{"id":17,"date":"2015-04-02T18:41:01","date_gmt":"2015-04-02T18:41:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=17"},"modified":"2015-04-02T18:41:01","modified_gmt":"2015-04-02T18:41:01","slug":"capitulo-3-da-posteridade-de-adao-ate-o-diluvio-do-qual-deus-preservou-noe-por-meio-da-arca-prometendo-lhe-nao-mais-castigar-os-homens-com-diluvio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-3-da-posteridade-de-adao-ate-o-diluvio-do-qual-deus-preservou-noe-por-meio-da-arca-prometendo-lhe-nao-mais-castigar-os-homens-com-diluvio\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 3 &#8211; Da posteridade de Ad\u00e3o at\u00e9 o dil\u00favio, do qual Deus preservou No\u00e9 por meio da arca, prometendo-lhe n\u00e3o mais castigar os homens com dil\u00favio."},"content":{"rendered":"<p><em>G\u00eanesis 5. <\/em>Sete gera\u00e7\u00f5es continuaram a viver no exerc\u00edcio da virtude e no culto do verdadeiro Deus, ao qual reconheciam por \u00fanico Senhor do universo.<\/p>\n<p>Mas as que vieram em seguida n\u00e3o imitaram os costumes dos pais. N\u00e3o presta\u00advam mais a Deus a honra que lhe era devida nem exerciam mais a justi\u00e7a para com os homens, mas se entregavam com mais ardor ainda a toda sorte de cri\u00admes, enquanto os seus antepassados se haviam dedicado \u00e0 pr\u00e1tica de toda esp\u00e9\u00adcie de virtudes. Assim, atra\u00edram sobre si a c\u00f3lera de Deus, e os grandes* da terra, que se haviam casado com as filhas dos descendentes de Caim, produziram uma ra\u00e7a indolente que, pela confian\u00e7a que depositavam na pr\u00f3pria for\u00e7a, se vanglo\u00adriava de calcar aos p\u00e9s a justi\u00e7a e imitava os gigantes de que falam os gregos.<\/p>\n<p>_____________________<\/p>\n<p>* Nessa \u00e9poca, havia duas ra\u00e7as distintas: a descend\u00eancia de Sete e a de Caim. Os expositores modernos, em sua maioria, concordam que os &#8220;filhos de Deus&#8221;, citados em G\u00eanesis 6.2, constitu\u00edam a descend\u00eancia de Sete, e os &#8220;filhos dos homens&#8221;, a descend\u00ean\u00adcia de Caim. (N do E)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No\u00e9, entristecido pela dor de v\u00ea-los imersos nos crimes, exortava-os a mu\u00addar de vida. Mas quando viu que em vez de seguir os seus conselhos eles se torna\u00advam cada vez piores, o temor de que o fizessem morrer com toda a sua fam\u00edlia levou-o a deixar a sua p\u00e1tria. Deus, que o amava por causa de sua probidade, ficou t\u00e3o irritado pela mal\u00edcia e corrup\u00e7\u00e3o do resto dos homens que resolveu n\u00e3o so\u00admente castig\u00e1-los, mas extermin\u00e1-los completamente e repovoar a terra com ho\u00admens que vivessem na pureza e na inoc\u00eancia. Assim, abreviou-lhes o tempo da vida, reduzindo-o a cento e vinte anos, inundou a terra de modo a parecer que ela havia sido tomada pelo mar e f\u00ea-los todos perecer nas \u00e1guas, com exce\u00e7\u00e3o de No\u00e9. A este, para salv\u00e1-lo, ordenou que constru\u00edsse uma arca de quatro andares, com trezentos c\u00f4vados de comprimento, cinq\u00fcenta de largura e trinta de altura; que l\u00e1 se encerrasse com a esposa, os tr\u00eas filhos e as tr\u00eas esposas deles; e que levasse todo o necess\u00e1rio para o seu alimento e tamb\u00e9m para os animais de todas as esp\u00e9cies, os quais ele deveria levar consigo, para conservar-lhes a ra\u00e7a. Isto \u00e9, um casal de cada esp\u00e9cie, macho e f\u00eamea, e sete casais de algumas. O teto e os lados da