{"id":165,"date":"2015-04-02T23:03:36","date_gmt":"2015-04-02T23:03:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=165"},"modified":"2015-04-02T23:03:36","modified_gmt":"2015-04-02T23:03:36","slug":"capitulo-15-saul-vendo-se-abandonado-por-deus-na-guerra-contra-os-filisteus-consulta-por-meio-de-uma-medium-a-sombra-de-samuel-que-lhe-prediz-derrota-na-batalha-e-a-morte-dele-e-de-seus-filhos-a","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-15-saul-vendo-se-abandonado-por-deus-na-guerra-contra-os-filisteus-consulta-por-meio-de-uma-medium-a-sombra-de-samuel-que-lhe-prediz-derrota-na-batalha-e-a-morte-dele-e-de-seus-filhos-a\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 15 &#8211; Saul, vendo-se abandonado por Deus na guerra contra os filisteus, consulta por meio de uma m\u00e9dium a sombra de Samuel, que lhe prediz derrota na batalha e a morte dele e de seus filhos. Aquis, um dos reis dos filisteus, leva com ele Davi para o combate, mas os outros pr\u00edncipes o obrigam a reenvi\u00e1-lo a Ziclague. Davi descobre que os amalequitas saquearam e incendiaram Ziclague, persegue-os e os dizima. Saul perde a batalha. J\u00f4natas e dois outros de seus filhos s\u00e3o mortos, e ele fica muito ferido. Obriga um escudeiro a mat\u00e1-lo. Bela a\u00e7\u00e3o dos habitantes de jabes de Gileade para com os corpos desses pr\u00edncipes."},"content":{"rendered":"<p>Saul, informado de que os filisteus tinham avan\u00e7ado at\u00e9 Sun\u00e9m, mar\u00adchou contra eles e acampou em frente ao ex\u00e9rcito inimigo, pr\u00f3ximo do monte de Gilboa. Percebendo, por\u00e9m, que eles eram incomparavelmente mais fortes, sentiu a coragem diminuir e rogou aos profetas que consultassem a Deus para saber qual seria o resultado daquela guerra. Deus n\u00e3o lhe respondeu, e esse sil\u00eancio duplicou-lhe o temor, pois se julgou abandonado por Ele. O seu \u00e2nimo abateu-se e ele resolveu, nessa dificuldade, recorrer \u00e0 magia. No entanto Saul havia expulsado do pa\u00eds todos os magos e adivinhos e toda esp\u00e9cie de gente que costuma predizer o futuro, e assim, n\u00e3o sabendo onde busc\u00e1-los, mandou indagar de onde se poderia encontrar algu\u00e9m dentre os que fazem voltar as almas dos mortos, para interrog\u00e1-las e saber coisas futuras.<\/p>\n<p>Um dos seus disse-lhe que uma mulher na cidade de En-Dor poderia satis\u00adfazer esses desejos. Imediatamente e sem falar com quem quer que fosse, disfar\u00e7ado e acompanhado por duas pessoas somente, foi procurar a mulher, rogando-lhe que predissesse o que estava para lhe acontecer e que para esse fim fizesse voltar a alma de um morto que ele ia nomear. Ela respondeu que n\u00e3o podia faz\u00ea-lo porque o rei proibira, por um edito, que se fizesse essa esp\u00e9cie de predi\u00e7\u00e3o e rogou que, jamais tendo ela lhe feito mal, n\u00e3o lhe armasse cilada para faz\u00ea-la cair numa falta que custaria a ela a pr\u00f3pria vida. Saul jurou-lhe que, acontecesse o que acontecesse, ele n\u00e3o o faria e que ela n\u00e3o corria risco algum. Esse juramento tranq\u00fcilizou-a, e ele pediu que fizesse vir a alma de Samuel.<\/p>\n<p>Como ela n\u00e3o sabia quem era Samuel, obedeceu sem dificuldade. Quando, por\u00e9m, a sua presen\u00e7a se fez notar, algo de divino que ela percebeu surpreen\u00addeu-a e a perturbou. Voltou-se ent\u00e3o para Saul e disse-lhe: &#8220;N\u00e3o sois v\u00f3s o rei Saul?&#8221; (Ela o soubera pela vis\u00e3o.) Ele respondeu-lhe que sim, e ordenou-lhe que revelasse a causa da grande perturba\u00e7\u00e3o que notava nela. Ela respondeu que via aproximar-se um homem que parecia todo divino. Saul perguntou: &#8220;Que idade tem ele e como est\u00e1 vestido?