p>\n<p>Mefibosete, filho de J\u00f4natas, chegou depois, vestido miseravelmente e com a barba e os cabelos cheios de imund\u00edcies, pois ficara t\u00e3o vivamente sentido pela infelicidade do rei que n\u00e3o os quis cortar desde o dia em que Davi sa\u00edra de Jerusal\u00e9m e continuou a negligenciar o resto de sua pessoa, tanto era falsa a acusa\u00ad\u00e7\u00e3o de Ziba contra ele. Davi, depois que esse pr\u00edncipe t\u00e3o bom quanto infeliz o saudou, perguntou-lhe por que n\u00e3o o havia acompanhado em sua retirada.<\/p>\n<p>Disse ele: &#8220;Ziba foi a \u00fanica causa disso, majestade. Ordenei-lhe que prepa\u00adrasse tudo para que eu o seguisse, mas ele n\u00e3o obedeceu e ainda tratou-me com muito desprezo. Isso n\u00e3o me impediria de partir se eu tivesse boas pernas. Por\u00e9m ele fez ainda mais, majestade. N\u00e3o se contentando em me impedir de cumprir o meu dever e de vos demonstrar a minha afei\u00e7\u00e3o e fidelidade, acusou-me falsamente perante vossa majestade. Mas bem conhe\u00e7o a vossa prud\u00eancia, justi\u00e7a e piedade e tamb\u00e9m o amor que tendes pela verdade, para temer que vossa majestade tenha prestado f\u00e9 \u00e0s suas cal\u00fanias. Sei que quan\u00addo estava em vosso poder vingar-se da persegui\u00e7\u00e3o sofrida durante o reinado de meu av\u00f4, vossa majestade n\u00e3o o quis fazer. Jamais esquecerei as obriga\u00ad\u00e7\u00f5es que vos devo, por receber-me no n\u00famero de vossos amigos depois de restaurado no trono e por tratar-me como a um de vossos parentes, fazendo-me comer \u00e0 vossa mesa&#8221;.<\/p>\n<p>Depois de ouvi-lo falar assim, Davi n\u00e3o procurou saber se ele era culpado nem verificar se Ziba o caluniara, contentando-se em dizer que ordenaria a Ziba que lhe restitu\u00edsse a metade dos bens que recebera em confisco. A isso ele respon\u00addeu: &#8220;Majestade, que ele conserve tudo. Para eu ficar contente, basta-me ver vossa majestade reassumir gloriosamente o reino&#8221;.<\/p>\n<p>Barzilai, gileadita, homem muito h\u00e1bil e bom cidad\u00e3o que ajudou muito a Davi durante o tempo da infelicidade deste, levou-o at\u00e9 o Jord\u00e3o. Davi insistiu que ele o acompanhasse at\u00e9 Jerusal\u00e9m e prometeu dedicar-lhe a honra e o afeto de um pai. Barzilai agradeceu, mas suplicou insistentemente que o rei lhe permi\u00adtisse voltar para pensar apenas em se preparar para a morte, pois, tendo mais de oitenta anos, n\u00e3o estava mais na idade de gozar dos prazeres do mundo.<\/p>\n<p>Davi, n\u00e3o podendo convenc\u00ea-lo a acompanh\u00e1-lo, rogou-lhe que lhe desse pelo menos o filho Quim\u00e3, para que pudesse testemunhar na pessoa dele aquela amizade. Ent\u00e3o Barzilai, depois de se prostrar diante dos pr\u00edncipes e de lhes dese\u00adjar toda sorte de felicidade e prosperidade, voltou para casa.