{"id":179,"date":"2015-04-02T23:11:03","date_gmt":"2015-04-02T23:11:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=179"},"modified":"2015-04-02T23:11:03","modified_gmt":"2015-04-02T23:11:03","slug":"capitulo-7-joabe-general-do-exercito-de-davi-derrota-os-quatro-reis-que-vieram-em-socorro-de-hanum-rei-dos-amonitas-davi-vence-em-pessoa-grande-batalha-sobre-o-rei-dos-sirios-enamora-se-de-bate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-7-joabe-general-do-exercito-de-davi-derrota-os-quatro-reis-que-vieram-em-socorro-de-hanum-rei-dos-amonitas-davi-vence-em-pessoa-grande-batalha-sobre-o-rei-dos-sirios-enamora-se-de-bate\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 7 &#8211; Joabe, general do ex\u00e9rcito de Davi, derrota os quatro reis que vieram em socorro de Hanum, rei dos amonitas. Davi vence em pessoa grande batalha sobre o rei dos s\u00edrios. Enamora-se de Bate- Seba, toma-a e \u00e9 causa da morte de Urias, seu marido. Desposa Bate-Seba. Deus, por meio do profeta Nata, repreende-o pelo seu pecado. Davi arrepende-se. Amom, filho mais velho de Davi, violenta Tamar, sua irm\u00e3, e Absal\u00e3o, irm\u00e3o de Tamar, mata-o."},"content":{"rendered":"<p>Os grandes preparativos dos amonitas e a uni\u00e3o de tantos reis n\u00e3o atemori\u00adzaram Davi, porque a guerra que empreenderia para ressarcir t\u00e3o grande ultraje n\u00e3o podia ser mais justa. Mandou contra eles as melhores tropas, sob o comando de Joabe, que sem perder tempo lhes foi sitiar a capital, de nome Rab\u00e1. Os inimigos sa\u00edram da cidade para combat\u00ea-lo e dividiram as suas for\u00e7as em duas partes.<\/p>\n<p>Os ex\u00e9rcitos auxiliares puseram o seu campo de batalha em uma plan\u00edcie, e as tropas dos amonitas colocaram-se perto das muralhas, em frente aos aliados. Joabe marchou com tropas escolhidas contra os reis que vieram em socorro de Hanum. Deu o comando do restante a Abisai, para atacar os amonitas, com ordem para este vir socorr\u00ea-lo se fosse acossado. Do mesmo modo Joabe o socorreria, caso n\u00e3o pudesse resistir aos amonitas. Exortou os soldados a combater valorosamente, de forma que n\u00e3o pudessem ser acusados de recuar. Os reis estrangeiros sustentaram com bastante energia os primeiros \u00edmpetos de Joabe, mas por fim, ap\u00f3s a perda de um grande n\u00famero de homens, fugiram. Os amonitas, vendo-os derrotados, n\u00e3o ousaram combater contra Abisai e voltaram para as suas cidades. Joabe ent\u00e3o re\u00adgressou vencedor para junto do rei em Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p>Embora a derrota tivesse feito conhecer aos amonitas a sua fraqueza, eles n\u00e3o se mostraram sensatos, recusando-se a estabelecer a paz. Mandaram embaixa\u00addores a Calama, rei dos s\u00edrios que moram al\u00e9m do Eufrates, para tomar tropas sob pagamento, e ele lhes enviou oitenta mil homens de infantaria e dez mil cavaleiros, comandados por Sobaque, seu lugar-tenente e general. Davi, perce\u00adbendo que os inimigos eram perigosos, n\u00e3o quis mais fazer guerra por meio de seus chefes, mas determinou ir em pessoa. Passou o Jord\u00e3o, marchou contra eles, deu-lhes combate e venceu-os, matando no campo de batalha quarenta mil ho\u00admens de infantaria e sete mil cavaleiros. Sobaque foi ferido e morreu.<\/p>\n<p>T\u00e3o gloriosa vit\u00f3ria abateu o orgulho dos mesopot\u00e2mios, e eles enviaram embaixadores com presentes a Davi para pedir-lhe a paz. Como se aproximava o inverno, Davi retornou a Jerusal\u00e9m, mas logo que veio a primavera mandou Joabe continuar a guerra contra os amonitas. Devastou-lhes todo o pa\u00eds e sitiou pela segunda vez a Rab\u00e1, sua capital.