&#8221; Ela respondeu: &#8220;Ele parece um velho muito vener\u00e1vel e est\u00e1 revestido de uma veste sacerdotal&#8221;. Ent\u00e3o Saul n\u00e3o du\u00advidou de que era mesmo Samuel* e prostrou-se diante dele at\u00e9 o ch\u00e3o.<\/p>\n<p>A sombra perguntou-lhe por que o havia obrigado a voltar do outro mundo. Respondeu Saul: &#8220;A necessidade me obrigou a isso, porque, tendo sido atacado por um ex\u00e9rcito muito poderoso, me encontro abandonado, sem o aux\u00edlio de Deus, que nem pelos seus profetas nem por outro modo me informa sobre o que est\u00e1 para acontecer. Assim, s\u00f3 me resta recorrer a v\u00f3s, que sempre me testemunhastes tanto afeto&#8221;. Samuel, sabedor de que o tempo da morte de Saul havia chegado, disse-lhe: &#8220;Sei que de fato Deus vos abandonou e em v\u00e3o desejais que Ele diga o que vos deve suceder. Mas, visto que o quereis, sabei que Davi reinar\u00e1 e terminar\u00e1 venturosamen-te esta guerra e que, pelo castigo de n\u00e3o terdes executado as ordens que vos dei da parte de Deus, depois de terdes vencido os amalequitas, o vosso ex\u00e9rcito amanh\u00e3 ser\u00e1 desbaratado e perdereis a coroa, a vida e os vossos filhos nessa batalha&#8221;.<\/p>\n<p>Essas palavras gelaram o cora\u00e7\u00e3o de Saul, e ele desmaiou, tanto pela dor excessiva quanto porque havia dois dias n\u00e3o se alimentava. A mulher rogou-lhe que tomasse algum alimento, para restaurar as for\u00e7as e poder voltar ao ex\u00e9rcito. Ele recusou-o, mas ela insistiu, dizendo que n\u00e3o Ih\u00e7 pedia outra recompensa por ter arriscado a vida para fazer o que ele desejava. Por fim, n\u00e3o podendo mais resistir \u00e0quelas s\u00faplicas insistentes, Saul disse-lhe que comeria alguma coisa. Logo ela matou um vitelo, que era tudo o que possu\u00eda, preparou-o e o serviu a ele e aos seus. Saul voltou naquela mesma noite para o seu ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o poderia deixar de admirar a bondade dessa mulher, que, jamais ten\u00addo visto o rei, em vez de se ressentir por ele a ter reduzido a t\u00e3o grande pobre\u00adza, proibindo-a de exercer a arte que era o seu meio de vida, teve tanta com\u00adpaix\u00e3o de sua infelicidade que n\u00e3o se contentou em consol\u00e1-lo. Sabendo que ele morreria no dia seguinte, deu-lhe tudo o que possu\u00eda, sem pretender re\u00adcompensa alguma e sem dele nada esperar. Nisso ela \u00e9 tanto mais louv\u00e1vel quanto os homens s\u00e3o naturalmente levados a fazer o bem somente \u00e0queles dos quais podem tamb\u00e9m receb\u00ea-lo. E assim, ela nos d\u00e1 um belo exemplo de como ajudar sem interesse os que t\u00eam necessidade de nosso aux\u00edlio, pois \u00e9 uma generosidade t\u00e3o agrad\u00e1vel a Deus que nada pode lev\u00e1-lo a nos tratar mais favoravelmente.<\/p>\n<p>Julgo oportuno acrescentar outra reflex\u00e3o, que poder\u00e1 ser \u00fatil a todos, particularmente aos reis, aos pr\u00edncipes, aos grandes, aos magistrados, \u00e0s ou\u00adtras pessoas constitu\u00eddas em dignidade e a todos os que, sob qualquer condi\u00ad\u00e7\u00e3o, t\u00eam a alma grande e nobre, a fim de inflam\u00e1-los de tal modo \u00e0 virtude que n\u00e3o haja penas nem tributa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o aceitem ou perigos que n\u00e3o desprezem, at\u00e9 mesmo a morte, para conquistar uma reputa\u00e7\u00e3o imortal, che\u00adgando a dar a pr\u00f3pria vida pelo bem da p\u00e1tria. Vimos o que fez Saul, pois, ainda que Samuel o tivesse avisado de que seria morto com os filhos na bata\u00adlha, preferiu perder a vida a praticar um ato indigno de um rei, como, para conserv\u00e1-la, abandonar o ex\u00e9rcito, o que seria o mesmo que entreg\u00e1-lo nas m\u00e3os dos inimigos.