{"id":110,"date":"2015-04-02T20:33:15","date_gmt":"2015-04-02T20:33:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=110"},"modified":"2015-04-02T20:33:15","modified_gmt":"2015-04-02T20:33:15","slug":"capitulo-8-excelente-discurso-de-moises-leis-que-outorga-ao-povo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-8-excelente-discurso-de-moises-leis-que-outorga-ao-povo\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 8 &#8211; Excelente discurso de Mois\u00e9s. Leis que outorga ao povo."},"content":{"rendered":"<p><em>Deuteron\u00f4mio 4. <\/em>Quando faltavam apenas trinta dias para se dizer que eram passados quarenta anos desde a sa\u00edda do Egito, Mois\u00e9s mandou reunir todo o povo no lugar onde est\u00e1 agora a cidade de Abil\u00e3, \u00e0 margem do rio Jord\u00e3o, terra muito rica em palmeiras, e falou-lhes deste modo: &#8220;Companheiros de meus longos trabalhos, com quem passei tantos perigos, tendo chegado \u00e0 idade de cento e vinte anos, \u00e9 tempo de deixar o mundo. Deus n\u00e3o quer que eu vos assista nos combates que tereis ainda de sustentar, depois de passardes o Jord\u00e3o. Quero empregar esse pouco de vida que me resta para fortalecer a vossa felicida\u00adde, quanto aos cuidados que dependem de mim, a fim de obrigar-vos a conser\u00advar o afeto pela minha mem\u00f3ria. Terminarei os meus dias com alegria, fazendo-vos conhecer em que devereis firmar a vossa felicidade e com que meios podereis conseguir uma semelhante para vossos filhos. E, como n\u00e3o prestar\u00edeis f\u00e9 \u00e0s mi\u00adnhas palavras? Pois n\u00e3o h\u00e1 testemunho pelo qual eu n\u00e3o me tenha esfor\u00e7ado em dar-vos que n\u00e3o fosse pelo interesse em vosso bem, e v\u00f3s sabeis que os senti\u00admentos de nossa alma jamais s\u00e3o t\u00e3o puros como quando ela est\u00e1 prestes a abandonar o corpo. Filhos de Israel, gravai fortemente em vosso cora\u00e7\u00e3o que a \u00fanica e verdadeira felicidade consiste em se ter a Deus como favor\u00e1vel. E Ele s\u00f3 pode conced\u00ea-la aos que dela se tornam dignos por sua piedade. \u00c9 em v\u00e3o que os maus se vangloriam na esperan\u00e7a de a conquistar. Mas se vos tornardes como Ele o deseja, o que vos exorto a ser, depois de terdes recebido as suas ordens, sereis felizes sempre, a vossa prosperidade ser\u00e1 invejada por todas as na\u00e7\u00f5es do mundo, possuireis em definitivo o que j\u00e1 conquistastes e bem depressa entrareis na posse do que vos resta ainda conquistar. Cuidai somente em prestar a Deus uma fiel obedi\u00eancia: n\u00e3o prefirais outras leis \u00e0s que vos dei, por sua ordem. Observai-as com grande cuidado e evitai principalmente mudar alguma coisa por desprezo criminoso ao que se refere \u00e0 religi\u00e3o. Como tudo \u00e9 poss\u00edvel aos que Deus ajuda, tornar-vos-eis os mais tem\u00edveis de todos os homens. Se seguirdes este conselho, sobrepujareis a todos os vossos inimigos e recebereis durante toda a vossa vida as maiores recompensas que a virtude pode conceder. A mesma virtude ser\u00e1 a principal, porque \u00e9 por meio dela que se obt\u00eam todas as outras e somente ela vos pode tornar felizes e granjear-vos reputa\u00e7\u00e3o e gl\u00f3ria imortais entre as na\u00e7\u00f5es estrangeiras. Eis o que tendes motivo de esperar se observardes religiosamente \u2014 sem cessar e sem jamais permitir que sejam violadas \u2014 as leis que recebestes. Saio deste mundo com a consola\u00e7\u00e3o de vos deixar em grande prosperidade e recomendo-vos \u00e0 s\u00e1bia orienta\u00e7\u00e3o de vossos chefes e magistra\u00addos, que jamais deixar\u00e3o de ter por v\u00f3s o m\u00e1ximo cuidado. Deus, por\u00e9m, deve ser o vosso principal apoio. \u00c9 somente a Ele que sois devedores de todos os benef\u00edcios que recebestes at\u00e9 agora por meu interm\u00e9dio, e Ele n\u00e3o vos deixar\u00e1 de proteger, contanto que n\u00e3o deixeis de reverenci\u00e1-lo e de p\u00f4r toda a vossa confian\u00e7a em seu aux\u00edlio. Tereis sempre pessoas honestas para vos dar excelentes instru\u00e7\u00f5es, como o sumo sacerdote Eleazar, Josu\u00e9, os Senadores e os chefes de vossas tribos. Mas \u00e9 necess\u00e1rio que lhes obede\u00e7ais com prazer, lembrando-vos de que aqueles que bem souberam obedecer saber\u00e3o mandar quando forem elevados a cargos e dignidades. Assim, n\u00e3o imagineis, como fizestes at\u00e9 agora, que a liberdade consiste em desobedecer aos vossos superiores, o que \u00e9 uma grande falta, da qual vos deveis absolutamente corrigir. Evitai tamb\u00e9m deixar-vos levar pela c\u00f3lera contra eles, como fizestes tantas vezes para comigo, pois n\u00e3o vos podereis ter esquecido de que me pusestes em perigo de vida muito mais que a todos os nossos inimigos. Falo assim n\u00e3o para vos fazer repreens\u00f5es ou censuras. Como desejaria eu, no tempo em que estou para me separar de v\u00f3s, contristar-vos pela lembran\u00e7a daquilo que j\u00e1 passou, se nem mesmo ent\u00e3o mani\u00adfestei o menor ressentimento, quando as coisas se passavam? Aconselho-vos, no entanto, a vos tornardes mais sensatos para o futuro, porque n\u00e3o saberia fazer-vos compreender o quanto vos importa n\u00e3o murmurar contra os vossos superio\u00adres quando, depois de terdes passado o Jord\u00e3o e vos tornado senhores da prov\u00edn\u00adcia de Cana\u00e3, vos sentirdes repletos de todas as esp\u00e9cies de bens. Pois, se perderdes o respeito que