{"id":1188,"date":"2015-04-06T01:50:45","date_gmt":"2015-04-06T01:50:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=1188"},"modified":"2015-04-06T01:50:45","modified_gmt":"2015-04-06T01:50:45","slug":"capitulo-2-martirio-do-santo-sumo-sacerdote-eleazar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-2-martirio-do-santo-sumo-sacerdote-eleazar\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 2 &#8211; Mart\u00edrio do santo sumo sacerdote Eleazar."},"content":{"rendered":"<p>Para executar esse des\u00edgnio t\u00e3o tir\u00e2nico, o cruel pr\u00edncipe subiu a um lugar elevado, acompanhado pelos mais importantes da sua corte e por todos os soldados, com armas. Em seguida, mandou reunir os judeus e ordenou-lhes que comessem a carne dos porcos que ele tinha imolado aos seus \u00eddolos, em sacrif\u00edci\u00ados abomin\u00e1veis, sob pena de morte nas rodas, caso recusassem a obedecer-lhe. Eleazar foi um dos que se lhe apresentaram. Ele era de fam\u00edlia sacerdotal, muito instru\u00eddo nas nossas leis e nos nossos costumes, vener\u00e1vel por sua idade e conhe\u00adcido de todos por suas virtudes. Ant\u00edoco, depois de o ter observado, disse-lhe: &#8220;N\u00e3o espereis que os tormentos vos obriguem a fazer o que eu ordeno, mas procureis salvar a vossa vida, obedecendo-me. A compaix\u00e3o que tenho de vossa idade, vendo que ainda n\u00e3o estais desiludido de vossa falsa religi\u00e3o, faz-me dar-vos este conselho. Poder-se-\u00e1 sem extravag\u00e2ncia sentir horror por uma carne que \u00e9 muito boa e n\u00e3o desprezar somente por uma rid\u00edcula supersti\u00e7\u00e3o o favor que a natureza vos faz de vo-la dar, mas desprezar a mim e correr assim volunta\u00adriamente ao supl\u00edcio?<\/p>\n<p>&#8220;Desiludi-vos dessa v\u00e3 sabedoria, obedecei ao que eu vos ordeno e dai-me assim o meio de vos fazer sentir os efeitos de minha bondade. Quando mesmo com isso vi\u00e9sseis a desobedecer a vossa lei, ela vo-lo perdoar\u00e1, se \u00e9 t\u00e3o justa como a julgais, pois que n\u00e3o o fazeis voluntariamente, mas \u00e0 for\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>Ant\u00edoco assim falou e permitiu a Eleazar que lhe respondesse deste modo: &#8220;Estando certo, majestade, como eu estou da veracidade de minha religi\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 viol\u00eancia nem tormento que me levem a fazer algo que lhe seja contr\u00e1rio. V\u00f3s estais persuadido de que ela est\u00e1 cheia de erros e eu creio firmemente no contr\u00e1\u00adrio, isto \u00e9, que ela \u00e9 santa e divina. Como ser-me-ia ent\u00e3o permitido renunciar a ela? Vossa majestade n\u00e3o deve imaginar que \u00e9 pecado leve comer carnes que entre n\u00f3s s\u00e3o consideradas como impuras. N\u00e3o devemos fazer distin\u00e7\u00e3o entre coisas pequenas e grandes quando s\u00e3o proibidas, pois \u00e9 desprezar igualmente a lei, n\u00e3o observ\u00e1-la tanto numa como nas outras. V\u00f3s considerais uma loucura a sabedoria que temos em t\u00e3o grande estima: \u00e9 ela que nos ensina a abra\u00e7ar a temperan\u00e7a, a amar a justi\u00e7a, a desprezar a voluptuosidade e a vencer de tal modo as nossas paix\u00f5es por uma generosa resolu\u00e7\u00e3o de agradar a Deus, que n\u00e3o h\u00e1 tormento que n\u00e3o soframos com alegria para demonstrar-lhe a fidelidade que lhe devemos, como \u00fanico Deus, Eterno e Todo-poderoso. Como ent\u00e3o poder\u00eda\u00admos comer carnes que n\u00f3s cremos impuras, porque Ele nos proibiu, e sua vonta\u00adde, sendo nossa lei suprema, n\u00e3o devemos considerar os sentimentos da nature\u00adza, quando