<\/p>\n<p>2 <em>Samuel <\/em>11. Esse rei t\u00e3o justo, t\u00e3o temente a Deus, t\u00e3o zeloso pela observ\u00e2ncia das leis de seus antepassados, caiu em grave pecado. Numa tarde, segundo o seu costume, ele passeava por uma galeria alta do pal\u00e1cio, quando viu numa casa vizinha uma mulher que se banhava. Chamava-se Bate-Seba e era t\u00e3o formosa que ele n\u00e3o p\u00f4de resistir \u00e0 paix\u00e3o que concebeu por ela. Mandou busc\u00e1-la e a reteve em sua companhia. Mas ela ficou gr\u00e1vida e pediu ao rei que a livrasse da morte, \u00e0 qual a lei de Deus condenava as mulheres ad\u00falteras.<\/p>\n<p>Davi, com esse fim, mandou Joabe chamar Urias, seu escudeiro e marido de Bate-Seba, e pediu-lhe not\u00edcias sobre o cerco. Ele respondeu que tudo ia muito bem. Ent\u00e3o enviou-lhe como jantar alguns pratos de sua mesa, mandando-o dormir em casa. Mas Urias, em vez de obedecer, passou a noite com os guardas. Davi soube-o e perguntou-lhe por que n\u00e3o tinha ido ver a esposa e passado aquele tempo com ela, depois de t\u00e3o longa aus\u00eancia, pois ningu\u00e9m agia assim ao regressar de uma viagem. Ele respondeu que o seu general e os seus compa\u00adnheiros estavam dormindo no campo, sobre a terra, e por isso ele n\u00e3o quis passar o seu per\u00edodo de descanso em casa com a esposa.<\/p>\n<p>Davi mandou-o ficar ainda aquele dia e s\u00f3 o despediu no dia seguinte. Pela tarde, f\u00ea-lo vir novamente para jantar, convidou-o a beber, a fim de que, estando mais alegre que de costume, desejasse ir dormir em sua casa. Mas ele passou tamb\u00e9m aquela noite \u00e0 porta do quarto do rei, com os guardas. Davi, encoleriza-do por nada conseguir, escreveu a Joabe, para que este o expusesse ao perigo mais iminente, como castigo por uma ofensa que teria cometido, e que os solda\u00addos o abandonassem a fim de que, sozinho, n\u00e3o pudesse escapar. Ele entregou a carta fechada e lacrada com o seu sinete nas m\u00e3os de Urias.<\/p>\n<p>Joabe recebeu-a e, para obedecer ao rei, imediatamente ordenou que Urias e alguns dos mais valentes de suas tropas atacassem um lugar que ele sabia ser dos mais perigosos, assegurando-lhe que o seguiria com todo o ex\u00e9rcito se conseguisse abrir uma passagem na muralha, para atacar tamb\u00e9m por aquela brecha. Exortou-o a corresponder pela coragem \u00e0 estima que o rei lhe dedicava e \u00e0 fama que j\u00e1 havia conquistado. Urias aceitou o encargo com alegria, embo\u00adra fosse uma empresa muito arriscada. Joabe, em segredo, ordenou aos com\u00adpanheiros de Urias que o abandonassem e se retirassem quando vissem o ini\u00admigo cair sobre ele.<\/p>\n<p>Os amonitas, vendo-se assim atacados e temendo o \u00eaxito dos israelitas, assal\u00adtaram-nos com os mais valentes dentre os seus. Os que acompanhavam Urias ent\u00e3o fugiram, menos alguns que n\u00e3o sabiam da ordem. Urias deu-lhes o exem\u00adplo de preferir a morte \u00e0 fuga, ficou firme e susteve o \u00edmpeto dos inimigos, matando v\u00e1rios deles. E, depois de fazer tudo o que se poderia esperar de um militar t\u00e3o valoroso, morreu gloriosamente, rodeado por todos os lados e criva\u00addo de golpes, assim como os poucos que lhe imitaram a coragem e virtude. Joabe mandou imediatamente dizer ao rei que, estando enfadado pela demasia\u00adda dura\u00e7\u00e3o do cerco, julgara que devia fazer um \u00faltimo esfor\u00e7o, mas n\u00e3o lograra \u00eaxito, pois os inimigos lhe resistiram com tanta energia que ele fora repelido, sob muitas pedras. Instruiu aquele que enviara a dizer ao rei, caso este se mostrasse irado com o mau desfecho, que Urias fora um dos mortos no ataque.