{"id":1177,"date":"2015-04-06T01:48:09","date_gmt":"2015-04-06T01:48:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=1177"},"modified":"2015-04-06T01:48:09","modified_gmt":"2015-04-06T01:48:09","slug":"capitulo-8-nada-e-mais-ridiculo-que-essa-pluralidade-de-deuses-dos-pagaos-nem-tao-horrivel-como-os-vicios-de-que-eles-estao-de-acordo-essas-pretensas-divindades-sao-capazes-os-poetas-os-oradores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-8-nada-e-mais-ridiculo-que-essa-pluralidade-de-deuses-dos-pagaos-nem-tao-horrivel-como-os-vicios-de-que-eles-estao-de-acordo-essas-pretensas-divindades-sao-capazes-os-poetas-os-oradores\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 8 &#8211; Nada \u00e9 mais rid\u00edculo que essa pluralidade de deuses dos pag\u00e3os, nem t\u00e3o horr\u00edvel como os v\u00edcios de que eles est\u00e3o de acordo, essas pretensas divindades s\u00e3o capazes. Os poetas, os oradores e os excelentes artistas contribu\u00edram principalmente para estabelecer essa falsa cren\u00e7a no esp\u00edrito dos povos;por\u00e9m os mais sensatos e s\u00e1bios entre os fil\u00f3sofos n\u00e3o a tinham."},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o quero examinar as leis dos outros povos; n\u00f3s nos contentamos em ob\u00adservar as nossas, sem censurar as dos outros; e nem tampouco zombamos delas, nem maldizemos aquilo que essas na\u00e7\u00f5es consideram como deuses, porque nos\u00adso legislador no-lo proibiu, pelo respeito devido a tudo o que traz o nome de Deus. Mas eu n\u00e3o poderia n\u00e3o responder \u00e0s coisas de que nos acusam t\u00e3o falsa\u00admente, embora pare\u00e7a que este escrito n\u00e3o seja necess\u00e1rio para refut\u00e1-las, porque j\u00e1 o foram por tantas outras. Quem s\u00e3o os mais estimados entre os gregos por sua sabedoria, que n\u00e3o tenham repreendido os poetas mais c\u00e9lebres e parti\u00adcularmente os legisladores, por terem feito os povos crer nessa pluralidade de deuses, nascidos uns dos outros, em tantas maneiras diferentes e que faziam chegar a tal n\u00famero como bem lhes parecia e lhes davam, como aos animais, diversos lugares para morada, uns sobre a terra, outros no mar e queriam que os mais antigos estivessem acorrentados no inferno. Quanto aos que eles diziam habitar no c\u00e9u davam-lhes um pai de nome, mas um tirano de fato, contra o qual sua mulher, o irm\u00e3o e a filha nascida do c\u00e9rebro, tinham conspirado para expuls\u00e1-lo do trono como ele tinha expulsado o pai. Assim os gregos que sobre\u00adpujavam aos outros em sabedoria n\u00e3o podiam zombar dessas extravagantes e de que os que as apregoavam t\u00e3o ousadamente queriam fazer crer que esses deu\u00adses, uns eram jovens, outros na flor da idade, e outros, velhos; que havia toda a esp\u00e9cie de of\u00edcios e profiss\u00f5es entre eles; um era ferreiro, outro era tecel\u00e3o, ou\u00adtro, guerreiro, que combatia contra os homens, outro tocador de harpa, outro, que era h\u00e1bil no manejo do arco, interessando-se pelas quest\u00f5es dos homens, vinha combater com eles, recebia ferimentos, que suportava com impaci\u00eancia. Mas, o que \u00e9 ainda horr\u00edvel, eles atribuem a esses pretensos deuses e deusas amores e licenciosidades, coisas rid\u00edculas de se imaginar, de que as divindades sejam capazes. Admitem que aquele deus, que eles representam, t\u00e3o poderoso, senhor de todos os outros, depois de ter abusado de mulheres, n\u00e3o teve o poder de impedir que elas ficassem prisioneiras e que fossem afogadas com os filhos que tivera delas, embora sua morte o fizesse derramar l\u00e1grimas, porque ele era obrigado a ceder \u00e0s imposi\u00e7\u00f5es do destino. Eis a\u00e7\u00f5es certamente muito louv\u00e1veis para deuses, cometer com tanta imprud\u00eancia adult\u00e9rios no c\u00e9u, que demonstra\u00advam invejar eles os