{"id":1127,"date":"2015-04-06T00:50:55","date_gmt":"2015-04-06T00:50:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=1127"},"modified":"2015-04-06T00:50:55","modified_gmt":"2015-04-06T00:50:55","slug":"capitulo-34-eleazar-vendo-que-massada-nao-podia-deixar-de-ser-tomada-de-assalto-pelos-romanos-exorta-a-todos-os-que-defendiam-o-castelo-com-ele-a-incendia-lo-e-a-se-matarem-para-evitar-a-escravi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-34-eleazar-vendo-que-massada-nao-podia-deixar-de-ser-tomada-de-assalto-pelos-romanos-exorta-a-todos-os-que-defendiam-o-castelo-com-ele-a-incendia-lo-e-a-se-matarem-para-evitar-a-escravi\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 34 &#8211; Eleazar, vendo que Massada n\u00e3o podia deixar de ser tomada de assalto pelos romanos, exorta a todos os que defendiam o castelo com ele, a incendi\u00e1-lo e a se matarem, para evitar a escravid\u00e3o."},"content":{"rendered":"<p>Mas Eleazar estava muito longe de querer fugir e de permitir a quem quer que fosse tal id\u00e9ia. A \u00fanica coisa que lhe veio \u00e0 mente, quando viu o segundo muro reduzido a cinzas e que n\u00e3o restava mais nenhuma esperan\u00e7a de salva\u00ad\u00e7\u00e3o, foi livrarem-se todos, com suas mulheres e filhos, dos ultrajes e dos males que poderiam esperar dos romanos, depois que eles se tivessem apoderado da fortaleza. Assim, julgando nada poder fazer de mais corajoso, em tal extremo, reuniu \u00e0 noite os mais valentes de seus companheiros e para exort\u00e1-los \u00e0quela a\u00e7\u00e3o, assim lhes falou: &#8220;Generosos judeus, que resolvestes depois de tanto tem\u00adpo n\u00e3o suportar nem a domina\u00e7\u00e3o dos romanos, nem a de qualquer outra na\u00ad\u00e7\u00e3o, mas obedecer somente a Deus, que \u00e9 o \u00fanico que tem o direito de governar todos os homens, eis chegado o tempo de manifestardes por meio de obras, que verdadeiramente tendes esses sentimentos no cora\u00e7\u00e3o. At\u00e9 agora n\u00f3s nos livra\u00admos da escravid\u00e3o. N\u00e3o nos desonremos agora, submetendo-nos \u00e0 mais cruel, que poder\u00edamos imaginar, se cairmos vivos nas m\u00e3os dos romanos, depois de termos sido os primeiros a sacudir-lhes o jugo e os \u00faltimos que tiveram a cora\u00adgem de lhes opor resist\u00eancia. N\u00e3o nos tornemos indignos da gra\u00e7a que Deus nos faz de poder morrer volunt\u00e1ria e gloriosamente e ainda livres, o que \u00e9 uma felici\u00addade que n\u00e3o tiveram aqueles que se iludiram com a esperan\u00e7a de n\u00e3o poderem ser vencidos. Nossos inimigos s\u00f3 desejam aprisionar-nos vivos e por maior que seja a nossa resist\u00eancia, n\u00e3o poder\u00edamos amanh\u00e3 evitar sermos atacados com viol\u00eancia; mas eles n\u00e3o nos podem impedir que nos antecipemos por uma morte generosa e terminemos nossos dias todos juntos, com as pessoas que nos s\u00e3o mais caras. Depois que empreendemos esta guerra, para defender nossa liberda\u00adde, n\u00e3o devemos julgar, pelos males que nos causaram nossas dissens\u00f5es e ainda mais pelos que os romanos nos fizeram sofrer, com os felizes \u00eaxitos de suas ar\u00admas, que Deus que tinha outrora amado tanto nossa na\u00e7\u00e3o tenha ent\u00e3o decreta\u00addo sua ru\u00edna, pois que, se Ele nos tivesse ent\u00e3o sido favor\u00e1vel ou menos irritado contra n\u00f3s, Ele jamais teria derramado o sangue de um n\u00famero t\u00e3o grande de pessoas e aquela santa cidade \u2014 onde Ele era adorado por peregrinos que vi\u00adnham de todas as partes do mundo \u2014 teria sido destru\u00edda e reduzida a cinzas. N\u00f3s somos os \u00fanicos