<\/p>\n<p>O que fora previsto aconteceu, pois Davi disse com ardor que Joabe havia cometido uma grande falta em ordenar aquele ataque sem antes empregar as m\u00e1quinas para abrir as brechas; que o general deveria lembrar-se de Abimeleque, filho de Gide\u00e3o, que embora muito valente terminara a vida de maneira vergo\u00adnhosa, morto por uma mulher, por querer temerariamente tomar \u00e0 for\u00e7a a torre de Tebas; e que isso n\u00e3o era saber tirar vantagem do exemplo de outros gene\u00adrais, caindo nas mesmas faltas que eles, em vez de imit\u00e1-los nos feitos de valor em que haviam demonstrado sensatez e intelig\u00eancia.<\/p>\n<p>Depois que o enviado de )oabe ouviu Davi falar desse modo, disse-lhe, entre outras coisas, que Urias fora morto no combate. Logo a c\u00f3lera do rei se acalmou, e ele mudou de linguagem. Ordenou ao mensageiro que dissesse a joabe para n\u00e3o se admirar do mau resultado da empresa, pois \u00e9 coisa comum nas guerras, mas que o atribu\u00edsse \u00e0 sorte das armas, nem sempre favor\u00e1vel, e aproveitasse aquela desgra\u00e7a para continuar o cerco com mais firmeza, construindo outros fortes e levando as m\u00e1quinas para poder tornar-se senhor do lugar. E, depois de t\u00ea-lo tomado, queria que o destru\u00edsse e exterminasse todos os seus habitantes.<\/p>\n<p>Bate-Seba chorou a morte do marido durante alguns dias, e, quando terminou o tempo do luto, Davi desposou-a. Ela teve em seguida um filho.<\/p>\n<p><em>2 Samuel 12. <\/em>Deus olhou com c\u00f3lera para esse ato de Davi e ordenou a Nata, num sonho, que o repreendesse severamente de sua parte. Como o profeta era muito sensato e sabia que os reis, na viol\u00eancia de suas paix\u00f5es, consideram pouco a justi\u00e7a, julgou que, para melhor conhecer as disposi\u00e7\u00f5es do soberano, devia come\u00e7ar por falar-lhe docemente antes de chegar \u00e0s amea\u00e7as que Deus havia ordenado.<\/p>\n<p>Assim, falou deste modo ao rei: &#8220;Havia numa cidade dois homens, um dos quais era muito rico e possu\u00eda muitas cabe\u00e7as de gado. O outro, ao contr\u00e1rio, era t\u00e3o pobre que todos os seus bens consistiam somente numa ovelha, que ele ama\u00adva temamente e nutria com todo o carinho, como se fosse uma filha, com o pouco de p\u00e3o que possu\u00eda. Ent\u00e3o um amigo do homem rico chegou para visit\u00e1-lo, mas este n\u00e3o quis tocar no seu gado para lhe dar de comer e mandou tirar \u00e0 for\u00e7a a ovelha do homem pobre. Matou-a e assim hospedou o amigo \u00e0 custa do outro&#8221;. Davi, diante de tamanha injusti\u00e7a, disse que aquele homem era mau e devia ser nhrinario a restituir o au\u00e1druplo ao pobre e depois ser condenado \u00e0 morte.<\/p>\n<p>O profeta respondeu-lhe: &#8220;V\u00f3s mesmo vos condenastes e pronunciastes o decreto do castigo que merece t\u00e3o grande crime como o que cometestes&#8221;. Fez-lhe ver como havia atra\u00eddo sobre si a c\u00f3lera de Deus, em troca do favor extraor\u00addin\u00e1rio que Ele lhe fizera, constituindo-o rei sobre todo o seu povo. Deus fizera-o tamb\u00e9m vitorioso sobre muitas na\u00e7\u00f5es, estendera at\u00e9 bem longe o seu dom\u00ed\u00adnio e o preservara de todos os esfor\u00e7os de Saul em elimin\u00e1-lo. E era horr\u00edvel que ele, tendo v\u00e1rias esposas leg\u00edtimas, houvesse desprezado os mandamentos de Deus e chegado a uma viol\u00eancia t\u00e3o cruel e \u00edmpia, como tomar a mulher de outro e fazer morrer-lhe o marido, entregando-os aos inimigos.