<\/p>\n<p>Quando Davi chegou a Cilgal, a tribo de Jud\u00e1 inteira e quase metade de todas as outras posicionaram-se junto dele. Os principais da prov\u00edncia, acompa\u00adnhados por uma grande multid\u00e3o de seus habitantes, queixaram-se de que os de Jud\u00e1 vieram \u00e0 presen\u00e7a do rei sem os avisar, pois se o tivessem sabido n\u00e3o teriam deixado de ir tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Os pr\u00edncipes de Jud\u00e1 responderam que n\u00e3o houve inten\u00e7\u00e3o de ofend\u00ea-los, pois, sendo da mesma tribo do rei, tinham, mais que os outros, obriga\u00e7\u00e3o de apre\u00adsentar-lhe as suas homenagens particulares, e que n\u00e3o pretenderam absolutamente tirar qualquer vantagem disso, apenas cumprir um dever. Essa desculpa n\u00e3o satisfez os pr\u00edncipes das outras tribos, que retrucaram: &#8220;N\u00e3o podemos deixar de muito nos admirar que estejais persuadidos de que o rei, por ser da vossa tribo, vos \u00e9 mais pr\u00f3ximo, pois Deus no-lo deu a todos, igualmente. Vossa tribo n\u00e3o pode ter nisso nenhuma vantagem sobre as demais, porque \u00e9 apenas a duod\u00e9cima parte do todo. Assim, fizestes mal em ir \u00e0 presen\u00e7a do rei sem nos avisar&#8221;.<\/p>\n<p><em>2 Samuel 20. <\/em>Como a diverg\u00eancia aumentava e os \u00e2nimos se acaloravam, Seba, filho de Bicri, da tribo de Benjamim, que era sedicioso e mau-car\u00e1ter, gri\u00adtou com toda for\u00e7a: &#8220;N\u00f3s n\u00e3o temos parte com Davi e n\u00e3o conhecemos o filho de Jess\u00e9&#8221;. Mandou em seguida tocar as trompas, para mostrar, com esse sinal, que lhe declarava guerra. No mesmo instante, todas as tribos abandonaram Davi, exceto a de Jud\u00e1, que o levou a Jerusal\u00e9m. L\u00e1 mandou sair do pal\u00e1cio as concubinas de que Absal\u00e3o havia abusado. Colocou-as numa casa e cuidou de sua manuten\u00ad\u00e7\u00e3o, por\u00e9m nunca mais as viu.<\/p>\n<p>Davi concedeu a Amasa, como havia prometido, o cargo de general de seu ex\u00e9rcito, antes comandado por Joabe, ordenando-lhe que fosse recrutar o maior n\u00famero poss\u00edvel de homens da tribo de Jud\u00e1 e os trouxesse dentro de tr\u00eas dias, para marchar imediatamente contra Seba. Passou-se o terceiro dia, e Amasa n\u00e3o voltou. Temendo que o partido de Seba se tornasse mais forte e o fizesse correr o mesmo risco que correra com Absal\u00e3o, Davi n\u00e3o quis esperar mais. Or\u00addenou a Joabe que tomasse todas as for\u00e7as que estavam com ele e a companhia de seiscentos homens e marchasse rapidamente contra Seba, para dar-lhe com\u00adbate onde ele estivesse e para que, se tivesse ocasi\u00e3o de se tornar senhor de alguma pra\u00e7a-forte, n\u00e3o lhe causasse dissabores.<\/p>\n<p>Joabe, acompanhado por Abisai, seu irm\u00e3o, partiu imediatamente, armado com coura\u00e7a, levando a companhia de seiscentos homens que sempre acompa\u00adnhava Davi e as outras tropas que estavam em Jerusal\u00e9m. Quando chegou \u00e0 aldeia de Gibe\u00e3o, distante quarenta est\u00e1dios de Jerusal\u00e9m, encontrou Amasa, que conduzia um grande n\u00famero de soldados. Aproximou-se dele e, deixando de prop\u00f3sito cair a espada fora da bainha, apanhou-a de volta. E assim, de espa\u00adda na m\u00e3o, como que por acaso, tomou Amasa pela barba, com o pretexto de abra\u00e7\u00e1-lo, e matou-o com um golpe que lhe atravessou o corpo.<\/p>\n<p>Por mais infame que tenha sido a a\u00e7\u00e3o de Joabe ao assassinar Abner, a \u00faltima foi ainda mais detest\u00e1vel, pois \u00e0quela podia-se acrescentar a grande dor pela morte de Asael, seu irm\u00e3o, ao passo que esta foi motivada unicamente pela inve\u00adja, porque o rei dera a Amasa o cargo de general, em demonstra\u00e7\u00e3o de afeto. Tal sentimento levou-o a matar com as pr\u00f3prias m\u00e3os, manchando-as no sangue de um homem de grande m\u00e9rito e de grandes esperan\u00e7as, que jamais lhe fizera mal algum e ainda era seu parente.