arca eram t\u00e3o fortes que ela resistiu \u00e0 viol\u00eancia das \u00e1guas e dos ventos e salvou No\u00e9 e sua fam\u00edlia da inunda\u00e7\u00e3o geral que fez morrer todos os outros ho\u00admens. Ele era o d\u00e9cimo descendente de Ad\u00e3o, de masculino em masculino, pois era filho de Lameque, que era filho de Metusal\u00e9m. Metusal\u00e9m era filho de Jarede. Jarede era filho de Maalalel, que tinha v\u00e1rios irm\u00e3os. Maalalel era filho de Cain\u00e3. Cain\u00e3 era filho de Enos. Enos era filho de Sete, e Sete era filho de Ad\u00e3o.<\/p>\n<p>No\u00e9 tinha seiscentos anos quando veio o dil\u00favio. Foi no segundo m\u00eas, que os maced\u00f4nios chamam dius, e os hebreus, maresv\u00e3, pois os eg\u00edpcios assim dividiram o ano. Quanto a Mois\u00e9s, ele deu, nos seus fastos, o primeiro lugar ao m\u00eas chamado nis\u00e3, que \u00e9 o x\u00e2ntico maced\u00f4nio, porque foi nesse m\u00eas que ele retirou os hebreus da terra do Egito e por essa raz\u00e3o come\u00e7ou por esse mesmo m\u00eas a registrar o que se refere ao culto a Deus. No que se refere \u00e0s coisas civis, no entanto, como as feiras e mercados determinados pelo com\u00e9rcio e empreendimentos semelhantes, n\u00e3o hou\u00adve mudan\u00e7a alguma. Mois\u00e9s registra que a chuva causadora do dil\u00favio geral come\u00ad\u00e7ou a cair no dia 27 do segundo m\u00eas do ano 2256 depois da cria\u00e7\u00e3o de Ad\u00e3o. A Sagrada Escritura faz o c\u00e1lculo disso e anota com cuidado muito particular o nasci\u00admento e a morte dos grandes personagens daquele tempo.* Ad\u00e3o viveu novecentos e trinta anos e tinha duzentos e trinta** quando nasceu o seu filho Sete. Sete viveu novecentos e doze anos e tinha duzentos e cinco quando nasceu o seu filho Enos. Enos viveu novecentos e cinco anos e tinha cento e noventa quando nasceu o seu filho Cain\u00e3. Cain\u00e3 viveu novecentos e dez anos e tinha cento e setenta quando nasceu o seu filho Maalalel. Maalalel viveu oitocentos e noventa e cinco anos e tinha cento e sessenta e cinco quando nasceu o seu filho Jarede. Jarede viveu novecentos e sessenta e dois anos e tinha cento e sessenta e dois quando nasceu o seu filho Enoque. Enoque viveu trezentos e sessenta e cinco anos e tinha cento e sessenta e cinco quando nasceu o seu filho Metusalem. Na idade de trezentos e sessenta e cinco anos, foi tirado do mundo, e ningu\u00e9m escreveu sobre a sua morte.<\/p>\n<p>Metusalem viveu novecentos e sessenta e nove anos e tinha cento e oitenta e sete quando nasceu o seu filho Lameque. Lameque viveu setecentos e setenta e sete anos e tinha cento e oitenta e dois quando nasceu o seu filho No\u00e9. No\u00e9 viveu novecentos e cinq\u00fcenta anos, os quais, acrescentados aos seiscentos que j\u00e1 contava na ocasi\u00e3o do dil\u00favio, perfazem o n\u00famero anteriormente assinalado de dois mil duzentos e cinq\u00fcenta e seis anos. Foi mais conveniente para esse c\u00e1lculo citar, como fiz, a \u00e9poca do nascimento desses primeiros homens, e n\u00e3o a de sua morte, porque a vida deles era t\u00e3o longa que se estendia at\u00e9 a poste\u00adridade mais remota.<\/p>\n<p>____________________<\/p>\n<p>* Este trecho est\u00e1 inteiramente corrompido no texto grego e foi corrigido pelo que dizem os manuscritos.