<\/p>\n<p>Deus, por\u00e9m, exerceria deste modo a sua vingan\u00e7a sobre ele: permitiria que um dos pr\u00f3prios filhos de Davi abusasse de suas mulheres \u00e0 vista de todos e tomasse armas contra ele, para puni-lo publicamente pelo crime que cometera em segredo. A isso acrescentou que ele teria o desprazer de ver morrer o filho que havia sido o fruto infeliz de seu adult\u00e9rio. Davi, espantado com essas amea\u00ad\u00e7as, desfez-se em pranto, com o cora\u00e7\u00e3o atravessado pela dor. Ele reconheceu e confessou a enormidade de seu pecado, pois era um homem justo e, exceto esse pecado, jamais havia cometido outro.<\/p>\n<p>Deus, comovido com o seu grande arrependimento, prometeu conservar-lhe a vida e o reino e esquecer o seu pecado. E, segundo dissera o profeta, enviou uma grave enfermidade ao filho que tivera de Bate-Seba. O extremo amor que Davi nutria pela m\u00e3e da crian\u00e7a o fez sofrer t\u00e3o vivamente essa afli\u00e7\u00e3o que ele passou sete dias inteiros sem comer. De luto, vestiu-se de saco e ficou deitado por terra, pedindo ardentemente a Deus que lhe conservasse o filho. Mas Deus n\u00e3o ouviu a ora\u00e7\u00e3o, e o menino morreu no s\u00e9timo dia.<\/p>\n<p>Nenhum dos seus ousava dar-lhe a not\u00edcia, temendo que, estando j\u00e1 t\u00e3o afli\u00adto, se obstinasse ainda mais em n\u00e3o tomar alimento e continuasse a descuidar do corpo. Imaginavam que, se a enfermidade da crian\u00e7a lhe causava tanta dor, a morte dela o afligiria ainda mais. Davi, por\u00e9m, percebeu na ang\u00fastia manifesta\u00adda em todos os rostos o que eles se esfor\u00e7avam por esconder e n\u00e3o teve dificul\u00addade em imaginar que o menino havia morrido. Indagou deles, e lhe contaram. Ent\u00e3o ele logo levantou-se e pediu que lhe trouxessem de comer.<\/p>\n<p>Os parentes e servidores do rei, admirados de t\u00e3o repentina mudan\u00e7a, pergun\u00adtaram-lhe a raz\u00e3o, e ele respondeu: &#8220;N\u00e3o compreendeis que enquanto o menino vivia a esperan\u00e7a de obter de Deus a sua conserva\u00e7\u00e3o fazia-me empregar todos os meus esfor\u00e7os para procurar comov\u00ea-lo? Mas agora que morreu, a minha afli\u00e7\u00e3o e o meu pranto seriam in\u00fateis&#8221;. Essa resposta t\u00e3o s\u00e1bia os fez louvar a sua prud\u00eancia, e Bate-Seba deu-lhe um segundo filho, que teve o nome de Salom\u00e3o.<\/p>\n<p>joabe continuava apertando o cerco a Rab\u00e1. Rompeu os aquedutos que levavam \u00e1gua \u00e0 cidade e impediu que recebesse v\u00edveres. Assim os seus habitantes viram-se oprimidos ao mesmo tempo pela falta de \u00e1gua e pela fome, porque tinham apenas um po\u00e7o, e n\u00e3o era suficiente. Joabe pediu en\u00adt\u00e3o ao rei que viesse ao seu ex\u00e9rcito, a fim de ter ele mesmo a honra de tomar e examinar a cidade. Davi louvou-lhe a fidelidade e o afeto e foi at\u00e9 onde estava o cerco, levando ainda outras tropas. Tomou-a ent\u00e3o \u00e0 for\u00e7a e entre\u00adgou-a ao saque dos soldados.<\/p>\n<p>Os despojos foram grandes, e Davi contentou-se em tomar para si a coroa de ouro do rei dos amonitas, que pesava um talento e era enriquecida com grande quantidade de pedras preciosas, no meio das quais brilhava uma sard\u00f4nica de grande valor. Ele usou muitas vezes essa coroa. Fez morrer todos os habitantes, de diversas maneiras, sem poupar um sequer e n\u00e3o tratou mais humanamente as outras cidades do mesmo pa\u00eds que depois conquistou pela for\u00e7a.<\/p>\n<p><em>2 Samuel 13. <\/em>Depois de t\u00e3o gloriosa conquista, voltando a Jerusal\u00e9m, sentiu estranha afli\u00e7\u00e3o, e a causa foi esta:<\/p>\n<p>A princesa sua filha, de nome Tamar, sobrepujava em beleza todas as mo\u00e7as e mulheres de seu tempo. Amnom, seu filho mais velho, apaixonou-se t\u00e3o perdi-damente por ela que, n\u00e3o podendo satisfazer a sua paix\u00e3o, porque ela era cuida\u00addosamente vigiada, ficou em tal estado que se tornou irreconhec\u00edvel. Jonadabe, seu primo e amigo particular, julgou que aquela enfermidade