{"id":1240,"date":"2015-04-06T01:59:31","date_gmt":"2015-04-06T01:59:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=1240"},"modified":"2015-04-06T01:59:31","modified_gmt":"2015-04-06T01:59:31","slug":"capitulo-12-filon-e-seus-colegas-sabem-que-caio-tinha-ordenado-a-petronio-governador-da-siria-de-mandar-colocar-sua-estatua-no-templo-de-jerusalem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-12-filon-e-seus-colegas-sabem-que-caio-tinha-ordenado-a-petronio-governador-da-siria-de-mandar-colocar-sua-estatua-no-templo-de-jerusalem\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 12 &#8211; F\u00edlon e seus colegas sabem que Caio tinha ordenado a Petr\u00f4nio, governador da S\u00edria, de mandar colocar sua est\u00e1tua no Templo de Jerusal\u00e9m."},"content":{"rendered":"<p>Estando eu ocupado com estes pensamentos que n\u00e3o me davam descanso, nem de dia nem de noite, sobreveio uma outra desgra\u00e7a que n\u00e3o ter\u00edamos podido prever e que n\u00e3o importava somente na ru\u00edna de uma parte de judeus, mas que de toda a na\u00e7\u00e3o, acabou por me deixar aniquilado. N\u00f3s t\u00ednhamos seguido o impera\u00addor a Puteolo, onde viera divertir-se \u00e0 beira-mar; ele passava o tempo em casas de recreio muito suntuosas e que a\u00ed existiam em grande n\u00famero, em nada pensava, menos ainda em tomar conhecimento dos nossos interesses, que nos haviam obri\u00adgado a segui-lo e nem que esper\u00e1vamos a todo momento o seu ju\u00edzo. Um homem ent\u00e3o chegou com o rosto perturbado, olhos esbugalhados, mal podendo respirar. Chamou alguns \u00e0 parte e disse: &#8220;N\u00e3o soubestes da terr\u00edvel not\u00edcia?&#8221; Ele queria continuar, mas os solu\u00e7os embargaram-lhe a voz e por mais que quisesse falar, n\u00e3o p\u00f4de faz\u00ea-lo. Pode-se julgar do nosso espanto e de nossa surpresa. Rogamos-lhe que nos revelasse a causa da sua afli\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o havia motivo para que ele tivesse vindo apenas para chorar diante de n\u00f3s e se o assunto merecia tantas l\u00e1grimas, era bem justo que, estando t\u00e3o acostumados a sofrer, como est\u00e1vamos, mistur\u00e1sse\u00admos as nossas com as suas. Ele ent\u00e3o fez um novo esfor\u00e7o e disse entre suspiros que lhe entrecortavam as palavras: &#8220;Est\u00e1 decretada a ru\u00edna do nosso Templo. O imperador ordenou que se colocasse a sua est\u00e1tua no santu\u00e1rio e que se escrevesse na coluna o nome de J\u00fapiter&#8221;. T\u00e3o espantosa not\u00edcia deixou-nos quase petrifica\u00addos, pois nos foi a mesma quase imediatamente confirmada, por outros. Retiramo-nos e nos encerramos em nossos aposentos para chorarmos a ru\u00edna particular e geral de nossa na\u00e7\u00e3o; como a dor \u00e9 eloq\u00fcente que n\u00e3o nos fez ela dizer?<\/p>\n<p>Assim, depois de nos termos exposto ao mais rigoroso inverno e aos perigos de t\u00e3o dif\u00edcil navega\u00e7\u00e3o, para procurar algum al\u00edvio aos nossos sofrimentos, encontramos em terra uma tempestade muito mais cruel do que a do mesmo mar, porque estas s\u00e3o naturais, e por conseguinte suport\u00e1veis, ao passo que aquela era causada por um homem que de homem s\u00f3 tinha a apar\u00eancia, por um jovem monarca que s\u00f3 desejava perturba\u00e7\u00e3o e agita\u00e7\u00e3o, e que vendo seus desejos obstados por todas as for\u00e7as do imp\u00e9rio, deixava-se levar sem impedimento algum a uma tirania desenfreada, o que era um mal tanto