que eram surpreendidos em a\u00e7\u00f5es t\u00e3o infames: e que n\u00e3o podiam fazer os deuses menores, vendo que esse J\u00fapiter que eles reverenciavam como rei era t\u00e3o arrebatado por essa brutal paix\u00e3o? Que direi tamb\u00e9m do que eles demonstravam crer, que alguns desses deuses conduziam os rebanhos dos homens e os serviam com outras coisas, para disso tirar proveito; outros estavam encerrados numa pris\u00e3o como criminosos e amarrados com correntes de ferro? Outros n\u00e3o t\u00eam receio de representar essas falsas divindades como capazes de temor, de furor, de fraude e de todas as outras paix\u00f5es mais conden\u00e1veis. Embo\u00adra representando-os t\u00e3o imperfeitos, eles tinham persuadido os povos a lhes ofe\u00adrecerem sacrif\u00edcios; julgavam a uns benfeitores, a outros, malfeitores, e procediam para com eles como o fariam com os homens, pois procuravam torn\u00e1-los favor\u00e1veis por meio de presentes, na persuas\u00e3o de que de outro modo ter-lhes-iam feito muito mal.<\/p>\n<p>Poderemos ser sensatos e n\u00e3o sentir indigna\u00e7\u00e3o contra os que envenenaram os esp\u00edritos com t\u00e3o grande impiedade, e n\u00e3o nos admiramos da loucura daque\u00adles que foram t\u00e3o simples deixando-se persuadir? N\u00e3o posso atribuir-lhes a causa sen\u00e3o ao afeto de legisladores terem t\u00e3o grande ignor\u00e2ncia da natureza e da grandeza de Deus, que n\u00e3o podendo da\u00ed tirar alguma luz para o governo das rep\u00fablicas, eles permitiam aos poetas fazer passar por deuses sujeitos \u00e0s paix\u00f5es dos homens, todos os que eles queriam, e aos oradores escreverem tratados referentes ao governo das rep\u00fablicas, apoiando suas id\u00e9ias com a autoridade dos deuses estrangeiros. Os pintores e os escultores muito tamb\u00e9m contribu\u00edram para isso entre os gregos, representando essas divindades segundo seu capricho e, particularmente, os mais h\u00e1beis dos artif\u00edcios que para isso empregavam o ouro e o marfim. Aconteceu mesmo que deixaram de adorar as mais antigas dessas divindades para adorarem novas. Restabeleceram em sua honra os anti\u00adgos Templos, e constru\u00edram-se outros novos, segundo a inclina\u00e7\u00e3o dos homens a isso os levavam; ao passo que o culto do verdadeiro Deus deve ser perp\u00e9tuo e imut\u00e1vel.<\/p>\n<p>Podemos com raz\u00e3o colocar Molom no n\u00famero desses insensatos, que se perdem por seu orgulho no desgarramento de suas id\u00e9ias, mas os verdadeiros fil\u00f3sofos gregos n\u00e3o ignoravam o que eu disse sobre a ess\u00eancia e a natureza de Deus. Eles est\u00e3o de acordo conosco e zombaram dessas rid\u00edculas fic\u00e7\u00f5es. Por isso Plat\u00e3o n\u00e3o admite poeta na sua rep\u00fablica e exclui o mesmo Homero, com quem depois reconcilia, presta-lhe honra, coroando-o de louros, aspergindo-o com perfumes para que n\u00e3o destrua, por meio de suas f\u00e1bulas, a id\u00e9ia que se deve ter de Deus e lhe n\u00e3o arrebate a gl\u00f3ria que lhe \u00e9 devida. Esse grande personagem tamb\u00e9m imitou a Mois\u00e9s, ordenando expressamente aos cidad\u00e3os da rep\u00fablica, dos quais formou a imagem, que aprendessem com grande cuidado as leis que lhes d\u00e1, de medo que a elas se misture algo de estrangeiro, que lhe corrompa a pureza e lhes impe\u00e7a a dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Molom n\u00e3o considera nenhuma dessas raz\u00f5es. Ele nos acusa ousadamente de n\u00e3o recebermos os que t\u00eam opini\u00e3o e maneira de viver completamente contr\u00e1ri\u00adas \u00e0s nossas, embora nada fa\u00e7amos do que os gregos fazem, e mais que nenhum outro dos que passam entre eles pelos mais prudentes. Os lacedem\u00f4nios n\u00e3o recebiam estrangeiros e proibiam aos seus cidad\u00e3os viajar, de medo que suas rela\u00e7\u00f5es com outros povos enfraquecessem em seu esp\u00edrito o vigor da disciplina. Nisso poder\u00edamos com justi\u00e7a acus\u00e1-los de serem demasiado severos e podemos passar, parece-me, por mais bondosos e humanos, pois ainda que n\u00e3o tenhamos motivo de invejar leis e costumes de outras na\u00e7\u00f5es, n\u00e3o fazemos dificuldade em receber os que querem se instruir nos nossos.