deveis a Deus e abandonardes a virtude, Ele tamb\u00e9m vos abando\u00adnar\u00e1 e tornar-se-\u00e1 vosso inimigo. Perdereis com vergonha, pela vossa desobedi\u00ad\u00eancia, o pa\u00eds que conquistastes com o seu aux\u00edlio. Sereis levados escravos para todas as partes do mundo, e n\u00e3o haver\u00e1 lugar na terra ou no mar onde n\u00e3o se conhe\u00e7am os sinais de vossa escravid\u00e3o. N\u00e3o ser\u00e1 ent\u00e3o mais tempo de vos arrependerdes, porque n\u00e3o observastes as suas santas leis. E, a fim de n\u00e3o cair nessa desgra\u00e7a, n\u00e3o deixeis com vida um s\u00f3 de vossos inimigos depois de os terdes vencido. Crede que \u00e9 da m\u00e1xima import\u00e2ncia mat\u00e1-los todos, sem pou\u00adpar um sequer, porque de outro modo podereis, pelas rela\u00e7\u00f5es que tiverdes com eles, ser levados \u00e0 idolatria e ao abandono das leis de vossos antepassados. Orde\u00adno-vos tamb\u00e9m o emprego do ferro e do fogo para destruir de tal modo todos os Templos, altares e bosques consagrados aos seus falsos deuses que deles n\u00e3o reste o menor vest\u00edgio. E o \u00fanico meio de vos conservardes na posse dos bens que desfrutareis. E, para que nenhum de v\u00f3s se deixe levar para o mal, por igno\u00adr\u00e2ncia, escrevi por ordem de Deus as leis que deveis observar e a maneira como deveis proceder, tanto nos neg\u00f3cios p\u00fablicos quanto nos particulares. Se as observardes inviolavelmente, sereis os mais felizes de todos os homens&#8221;.<\/p>\n<p>Assim falou Mois\u00e9s a todos os israelitas e deu-lhes um livro, no qual estavam escritas as leis e a maneira de viver que deveriam observar. Todos consideravam-no morto, e a lembran\u00e7a dos perigos que havia corrido e das amarguras que sofrer\u00e1 de t\u00e3o boa mente por amor a eles f\u00ea-los chorar. E o sofrimento aumentou com a certeza de que lhes seria imposs\u00edvel tornar a encontrar um chefe igual a ele e que, n\u00e3o o tendo mais como intercessor, Deus j\u00e1 n\u00e3o lhes seria t\u00e3o favor\u00e1vel. Esses mesmos pensamentos produziram neles tal arrependimento por se terem deixado levar em furor contra ele no deserto que n\u00e3o se podiam consolar. Ele, por\u00e9m, pediu-lhes que cessassem de chorar e s\u00f3 pensassem em observar fielmente as leis de Deus. E a reuni\u00e3o assim se dissolveu.<\/p>\n<p>Julgo dever dizer, antes de passar al\u00e9m, quais foram essas leis, para que o leitor conhe\u00e7a como s\u00e3o dignas da virtude de t\u00e3o grande legislador e saiba quais s\u00e3o os costumes que observamos h\u00e1 tantos s\u00e9culos. Narr\u00e1-las-ei do mesmo modo como foram dadas por esse homem admir\u00e1vel, sem acrescentar ornamento al\u00adgum. Mudarei somente a ordem, porque Mois\u00e9s as apresentou em tempos di\u00adversos e em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, segundo Deus o ordenava. Sou obrigado a fazer essa observa\u00e7\u00e3o a fim de que, se esta hist\u00f3ria cair nas m\u00e3os de algum dos de nossa na\u00e7\u00e3o, n\u00e3o seja eu acusado de faltar \u00e0 sinceridade. Falarei aqui das leis relativas \u00e0 pol\u00edtica. Quanto \u00e0s que se referem aos contratos que realizamos entre n\u00f3s, falarei no tratado que espero, com a gra\u00e7a de Deus, escrever acerca de nossos costumes e das raz\u00f5es dessas leis. Vou ent\u00e3o agora \u00e0 primeiras:<\/p>\n<p>Depois de terdes conquistado o pa\u00eds de Cana\u00e3 e constru\u00eddo cidades, podereis desfrutar tranq\u00fcilamente o fruto de vossa vit\u00f3ria, e vossa felicidade ser\u00e1 firme e duradoura, contanto que vos torneis agrad\u00e1veis a Deus, observando as coisas que se seguem:<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00caxodo 20ss, Deuteron\u00f4mio 5ss e 16ss.<\/em><\/p>\n<p>Na cidade que Deus escolher nesse pa\u00eds, a que chamar\u00e3o Cidade Santa, em um planalto c\u00f4modo e f\u00e9rtil, construir-se-\u00e1 um \u00fanico Templo, no qual ser\u00e1 ergui\u00addo um \u00fanico altar, com pedras n\u00e3o talhadas, mas escolhidas com tanto cuidado que quando estiverem unidas n\u00e3o deixem de ser agrad\u00e1veis \u00e0 vista. N\u00e3o ser\u00e1 preciso subir a esse Templo nem a esse altar por degraus, mas por um pequeno terra\u00e7o em declive suave. N\u00e3o haver\u00e1 Templo ou altar em nenhuma outra cida\u00adde, pois h\u00e1 um s\u00f3 Deus e uma \u00fanica na\u00e7\u00e3o, a dos hebreus.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00caxodo 20.<\/em><\/p>\n<p>Aquele que blasfemar contra Deus ser\u00e1 apedrejado e dependurado durante um dia na forca. Depois ser\u00e1 enterrado secretamente, com ignom\u00ednia.<\/p>\n<p>Todos os hebreus, em qualquer pa\u00eds do mundo em que habitem, dirigir-se-\u00e3o tr\u00eas vezes por ano \u00e0 Cidade Santa, ao Templo, para agradecer a Deus os seus bene\u00adf\u00edcios e implorar o seu aux\u00edlio para o futuro e tamb\u00e9m para se fomentar a amizade entre v\u00f3s, por meio das festas que se h\u00e3o de fazer e por conversas que se h\u00e3o de ter em conjunto. \u00c9 justo que se conhe\u00e7am os que pertencem a um mesmo povo e s\u00e3o governados pelas mesmas leis, e para isso nada mais apropriado que essas reuni\u00f5es e assembl\u00e9ias, as quais, pela vista e pelas rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas, deixam a lem\u00adbran\u00e7a gravada na mem\u00f3ria, ao passo que os que jamais se viram passam por estran\u00adgeiros no esp\u00edrito dos outros. Para esse fim, al\u00e9m das d\u00e9cimas devidas aos sacerdotes e aos levitas, reservareis outras, que vendereis cada qual em sua tribo e do que obtereis dinheiro para empreg\u00e1-lo na Cidade Santa, nas festas sagradas que fareis nesses dias de regozijo. Porque \u00e9 muito razo\u00e1vel fazer atos de alegria em honra a Deus com aquilo que prov\u00e9m das terras que possu\u00edmos pela sua liberalidade.