<\/p>\n<p>** Algumas idades neste trecho diferem do relato b\u00edblico porque seguem a crono\u00adlogia da Septuaginta \u2014 o texto da B\u00edblia \u00e9 baseado na cronologia hebraica. (N do E)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>G\u00eanesis 7e8. <\/em>Deus, ent\u00e3o, deu o sinal e livre curso \u00e0s \u00e1guas, a fim de inunda\u00adrem a terra, e elas elevaram-se, por uma chuva cont\u00ednua de quarenta dias, at\u00e9 quinze c\u00f4vados acima das mais altas montanhas e n\u00e3o deixaram nenhum lugar para onde o povo pudesse fugir e salvar-se. Depois que a chuva cessou, passaram-se cento e cinq\u00fcenta dias antes que as \u00e1guas se retirassem, e somente no vig\u00e9simo s\u00e9timo dia do s\u00e9timo m\u00eas a arca se deteve sobre o v\u00e9rtice de uma montanha da Arm\u00eania. No\u00e9 ent\u00e3o, abriu uma janela e, vendo um pouco de terra ao redor da arca, come\u00e7ou a se consolar e a conceber melhores esperan\u00e7as. Alguns dias depois, ele fez sair um corvo para saber se havia ainda outros lugares de onde as \u00e1guas se tivessem retirado com\u00adpletamente e se ele podia sair sem perigo. O corvo, por\u00e9m, achando a terra ainda toda inundada, voltou \u00e0 arca. Sete dias depois, No\u00e9 fez sair uma pomba, e ela voltou com os p\u00e9s enlameados, trazendo no bico um ramo de oliveira. Assim, ele soube que o dil\u00favio havia cessado. Ap\u00f3s haver esperado outros sete dias, fez sair todos os ani\u00admais que estavam na arca. E ele tamb\u00e9m saiu, com a mulher e os filhos, ofereceu um sacrif\u00edcio a Deus em a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as e deu um banquete \u00e0 fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Os arm\u00eanios chamaram a esse lugar Descida ou Sa\u00edda, e os seus habitantes apontam ainda hoje alguns restos da arca. Todos os historiadores, mesmo os b\u00e1r\u00adbaros, falam do dil\u00favio e da arca, dentre outros Berose, caldeu. Eis as suas palavras: &#8220;Diz-se que ainda hoje se v\u00eaem restos da arca sobre a montanha dos Cordiens, na Arm\u00eania, e alguns levam desse lugar peda\u00e7os de betume, com o qual ela estava recoberta, e dele se servem como impermeabilizante&#8221;. jer\u00f4nimo, eg\u00edpcio que es\u00adcreveu sobre as antig\u00fcidades dos fen\u00edcios, Mnazeas e v\u00e1rios outros disso falam tamb\u00e9m. Nicolau de Damasco, no nonag\u00e9simo sexto livro de sua hist\u00f3ria, menci\u00adona-o nestes termos: &#8220;H\u00e1 na Arm\u00eania, na prov\u00edncia de Miniade, uma alta monta\u00adnha chamada Baris, sobre a qual, diz-se, muitos se salvaram durante o dil\u00favio, e que uma arca cujos restos se conservaram por v\u00e1rios anos, e na qual um homem se havia encerrado, deteve-se no cume dessa montanha. H\u00e1 probabilidade de que esse homem \u00e9 aquele de que fala Mois\u00e9s, o legislador dos judeus&#8221;.<\/p>\n<p><em>G\u00eanesis 8 e 9. <\/em>Com medo de que Deus inundasse a terra todos os anos, a fim de exterminar a ra\u00e7a dos homens, No\u00e9 ofereceu-lhe v\u00edtimas, rogando que nada mudasse na ordem estabelecida anteriormente e que Ele n\u00e3o usasse de tal rigor, fazendo perecer todas as criaturas vivas, mas se contentasse por ter casti\u00adgado os maus, como os seus crimes mereciam, e por ter poupado os inocentes, aos quais Ele quisera salvar a vida. Pois, de outro modo, eles seriam ainda mais infelizes do que os que haviam sido sepultados nas \u00e1guas, tendo visto com tremor t\u00e3o estranha desola\u00e7\u00e3o e tendo dela sido preservados apenas para perecer mais tarde, de maneira semelhante. Assim, rogava que Deus aceitasse o seu sa\u00adcrif\u00edcio e n\u00e3o mais olhasse para a terra com c\u00f3lera, de jnodo que ele e seus descendentes pudessem cultiv\u00e1-la sem medo, construir cidades, desfrutar de to\u00addos os bens que possu\u00edam antes do dil\u00favio e passar uma vida t\u00e3o longa quanto feliz, como a de seus antepassados.