de todos os judeus que imaginamos poder conservar nossa liberdade e quisemos disso persuadir aos outros, como se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos parte nas ofensas que atra\u00edram a c\u00f3lera de Deus e f\u00f4ssemos n\u00f3s os \u00fanicos inocentes. Mas vedes de que modo, para confundir nossa loucura, Ele nos oprime com males ainda mais extraordin\u00e1rios, que nossas esperan\u00e7as rid\u00edculas e extravagan\u00adtes. Pois, de que nos serviram a for\u00e7a desta pra\u00e7a, que a arte e a natureza pareci\u00adam ter tomado inexpugn\u00e1vel e a quantidade de armas e de todas as outras coisas necess\u00e1rias para se sustentar um grande ass\u00e9dio? Podemos duvidar de que Deus n\u00e3o queira que pere\u00e7amos depois de termos visto o fogo que o vento levava contra nossos inimigos, voltar-se de repente contra n\u00f3s, para queimar o muro em que estava toda nossa defesa? Esses sinais da c\u00f3lera de Deus n\u00e3o podem ser atribu\u00eddos sen\u00e3o aos crimes horr\u00edveis que n\u00f3s cometemos com tanto furor, con\u00adtra os da nossa pr\u00f3pria na\u00e7\u00e3o e como n\u00e3o poderemos deixar de ser castigados, n\u00e3o \u00e9 melhor satisfazermos \u00e0 justi\u00e7a por uma morte volunt\u00e1ria, do que esperar\u00admos que os romanos lhe sejam os executores, depois de nos terem vencido? Esse castigo que exercemos sobre n\u00f3s mesmos ser\u00e1 muito menor que o que n\u00f3s me\u00adrecemos porque morreremos com a consola\u00e7\u00e3o de termos livrado nossas espo\u00adsas, da perda da honra, nossos filhos, de sua liberdade e, apesar de nossa m\u00e1 sorte, dado a n\u00f3s mesmos uma sepultura honrosa, morrendo sob as ru\u00ednas de nossa p\u00e1tria, antes que nos expormos a sofrer uma vergonhosa escravid\u00e3o. Mas, a fim de que os romanos tenham o desprazer de achar apenas como despojos os nossos cad\u00e1veres, sou de opini\u00e3o que queimemos o castelo, com tudo o que ele tem de preciosidades e dinheiro, conservando apenas os v\u00edveres, para lhes mos\u00adtrarmos que n\u00e3o foi por necessidade, mas por generosidade que n\u00f3s nos conser\u00advamos inquebrant\u00e1veis na resolu\u00e7\u00e3o de preferir a morte \u00e0 escravid\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Estas palavras de Eleazar n\u00e3o foram recebidas do mesmo modo pelos que as escutaram: uns, ficaram t\u00e3o impressionados, que ardiam de desejo de terminar seus dias com uma morte que lhes parecia t\u00e3o gloriosa. Mas outros, levados pela compaix\u00e3o que sentiam de suas esposas e filhos, e deles mesmos, entreo-Ihavam-se e mostravam bem com suas l\u00e1grimas que n\u00e3o eram da mesma opi\u00adni\u00e3o. Eleazar, temendo que sua fraqueza viesse a diminuir a coragem dos que mostravam com tanta coragem aprovar suas id\u00e9ias, retomou a palavra, com mais veem\u00eancia ainda, para comov\u00ea-los, na considera\u00e7\u00e3o da imortalidade da alma; come\u00e7ou fixando com firmeza aqueles que choravam e disse: &#8220;Enganei-me, ent\u00e3o, quando vos tomei por homens de coragem, que combatendo pela liberdade prefer\u00edeis morrer gloriosamente a viver com inf\u00e2mia, pois que quan\u00addo dever\u00edeis, sem que ningu\u00e9m a isso vos incitasse, v\u00f3s mesmos tomar a iniciati\u00adva de vos livrardes de tantos males que vos s\u00e3o inevit\u00e1veis se viv\u00easseis mais, o temor que vos causa a morte mostra-me que nenhuma covardia \u00e9 compar\u00e1vel \u00e0 vossa. As Sagradas Escrituras, que s\u00e3o os mesmos or\u00e1culos de Deus, as li\u00e7\u00f5es que temos recebido, desde nossos primeiros anos, de nossos pais, seus exem\u00adplos, n\u00e3o nos ensinam que n\u00e3o \u00e9 na vida, mas na morte, que consiste nossa felicidade, pois que ela p\u00f5e nossas almas em liberdade e d\u00e1-lhes o meio de voltar \u00e0quela p\u00e1tria celeste onde tiveram sua origem?