<\/p>\n<p>Assim, Saul n\u00e3o hesitou em expor-se com os filhos a uma morte certa, julgan\u00addo que seria melhor e muito mais satisfat\u00f3rio terminar com estes gloriosamente os seus dias, em pleno combate pela salva\u00e7\u00e3o da p\u00e1tria, e merecendo assim viver perenemente na mem\u00f3ria da posteridade do que sobreviver \u00e0 pr\u00f3pria infelicida\u00adde e, al\u00e9m de n\u00e3o ter mais uma posi\u00e7\u00e3o, ser pouco considerado pela opini\u00e3o p\u00fablica. N\u00e3o poderia, pois, deixar de considerar esse soberano, nesse ponto, como muito justo, sensato e generoso. E, se algum outro fez ou fizer a mesma coisa, n\u00e3o haver\u00e1 elogios de que n\u00e3o seja digno. Pois, ainda que quem fa\u00e7a guerra na esperan\u00e7a de obter a vit\u00f3ria mere\u00e7a que os historiadores elogiem os seus feitos grandiosos, parece-me que somente devem ser considerados provectos na coragem os que, a exemplo de Saul, preferem a honra \u00e0 pr\u00f3pria vida, despre\u00adzando perigos certos e inevit\u00e1veis.<\/p>\n<p>Nada \u00e9 mais comum que empreender aquilo cujo desfecho \u00e9 duvidoso e dis\u00adso auferir grandes vantagens, se houver sorte favor\u00e1vel. Mas nada poder prome\u00adter sen\u00e3o coisas funestas, estar certo de que perder\u00e1 a vida no combate e afron\u00adtar intrepidamente a morte \u00e9 o que se pode chamar o c\u00famulo da generosidade e da coragem. Foi isso o que admiravelmente fez Saul. Ele deu exemplo a todos os que desejam eternizar a mem\u00f3ria pela gl\u00f3ria das a\u00e7\u00f5es, mas principalmente aos reis, aos quais a nobreza dessa condi\u00e7\u00e3o n\u00e3o somente pro\u00edbe abandonar o cuida\u00addo dos s\u00faditos como os torna dignos de censura se nutrirem por eles apenas uma med\u00edocre afei\u00e7\u00e3o. Poderia eu falar ainda muito mais em louvor de Saul, mas, para n\u00e3o ser demasiado longo, necessito retomar o fio de meu discurso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>__________________<\/p>\n<p>* &#8220;Ent\u00e3o Saul n\u00e3o duvidou de que era mesmo Samuel&#8221;. E poss\u00edvel que Fl\u00e1vio Josefo, para fazer tal asser\u00e7\u00e3o, se tenha baseado em targuns (par\u00e1frases do Antigo Testamento usadas pelos rabinos). No entanto esse entendimento n\u00e3o pode ser aceito porque con\u00adtraria o ensino da B\u00edblia a respeito do assunto. (N do E)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1 <em>Samuel 29. <\/em>Os reis e os pr\u00edncipes dos filisteus, como vimos, reuniram todas as suas for\u00e7as. Aquis, rei de Gate, chegou por \u00faltimo com os seus, acompa\u00adnhado por Davi e os seiscentos homens de sua na\u00e7\u00e3o. Os outros pr\u00edncipes pergun\u00adtaram a Aquis quem havia trazido aqueles israelitas. Ele respondeu que fora Davi, o qual, para evitar a c\u00f3lera de Saul, estabelecera-se em suas terras e, como testemu\u00adnho de sua gratid\u00e3o por ser recebido em seu territ\u00f3rio e ao mesmo tempo para vingar-se de Saul, oferecera-se para servi-lo naquela guerra. Os pr\u00edncipes n\u00e3o con\u00adcordaram que ele confiasse num homem cuja fidelidade era suspeita e que, para se reconciliar com Saul, poderia naquela ocasi\u00e3o voltar as armas contra eles e fazer-Ihes ainda mais mal do que j\u00e1 fizera no passado, pois era o mesmo Davi de quem as filhas dos hebreus cantavam nas suas can\u00e7\u00f5es que havia matado um grande n\u00famero de filisteus. E assim, aconselharam-no a mand\u00e1-lo de volta.<\/p>\n<p>Aquis consentiu e aceitou as raz\u00f5es deles. Mandou chamar Davi e disse-lhe: &#8220;O conhecimento que tenho do vosso valor e de vossa fidelidade tinha-me feito desejar empregar-vos nesta guerra. Mas os outros pr\u00edncipes e comandantes do ex\u00e9rcito n\u00e3o o aprovam. Embora eu n\u00e3o desconfie de v\u00f3s \u00e8 vos tenha sempre a mesma afei\u00e7\u00e3o, desejo que volteis para o lugar que vos concedi, a fim de vos opordes \u00e0s incurs\u00f5es que os inimigos possam fazer por aquele lado. E nisso me prestareis n\u00e3o menor servi\u00e7o do que se combat\u00easseis aqui conosco&#8221;.