maior quanto n\u00e3o havia rem\u00e9dio! Quem teria a coragem de lhe dizer que ele n\u00e3o devia violar a santidade do mais augusto dos Templos? Poder-se-ia, sem perder a vida, opor-se por demonstra\u00e7\u00f5es \u00e0 torrente de t\u00e3o grande impiedade? Mor\u00adramos, ent\u00e3o, diz\u00edamos, pois que nada nos pode ser mais glorioso do que dar a vida pela defesa de nossas santas leis. Mas nossa morte n\u00e3o poder\u00e1 produzir nenhum efeito bom e sendo embaixadores como somos, n\u00e3o seria isso aumentar ainda a afli\u00e7\u00e3o dos que nos mandaram e dar motivo \u00e0s pessoas de nossa na\u00e7\u00e3o, que nos apreciam, de dizer que para nos livrarmos dos males presentes, em tais perigos, faltamos \u00e0 rep\u00fabli\u00adca, embora os menores interesses devam ceder aos maiores e os particulares, aos p\u00fablicos, porque, na perturba\u00e7\u00e3o de um Estado, todas as leis que lhe tinham conserva\u00addo a grandeza e a exist\u00eancia perecem com ele? N\u00e3o poderiam tamb\u00e9m imputar-nos como crime abandonarmos os direitos dos judeus de Alexandria e deixarmos um as\u00adsunto, no qual se trata da ru\u00edna de toda na\u00e7\u00e3o, pelo motivo que d\u00e1, de temer que um pr\u00edncipe t\u00e3o violento e t\u00e3o cruel n\u00e3o a queira destruir completamente? E se algu\u00e9m disser que se se tomar um destes dois partidos, n\u00e3o se poderia da\u00ed tirar alguma vanta\u00adgem, podemos pensar em nos retirarmos em seguran\u00e7a: eu respondo que, para fazer tal proposta, \u00e9 preciso ou n\u00e3o ter \u00e2nimo ou ignorar nossas divinas leis. Os que s\u00e3o verdadeiramente generosos jamais perdem a esperan\u00e7a e nossos livros santos nos ensinam a conserv\u00e1-la sempre. Deus quer talvez servir-se dessa oportunidade para provar a nossa virtude e ver se estamos dispostos a suportar com paci\u00eancia as nossas amarguras. Assim, em vez de procurar nossa salva\u00e7\u00e3o no aux\u00edlio incerto dos homens, ponhamos toda nossa confian\u00e7a em Deus, com firme certeza de que Ele nos ajudar\u00e1 como outrora nos ajudou e a nossos antepassados, em tantos perigos que pareciam fatais. Foi assim que n\u00f3s procuramos nos consolar em um t\u00e3o grande mal, t\u00e3o impre\u00advisto, e nos ilud\u00edamos com a esperan\u00e7a de tempos mais felizes.<\/p>\n<p>Depois de ter ficado em sil\u00eancio um instante, dissemos \u00e0quele que nos tinha trazido a not\u00edcia: &#8220;Por que vos contentais de, por uma palavra ter lan\u00e7ado a perturba\u00e7\u00e3o em nosso esp\u00edrito, como uma fagulha que causa um grande inc\u00ean\u00addio e n\u00e3o nos dizeis o que levou o imperador a tomar t\u00e3o estranha resolu\u00e7\u00e3o?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Ningu\u00e9m desconhece,&#8221; respondeu-nos, &#8220;que ele quer ser adorado como Deus; como est\u00e1 persuadido de que os judeus s\u00e3o os \u00fanicos que se recusam a reconhec\u00ea-lo como tal, julga n\u00e3o poder castig\u00e1-los e afligi-los mais do que desonrando a majestade do seu Templo e profanando-lhe a santidade, que ele sabe ser o mais belo do mundo e rico de in\u00fameros presentes, que lhe foram feitos no decorrer de tantos s\u00e9culos, al\u00e9m de que sendo empreendedor e ousado como \u00e9, quer ainda dele se apoderar. Capitom, encarregado da arrecada\u00e7\u00e3o dos tributos da jud\u00e9ia, o irritou ainda mais contra n\u00f3s por cartas que lhe escreveu. Como ele n\u00e3o tinha bens at\u00e9 ent\u00e3o, quando foi enviado a essa prov\u00edncia, ele se enriqueceu pelas arrecada\u00ad\u00e7\u00f5es que fez, e quis prevenir por meio de cal\u00fanias as justas queixas que temia que os judeus fizessem dele, e serviu-se da oportunidade de que vou falar.