s\u00f3 podia vir de uma causa semelhante e rogou-lhe que dissesse qual era. Amnom revelou o amor que sentia pela irm\u00e3, e Jonadabe, que era um homem inteligente, deu-lhe um conselho, o qual ele p\u00f4s em pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Fingiu estar muito doente e se p\u00f4s de cama. Quando o rei seu pai foi visit\u00e1-lo, pediu-lhe que enviasse a irm\u00e3. Ela veio, e ele pediu que ela lhe fizesse alguns bolos, dizendo que se fossem feitos pela m\u00e3o dela os comeria com mais prazer. Ela os fez imediatamente e os levou at\u00e9 ele. Amnom rogou-lhe ent\u00e3o que os levasse ao quarto dela, porque queria dormir, e ordenou que sa\u00edssem todos. Em seguida, ele levantou-se e foi at\u00e9 o quarto onde estava Tamar \u2014 sozinha. Mani\u00adfestou-lhe a sua paix\u00e3o e quis domin\u00e1-la \u00e0 for\u00e7a. Ela gritou e disse tudo o que podia para dissuadi-lo de cometer uma a\u00e7\u00e3o criminosa e ao mesmo tempo t\u00e3o vergonhosa para a fam\u00edlia real.<\/p>\n<p>Vendo que as suas raz\u00f5es n\u00e3o o demoviam, rogou-lhe que, se n\u00e3o podia vencer a sua paix\u00e3o, a pedisse em casamento ao rei, seu pai. Mas Amnom estava fora de si, levado pelo furor da paix\u00e3o, e n\u00e3o a quis ouvir. E violou-a, por mais resist\u00eancia que ela fizesse. E, por mais estranho que pare\u00e7a, no mesmo instante, por uma mudan\u00e7a de que jamais se ouviu falar, passou logo ap\u00f3s esse ardente afeto que nutria por ela ao \u00f3dio mais violento, proferindo inj\u00farias e expulsando-a de sua presen\u00e7a.<\/p>\n<p>Ela queria esperar a noite, a fim de evitar a vergonha de aparecer aos olhos de todos em pleno dia depois de haver recebido o maior de todos os ultrajes. Mas Amnom recusou permiti-lo e ainda a fez castigar. Cheia de dor e de amargura, a princesa rasgou o seu v\u00e9u, que lhe descia at\u00e9 o ch\u00e3o e que s\u00f3 as filhas dos reis podiam usar, colocou cinzas na cabe\u00e7a e assim atravessou toda a cidade, publicando com gritos misturados a solu\u00e7os e l\u00e1grimas a horr\u00edvel viol\u00eancia que lhe haviam feito.<\/p>\n<p>Absal\u00e3o, de quem ela era irm\u00e3 por parte de m\u00e3e e de pai, encontrando-a naquele estado, soube do motivo de seu desespero. Fez o que p\u00f4de para consol\u00e1-la, e ela ficou muito tempo com ele, sem se casar. Davi ficou muito triste diante dessa <em>a\u00e7\u00e3o <\/em>t\u00e3o detest\u00e1vel, mas como tinha afeto especial por Amnom, porque era o mais velho de seus filhos, n\u00e3o quis castig\u00e1-lo como ele merecia. Absal\u00e3o dissimulou o ressentimento e conservou-o no cora\u00e7\u00e3o at\u00e9 que p\u00f4de satisfaz\u00ea-lo, por meio de uma vingan\u00e7a proporcional \u00e0 magnitude da ofensa.<\/p>\n<p>Passaram-se dois anos desse modo. Mas, devendo Absal\u00e3o ir a Baal-Hazor, na tribo de Efraim, para fazer a tosquia de suas ovelhas, convidou o rei seu pai e todos os seus irm\u00e3os para um banquete que desejava oferecer. Davi desculpou-se, por\u00adque n\u00e3o queria que ele fizesse t\u00e3o grandes despesas, e Absal\u00e3o rogou-lhe que pelo menos enviasse todos os irm\u00e3os. Ele concordou, e todos se apresentaram. Quando Amnom come\u00e7ou a ficar alegre por causa de excesso de vinho, Absal\u00e3o o matou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os grandes preparativos dos amonitas e a uni\u00e3o de tantos reis n\u00e3o atemori\u00adzaram Davi, porque a guerra que empreenderia para ressarcir t\u00e3o grande ultraje n\u00e3o podia ser mais justa. Mandou contra eles as melhores tropas, sob o comando de Joabe, que sem perder tempo lhes foi sitiar a capital, de nome Rab\u00e1. 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