<\/p>\n<p>1 <em>Samuel 30. <\/em>Davi obedeceu e constatou, na sua volta, que os amalequitas, aproveitando-se da aus\u00eancia do rei Aquis e de todas as suas for\u00e7as, haviam toma\u00addo Ziclague e a incendiado, al\u00e9m de levar todas as mulheres e crian\u00e7as com os despojos e de fazer o mesmo aos pa\u00edses dos arredores. Essa grande desgra\u00e7a, t\u00e3o inesperada, feriu t\u00e3o vivamente Davi que ele rasgou as pr\u00f3prias vestes e entre\u00adgou-se ao desespero e \u00e0 dor. Os soldados, por sua vez, ficaram t\u00e3o exaltados por terem perdido as suas coisas, mulheres e filhos que, atribuindo a ele a causa de sua infelicidade, estiveram prestes a apedrej\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Quando voltaram a si, ele elevou o esp\u00edrito a Deus e rogou a Abiatar, sumo sacerdote, que se revestisse do \u00e9fode e perguntasse a Deus se, perseguindo os amalequitas, poderia ainda alcan\u00e7\u00e1-los e se o ajudaria a vingar-se e a recuperar as mulheres e as crian\u00e7as que eles haviam levado. Abiatar fez o que ele desejava e ordenou-lhe, da parte de Deus, que os perseguisse. Davi n\u00e3o perdeu tempo e, quando chegou \u00e0 torrente de Besor, encontrou um eg\u00edpcio, que de t\u00e3o fraco quase n\u00e3o resistia mais, pois havia tr\u00eas dias n\u00e3o se alimentava. Davi deu-lhe co\u00admida e, quando o homem recobrou as for\u00e7as, perguntou-lhe quem era. Ele res\u00adpondeu-lhe que era eg\u00edpcio e que o seu senhor o havia abandonado porque, estando doente, n\u00e3o podia prosseguir na retirada dos amalequitas, depois de haverem saqueado e incendiado Ziclague.<\/p>\n<p>Davi pediu ao homem que o guiasse e assim conseguiu alcan\u00e7ar os inimigos. Como os amalequitas n\u00e3o desconfiavam de nada e estavam ainda possu\u00eddos pela alegria da presa conquistada, Davi encontrou-os embriagados e festivos. Muitos j\u00e1 estavam dei\u00adtados, dormindo profundamente. Outros haviam bebido tanto que estavam sonolen-tos. Outros ainda traziam o copo na m\u00e3o. Assim, n\u00e3o estavam em condi\u00e7\u00f5es de se defender, e os que conseguiram pegar em armas foram logo atacados pelos israelitas, os quais mataram um n\u00famero t\u00e3o grande deles que apenas uns quatrocentos homens se puderam salvar, pois a matan\u00e7a durou desde a tarde at\u00e9 a noite.<\/p>\n<p>Depois de um \u00eaxito t\u00e3o feliz, que permitiu a Davi e aos seus recuperar n\u00e3o somente as suas mulheres e filhos, mas todos os despojos que os amalequitas haviam levado, eles voltaram ao lugar em que haviam deixado duzentos dos seus a guardar a bagagem. Os quatrocentos que haviam acompanhado Davi at\u00e9 o fim da expedi\u00e7\u00e3o recusaram dar-lhes a sua parte nos despojos. Queriam que eles se contentassem em recuperar as mulheres e os filhos, alegando que a falta de cora\u00adgem os fizera ficar para tr\u00e1s. Davi condenou-lhes a injusti\u00e7a e declarou que fora Deus quem os fizera obter a vit\u00f3ria e que aqueles homens deviam ter parte igual \u00e0 deles, pois n\u00e3o haviam tomado parte no combate porque receberam ordem para ficar e cuidar da bagagem. Esse ju\u00edzo, t\u00e3o eq\u00fcitativo, passou a ser nosso costume por uma lei que sempre foi observada. Ap\u00f3s o regresso a Ziclague, Davi mandou aos parentes e amigos na tribo de jud\u00e1 uma parte dos despojos dos amalequitas.