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e2mnia \u00e9 uma das cidades da jud\u00e9ia das mais povoadas e todos os seus habitan\u00adtes s\u00e3o judeus, com exce\u00e7\u00e3o de alguns estrangeiros que a\u00ed vieram, para nossa des\u00adgra\u00e7a, morar, das prov\u00edncias vizinhas. Sua avers\u00e3o por nossos costumes e leis \u00e9 t\u00e3o grande que procuram fazer-nos todo o mal poss\u00edvel e, tendo sabido que Caio arde na louca paix\u00e3o de ser honrado como um deus e que ele concebeu para esse fim um \u00f3dio mortal contra n\u00f3s, eles julgaram n\u00e3o poder encontrar um tempo mais prop\u00edcio para nos perder. Assim, elevaram-lhe um altar de tijolo, com esse \u00fanico fim, porque eles sabem que jamais permitimos que se violem desse modo as leis de nossos pais; sua mal\u00edcia produziu o efeito desejado. Os judeus destru\u00edram esse altar e imediata\u00admente aqueles rebeldes foram queixar-se a Capitom, o autor da cilada, que tinham armado aos seus concidad\u00e3os para lhes causar a ru\u00edna. Aquele malvado, contente por ter conseguido o seu intento, n\u00e3o deixou de escrever a Caio e de exagerar naquela a\u00e7\u00e3o, acrescentando muito \u00e0 verdade, a fim de irritar ainda mais o impera\u00addor. O pr\u00edncipe presun\u00e7oso e violento apenas recebeu essa comunica\u00e7\u00e3o, e determi\u00adnou que em vez de um altar de tijolo se erigisse a sua est\u00e1tua de tamanho descomu\u00adnal toda dourada e a colocassem no Templo de Jerusal\u00e9m. Nisso teve como conse\u00adlheiros dois grandes e eminentes personagens. Helicom, ilustre comediante e c\u00ednico por excel\u00eancia, e Apeles, famoso artista, que depois de ter, ao que se diz, vendido sua beleza na juventude, subiu ao palco, quando estava mais avan\u00e7ado em anos e sabemos qual o pudor dos que abra\u00e7am essa profiss\u00e3o. Por essas excelentes qualida\u00addes, esses dois homens chegaram a ser conselheiros de Caio. Ele seguia a um quanto \u00e0 maneira de bem se divertir, e ao outro, na maneira de bem recitar seus versos, sem se importar de manter a paz no imp\u00e9rio e a tranq\u00fcilidade p\u00fablica. Helicom, sendo eg\u00edpcio, fere-nos com uma l\u00edngua viperiana; Apeles, sendo ascalonita, \u00e9 tamb\u00e9m nosso inimigo capital, e vomita contra n\u00f3s todo o seu veneno&#8221;.<\/p>\n<p>Cada uma das palavras daquele que nos fez esta rela\u00e7\u00e3o era como uma pu-nhalada, que nos penetrava no cora\u00e7\u00e3o, mas esses dois detest\u00e1veis conselheiros receberam bem depressa o castigo que merecia a sua impiedade. Caio mandou prender Apeles com ferros nos p\u00e9s, por outros crimes, e tortur\u00e1-lo na roda, de vez em quando, para aumentar e prolongar o seu supl\u00edcio. Cl\u00e1udio, tendo suce\u00addido a Caio no trono, tamb\u00e9m mandou matar a Helicom, por outras raz\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estando eu ocupado com estes pensamentos que n\u00e3o me davam descanso, nem de dia nem de noite, sobreveio uma outra desgra\u00e7a que n\u00e3o ter\u00edamos podido prever e que n\u00e3o importava somente na ru\u00edna de uma parte de judeus, mas que de toda a na\u00e7\u00e3o, acabou por me deixar aniquilado. 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