<\/p>\n<p>Depois de cometer esse crime, Joabe marchou contra Seba, deixando junto do corpo um homem com o encargo de gritar em alta voz a todas as tropas conduzidas por Amasa que ele fora castigado como merecia e que, se quisessem demonstrar afeto ao rei, deviam seguir Joabe, general de seu ex\u00e9rcito, e Abisai, seu irm\u00e3o. O homem executou a ordem e, depois que todos viram com espanto aquele corpo, mandou cobri-lo com um manto e lev\u00e1-lo a um lugar afastado do caminho.<\/p>\n<p>Todas as tropas seguiram Joabe, o qual, depois perseguir Seba por muito tempo, soube ele se havia encerrado em Abel-Bete-Maaca, que \u00e9 uma pra\u00e7a-forte. Para l\u00e1 partiu, a fim de prend\u00ea-lo. Mas os habitantes dessa pra\u00e7a n\u00e3o o deixaram entrar. Isso o enfureceu de tal modo que ele sitiou a cidade com o prop\u00f3sito de n\u00e3o poupar nenhum deles e de destruir a cidade completamente.<\/p>\n<p>Uma mulher de grande intelig\u00eancia, vendo o extremo perigo que corriam devido \u00e0quela imprud\u00eancia, levada pelo amor \u00e0 p\u00e1tria, subiu \u00e0 muralha e gritou para a guarda mais pr\u00f3xima dos sitiantes que desejava falar com o general deles. Joabe veio, e ela disse-lhe: &#8220;Deus estabeleceu o rei sobre os povos para garanti-los contra os inimigos e faz\u00ea-los desfrutar a paz. Mas v\u00f3s, ao contr\u00e1rio, quereis empregar as armas do rei para destruir uma de suas principais cidades, embora jamais o tenhamos ofendido&#8221;.<\/p>\n<p>Joabe respondeu-lhe que, bem longe de ter essa inten\u00e7\u00e3o, lhe desejava toda sorte de felicidade. Queria somente que lhe entregassem o traidor Seba, que se revoltara contra o rei, e ent\u00e3o levantaria imediatamente o cerco. A mulher disse-lhe que tivesse um pouco de paci\u00eancia, e dar-lhe-iam satisfa\u00e7\u00e3o. Reuniu em se\u00adguida todos os habitantes e disse-lhes: &#8220;Estais ent\u00e3o resolvidos a perecer com vossas esposas e filhos por amor a um homem mau que nem mesmo conheceis, para proteg\u00ea-lo contra o rei, a quem sois devedores de tantos benef\u00edcios? Julgais que sois bastante fortes para resistir a um poderoso ex\u00e9rcito?&#8221;<\/p>\n<p>Essas palavras os persuadiram, e eles cortaram a cabe\u00e7a de Seba e a atiraram ao acampamento de Joabe, que no mesmo instante levantou o cerco e regressou a Jerusal\u00e9m. T\u00e3o grande feito obrigou Davi a confirm\u00e1-lo no cargo de general. Em seguida, o rei elevou Benaia a comandante de sua guarda e da companhia de seiscentos homens. Encarregou Ador\u00e3o de receber os impostos, deu o encargo dos registros a Josaf\u00e1 e a Seva e manteve Zadoque e Abiatar no sumo sacerd\u00f3cio.<\/p>\n<p>2 <em>Samuel 21. <\/em>Pouco tempo depois, o reino inteiro foi assolado por uma grande carestia. Davi recorreu a Deus e rogou-lhe que tivesse compaix\u00e3o de seu povo e que n\u00e3o somente revelasse a causa daquele mal, mas tamb\u00e9m o rem\u00e9dio. Os profetas responderam ao rei que a carestia iria continuar at\u00e9 que o gibeonitas fossem vingados da injusti\u00e7a de Saul, que matara v\u00e1rios deles, em preju\u00edzo da alian\u00e7a que Josu\u00e9 fizera com eles, havendo ele e o senado jurado solenemente. Assim, o \u00fanico meio de aplacar a c\u00f3lera de Deus e de fazer cessar a carestia era dar \u00e0quele povo a satisfa\u00e7\u00e3o que ele desejava.