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Deuteron\u00f4mio 23.<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o se oferecer\u00e1 em sacrif\u00edcio o que procede do ganho da mulher de m\u00e1 vida, pois Deus n\u00e3o tem como agrad\u00e1vel o que foi adquirido por meios il\u00edcitos e por vergonhosa prostitui\u00e7\u00e3o. Por essa mesma raz\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 permitido oferecer em sacrif\u00edcio o que se tiver recebido por empr\u00e9stimo de c\u00e3es de ca\u00e7a ou de pastor para deles se tirar ra\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o se falar\u00e1 mal dos deuses que as outras na\u00e7\u00f5es cultuam, nem se saquear\u00e3o os seus Templos e nem se levar\u00e3o as coisas oferecidas a alguma divindade, seja qual for.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m se vestir\u00e1 de pano de linho e de l\u00e3 misturados, porque isso \u00e9 reser\u00advado somente aos sacerdotes.<\/p>\n<p>Quando se reunirem na Cidade Santa, ao fim de sete anos, para solenizar a festa dos Tabern\u00e1culos, o sumo sacerdote subir\u00e1 a um lugar elevado, de onde lera publicamente toda a Lei, t\u00e3o alto que cada qual possa ouvi-la, sem que se impe\u00e7am \u00e0s mulheres, \u00e0s crian\u00e7as e aos animais estarem presentes, pois \u00e9 bom grav\u00e1-la dessa maneira nos cora\u00e7\u00f5es, para que jamais seja apagada de sua mem\u00f3ria e de modo a tirar-lhes a desculpa de terem pecado por ignor\u00e2ncia. Porque as santas leis far\u00e3o sem d\u00favida impress\u00e3o muito forte em seu esp\u00edrito quando eles mesmos ouvirem quais s\u00e3o os castigos que elas imp\u00f5em e como ser\u00e3o puni\u00addos os que ousarem viol\u00e1-las.<\/p>\n<p>Deve-se antes de tudo ensinar \u00e0s crian\u00e7as essas mesmas leis, pois nada lhes poder\u00e1 ser mais \u00fatil, e, pela mesma raz\u00e3o, apresentar-lhes duas vezes por dia, pela manh\u00e3 e \u00e0 noite, os benef\u00edcios de que s\u00e3o devedoras a Deus e a maneira como foram libertas da servid\u00e3o dos eg\u00edpcios, a fim de que lhe agrade\u00e7am os favores passados e tornem-no favor\u00e1vel para obter outros no futuro.<\/p>\n<p>Deve-se escrever nas portas, para ter, assim, escritas em redor da cabe\u00e7a e dos bra\u00e7os as coisas principais que Deus fez por n\u00f3s, pois s\u00e3o grandes testemunhos de sua bondade e de seu poder, a fim de nos renovarem continuamente a sua lembran\u00e7a.<\/p>\n<p>Devem ser escolhidos para magistrados, em cada cidade, sete homens de virtude experimentada e h\u00e1beis no que concerne \u00e0 justi\u00e7a. A eles acrescentem-se dois levitas, e todos lhes prestem tanta honra que ningu\u00e9m se atreva a dizer uma \u00fanica palavra inconveniente em sua presen\u00e7a, a fim de que o h\u00e1bito de prestar respeito aos homens os leve a reverenciar a Deus. Os julgamentos que esses magistrados pronunciarem ser\u00e3o executados, a n\u00e3o ser que tenham sido subornadospor presen\u00adtes ou pare\u00e7a visivelmente que julgaram mal, pois, sendo a justi\u00e7a prefer\u00edvel a todas as coisas, \u00e9 preciso ministr\u00e1-la sem interesse e sem favor. Do contr\u00e1rio, Deus seria tratado com desprezo e pareceria mais fraco que os homens se o temor de desgostar pessoas ricas e elevadas em autoridade fosse mais poderoso sobre o esp\u00edrito dos juizes que o medo de violar a justi\u00e7a, pois ela \u00e9 a for\u00e7a de Deus. E, se os juizes encontram dificuldade em decidir certos assuntos, como muitas vezes pode aconte\u00adcer, devem, sem nada pronunciar, lev\u00e1-los integralmente \u00e0 Cidade Santa, ao sumo sacerdote, ao profeta e ao Senado, que os julgar\u00e3o segundo a sua consci\u00eancia.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Deuteron\u00f4mio 19.<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o se prestar\u00e1 f\u00e9 a uma \u00fanica testemunha. Elas devem ser tr\u00eas ou pelo me\u00adnos duas, e pessoas sem culpa.<\/p>\n<p>As mulheres n\u00e3o ser\u00e3o recebidas como testemunhas, por causa da fragilidade de seu sexo e porque falam muito atrevidamente.<\/p>\n<p>Os escravos tamb\u00e9m n\u00e3o poder\u00e3o ser testemunhas, porque a baixeza de sua condi\u00e7\u00e3o lhes abate o \u00e2nimo, e o temor ou o interesse pode lev\u00e1-los a depor contra a verdade.<\/p>\n<p>Aquele contra o qual se provar que proferiu falso testemunho sofrer\u00e1 o mesmo castigo que se imporia ao acusado, caso fosse condenado por seu testemunho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Deuteron\u00f4mio 21.