{"id":1224,"date":"2015-04-06T01:56:56","date_gmt":"2015-04-06T01:56:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=1224"},"modified":"2015-04-06T01:56:56","modified_gmt":"2015-04-06T01:56:56","slug":"capitulo-4-caio-manda-matar-macrom-comandante-da-guarda-pretoriana-ao-qual-ele-devia-a-vida-e-o-imperio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-4-caio-manda-matar-macrom-comandante-da-guarda-pretoriana-ao-qual-ele-devia-a-vida-e-o-imperio\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 4 &#8211; Caio manda matar Macrom, comandante da guarda pretoriana, ao qual ele devia a vida e o imp\u00e9rio."},"content":{"rendered":"<p>Depois que Caio resolveu o assunto mais importante para ele, ningu\u00e9m mais resta\u00adva que tivesse o direito de lhe disputar o trono e a quem aqueles que quisessem perturbar a ordem se pudessem juntar; preparou-se ent\u00e3o para descarregar sobre Macrom os efeitos de sua crueldade e de sua ingratid\u00e3o. Ele n\u00e3o somente o tinha servido muito bem, depois que ele subira ao trono, o que \u00e9 coisa comum, porque a boa sorte sempre tem aduladores, mas fora tamb\u00e9m a causa da escolha que Tib\u00e9rio tinha feito dele para seu sucessor. Pois, al\u00e9m de que jamais pr\u00edncipe teve o esp\u00edrito mais penetrante do que este imperador, a experi\u00eancia adquirida com a idade dava-lhe o conhecimento dos pensamentos mais secretos dos homens, e ele tinha concebido graves suspeitas de Caio. Julgava-o inimigo de toda a fam\u00edlia dos Cl\u00e1udios; estava persuadido de que ele n\u00e3o tinha afeto algum pelos da sua origem, do lado materno, e temia por Tib\u00e9rio, o neto, se o deixasse em tenra idade. Al\u00e9m disso, ele julgava Caio incapaz de governar t\u00e3o grande imp\u00e9rio, por causa da leviandade de seu esp\u00edrito, que parecia ter algo de loucura, tanto se via pouca firmeza em suas palavras e em suas a\u00e7\u00f5es. Tudo, por\u00e9m, Macrom fez para dissipar essas d\u00favidas e suspeitas e particular\u00admente o temor que ele tinha pelo neto; ele afirmava-lhe que Caio tinha por ele grande respeito, muito afeto como primo, e que lhe cederia de boa vontade o imp\u00e9rio; que s\u00f3 se devia atribuir ao pudor e ao seu retraimento o que todos julgavam esp\u00edrito fraco. Macrom via que essas raz\u00f5es n\u00e3o persuadiam a Tib\u00e9rio e n\u00e3o temia oferecer-se a ele como garantia: o pr\u00edncipe n\u00e3o podia duvidar de sua sinceridade e de sua fidelidade, depois das provas que lhe havia dado, descobrindo e sufocando-lhe a conspira\u00e7\u00e3o de Sejam. Por fim, louvava-lhe continuamente a Caio, se louvar uma pessoa \u00e9 querer justific\u00e1-la contra suspeitas incertas e acusa\u00e7\u00f5es indeterminadas; mesmo que Caio fos\u00adse seu irm\u00e3o e mesmo seu pr\u00f3prio filho, ele n\u00e3o teria podido fazer mais. V\u00e1rios atribu\u00ad\u00edram a causa disso aos favores que Caio lhe prestava e ainda mais aos bons of\u00edcios da mulher de Macrom, que, por uma raz\u00e3o oculta, falava continuamente a seu marido em seu favor e todos conhecem o poder da mulher, principalmente daquelas que s\u00e3o impudicas, porque n\u00e3o h\u00e1 adula\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o se sirvam para esconder seus crimes aos maridos. Assim, como Macrom ignorava o que se passava em sua casa, ele atribu\u00eda esses artif\u00edcios ao afeto e seus maiores inimigos passavam em sua mente por pessoas que mais o amavam. O ter ele livrado Caio de tantos perigos n\u00e3o o deixava imaginar como ele fosse ingrato; falava-lhe assim com muita liberdade, no temor de que ele n\u00e3o se viesse a perder por si mesmo ou que outros corrompessem seu esp\u00edrito. Ele se assemelhava \u00e0queles bons oper\u00e1rios, ciosos de seus trabalhos, que n\u00e3o podem tolerar que outros os estraguem. Assim, quando Caio dormia \u00e0 