<\/p>\n<p>&#8220;Somente l\u00e1 elas nada mais t\u00eam a temer, mas enquanto estiverem presas no c\u00e1rcere deste corpo, podemos dizer que os males que Ele lhes comunica, torna-as mais mortas, que n\u00e3o vivas, pois n\u00e3o h\u00e1 propor\u00e7\u00e3o entre duas coisas, das quais uma \u00e9 toda divina e outra, mortal. \u00c9 verdade que enquanto a alma est\u00e1 no corpo, ela o faz mover-se invisivelmente e operar, por meio de a\u00e7\u00f5es que est\u00e3o acima da sua natureza, que a faz sempre inclinar-se para a terra; mas apenas livre do peso, ela regressa ao seu ponto de origem, onde goza de uma feliz liberdade e de uma for\u00e7a sempre incorrupt\u00edvel em si mesma, produz no mesmo grandes mudan\u00e7as. Assim, d\u00e1-lhes pleno vigor, que o anima; ele enlanguesce e morre logo que ela o abandona, sem que ela deixe de ser imortal. O sono \u00e9 uma prova que basta para mostrar que a felicidade da alma est\u00e1 nela mesma, pois n\u00e3o es\u00adtando, ent\u00e3o, preocupada com o corpo, ela goza de um descanso mui agrad\u00e1vel e tem mesmo conhecimento de v\u00e1rias coisas futuras, pela sua comunica\u00e7\u00e3o com Deus. Por que ent\u00e3o amando o sono como o amamos, n\u00f3s tememos a morte? E como, fazendo o caso que fazemos de uma vida t\u00e3o breve, poder\u00edamos sem loucura invejar a felicidade de possuir uma que \u00e9 eterna? Devemos conhecer t\u00e3o bem essas verdades que os outros aprendem de n\u00f3s a desprezar a morte. Se fosse necess\u00e1rio procurarmos exemplos entre as na\u00e7\u00f5es estrangeiras, n\u00e3o vemos que entre os indianos os que fazem uma profiss\u00e3o particular de sabedoria e que vivem mui virtuosamente levam a vida com pesar, porque a consideram um far\u00addo que a natureza os obriga a carregar e de que t\u00eam pressa em se desfazer, pela separa\u00e7\u00e3o do corpo, de suas almas? Assim, embora gozem de plena sa\u00fade, o desejo de possuir uma imortalidade bem-aventurada f\u00e1-los despedir-se das pes\u00adsoas mais caras, para passar desta vida a uma outra, sem que algu\u00e9m lhes procu\u00adre impedir. Todos, ao contr\u00e1rio, julgam-nos felizes e est\u00e3o t\u00e3o persuadidos de que a morte n\u00e3o quebrar\u00e1 o liame que os une, que eles lhes rogam dar suas not\u00edcias aos amigos que j\u00e1 passaram ao outro mundo. Ent\u00e3o esses homens gene\u00adrosos, para purificar suas almas e separ\u00e1-las do corpo, lan\u00e7am-se no fogo, que eles mesmos fizeram preparar e sua morte \u00e9 seguida de louvores de todos aque\u00adles que as presenciam. Seus mais caros amigos os acompanham mais de boa mente nessa a\u00e7\u00e3o, que os outros homens acompanham os seus, quando eles v\u00e3o partir para uma viagem demorada, e em vez de chorar, eles invejam-lhes a felici\u00addade de ir gozar da imortalidade e s\u00f3 derramam l\u00e1grimas para lamentar a si mesmos. Que vergonha ent\u00e3o para n\u00f3s sermos inferiores em sabedoria aos india\u00adnos e calcarmos aos p\u00e9s, por nossa fraqueza, as leis de nossos antepassados, que toda a terra venera. Mas, quando mesmo tiv\u00e9ssemos sido educados na cren\u00e7a de que a vida \u00e9 um grande bem e que a morte \u00e9 um grande mal, o estado em que nos encontramos reduzidos n\u00e3o nos obrigaria a no-la darmos generosamente, pois que a vontade de Deus e a necessidade a isso nos obrigam? Quem