<\/em><\/p>\n<p>Quando um assass\u00ednio for cometido, sem que se saiba quem \u00e9 o criminoso nem se tenha motivo para suspeitar de algu\u00e9m t\u00ea-lo perpetrado por \u00f3dio ou por vingan\u00ad\u00e7a, \u00e9 preciso informar-se com exatid\u00e3o e mesmo propor uma recompensa a quem o puder descobrir. E, se ningu\u00e9m for dado como criminoso, os magistrados das cida\u00addes vizinhas do lugar onde o assass\u00ednio foi cometido reunir-se-\u00e3o com o Senado para saber qual dessas cidades \u00e9 a mais pr\u00f3xima do lugar onde foi encontrado o corpo do morto. Ent\u00e3o essa cidade comprar\u00e1 uma novilha, que ser\u00e1 levada a um vale t\u00e3o est\u00e9ril que nele n\u00e3o cres\u00e7am cereais nem ervas. Ali os sacerdotes e os levitas, depois de lhe terem cortado os nervos do pesco\u00e7o, lavar\u00e3o as m\u00e3os e as colocar\u00e3o sobre a cabe\u00e7a da novilha, protestando em alta voz, juntamente com os magistrados, que n\u00e3o est\u00e3o manchados com esse crime, que n\u00e3o o cometeram e que nem estavam presentes quando foi cometido, e rogando a Deus que aplaque a sua c\u00f3lera e jamais permita que semelhante infelicidade volte a suceder naquele lugar.<\/p>\n<p>A aristocracia \u00e9 sem d\u00favida uma forma muito boa de governo, porque p\u00f5e a autoridade nas m\u00e3os de v\u00e1rias pessoas de bem. Abra\u00e7ai-a, ent\u00e3o, a fim de terdes por senhores apenas as leis que Deus vos d\u00e1, pois vos deve ser suficiente que Ele queira ser o vosso guia.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Deuteron\u00f4mio 17.<\/em><\/p>\n<p>Se desejardes um rei, escolhei um que seja da vossa na\u00e7\u00e3o e ame a justi\u00e7a e todas as outras virtudes. Por mais capaz que possa ser, \u00e9 necess\u00e1rio que se atenha mais a Deus e \u00e0s leis que \u00e0 sua pr\u00f3pria sabedoria e governo; que nada fa\u00e7a sem o conselho do sumo sacerdote e do Senado; e que n\u00e3o tenha v\u00e1rias mulheres e nem sinta prazer em ajuntar dinheiro e criar muitos cavalos, para que isso n\u00e3o o leve ao desprezo das leis. E, se ele se envolver em excesso com essas coisas, deveis impedir, para o bem p\u00fablico, que ele se torne mais poderoso que necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>N\u00e3o se devem mudar os limites, tanto nas pr\u00f3prias terras quanto nas dos ou\u00adtros, pois servem para manter a paz. Eles devem permanecer fixos e imut\u00e1veis como se o pr\u00f3prio Deus os houvesse marcado, porque a mudan\u00e7a pode dar motivo a grandes diverg\u00eancias e lit\u00edgios, e aqueles cuja avareza n\u00e3o pode tolerar que se ponham limites \u00e0 sua gan\u00e2ncia s\u00e3o facilmente levados a desprezar e violar as leis.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Lev\u00edtico 25.<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o poder\u00e3o servir para uso particular e nem se oferecer\u00e3o a Deus as prim\u00edcias dos frutos que as \u00e1rvores produzirem antes do quarto ano, a contar do tempo em que tiverem sido plantadas, porque s\u00e3o como frutos abortados, e tudo o que \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0s leis da natureza n\u00e3o \u00e9 digno de ser oferecido a Deus nem pr\u00f3prio para alimentar os homens. Quanto aos frutos que as \u00e1rvores produzirem no quarto ano, aquele que os colher os levar\u00e1 \u00e0 Cidade Santa para, com as outras d\u00e9cimas, oferecer a Deus as prim\u00edcias e comer o resto com os amigos, os \u00f3rf\u00e3os e as vi\u00favas. Mas, a come\u00e7ar do ano seguinte, que ser\u00e1 o quinto, poder\u00e1 fazer de seus frutos o uso que desejar.<\/p>\n<p>Nada se deve semear numa vinha, porque \u00e9 suficiente que a terra a alimente sem que se abra com o arado o seu seio.<\/p>\n<p>Deve-se arar a terra com bois, sem juntar outros animais ou atrelar esp\u00e9cies diferentes \u00e0 mesma charrua.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 conveniente, do mesmo modo, misturar duas ou tr\u00eas esp\u00e9cies de se\u00admentes para lan\u00e7ar \u00e0 terra. Porque n\u00e3o agrada \u00e0 natureza essa mistura. N\u00e3o se devem tamb\u00e9m acasalar animais de v\u00e1rias esp\u00e9cies, para que os homens, por esse motivo, n\u00e3o se acostumem a tal mistura, que \u00e9 abomin\u00e1vel, pois aquilo que a princ\u00edpio parece de pouca import\u00e2ncia facilmente produz efeitos perigosos. Deve-se, por essa raz\u00e3o, tomar muito cuidado para n\u00e3o permitir imita\u00e7\u00e3o que possa corromper os bons costumes. Eis por que as leis regulam mesmo as coisas m\u00ednimas quando se trata de manter a todos no pr\u00f3prio dever.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Deuteron\u00f4mio 24.<\/em><\/p>\n<p>Os ceifadores devem n\u00e3o somente evitar recolher com demasiada avareza as espigas como tamb\u00e9m deixar algumas para os pobres. Devem, do mesmo modo, deixar alguns cachos na videira e azeitonas nas oliveiras. Pois essa feliz neglig\u00ean\u00adcia, longe de causar preju\u00edzo ao que a pratica, traz-lhe proveito, pela sua carida\u00adde. E Deus tornar\u00e1 mais fecunda a terra daquele que, n\u00e3o se prendendo muito aos pr\u00f3prios interesses, n\u00e3o deixa de considerar os dos outros.<\/p>\n<p>Quando os bois pisam o gr\u00e3o, n\u00e3o se deve atar-lhes a boca, pois \u00e9 razo\u00e1vel que tirem proveito de seu trabalho.