lhe s\u00e3o opostos? Ele nos permite comer o que sabe que nos \u00e9 pr\u00f3\u00adprio, pro\u00edbe-nos comer o que sabe nos ser prejudicial, e n\u00e3o se pode, sem exercer sobre n\u00f3s uma injusta viol\u00eancia, obrigar-nos a desobedecer-lhe. Censurai, pois, majestade, o meu proceder quanto quiserdes; eu n\u00e3o deixarei de observar as leis dadas por Deus a nossos antepassados e a conservar inviolavelmente o nosso juramento. Quando me arranc\u00e1sseis os olhos, quando me rasg\u00e1sseis as entranhas, minha velhice n\u00e3o impedir\u00e1 que, para cumprir o que eu devo a Deus, encontreis em mim todo o entusiasmo da mais corajosa e da mais vigorosa ju\u00adventude. Preparai, pois, corajosamente as rodas, acendei os fogos e vereis se minha idade \u00e9 capaz de algo fazer de contr\u00e1rio ao que nossos pais t\u00e3o religiosa\u00admente observaram. Santas leis, de onde tirei a minha instru\u00e7\u00e3o, jamais eu vos hei de desobedecer. Cara contin\u00eancia, que tornais pura a minha alma e meu corpo, casto, jamais hei de renunciar a v\u00f3s. S\u00e1bia resolu\u00e7\u00e3o que fortificais meu cora\u00e7\u00e3o, jamais me envergonharei de vos haver tomado. Veneravel sacrificadura, que dais a compreens\u00e3o da lei, jamais deixarei de vos homenagear e reunir-me-ei aos meus antepassados no c\u00e9u, porque desprezarei at\u00e9 \u00e0 morte todos os tormentos com que me querem atemorizar&#8221;.<\/p>\n<p>Depois que Eleazar respondeu deste modo, Ant\u00edoco fez seus guardas despoja\u00adrem-no de suas vestes, atacarem-no e vergast\u00e1-lo at\u00e9 fazer sangue; um arauto clamava ao mesmo tempo que ele obedecesse ao rei. Embora, por\u00e9m, seu san\u00adgue corresse de todos os lados e seus ossos estivessem a descoberto, nada foi capaz de quebrar a sua const\u00e2ncia e firmeza e ele estava t\u00e3o tranq\u00fcilo como se dormisse profundo sono. Ele somente levantava os olhos para o c\u00e9u; seu corpo n\u00e3o podia mais resistir \u00e0 viol\u00eancia de tantas dores; caiu ent\u00e3o por terra, sem que sua alma se abatesse. Um daqueles cru\u00e9is soldados pisou-lhe o ventre, para obrig\u00e1-lo a se levantar, mas o santo velho, desprezando tudo o que lhe podiam fazer sofrer, venceu pela sua const\u00e2ncia a crueldade daqueles \u00edmpios e os obrigou a admirar-lhe a resolu\u00e7\u00e3o e coragem.<\/p>\n<p>Sua velhice causou compaix\u00e3o aos que acompanhavam o rei e alguns grita\u00adram-lhe: &#8220;Que imprud\u00eancia vos leva, Eleazar, a sofrer tantos tormentos, quando poder\u00edeis evit\u00e1-los? S\u00f3 tendes, para vos salvardes, que comer a carne que vos \u00e9 apresentada&#8221;. Ent\u00e3o esse verdadeiro servo de Deus, que se havia calado nas maiores dores, disse: &#8220;Eu seria muito indigno de ser descendente de Abra\u00e3o, se quisesse seguir t\u00e3o mau conselho, como o que v\u00f3s me dais. N\u00e3o seria loucura ter vivido at\u00e9 agora no amor da verdade e ter posto toda a minha gl\u00f3ria em observar nossas santas leis, para abandon\u00e1-las na velhice, comendo de uma iguaria que eu n\u00e3o poderia saborear, sem cometer um sacril\u00e9gio? Deus me livre de comprar com um t\u00e3o grande crime a prolonga\u00e7\u00e3o desse pouco de tempo que me resta de vida e de me expor, com essa covardia, \u00e0 zombaria de todo o mundo&#8221;.