<\/p>\n<p>Davi, ap\u00f3s essa resposta, mandou logo chamar os principais dos gibeonitas e perguntou-lhes o que se poderia fazer para content\u00e1-los. Responderam-lhe que que\u00adriam sete pessoas da fam\u00edlia de Saul para enforc\u00e1-las. Davi concordou, excetuando, por\u00e9m, Mefibosete, ao qual desejou poupar por ser filho de J\u00f4natas. Assim, estando os gibeonitas plenamente satisfeitos, Deus fez cair sobre a terra chuvas brandas e ben\u00e9ficas, que lhe restitu\u00edram a primitiva beleza. Come\u00e7ou a ser de novo fecunda, e os israelitas voltaram tamb\u00e9m \u00e0 primeira condi\u00e7\u00e3o, de feliz abund\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Como Davi preferia o interesse da na\u00e7\u00e3o ao descanso, atacou os filisteus e os venceu num grande combate. O ardor com que os perseguia levou-o t\u00e3o al\u00e9m que ele se sentiu cansado e percebeu que as for\u00e7as lhe faltavam. Ent\u00e3o um filisteu da ra\u00e7a dos gigantes, de nome Isbi-Benobe, filho de Arafa, que estava coberto com uma jaqueta de malha e tinha, al\u00e9m da espada, um dardo que pesava trezentos sidos, vendo-o naquele estado, correu para ele, prostrou-o por terra e o teria ma\u00adtado se Abisai n\u00e3o tivesse vindo em seu socorro e matado o tem\u00edvel gigante.<\/p>\n<p>O ex\u00e9rcito inteiro ficou alarmado com o perigo que o rei havia corrido, e os chefes, n\u00e3o podendo tolerar que o excesso de coragem os pusesse em risco de perder o melhor pr\u00edncipe do mundo, cujo s\u00e1bio proceder fazia toda a sua felicidade, obrigaram-no a prometer com juramento que n\u00e3o tomaria mais parte nas batalhas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s esse combate, os filisteus reuniram-se na cidade de Gaza. Logo que Davi o soube, enviou contra eles um grande ex\u00e9rcito. Dentre os mais valentes dos seus, um cheneense de nome Sobaque sobressaiu-se muito nessa guerra e foi um dos principais motivos da vit\u00f3ria, porque matou v\u00e1rios daqueles que se vanglori\u00adavam de ser da ra\u00e7a dos gigantes, aos quais a extraordin\u00e1ria for\u00e7a tornava ousa\u00addos e soberbos.<\/p>\n<p>T\u00e3o grande perda n\u00e3o abateu a coragem dos filisteus, e eles recome\u00e7aram a guerra. Davi ent\u00e3o enviou contra eles Nef\u00e3, um de seus parentes, que conquis\u00adtou grande fama, pois combateu-os corpo a corpo e matou o mais forte e o mais valente dos filisteus, o que deixou os outros muito pasmados, e fugiram. Essa iornada custou a vida a v\u00e1rios desses poderosos inimigos.<\/p>\n<p>Algum tempo depois, puseram-se eles em campo novamente, e vieram para perto da fronteira dos israelitas, j\u00f4natas, filho de Sim\u00e9ia, sobrinho de Davi, ma\u00adtou um deles, um terr\u00edvel gigante que tinha seis c\u00f4vados de altura e seis dedos em cada p\u00e9 e em cada m\u00e3o. Se esse combate foi t\u00e3o glorioso ao bravo israelita, n\u00e3o foi menos vantajoso para a sua na\u00e7\u00e3o, porque desde aquele dia os filisteus n\u00e3o se atreveram mais a lhes fazer guerra.