<\/p>\n<p>N\u00e3o se deve, do mesmo modo, impedir a um transeunte, quer do pa\u00eds, quer estrangeiro, tomar e comer ma\u00e7\u00e3s quando estiverem maduras. Ao con\u00adtr\u00e1rio, \u00e9 bom d\u00e1-las de boa mente, sem que, por\u00e9m, ele as leve consigo. N\u00e3o se deve tamb\u00e9m impedir \u00e0queles que trabalham no lagar que experimentem as uvas, pois \u00e9 justo tornarmos os outros participantes dos bens que apraz a Deus nos conceder, pois essa esta\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a mais f\u00e9rtil do ano, dura pouco tempo. Se algu\u00e9m tiver vergonha de tocar nas uvas, deve-se mesmo pedir a ele que as apanhe. (Se forem israelitas, a proximidade que h\u00e1 entre n\u00f3s deve torn\u00e1-los n\u00e3o apenas participantes, mas senhores daquilo que possu\u00edmos. Se forem estrangeiros, devemos desempenhar para com eles a hospitalidade, sem julgar perder alguma coisa por esse pequeno presente que lhes fazemos dos frutos que recebemos da liberalidade de Deus, pois Ele n\u00e3o nos enriquece somente para n\u00f3s, mas deseja tamb\u00e9m dar a conhecer aos outros povos, pela participa\u00e7\u00e3o que lhe permitimos em nossos bens, a sua munific\u00eancia para conosco.)<\/p>\n<p>Se algu\u00e9m desobedecer a esses mandamentos, receber\u00e1 trinta e nove golpes de chicote. Ser\u00e1 castigado com essa pena servil porque, sendo livre, tornou-se escravo de seus bens e a si mesmo se desonrou. (Que h\u00e1 de mais razo\u00e1vel, depois de sofrermos tanto no Egito e no deserto, que termos compaix\u00e3o das mis\u00e9rias dos outros e, tendo recebido tantos bens da bondade infinita de Deus, distribuir\u00admos uma parte aos que deles t\u00eam necessidade?)<\/p>\n<p>Al\u00e9m das duas d\u00e9cimas que \u00e9 obrigat\u00f3rio pagar a cada ano, uma aos levitas e outra para as festas sagradas, deve-se pagar uma terceira, para ser distribu\u00edda \u00e0s vi\u00favas, aos pobres e aos \u00f3rf\u00e3os.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Deuteron\u00f4mio 26.<\/em><\/p>\n<p>As prim\u00edcias de todos os frutos devem ser levadas ao Templo e oferecidas aos sacerdotes, depois de terdes rendido gra\u00e7as a Deus por vos ter dado a terra que os produz e feito os sacrif\u00edcios que a Lei determina. Aquele que vier pagar essas duas d\u00e9cimas, das quais uma deve ser dada aos levitas e a outra empregada nos festins sagrados, apresentar-se-\u00e1 \u00e0 porta do Templo antes de voltar para casa e dar\u00e1 gra\u00e7as a Deus por haver libertado o povo da escravid\u00e3o do Egito e dado a ele uma terra t\u00e3o f\u00e9rtil e abundante. Declarar\u00e1 em seguida que pagou as d\u00e9cimas segundo a lei de Mois\u00e9s e rogar\u00e1 a Deus que lhe seja sempre favor\u00e1vel. (\u00c9 Ele quem conserva os bens que nos deu, sem nada acrescentarmos de novo.)<\/p>\n<p>Quando os homens chegarem \u00e0 idade de se casar, desposar\u00e3o jovens de con\u00addi\u00e7\u00e3o livre, cujos pais sejam gente de bem. Aquele que recusar casar-se dessa maneira, a fim de desposar a mulher de outro, que obteve com artif\u00edcios, n\u00e3o poder\u00e1 faz\u00ea-lo, para n\u00e3o contristar o primeiro marido.<\/p>\n<p>Por mais amor que os homens tenham por mulheres escravas, n\u00e3o devem despos\u00e1-las, mas dominar a sua paix\u00e3o, pois a honestidade e a boa educa\u00e7\u00e3o a isso os obrigam.<\/p>\n<p>A mulher que se prostituiu n\u00e3o poder\u00e1 casar-se, porque, tendo sido desonra\u00addo o seu corpo, Deus n\u00e3o receber\u00e1 os sacrif\u00edcios que lhe forem oferecidos por semelhantes casamentos. Al\u00e9m disso, as crian\u00e7as que nascem de pais virtuosos possuem \u00edndole mais nobre e mais inclinada \u00e0 virtude que as origin\u00e1rias de alian\u00ad\u00e7a vergonhosa ou contra\u00edda por amor impudico.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Deuteron\u00f4mio 24.<\/em><\/p>\n<p>Se algu\u00e9m, depois de ter desposado uma jovem que passava por virgem, julga ter motivo para crer que j\u00e1 n\u00e3o o \u00e9, a far\u00e1 citar \u00e0 justi\u00e7a e trar\u00e1 as provas de sua suspeita. O pai ou o irm\u00e3o ou, em sua falta, o parente mais pr\u00f3ximo da mo\u00e7a a defender\u00e1. Se ela for declarada inocente, o marido ser\u00e1 obrigado a mant\u00ea-la sem poder jamais despedi-la, a n\u00e3o ser por grande falta, que n\u00e3o possa ser con\u00adtestada. E, como castigo pela cal\u00fania e pelo ultraje que fez \u00e0 sua inoc\u00eancia, rece\u00adber\u00e1 trinta e nove golpes de chicote e dar\u00e1 cinq\u00fcenta sidos ao pai da mo\u00e7a. Mas se ela for culpada e provir de fam\u00edlia leiga, ser\u00e1 apedrejada. Se for da descend\u00ean\u00adcia dos sacerdotes, ser\u00e1 queimada viva.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Deuteron\u00f4mio 2 <\/em><em>1<\/em>.<\/p>\n<p>Se um homem desposou duas mulheres e tem mais afeto a uma delas, quer por causa da beleza, quer por alguma outra raz\u00e3o, e o filho da que ele mais ama seja mais mo\u00e7o que o da que ele menos ama e aquela o queira na partilha, como se fosse o mais velho, a fim de que, segundo as leis, tenha dupla por\u00e7\u00e3o, n\u00e3o deve o marido atender-lhe o pedido. Porque n\u00e3o \u00e9 justo que a infelicidade de a m\u00e3e ser menos amada pelo marido seja causa de injusti\u00e7a ao direito de primogenitura que o seu filho adquiriu pelo privil\u00e9gio do nascimento.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Deuteron\u00f4mio 22.<\/em><\/p>\n<p>Se algu\u00e9m corrompeu uma jovem, noiva de outro, tendo ela lhe dado o con\u00adsentimento, ambos ser\u00e3o castigados de morte, pois s\u00e3o culpados: o homem por ter persuadido a mo\u00e7a a preferir um prazer infame \u00e0 honestidade do matrim\u00f4nio leg\u00edtimo e ela por ter assim consentido ou pelo desejo do dinheiro ou por vergo\u00adnhosa vol\u00fapia.<\/p>\n<p>Aquele que desonra uma mo\u00e7a que encontra sozinha e a quem ningu\u00e9m pode socorrer ser\u00e1 castigado de morte.