<\/p>\n<p>1 <em>Samuel 31. <\/em>Travou-se, nesse \u00ednterim, a batalha entre os filisteus e os israelitas, e foi encarni\u00e7ada de parte a parte. No entanto a vantagem pendeu finalmente para os filisteus, e Saul e seus filhos, que estavam empenhados no combate, n\u00e3o tendo mais esperan\u00e7a de obter a vit\u00f3ria, s\u00f3 pensavam em morrer gloriosamente. Praticaram atos de bravura t\u00e3o extraordin\u00e1rios que atra\u00edam sobre si todas as for\u00e7as dos inimigos. E, depois de matarem um grande n\u00famero deles, acabaram perecendo esmagados pela multid\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00f4natas e seus dois irm\u00e3os, Abinadabe e Malquisua, ca\u00edram ali mesmo, e a morte deles fez os israelitas perderem totalmente o \u00e2nimo. Fugiram logo depois, e os filisteus promoveram grande matan\u00e7a. Saul retirou-se, em boa ordem, com o que p\u00f4de salvar. Os inimigos, por\u00e9m, mandaram um grande n\u00famero de ar-queiros e besteiros em sua persegui\u00e7\u00e3o, que mataram quase todos a golpes de dardos e de flechas. O pr\u00f3prio Saul, depois de ter feito o poss\u00edvel, ficou t\u00e3o crivado de golpes que, desejando morrer, n\u00e3o lhe restavam mais for\u00e7as para se matar. Ent\u00e3o ordenou ao seu escudeiro que lhe atravessasse o corpo com a espa\u00adda, para impedir que ca\u00edsse vivo em poder dos inimigos. Vendo que o outro n\u00e3o se resolvia, colocou a ponta da espada sobre o est\u00f4mago e lan\u00e7ou-se sobre ela. Quando o escudeiro viu morto o seu senhor, matou-se tamb\u00e9m. E todos os sol\u00addados de sua guarda foram mortos perto do monte de Cilboa.<\/p>\n<p>Os israelitas que habitavam o vale al\u00e9m do Jord\u00e3o, ao saber da derrota e da morte de Saul e de seus filhos, retiraram-se para lugares fortificados, abandonan\u00addo as cidades que possu\u00edam na plan\u00edcie, das quais os filisteus se apoderaram.<\/p>\n<p>No dia seguinte, depois desse grande combate, os vencedores, despo\u00adjando os mortos, reconheceram o corpo de Saul e os de seus filhos. Cortaram a cabe\u00e7a de Saul, e depois de terem anunciado a morte dele por todo o pa\u00eds e consagrado as almas no Templo de Astarote, seu falso deus, penduraram os cor\u00adpos em forcas, perto da cidade de Bete-Se\u00e3, que hoje se chama Scit\u00f3polis.<\/p>\n<p>Os habitantes de jabes-Gileade demonstraram nessa ocasi\u00e3o a grandeza de sua coragem. Indignados por ver que n\u00e3o somente haviam privado t\u00e3o grandes pr\u00edn\u00adcipes da honra da sepultura como ainda os tratavam ignominiosamente, os mais corajosos dentre eles foram de noite apoderar-se dos corpos, \u00e0 vista dos inimigos, e os levaram sem que estes se atrevessem a protestar. Toda a cidade prestou-lhes homenagem, organizando um honroso sepultamento. Passaram dias de lamenta\u00e7\u00f5es em luto p\u00fablico, com as suas mulheres e crian\u00e7as, num jejum t\u00e3o rigoroso que durante todo esse tempo n\u00e3o beberam nem comeram, de t\u00e3o senti\u00addos e penetrados de dor que estavam pela perda de seu rei e de seus pr\u00edncipes.<\/p>\n<p>Eis como o rei Saul, segundo a profecia de Samuel, terminou a sua vida, tanto por haver desobedecido \u00e0s ordens de Deus com rela\u00e7\u00e3o aos amalequitas quanto por ter feito morrer, com toda a casa sacerdotai, o sumo sacerdote Aimeleque e reduzido a cinzas a cidade a eles destinada por Deus como moradia. Reinou dezoito anos durante a vida desse profeta e vinte e dois anos ap\u00f3s a morte dele.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Saul, informado de que os filisteus tinham avan\u00e7ado at\u00e9 Sun\u00e9m, mar\u00adchou contra eles e acampou em frente ao ex\u00e9rcito inimigo, pr\u00f3ximo do monte de Gilboa. Percebendo, por\u00e9m, que eles eram incomparavelmente mais fortes, sentiu a coragem diminuir e rogou aos profetas que consultassem a Deus para saber qual seria o resultado daquela guerra. 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