<\/p>\n<p><em>2 Samuel 22. <\/em>Davi, ap\u00f3s correr tantos perigos e vencer tantas batalhas, teve momentos de paz e tranq\u00fcilidade. Come\u00e7ou ent\u00e3o a compor v\u00e1rios c\u00e2nticos, hinos e salmos em louvor a Deus, em versos de diversas medidas, pois uns eram tr\u00edmetros e outros pent\u00e2metros. Ordenou que os levitas os cantassem nos s\u00e1ba\u00addos e nos outros dias de festa, com diversos instrumentos de m\u00fasica, que ele fabricara para essa ocasi\u00e3o, dentre os quais havia viol\u00f5es de dez cordas, que se tocavam com um arco, e salt\u00e9rios de doze tons, que se tocavam com os dedos, al\u00e9m de grandes timbales de bronze. E seja isso suficiente para que n\u00e3o se diga que esses instrumentos s\u00e3o inteiramente desconhecidos.<\/p>\n<p><em>2 Samuel 23. <\/em>O pr\u00edncipe tinha sempre junto de si homens de valor extra\u00adordin\u00e1rio, dos quais trinta e oito estavam entre os mais distintos. Contentar-me-ei em citar cinco deles, para que se saiba at\u00e9 que ponto ia a coragem her\u00f3ica que os tornava capazes de vencer na\u00e7\u00f5es inteiras.<\/p>\n<p>O primeiro era Josebe-Bassebete, filho de Taquemoni, que rompeu diversas vezes os batalh\u00f5es inimigos e matou oitocentos homens num s\u00f3 combate.<\/p>\n<p>O segundo era Eleazar, filho de Dod\u00f4, que ficou sozinho quando os israelitas, espantados pelo grande n\u00famero de filisteus, fugiram, na jornada de Azaram, onde ele estava com Davi, e deteve os inimigos, causando tal mortic\u00ednio que o sangue de que se molhara a sua espada colou-a em sua m\u00e3o. Isso deu tanta coragem aos seus que eles n\u00e3o somente fizeram meia-volta como tamb\u00e9m pene\u00adtraram os batalh\u00f5es que ele j\u00e1 havia desfeito, obtendo aquela memor\u00e1vel vit\u00f3ria na qual uma parte dos soldados teve de se ocupar em despojar os mortos que ca\u00edam sob os golpes fulminantes de Eleazar.<\/p>\n<p>O terceiro era Sama, filho de Ag\u00e9, o qual, vendo os hebreus recuarem assustados com a aproxima\u00e7\u00e3o dos filisteus, que se haviam preparado para a batalha num campo denominado Maxilar, enfrentou sozinho muitos inimigos e praticou atos de bravura t\u00e3o extraordin\u00e1rios que os desbaratou, p\u00f4-los em fuga e depois ainda os perseguiu.<\/p>\n<p>Eis aqui outro feito desses tr\u00eas her\u00f3is. Quando os filisteus voltaram com um grande ex\u00e9rcito e acamparam no vale que se estende at\u00e9 Bel\u00e9m e fica pr\u00f3ximo de Jerusal\u00e9m mais ou menos uns vinte est\u00e1dios, Davi, que ent\u00e3o estava na cidade, subiu \u00e0 fortaleza para perguntar a Deus qual seria o \u00eaxito daquela guerra e pronunciou tamb\u00e9m estas palavras: &#8220;Oh! Que boa \u00e1gua se bebe em meu pa\u00eds, principalmente a daquela cisterna que est\u00e1 perto da porta de Bel\u00e9m. Na verdade, se algu\u00e9m me pudesse trazer tal pre\u00adsente, ser-me-ia muito mais agrad\u00e1vel que uma grande soma de dinheiro&#8221;.