<\/p>\n<p>Mas, deixando os lacedem\u00f4nios, Molom mostra ignorar os sentimentos dos atenienses, que ao contr\u00e1rio dos lacedem\u00f4nios, se vangloriam de que a entrada em suas cidade est\u00e1 aberta a todos e castigam com a morte os que ousam dizer, com rela\u00e7\u00e3o aos deuses, a m\u00ednima palavra, a mais do que est\u00e1 exarado em suas leis. N\u00e3o foi por esse motivo que eles fizeram S\u00f3crates morrer? Tinha ele conspi\u00adra\u00e7\u00e3o com os inimigos contra a p\u00e1tria, ou querido profanar os Templos? Seu \u00fanico crime foi ter usado de um novo juramento e ter dito iradamente ou por gracejo, que uma divindade lhe havia revelado o que ele devia fazer. Julga-se que o acusaram tamb\u00e9m de ter corrompido o esp\u00edrito da juventude, inspirando-lhes o desprezo pelas leis e pelos costumes de seu pa\u00eds e cidad\u00e3o de Atenas, como ele era, uma dessas coisas ou todas as duas, ao mesmo tempo, custaram-lhe a vida, sendo obrigado a beber cicuta.<\/p>\n<p>Esses mesmos atenienses n\u00e3o condenaram tamb\u00e9m \u00e0 morte Anax\u00e1goras de Clazomende, porque ele julgava que o sol era um deus, da forma de uma pedra redonda, toda inflamada, que rodava sem cessar? Prometeram tamb\u00e9m um ta\u00adlento a quem lhes trouxesse a cabe\u00e7a de Di\u00e1goras Meliano, porque ele fora acu\u00adsado de ter zombado de seus mist\u00e9rios; teriam feito morrer Pit\u00e1goras se ele n\u00e3o tivesse fugido, porque julgava-se que ele era autor de um escrito em que punha d\u00favidas sobre seus deuses. Mas admirar-nos-emos de que eles tenham tratado t\u00e3o cruelmente os homens, quando fizeram morrer uma sacerdotisa, acusada de adorar deuses estrangeiros e ordenaram por meio de um \u00e9dito a mesma pena contra os que tentassem introduzir uma nova cren\u00e7a? Est\u00e1 claro que eles n\u00e3o reconhecem por seus deuses os que as outras na\u00e7\u00f5es adoram, pois que do con\u00adtr\u00e1rio n\u00e3o teriam querido se privar do aux\u00edlio que deles teriam podido esperar.<\/p>\n<p>Os citas mesmos, t\u00e3o cru\u00e9is que n\u00e3o sentem maior prazer do que derramar sangue humano e n\u00e3o diferem quase nada dos animais selvagens, os mais fero\u00adzes, n\u00e3o deixam de ser t\u00e3o ciosos da observ\u00e2ncia de seus mist\u00e9rios, que mataram Anac\u00e1rcis, t\u00e3o admirado pelos gregos pela sua grande sabedoria, porque ao seu regresso ele parecia compenetrado de respeito pelos deuses que l\u00e1 s\u00e3o adorados.<\/p>\n<p>N\u00e3o vemos tamb\u00e9m que entre os persas muitos sofreram grandes tormentos pelo mesmo motivo? Ora, todos sabem que Molom aprecia muito as leis dos persas e admira, como os gregos, a uniformidade de seus sentimentos com rela\u00e7\u00e3o aos deuses e a const\u00e2ncia invenc\u00edvel que eles demonstraram quando lhes queimaram os Templos. Mas ele n\u00e3o os estima somente, ele os imita, ultrajando as mulheres dos outros e fazendo em peda\u00e7os seus filhos, crimes que entre n\u00f3s mereceriam a pena de morte, se os comet\u00eassemos, ainda mesmo contra os irracionais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o quero examinar as leis dos outros povos; n\u00f3s nos contentamos em ob\u00adservar as nossas, sem censurar as dos outros; e nem tampouco zombamos delas, nem maldizemos aquilo que essas na\u00e7\u00f5es consideram como deuses, porque nos\u00adso legislador no-lo proibiu, pelo respeito devido a tudo o que traz o nome de Deus. 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