<\/p>\n<p>Aquele que abusa de uma jovem ainda n\u00e3o prometida a ningu\u00e9m ser\u00e1 obri\u00adgado a despos\u00e1-la ou a pagar cinq\u00fcenta sidos ao pai da mo\u00e7a, se este n\u00e3o a quiser dar em casamento.<\/p>\n<p>Aquele que por qualquer motivo quiser separar-se da mulher, como acontece freq\u00fcentemente, prometer-lhe-\u00e1 por escrito que jamais a tornar\u00e1 a pedir de vol\u00adta, a fim de que ela tenha liberdade de tornar a casar-se \u2014 e n\u00e3o se permitir\u00e1 o div\u00f3rcio sen\u00e3o com essa condi\u00e7\u00e3o. E se, depois de haver casado com outro, esse segundo marido a tratar mal ou vier a morrer e o primeiro a quiser receber de novo, n\u00e3o lhe ser\u00e1 permitido voltar para junto dele.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Deuteron\u00f4mio 25.<\/em><\/p>\n<p>Se um homem morre sem filhos, o irm\u00e3o dele desposar\u00e1 a vi\u00fava e se dela tiver um filho dar-lhe-\u00e1 o nome do falecido e o considerar\u00e1 herdeiro deste, pois \u00e9 vantajoso para a Rep\u00fablica que o bem se conserve desse modo nas fam\u00edlias, e ser\u00e1 uma consola\u00e7\u00e3o para a vi\u00fava viver com uma pessoa t\u00e3o pr\u00f3xima de seu marido. Se o irm\u00e3o do falecido recusar despos\u00e1-la, ela declarar\u00e1 diante do Sena\u00addo que ele n\u00e3o se incomodou em mant\u00ea-la na fam\u00edlia do marido nem em lhe dar filhos e que esse cunhado, a quem ela queria desposar, fez \u00e0 mem\u00f3ria do irm\u00e3o a inj\u00faria de n\u00e3o querer saber dela. Quando o Senado o fizer vir para perguntar-lhe qual a raz\u00e3o disso e ele fizer alguma alega\u00e7\u00e3o, quer boa, quer m\u00e1, ela descal\u00ad\u00e7ar\u00e1 um dos sapatos do cunhado que a recusou e cuspir-lhe-\u00e1 no rosto, dizendo que ele merece receber essa afronta porque fez grande ultraje \u00e2 mem\u00f3ria do irm\u00e3o. Assim, ele sair\u00e1 do Senado com essa mancha, que lhe marcar\u00e1 pelo resto da vida, e a mulher poder\u00e1 casar-se com quem bem entender.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Deuteron\u00f4mio 21.<\/em><\/p>\n<p>Se algu\u00e9m tomar na guerra uma mulher como prisioneira, seja virgem, seja casada, e quiser contrair com ela um matrim\u00f4nio leg\u00edtimo, \u00e9 preciso que antes ela se vista de luto, que lhe cortem os cabelos e que ela chore os parentes e amigos mortos no combate, para que depois de satisfazer \u00e0 dor possa ter o esp\u00ed\u00adrito mais livre para as festas de n\u00fapcias. Porque \u00e9 justo que aquele que toma uma esposa com o prop\u00f3sito de ter filhos d\u00ea alguma coisa aos bons sentimentos dela e n\u00e3o se entregue de tal modo ir ao prazer que venha a desprez\u00e1-los. Ap\u00f3s um luto de trinta dias, tempo suficiente para as pessoas sensatas chorarem os paren\u00adtes e amigos, poder-se-\u00e1 celebrar o casamento. Se o homem depois de ter sa\u00adtisfeito \u00e0 sua paix\u00e3o vier a desprezar essa mulher, n\u00e3o lhe ser\u00e1 mais permitido t\u00ea-la como escrava: ela tornar-se-\u00e1 livre e poder\u00e1 ir para onde quiser.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Deuteron\u00f4mio 21.<\/em><\/p>\n<p>Se houver filhos que n\u00e3o prestem aos progenitores a honra que lhes \u00e9 devida, mas os desprezem e vivam insolentemente com eles, esses progenitores, que a natureza faz juizes daqueles, dever\u00e3o fazer-lhes ver que ao se casar n\u00e3o tinham por objetivo a voluptuosidade nem o desejo de aumentar o pr\u00f3prio bem, e sim ter filhos que os pudessem auxiliar na velhice e que, havendo-os recebido de Deus, os receberam com alegria e a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as e os educaram com toda esp\u00e9\u00adcie de cuidados, sem nada poupar para bem instru\u00ed-los. E acrescentar\u00e3o estas palavras: &#8220;Mas como \u00e9 preciso perdoar alguma coisa \u00e0 juventude, contentai-vos pelo menos, meu filho, de terdes at\u00e9 aqui cumprido t\u00e3o mal o vosso dever. Refle\u00adti, procurai ser mais sensato e lembrai-vos de que Deus tem como feitas contra Ele mesmo as ofensas que se cometem contra aqueles dos quais se recebeu a vida, pois Ele \u00e9 o pai comum de todos os homens, e a Lei determina, por esse motivo, uma pena irremiss\u00edvel, e eu ficaria muito sentido se f\u00f3sseis t\u00e3o infeliz que a dev\u00easseis merecer&#8221;.<\/p>\n<p>Se depois de todas essas palavras a crian\u00e7a se corrigir, ser\u00e1 bem perdoar-lhe as faltas que houver cometido mais por ignor\u00e2ncia que por mal\u00edcia, e assim louvar-se-\u00e1 a sabedoria do legislador e os pais ser\u00e3o felizes por ver que o filho n\u00e3o sofrer\u00e1 o castigo que as leis determinam. Mas se essa s\u00e1bia repreens\u00e3o for in\u00fatil e a crian\u00e7a persistir na desobedi\u00eancia e permanecer insolente para com os pais, tornando-se inimiga das leis, ela ser\u00e1 levada para fora da cidade e apedrejada \u00e0 vista de todo o povo. E, depois que o seu corpo tiver sido exposto em p\u00fablico durante todo o dia, ser\u00e1 enterrada \u00e0 noite.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Deuteron\u00f4mio 23.