mesa, ele o despertava, dizen\u00addo que aquilo n\u00e3o lhe ficava bem, nem mesmo era seguro, porque poder-se-ia facil\u00admente tentar contra sua vida. Quando ele contemplava os dan\u00e7arinos e saltadores com prazer e aten\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1rias, imitando-lhes os gestos, ou quando ele n\u00e3o se contentava de sorrir, mas desatava em gargalhadas ante os gracejos dos comediantes e dos palha\u00e7os, ou quando ele unia sua voz \u00e0s dos m\u00fasicos e cantores, ele o tocava levemente, quando lhe estava perto, para impedir que continuasse e dizia-lhe ao ouvido, o que somente ele teria coragem de fazer: &#8220;N\u00e3o deveis, como os outros homens, vos abandonardes aos prazeres dos sentidos, mas sobrepuj\u00e1-los tanto em prud\u00eancia e em sabedoria, quanto estais elevado acima deles. Como \u00e9 que um pr\u00edncipe que gover\u00adna toda a terra n\u00e3o sabe se moderar em coisas t\u00e3o desprez\u00edveis? T\u00e3o grande gl\u00f3ria como a que vos rodeia vos obriga a nada fazer indigno da majestade de chefe de t\u00e3o poderoso e temido imp\u00e9rio. Assim, quer estejais no teatro, nos lugares de exerc\u00edcio p\u00fablico, n\u00e3o \u00e9 o espet\u00e1culo que deveis principalmente considerar, mas o trabalho, o cuidado que aqueles que vo-lo apresentam, empregaram para bem realiz\u00e1-lo, e dizer em v\u00f3s mesmo: Se eles fizeram tantos esfor\u00e7os para coisas in\u00fateis \u00e0 vida e se dedicam exclusivamente ao prazer dos espectadores, a fim de merecer serem coroados com grandes elogios e aplausos, que n\u00e3o deve fazer um pr\u00edncipe que se dedica a um objetivo muito mais importante? N\u00e3o sabeis que nenhum outro iguala ao de bem reinar, pois que produz a abund\u00e2ncia em todos os lugares capazes de serem cultivados, garante a navegabilidade dos mares, o que faz que todas as prov\u00edncias se comuniquem entre si e trafiquem seus bens para o aumento do com\u00e9rcio? A inveja e o ci\u00fame, para impedir essa feliz comunica\u00e7\u00e3o, tinham envenenado alguns particulares e algumas cidades. Mas depois que vossa augusta fam\u00edlia foi elevada a esse supremo grau de poder, que se estende sobre todas as terras e todos os mares, ela obrigou esses monstros a fugirem para os desertos mais afastados. Somente a v\u00f3s foi confiada essa suprema autoridade. A Provid\u00eancia vos colocou \u00e0 proa, como um digno piloto, para terdes o leme em vossa m\u00e3os. \u00c9 vosso dever bem conduzir esse incompar\u00e1vel navio, do qual a salva\u00e7\u00e3o de todos \u00e9 o rico carregamento. Como um cuidado t\u00e3o nobre n\u00e3o tem pre\u00e7o, v\u00f3s n\u00e3o deveis ter maior prazer que tornar felizes por vossos benef\u00edcios tantos povos que vos s\u00e3o sujeitos. Eles podem receber alguns, de outros, mas \u00e9 somente do pr\u00edncipe que eles devem esperar esse excelente proceder, pelo qual ele espalha a m\u00e3os-cheias, seus bens sobre eles, exce\u00e7\u00e3o feita daqueles que a prud\u00eancia obriga a reservar, para reme\u00addiar aos acidentes que se devem prever&#8221;.<\/p>\n<p>Foi assim que esse infeliz conselheiro exortou a Caio, para procurar torn\u00e1-lo melhor. Mas esse malvado imperador mudava os rem\u00e9dios em veneno, zombava dessas ad\u00advert\u00eancias e tornava-se, ao inv\u00e9s, sempre pior. Assim, quando via Macrom chegar, dizia aos seus amigos e aos que estavam junto dele: &#8220;A\u00ed vem o impertinente preceptor, rid\u00edculo pedagogo, que se quer meter a dar-me instru\u00e7\u00f5es, n\u00e3o a uma crian\u00e7a, mas a uma pessoa que \u00e9 mais competente do que ele. Ele pretende que um s\u00fadito d\u00ea ordens a um imperador, que conhece a arte de reinar e julga ser perito nessa ci\u00eancia. Mas eu quisera bem saber de quem ele teria podido aprender o que diz; eu fui instru\u00eddo desde o ber\u00e7o