pode duvidar de que h\u00e1 muito tempo, Deus, para nos castigar, por termos feito um uso t\u00e3o mau da vida, n\u00e3o resolveu dela nos privar e que assim, n\u00e3o \u00e9, nem \u00e0s nossas for\u00e7as, nem a clem\u00eancia dos romanos que devemos n\u00e3o termos morrido nessa guerra? Uma causa superior ao poder desses conquistadores lhes deu so\u00adbre n\u00f3s as vantagens que os fazem parecer vitoriosos. Quando os judeus que moravam em Cesar\u00e9ia e que n\u00e3o somente n\u00e3o haviam tido o pensamento de se revoltar, foram mortos, com suas esposas e filhos, sem se defender quando se ocupavam unicamente em celebrar o s\u00e1bado, foram talvez os romanos que os massacraram, t\u00e3o cruelmente, eles, que nos trataram como inimigos somente depois que tomamos as armas? Se dissermos que os habitantes de Cesar\u00e9ia fo\u00adram obrigados a degolar os judeus, pelo antigo \u00f3dio que lhes votavam, que diremos dos de Cit\u00f3polis, que poupando aos romanos, n\u00e3o temem fazer-nos guerra, para agradar aos gregos e assassinando os nossos, com todas as suas fam\u00edlias, assim nos recompensaram o aux\u00edlio que lhes hav\u00edamos dado e nos fize\u00adram sofrer o que n\u00f3s mesmos hav\u00edamos impedido que eles sofressem? Eu seria demasiado longo se quisesse referir todos os exemplo semelhantes. N\u00e3o sabeis que n\u00e3o h\u00e1 uma s\u00f3 cidade da S\u00edria que nos n\u00e3o tenha tratado do mesmo modo e que n\u00e3o nos odeie ainda mais do que os romanos? Os de Damasco, sem poder alegar pretexto algum, n\u00e3o mataram dezoito mil dos nossos, com suas mulheres e filhos e n\u00e3o se nos garante que mais de sessenta mil foram de diferentes manei\u00adras torturados no Egito? A isto, se se responder que foi, porque eles n\u00e3o puderam num pa\u00eds estrangeiro encontrar aux\u00edlio algum, contra seus perseguidores, que diremos dos nossos que fizeram guerra aos romanos, no nosso pr\u00f3prio pa\u00eds? Que nos faltava para esperarmos venc\u00ea-los? N\u00e3o t\u00ednhamos armas, cidades mui fortificadas, castelos e fortalezas, que pareciam inexpugn\u00e1veis, uma resolu\u00e7\u00e3o decidida de n\u00e3o temer perigo algum, para conservarmos nossa liberdade e en\u00adfim, tudo o que nos podia p\u00f4r em condi\u00e7\u00f5es de resistir? Mas, durante quanto tempo isso nos valeu? Aquelas pra\u00e7as, nas quais deposit\u00e1vamos nossa principal confian\u00e7a, n\u00e3o foram todas elas tomadas e em vez de servir de ref\u00fagio seguro para aqueles que tanto tinham trabalhado em constru\u00ed-las e fortific\u00e1-las, n\u00e3o parece que o foram apenas para tornar a vit\u00f3ria dos romanos ainda mais brilhan\u00adte? N\u00e3o devemos ent\u00e3o julgar felizes os que morreram com armas na m\u00e3o com\u00adbatendo generosamente pela liberdade de sua p\u00e1tria e n\u00e3o podemos, ao contr\u00e1\u00adrio, lastimar bastante o grande n\u00famero daqueles que s\u00e3o escravos dos romanos? Quanto \u00e0 morte, deveria parecer-lhes suave, para evitar, dando-a a si mesmos, os horr\u00edveis males que eles sofrem? Uns morrem sob os golpes, outros, depois de terem experimentado toda esp\u00e9cie de tormentos, terminam a vida no fogo, ou\u00adtros, semidevorados pelas feras, s\u00e3o reservados para servir outra vez de alimento a esses cru\u00e9is animais e os mais infelizes, de todos, s\u00e3o os que vivem ainda, sem poder encontrar a morte que t\u00e3o ardentemente desejam a cada instante. Que foi feito daquela poderosa cidade, a soberba capital da nossa na\u00e7\u00e3o, que tantos muros, tantas torres, tantas fortalezas pareciam tornar inexpugn\u00e1vel, que