<\/p>\n<p>Como No\u00e9 era homem justo, Deus atendeu \u00e0 sua ora\u00e7\u00e3o e concedeu-lhe o que pedia, dizendo-lhe que n\u00e3o fora o patriarca a causa dos que se haviam perdido no dil\u00favio; que eles s\u00f3 podiam acusar a si mesmos pelo castigo rece\u00adbido; que, se tivesse querido perd\u00ea-los, n\u00e3o os teria feito nascer, sendo mais f\u00e1cil n\u00e3o dar a vida do que a tirar ap\u00f3s t\u00ea-la concedido; que eles deviam, portanto, atribuir os castigos aos seus pr\u00f3prios crimes; que, em considera\u00e7\u00e3o \u00e0 sua ora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o lhes seria mais t\u00e3o severo no futuro; e que, quando viessem tempestades e furac\u00f5es extraordin\u00e1rios, nem ele nem seus descendentes de\u00adveriam pensar num outro dil\u00favio, pois Ele n\u00e3o mais permitiria que as \u00e1guas inundassem a terra. Contudo proibia a ele e aos seus manchar as m\u00e3os no sangue, e ordenava-lhes que castigassem severamente os homicidas, e os fa\u00adzia senhores absolutos dos animais, para dispor deles como quisessem, exceto de seu sangue, do qual n\u00e3o podiam usar como do resto, porque no sangue est\u00e1 a vida. &#8220;E meu arco&#8221;, acrescentou, &#8220;que vereis no c\u00e9u, ser\u00e1 o sinal e a garantia da promessa que vos fa\u00e7o&#8221;. Isso disse Deus a No\u00e9. E ao arco que apareceu no c\u00e9u, chamaram arco de Deus.<\/p>\n<p>No\u00e9 viveu trezentos e cinq\u00fcenta anos depois do dil\u00favio, na m\u00e1xima prospe\u00adridade, e morreu com novecentos e cinq\u00fcenta anos de idade. Por maior que seja a diferen\u00e7a entre a pouca dura\u00e7\u00e3o da vida dos homens de hoje e a longa dura\u00e7\u00e3o da dos de que acabo de falar, o que narro n\u00e3o deve passar por inveross\u00edmil. \u00c9 que, al\u00e9m de os nossos antepassados serem muito queridos de Deus, e como obra que Ele havia feito com as pr\u00f3prias m\u00e3os, os alimentos de que se nutriam eram mais apropri\u00adados para conservar a vida. E Deus a prolongava, tanto por causa de sua virtude como para lhes dar meios de aperfei\u00e7oar as ci\u00eancias da geometria e da astronomia, que eles haviam inventado \u2014 o que eles n\u00e3o teriam podido fazer se tivessem vivido menos de seiscentos anos, pois \u00e9 somente ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o de seis s\u00e9culos que se completa o grande ano. Todos os que escreveram a hist\u00f3ria, tanto da Gr\u00e9cia como de outras na\u00e7\u00f5es, d\u00e3o testemunho do que digo. M\u00e2neto, que escreveu a hist\u00f3ria dos eg\u00edpcios, Berose, que nos deixou a dos caldeus. Moco, Hestieu e Jer\u00f4nimo, que escreveram a dosfen\u00edcios, dizem tamb\u00e9m a mesma coisa. Hes\u00edodo, Hecateu, Ascausila, Hel\u00e2nico, \u00c9foro e Nicolau, referem que esses primeiros homens viviam at\u00e9 mil anos. Deixo aos que lerem isto que fa\u00e7am o ju\u00edzo que quiserem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>G\u00eanesis 5. Sete gera\u00e7\u00f5es continuaram a viver no exerc\u00edcio da virtude e no culto do verdadeiro Deus, ao qual reconheciam por \u00fanico Senhor do universo. Mas as que vieram em seguida n\u00e3o imitaram os costumes dos pais. 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