por meu pai, meus irm\u00e3os, meus primos, meus av\u00f3s, meus bisav\u00f3s e tantos outros grandes pr\u00edncipes, de quem sou descendente dos lados paterno e materno, sem falar das sementes de virtude que a mesma natureza introduz no sangue daqueles que ela destina a governar. Do mesmo modo que as crian\u00e7as se assemelham aos genitores, n\u00e3o somente nos tra\u00e7os do rosto e nas qualidades da alma, mas tamb\u00e9m nos gestos, nas inclina\u00e7\u00f5es e nas a\u00e7\u00f5es, quem duvida de que aqueles que s\u00e3o de uma fam\u00edlia acostumada a dominar n\u00e3o recebem, com a vida, uma disposi\u00e7\u00e3o que os torna capazes de receber todas as impress\u00f5es que formam um grande pr\u00edncipe? Posso ent\u00e3o dizer que quando minha m\u00e3e me trazia ainda em seu seio e antes mesmo que eu tivesse visto a luz do dia, eu fui instru\u00eddo na ci\u00eancia de reinar; um homem qualquer, cujos pensamentos nada t\u00eam de elevado e de nobre, ousar\u00e1 dar-me conselhos com rela\u00e7\u00e3o ao governo do imp\u00e9rio, que s\u00e3o para ele mist\u00e9rios insond\u00e1veis?&#8221;<\/p>\n<p>Assim, Caio concebia, cada vez mais, avers\u00e3o por Macrom; procurava acus\u00e1-lo de falsos crimes, com pretextos de pouca probabilidade; julgou ter encontra\u00addo um por estas palavras que \u00e0s vezes lhe escapavam: &#8220;O imperador \u00e9 obra minha e ele n\u00e3o me deve menos obriga\u00e7\u00e3o do que \u00e0queles que o puseram no mundo. Eu o livrei tr\u00eas vezes com meus rogos da c\u00f3lera de Tib\u00e9rio, que o queria mandar matar, e depois de sua morte fi-lo declarar imperador, pela guarda pretoriana, que eu comandava, fazendo-lhes ver que o \u00fanico meio de conservar o imp\u00e9rio inteiro era obedecer a um s\u00f3&#8221;.<\/p>\n<p>Muitos aprovavam estas palavras de Macrom, porque nada era mais verda\u00addeiro, e eles n\u00e3o conheciam ainda a leviandade e a dissimula\u00e7\u00e3o de Caio. Mas poucos dias depois, o infeliz Macrom e sua mulher perderam a vida. Foi assim que a ingratid\u00e3o de Caio recompensou esse fiel servidor, por t\u00ea-lo salvo da morte e elevado ao trono do imp\u00e9rio. Diz-se que o obrigaram a se matar e que sua mulher n\u00e3o foi mais bem tratada do que ele, embora n\u00e3o se duvidasse de que ela tivera rela\u00e7\u00f5es criminosas com Caio. Mas, que h\u00e1 de mais inconstante que o amor pelos desgostos que se encontram nos afetos desregrados? A crueldade de Caio chegou a mandar matar tamb\u00e9m todos os dom\u00e9sticos de Macrom.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois que Caio resolveu o assunto mais importante para ele, ningu\u00e9m mais resta\u00adva que tivesse o direito de lhe disputar o trono e a quem aqueles que quisessem perturbar a ordem se pudessem juntar; preparou-se ent\u00e3o para descarregar sobre Macrom os efeitos de sua crueldade e de sua ingratid\u00e3o. Ele n\u00e3o somente o tinha servido&#8230; <a href=\"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-4-caio-manda-matar-macrom-comandante-da-guarda-pretoriana-ao-qual-ele-devia-a-vida-e-o-imperio\/\">ler mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[37],"tags":[454,608,934,1490,1563,1829,1849,1901,2350,3153],"class_list":["post-1224","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livro-unico-relato-de-filon","tag-caio","tag-comandante","tag-devia","tag-guarda","tag-imperio","tag-macrom","tag-manda","tag-matar","tag-pretoriana","tag-vida"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1224","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1224"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1224\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1224"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1224"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1224"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}