<\/p>\n<p>Esses tr\u00eas valentes, ouvindo-o falar assim, partiram imediatamente, atravessa\u00adram todo o acampamento dos inimigos, foram a Bel\u00e9m, tiraram \u00e1gua daquela cisterna, voltaram pelo mesmo caminho e a apresentaram ao rei, sem que filisteu algum se opusesse \u00e0 sua passagem, quer pelo espanto com a ousadia deles, quer pelo pequeno n\u00famero, que n\u00e3o lhes podia causar temor nem apreens\u00f5es. Davi, por\u00e9m, contentou-se em receber a \u00e1gua de suas m\u00e3os. N\u00e3o a quis beber, dizendo: &#8220;A gravidade do perigo ao qual homens t\u00e3o valentes se expuseram para traz\u00ea-la torna-a demasiado cara&#8221;. Assim, ele a derramou como oferta na presen\u00e7a de Deus, dando-lhe gra\u00e7as por haver conservado aqueles que com ela o presentearam.<\/p>\n<p>O quarto desse bravos era Abisai, irm\u00e3o de Joabe, que num s\u00f3 combate ma\u00adtou trezentos inimigos.<\/p>\n<p>O quinto era Benaia, da casta sacerdotal. Atacado ao mesmo tempo por dois ir\u00adm\u00e3os que passavam pelos mais valentes dos moabitas, matou a ambos. Depois, sem armas, foi atacado por um eg\u00edpcio de estatura prodigiosa e bem armado. Matou-o com a pr\u00f3pria lan\u00e7a, que lhe arrancara das m\u00e3os. E, n\u00e3o tendo outra arma sen\u00e3o um cajado, matou um le\u00e3o numa cisterna em que ca\u00edra durante uma tempestade de neve.<\/p>\n<p><em>2 Samuel 24. <\/em>Esses foram os feitos desses cinco homens extraordin\u00e1rios. Os outros trinta e tr\u00eas n\u00e3o lhes ficavam atr\u00e1s, nem em for\u00e7a nem em coragem.<\/p>\n<p>Davi, querendo saber o n\u00famero de homens que podiam pegar em armas no seu reino e n\u00e3o se lembrando de que Mois\u00e9s ordenara que se pagasse a Deus meio sido por cabe\u00e7a todas as vezes que fosse feito um recenseamento, disse a Joabe que o realizasse. Este desculpou-se, dizendo que aquilo n\u00e3o era necess\u00e1rio. Mas Davi deu-lhe ordem de maneira taxativa.<\/p>\n<p>Assim, Joabe partiu e, depois de nove meses de trabalho mais vinte dias, foi procur\u00e1-lo em Jerusal\u00e9m, com os pr\u00edncipes das tribos e os escribas. Pela rela\u00e7\u00e3o que lhe apresentou, constataram que o n\u00famero dos que podiam pegar em armas totalizava oitocentos mil homens, sem estarem inclu\u00eddas a tribo de Jud\u00e1, que sozi\u00adnha podia fornecer quinhentos mil, e as de Benjamim e Levi, porque antes que se conclu\u00edsse o recenseamento o rei as havia mandado voltar, pois os profetas haviam feito conhecer ao rei o pecado que este cometera. O religioso pr\u00edncipe pediu perd\u00e3o a Deus, que ordenou, por meio de Gade, seu profeta, que ele escolhesse qual destes tr\u00eas castigos preferia: uma carestia geral de sete anos, uma guerra de tr\u00eas meses, na qual ele seria sempre vencido, ou uma peste de tr\u00eas dias.<\/p>\n<p>Davi ficou t\u00e3o perplexo ante tais propostas que nada soube dizer. N\u00e3o sabia, dentre esses males, qual escolher. O profeta insistia que ele resolvesse logo, a fim de levara resposta a Deus. Davi considerou que, se escolhesse a carestia, podiam pensar que ele preferira a pr\u00f3pria conserva\u00e7\u00e3o \u00e0 de seus s\u00faditos, pois, embora viesse a faltar p\u00e3o aos demais, o rei n\u00e3o seria privado dele. Se escolhesse a guerra, do mesmo modo n\u00e3o correria grande risco, tendo pra\u00e7as-fortes e muitos soldados para velar pela sua seguran\u00e7a. Mas se escolhesse a peste, daria provas de que n\u00e3o tinha em conta nenhum interesse particular, porque a doen\u00e7a \u00e9 igualmente perigosa, tanto para um rei quanto para o menor de seus s\u00faditos. Assim, ele deliberou pedi-la, ima\u00adginando que lhe seria mais vantajoso cair nas m\u00e3os de Deus que nas dos homens.