mal podia conter todas as muni\u00e7\u00f5es de guerra e de boca necess\u00e1rias para se susten\u00adtar um grande ass\u00e9dio, e que era defendida por uma multid\u00e3o incr\u00edvel de ho\u00admens, onde se pensava que Deus mesmo se dignava habitar? N\u00e3o foi ela destru\u00edda at\u00e9 os alicerces e n\u00e3o lhe restam somente ru\u00ednas, sobre as quais os vencedores ergueram seus acampamentos? Que resta tamb\u00e9m daquele grande povo? Ape\u00adnas alguns m\u00edseros anci\u00e3os que regam com suas l\u00e1grimas as cinzas do santo Templo, que era antigamente nossa principal felicidade e nossa maior gl\u00f3ria, e algumas mulheres, que os vencedores reservam para faz\u00ea-las sofrer ultrajes mil vezes piores do que a mesma morte? Quem poderia imaginando t\u00e3o horr\u00edveis mis\u00e9rias querer ainda ver a luz do sol, quando mesmo lhe fosse garantido poder viver sem nada mais ter a temer? Ou melhor, quem pode ser t\u00e3o inimigo de sua p\u00e1tria e t\u00e3o fraco em n\u00e3o considerar como um grande mal e uma grande desgra\u00ad\u00e7a estar ainda vivo, e n\u00e3o invejar a felicidade daqueles que morreram antes de ter visto essa santa cidade destru\u00edda completamente e nosso sagrado Templo intei\u00adramente destru\u00eddo pelo fogo sacr\u00edlego? Se a esperan\u00e7a de podermos, resistindo corajosamente, vingarmo-nos de algum modo de nossos inimigos, nos susten\u00adtou at\u00e9 agora, neste instante, em que essa esperan\u00e7a desvaneceu-se, que espera\u00admos para correr ao encontro da morte, todos, quando ainda est\u00e1 em nosso po\u00adder d\u00e1-la tamb\u00e9m \u00e0s nossas mulheres e filhos, pois seria a maior gra\u00e7a que n\u00f3s lhes poder\u00edamos fazer; nascemos para morrer, \u00e9 uma lei indispens\u00e1vel da nature\u00adza \u00e0 qual os homens mais robustos e felizes est\u00e3o tamb\u00e9m sujeitos. Mas a nature\u00adza n\u00e3o nos obriga a suportar os ultrajes e a servid\u00e3o e a ver por vossa covardia, arrebatar \u00e0s vossas esposas a honra, e aos vossos filhos, a liberdade, quando est\u00e1 em nosso poder tudo assegurar-lhes pela morte. Depois de ter t\u00e3o generosamen\u00adte tomado as armas contra os romanos e desprezado as ofertas que eles nos fizeram, de nos salvarmos, se quis\u00e9ssemos nos submeter a eles, que tratamento devemos esperar de seu ressentimento, se viermos a cair vivos em suas m\u00e3os? A for\u00e7a e o vigor dos nossos mais robustos s\u00f3 serviriam para nos tornar mais capa\u00adzes ainda de sofrer por mais tempo os maiores tormentos; os que s\u00e3o mais ido\u00adsos, n\u00e3o seria menos de se lamentar porque teriam mais dificuldade em suport\u00e1-los; n\u00f3s ver\u00edamos levarem-se nossas esposas a uma infeliz escravid\u00e3o e ouvir\u00eda\u00admos nossos filhos, com cadeias aos p\u00e9s, implorando em v\u00e3o o nosso aux\u00edlio. Mas enquanto temos ainda agora pleno e livre uso de nossos bra\u00e7os e de nossas espadas, que nos impede, livrarmo-nos da escravid\u00e3o? Morramos com as pesso\u00adas que nos s\u00e3o mais caras, antes que vivermos escravos. Elas no-lo pedem nossas leis no-lo ordenam, Deus no-lo imp\u00f5e, e os romanos nada temem mais do que isso. Apressemo-nos ent\u00e3o em faz\u00ea-los perder a esperan\u00e7a de triunfar sobre n\u00f3s e o espanto de apenas poder desencadear a sua raiva sobre cad\u00e1veres force-os a admirar a nossa generosidade.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mas Eleazar estava muito longe de querer fugir e de permitir a quem quer que fosse tal id\u00e9ia. 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