<\/em><\/p>\n<p>A mesma coisa se h\u00e1 de observar a respeito daqueles que forem condenados \u00e0 morte: enterrar-se-\u00e3o at\u00e9 mesmo os inimigos. Nenhum morto deve ser deixa\u00addo sem sepultura, pois seria levar muito al\u00e9m a sua puni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 permitido a israelita algum emprestar com usura dinheiro, alimento algum ou bebida de qualquer esp\u00e9cie, porque n\u00e3o \u00e9 justo aproveitar-se da mis\u00e9\u00adria dos outros da mesma na\u00e7\u00e3o. Deve-se, ao contr\u00e1rio, considerar uma honra ajud\u00e1-los e esperar recompensa somente de Deus. Aqueles que tomarem em\u00adprestado dinheiro, frutos secos ou l\u00edquidos dever\u00e3o restitu\u00ed-los quando Deus lhes permitir colh\u00ea-los, e com a mesma alegria com que os pediram emprestado, porque \u00e9 o melhor meio de os encontrar se vierem a cair em semelhante mis\u00e9ria.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Deuteron\u00f4mio 24.<\/em><\/p>\n<p>Se o devedor n\u00e3o tem vergonha de deixar de pagar a d\u00edvida, o credor n\u00e3o dever\u00e1, no entanto, ir \u00e0 sua casa pedir um penhor, como garantia, mas ter\u00e1 de esperar que a justi\u00e7a o ordene. S\u00f3 ent\u00e3o o poder\u00e1 solicitar, sem todavia entrar na casa do devedor, que ser\u00e1 obrigado a entregar-lhe o penhor imediatamente, pois n\u00e3o \u00e9 permitido opor-se \u00e0quele que vem amparado pelo aux\u00edlio das leis. Se o devedor estiver em boa situa\u00e7\u00e3o, o credor poder\u00e1 conservar esse penhor at\u00e9 ser reembolsado daquilo que emprestou. Mas se \u00e9 pobre, dever\u00e1 restitu\u00ed-lo antes que o sol se ponha, principalmente se forem vestes, a fim de que possa cobrir-se \u00e0 noite, porque Deus tem compaix\u00e3o dos pobres. N\u00e3o se poder\u00e1 tomar como pe\u00adnhor uma mula nem coisa alguma que sirva para o moinho, a fim de n\u00e3o se au\u00admentar ainda mais a mis\u00e9ria dos pobres tirando-lhes os meios de ganhar a vida.<\/p>\n<p>Aquele que retiver em escravid\u00e3o um homem livre de nascimento ser\u00e1 castigado com a morte. Aquele que roubar ouro ou prata ser\u00e1 obrigado a restituir o dobro.<\/p>\n<p>Aquele que matar um ladr\u00e3o dom\u00e9stico ou um homem que tenha tentado saltar o muro de sua casa para roubar n\u00e3o ser\u00e1 castigado.<\/p>\n<p>Aquele que roubar um animal pagar\u00e1 o qu\u00e1druplo de seu valor. Se for um boi, pagar\u00e1 cinco vezes o que ele vale. Ou ser\u00e1 reduzido \u00e0 escravid\u00e3o, se n\u00e3o tiver meios de pagar a multa.<\/p>\n<p>Se um hebreu for vendido a outro hebreu, ficar\u00e1 seis anos como seu escravo, mas no s\u00e9timo ano ser\u00e1 posto em liberdade. Se enquanto estiver na casa de seu senhor desposar uma mulher escrava como ele, tiver filhos dela e por causa da afei\u00e7\u00e3o que lhes tem preferir permanecer escravo com eles, ser\u00e1 libertado, com a mulher e os filhos, no ano do Jubileu.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Deuteron\u00f4mio 22.<\/em><\/p>\n<p>Se algu\u00e9m achar ouro ou prata na estrada, ser\u00e1 divulgado a som de trombe-ta o lugar onde foi encontrado esse bem, a fim de que seja restitu\u00eddo a quem o perdeu, porque n\u00e3o se deve tirar vantagem do preju\u00edzo alheio. A mesma coisa deve ser feita com os animais que se encontrarem perdidos ou desgarrados no deserto. E, se n\u00e3o se puder saber a quem eles pertencem, poder\u00e3o ser conser\u00advados, depois de se tomar a Deus como testemunha de que n\u00e3o existe absolu\u00adtamente inten\u00e7\u00e3o de se tirar proveito do bem alheio.<\/p>\n<p>Quando for encontrado algum animal de carga atolado num p\u00e2ntano, deve-se tentar retir\u00e1-lo de l\u00e1 como se fosse pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Em vez de se zombar de quem est\u00e1 perdido ou de se divertir ao v\u00ea-lo em tal afli\u00e7\u00e3o, deve-se encaminh\u00e1-lo \u00e0 verdadeira estrada.<\/p>\n<p>N\u00e3o se deve falar mal nem de um surdo nem de um ausente.<\/p>\n<p>Se numa briga inesperada um homem ferir outro sem ter empregado ferro, deve ser castigado, recebendo tantos golpes quantos desferiu. Se o ferido vier a morrer depois de ter vivido muito tempo ap\u00f3s o ferimento, aquele que o feriu n\u00e3o ser\u00e1 castigado como assassino. E, se o ferido sarar, aquele que o feriu ser\u00e1 obrigado a pagar todas as despesas, bem como aos m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>Se algu\u00e9m der um pontap\u00e9 numa mulher gr\u00e1vida e ela der \u00e0 luz antes do tempo, ser\u00e1 condenado a uma multa em favor dela e a outra em favor do marido, porque diminuiu o n\u00famero do povo, impedindo um homem de vir ao mundo. Se a mulher morrer por causa do golpe que recebeu, ele ser\u00e1 castigado com a morte, porque exige a Lei que quem tirar a vida de outrem tamb\u00e9m venha a perder a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>Quem for encontrado trazendo veneno consigo ser\u00e1 castigado com a morte, porque \u00e9 justo que venha a sofrer o mesmo mal que desejou fazer a outrem.<\/p>\n<p>Se um homem vaza os olhos a outro, ser-lhe-\u00e3o tamb\u00e9m vazados os seus, porque \u00e9 razo\u00e1vel que seja tratado tal como tratou ao outro, caso o que perdeu a vista n\u00e3o preferir ser ressarcido com dinheiro: isso a Lei deixa escolher.<\/p>\n<p>O dono de um boi que tem probabilidade de ferir com os chifres \u00e9 obrigado a mat\u00e1-lo. E, se o boi ferir algu\u00e9m e o matar, ser\u00e1 morto imediatamente a pedra\u00addas e n\u00e3o se comer\u00e1 a sua carne. E, se o dono sabia que o boi era perigoso e n\u00e3o tomou provid\u00eancias a esse respeito, ser\u00e1 castigado com a morte, porque causou a morte de algu\u00e9m. Se a pessoa morta pelo boi for escrava, o boi ser\u00e1 apedrejado e ser\u00e3o pagos trinta sidos ao dono do escravo. Se um boi matar outro boi, am\u00adbos ser\u00e3o vendidos e o dinheiro ser\u00e1 dividido entre os donos.