<\/p>\n<p>N\u00e3o acabara o profeta de dar a Deus a resposta, e o terr\u00edvel flagelo devastou o reino, sem que se conhecesse algo para debelar t\u00e3o cruel enfermidade. Parecia em geral uma peste muito violenta, mas feria os homens de maneira diferente. Em alguns, n\u00e3o aparecia, mas morriam do mesmo modo que os outros e muito depressa. Outros expiravam em meio a dores atrozes e violent\u00edssimas. Alguns, n\u00e3o podendo tolerar o rem\u00e9dio, pereciam nas m\u00e3os dos m\u00e9dicos. Outros perdi\u00adam a vis\u00e3o num momento e logo depois ficavam sufocados. E havia quem mor\u00adresse ao sepultar os mortos, sendo enterrados com eles. T\u00e3o espantoso cont\u00e1gio matou numa \u00fanica manh\u00e3 setenta mil homens.<\/p>\n<p>O anjo exterminador enviado por Deus mantinha os bra\u00e7os erguidos para fazer Jerusal\u00e9m sentir os efeitos de sua c\u00f3lera. Davi, revestido de um saco e com a cabe\u00ad\u00e7a coberta de cinzas, prostrou-se por terra, pedindo a Deus que se contentasse com aquele grande n\u00famero de mortos e aplacasse a sua c\u00f3lera. Ent\u00e3o ele viu o anjo cruzar o espa\u00e7o com uma espada desembainhada na m\u00e3o e gritou com todas as suas for\u00e7as que somente ele, Davi, merecia ser castigado, pois era o \u00fanico culpa\u00addo, e n\u00e3o o seu povo. O povo era inocente. Rogou a Deus que lhe perdoasse e se contentasse em faz\u00ea-lo perecer com toda a sua fam\u00edlia. Deus, comovido por essa ora\u00e7\u00e3o, fez cessar a terr\u00edvel peste e mandou-lhe dizer pelo mesmo profeta que erguesse um altar na eira de Ara\u00fana e ali oferecesse um sacrif\u00edcio.<\/p>\n<p>Ara\u00fana era um jebuseu. Davi o havia poupado depois de tomar a cidade, tanta era a afei\u00e7\u00e3o que tinha por ele. Sem demora, o rei dirigiu-se \u00e0 casa dele e encontrou-o batendo trigo na eira. Ara\u00fana correu para o rei, prostrou-se diante dele e perguntou-lhe de onde vinha e a que devia a honra daquela visita. Davi respondeu que viera comprar a eira, para erguer ali um altar e oferecer a Deus um sacrif\u00edcio. Replicou Ara\u00fana: &#8220;A eira, a charrua e os bois est\u00e3o ao servi\u00e7o de vossa majestade. Cedo-os de todo o cora\u00e7\u00e3o e rogo a Deus que tenha esse sacrif\u00edcio como agrad\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n<p>O rei louvou a sua liberalidade e franqueza, manifestando todo o seu agradeci\u00admento, mas n\u00e3o quis aceitar a oferta, afirmando que n\u00e3o se devem oferecer a Deus v\u00edtimas recebidas como presentes. Assim, comprou tudo por cinq\u00fcenta sidos, er\u00adgueu um altar e ofereceu holocaustos e ofertas pac\u00edficas. Esse local \u00e9 o mesmo ao qual Abra\u00e3o levou Isaque para oferec\u00ea-lo a Deus em sacrif\u00edcio, aparecendo bem perto um carneiro quando ele erguia o bra\u00e7o para feri-lo, que foi imolado no lugar do filho. Davi, percebendo que Deus se inclinava a aceitar o sacrif\u00edcio, deu a esse altar o nome de Todo o Povo e escolheu-o para ali construir o Templo. Deus aceitou-o de t\u00e3o boa vontade que no mesmo instante mandou dizer pelo seu profeta que o filho e sucessor de Davi executaria o desejo deste.