<\/p>\n<p>Depois de terem feito tudo para persuadir ao bom velho, viram que sua cons\u00adt\u00e2ncia era invenc\u00edvel; atiraram-no ao fogo, aproximando-lhe do nariz os cheiros mais nauseabundos. Quando o fogo o queimou at\u00e9 os ossos, e ele estava prestes a exalar o \u00faltimo suspiro, ainda dirigiu a Deus uma ora\u00e7\u00e3o nestes termos: &#8220;Se\u00adnhor, em quem ponho todas as minhas esperan\u00e7as e toda a minha salva\u00e7\u00e3o, e que vedes o que eu sofro, v\u00f3s sabeis que eu pade\u00e7o tantos tormentos unicamen\u00adte para n\u00e3o desobedecer \u00e0 vossa santa lei. Tende compaix\u00e3o do vosso povo, contentai-vos de satisfazer sobre mim a vossa justi\u00e7a, purificai-o por meu sangue e salvei a vida a todos os outros, tomando a minha&#8221;. Terminando esta ora\u00e7\u00e3o, ele morreu e mostrou como tudo o que dissemos \u00e9 verdadeiro, isto \u00e9, que a raz\u00e3o domina as paix\u00f5es, pois se fosse por elas vencida, com esse generoso anci\u00e3o teria podido decidir-se a sofrer tantos tormentos? Devemos, pois, confessar que \u00e9 a raz\u00e3o que nos torna capazes de desprezar as dores e de triunfar sobre a voluptuosidade.<\/p>\n<p>No meio da tempestade que as amea\u00e7as do tirano e a crueldade de tantos e t\u00e3o diversos supl\u00edcios excitaram nos sentidos desse admir\u00e1vel m\u00e1rtir, sua raz\u00e3o, como um excelente piloto, conservou sempre t\u00e3o firmemente o leme, que o furor dos ventos e das vagas n\u00e3o puderam afast\u00e1-lo da verdadeira rota e ele levou, com rara felicidade, seu barco ao porto de uma vida gloriosa e imortal. Essa mesma for\u00e7a invenc\u00edvel da raz\u00e3o pode-se ainda comparar a uma fortaleza, cuja resist\u00eancia vence todos os esfor\u00e7os e todas as m\u00e1quinas, que o furor de um grande rei empregou inutilmente para delas se apoderar. Oh! bem-aventurado anci\u00e3o, verdadeiramente digno de honra do sacerd\u00f3cio, n\u00e3o manchastes vossos l\u00e1bios com essas carnes abomin\u00e1veis de que n\u00e3o se poderia comer sem impieda-de. Oh! verdadeiro observante da lei! Oh! esp\u00edrito cheio daquela sabedoria celes\u00adte, que s\u00f3 se conquista pela medita\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da Palavra de Deus, \u00e9 assim que aqueles que s\u00e3o chamados ao minist\u00e9rio do altar devem, derramando seu san\u00adgue, dar testemunho da pr\u00f3pria f\u00e9; \u00e9 assim que eles devem combater at\u00e9 a mor\u00adte, para defend\u00ea-la. V\u00f3s nos ensinais, por vossa const\u00e2ncia, a tudo sofrer para merecer a mesma gl\u00f3ria. Nada foi capaz de abalar vossa santidade e confirmais com vossas a\u00e7\u00f5es a verdade das palavras que vos inspirava uma sabedoria toda divina. Ilustre anci\u00e3o, v\u00f3s vos colocastes acima dos tormentos mais tem\u00edveis, o fogo, assaz poderoso como \u00e9, foi obrigado a vos ceder. Do mesmo modo que Aar\u00e3o, correndo com o tur\u00edbulo na m\u00e3o, deteve o anjo que estava prestes a exterminar todo o povo, assim, esse digno sucessor desse soberano sumo sacer\u00addote, ainda que estivesse no meio das chamas, n\u00e3o mudou de sentimentos; sua velhice nada diminuiu de sua energia e tendo seu corpo j\u00e1 destru\u00eddo, os nervos descobertos, ele elevou-se com o pensamento \u00e0 p\u00e1tria celeste. Oh! velhice, como sois ilustre! Oh! cabelos brancos, como sois venerados! Oh! vida, passada toda numa fiel observ\u00e2ncia da lei do Senhor, como sois feliz de ter at\u00e9 o \u00faltimo suspiro t\u00e3o generosamente desprezado todos os males da terra e mostrado com vossa morte a pureza de vossa f\u00e9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para executar esse des\u00edgnio t\u00e3o tir\u00e2nico, o cruel pr\u00edncipe subiu a um lugar elevado, acompanhado pelos mais importantes da sua corte e por todos os soldados, com armas. 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