<\/p>\n<p>Depois dessas palavras, Davi mandou fazer o recenseamento dos estrangeiros que habitavam o seu reino. Constatou que eram uns cento e oitenta mil. Destes, empregou oitenta mil para cortar pedras e o resto para transport\u00e1-las, bem como aos outros materiais, exceto uns tr\u00eas mil e quinhentos, designados para vigiar e dirigir os trabalhos, juntou bastante ferro, cobre e uma enorme quantidade de madeira de cedro, fornecida pelos t\u00edrios e pelos sid\u00f4nios. Ele dizia aos amigos que fazia todos esses preparativos para poupar trabalho ao filho, que ainda era muito jovem, e facilitar-lhe a constru\u00e7\u00e3o do Templo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois da morte de Absal\u00e3o, o seu partido desapareceu completamen\u00adte. 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Joabe, por\u00e9m, respondeu-lhe que, tendo ele at\u00e9 ent\u00e3o levado a Davi apenas boas not\u00ed\u00adcias, n\u00e3o julgava bom que&#8230; <a href=\"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-10-davi-demonstrando-excessiva-dor-pela-morte-de-absalao-e-consolado-por-joabe-davi-perdoa-simei-e-da-a-mefibosete-a-metade-de-seus-bens-todas-as-tribos-voltam-a-obedecer-lhe-a-dejuda\/\">ler mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[27],"tags":[68,108,180,191,241,266,287,361,424,438,449,478,498,542,591,611,637,694,708,714,801,841,843,890,919,922,936,980,1002,1052,1095,1097,1105,1208,1306,1343,1457,1459,1476,1526,1592,1596,1642,1700,1739,1813,1849,1868,1878,1899,1911,1916,1933,1966,1971,2012,2050,2055,2175,2192,2206,2220,2243,2280,2320,2394,2437,2493,2644,2656,2720,2730,2749,2753,2754,2789,2829,2941,2945,2954,3049,3065,3074,3109,3126,3148,3193,3195],"class_list":["post-185","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livro-setimo","tag-absalao","tag-adiantase","tag-altar","tag-amasa","tag-aplacalo","tag-aptos","tag-armas","tag-atos","tag-bens","tag-bravos","tag-cabeca","tag-carestia","tag-castigalo","tag-cessa","tag-coisas","tag-combate","tag-compoe","tag-consolado","tag-construcao","tag-construira","tag-davi","tag-demonstrando","tag-demora","tag-desfruta","tag-determina","tag-deus","tag-devido","tag-diversas","tag-dor","tag-encontra","tag-envia","tag-enviada","tag-ergue","tag-excessiva","tag-feito","tag-filisteus","tag-gibeonitas","tag-gigante","tag-grande","tag-homens","tag-incitamento","tag-incriveis","tag-inveja","tag-joabe","tag-junto","tag-louvor","tag-manda","tag-maos","tag-marche","tag-matao","tag-maustratos","tag-mefibosete","tag-metade","tag-morrer","tag-morte","tag-necessarias","tag-obedecerlhe","tag-obras","tag-paz","tag-pegar","tag-perdoa","tag-persegue","tag-peste","tag-porabisai","tag-preferida","tag-prometelhe","tag-queamasa","tag-recenseamento","tag-reune","tag-revoltandose","tag-salomao","tag-salvo","tag-satisfaz","tag-saul","tag-seba","tag-sentem","tag-simei","tag-tem","tag-templo","tag-ter","tag-traicao","tag-traz","tag-tribos","tag-valor","tag-vencer","tag-vezes","tag-voltam","tag-voltar"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/185","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=185"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/185\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=185"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=185"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=185"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}