<\/p>\n<p>Quem cavar um po\u00e7o ou uma cisterna ter\u00e1 grande cuidado em cobri-lo, n\u00e3o para impedir que se tire \u00e1gua, mas para que ningu\u00e9m l\u00e1 venha a cair. E se, por n\u00e3o haver assim procedido, algum animal l\u00e1 cair e morrer, ser\u00e1 obrigado a pagar o pre\u00e7o do animal ao seu propriet\u00e1rio. \u00c9 preciso colocar cercas em redor dos telhados das casas, para que ningu\u00e9m de l\u00e1 venha a cair.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Lev\u00edtico 6.<\/em><\/p>\n<p>Aquele a quem um dep\u00f3sito for confiado, conserv\u00e1-lo-\u00e1 como coisa sagra\u00adda e n\u00e3o o dar\u00e1 a quem quer que seja, por coisa alguma que se lhe possa oferecer. Pois, embora n\u00e3o haja testemunhas para acus\u00e1-lo, ele deve ter em conta o testemunho da consci\u00eancia e o quanto deve a Deus, que n\u00e3o pode ser enganado pela mal\u00edcia ou pelos artif\u00edcios dos homens. E, se o deposit\u00e1rio perder o dep\u00f3sito, sem culpa ir\u00e1 procurar os sete juizes de que se falou e tomar\u00e1 a Deus por testemunha, jurando em sua presen\u00e7a que n\u00e3o teve parte alguma no furto nem fez uso algum do dep\u00f3sito. Assim, ser\u00e1 livre do compro\u00admisso. Mas, por pouco que dele se tenha servido, ser\u00e1 obrigado a restituir o dep\u00f3sito inteiro.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Deuteron\u00f4mio 24.<\/em><\/p>\n<p>Deve-se ser bastante consciencioso em pagar o sal\u00e1rio a que fazem jus os oper\u00e1rios com o suor do rosto, pois Deus, em vez de terras e de bens, deu bra\u00e7os aos pobres, para ganharem a vida. Pela mesma raz\u00e3o, n\u00e3o se deve adiar para o dia seguinte o pagamento que lhes \u00e9 devido. Devem ser pagos no mes\u00admo dia, porque Deus n\u00e3o quer v\u00ea-los prejudicados por n\u00e3o receberem o que granjearam.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as n\u00e3o devem ser castigadas pelos pecados dos pais porque, sendo elas virtuosas, s\u00e3o dignas de serem lamentadas por terem nascido de pessoas viciadas e n\u00e3o devem ser odiadas em raz\u00e3o das faltas cometidas por seus proge-nitores. N\u00e3o se deve, do mesmo modo, imputar aos pais os defeitos dos filhos, e sim atribu\u00ed-los \u00e0 m\u00e1 natureza destes, que os fez desprezar as boas li\u00e7\u00f5es que lhes deram aqueles e os impediu de aproveit\u00e1-las.<\/p>\n<p>Deve-se fugir e ter horror aos que se tornaram eunucos voluntariamente e assim perderam o meio que Deus lhes deu de contribuir para a multiplica\u00e7\u00e3o dos homens. Porque al\u00e9m de terem procurado quanto estava neles diminuir-lhes o n\u00famero e serem de algum modo homicidas de crian\u00e7as, das quais poderiam ter sido os pais, n\u00e3o poderiam cometer tal a\u00e7\u00e3o sem ter antes machucado a pureza da pr\u00f3pria alma, pois \u00e9 fora de d\u00favida que se ela n\u00e3o se tivesse efeminado eles n\u00e3o teriam posto o corpo num estado que os assemelha \u00e0s mulheres. Assim, \u00e9 preciso rejeitar tudo o que, sendo contra a natureza, pode passar a monstruoso. N\u00e3o se deve privar nem o homem nem animal algum do sinal de seu sexo.<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o as leis que sereis obrigados a observar durante a paz, a fim de tornardes Deus favor\u00e1vel. E, para que nada as possa perturbar, rogo-vos que nunca permitais que elas sejam abolidas e substitu\u00eddas por outras. Mas, sendo imposs\u00edvel que n\u00e3o haja amotina\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses mais bem organiza\u00addos e que os homens n\u00e3o caiam em desgra\u00e7a, improvisada ou volunt\u00e1ria, \u00e9 preciso que eu vos d\u00ea, al\u00e9m de tudo, alguns avisos a esse respeito, de modo a n\u00e3o serdes surpreendidos nessas ocasi\u00f5es e a estardes preparados para o que deveis fazer.<\/p>\n<p>\u00c9 meu desejo que quando tiverdes obtido por vosso trabalho, com o aux\u00edlio de Deus, o pa\u00eds que Ele vos destinou, v\u00f3s o possais possuir em paz e com plena tranq\u00fcilidade; que n\u00e3o sejais perturbados, nem pelos ataques de vossos inimigos nem por divis\u00f5es intestinas; e que, em vez de abandonar as leis e o proceder de vossos antepassados para abra\u00e7ar outras que lhes sejam inteiramente opostas, permane\u00e7ais firmes na observ\u00e2ncia daquelas que o pr\u00f3prio Deus vos outorgou. Mas se v\u00f3s ou os vossos descendentes fordes obrigados a fazer guerra, desejo de todo o meu cora\u00e7\u00e3o que isso jamais ocorra no vosso pa\u00eds. Nesse caso, deve-se come\u00e7ar enviando arautos para declarar aos vossos inimigos que em qualquer condi\u00e7\u00e3o que estejais, tanto na cavalaria como na infantaria, e principalmente tendo a Deus por protetor e guia de vossos ex\u00e9rcitos, preferis n\u00e3o serdes obrigados a lan\u00e7ar m\u00e3o das armas, pois n\u00e3o tendes nenhum desejo de vos aproveitardes disso.<\/p>\n<p>Se as vossas palavras os persuadirem a continuar em paz convosco, ser\u00e1 muito melhor n\u00e3o romp\u00ea-la. Se eles as desprezarem, por\u00e9m, e n\u00e3o temerem declarar-vos uma guerra injusta, marchai corajosamente contra eles, tomando a Deus por co\u00admandante e general e para comandar, abaixo dEle, o mais s\u00e1bio e experimentado de vossos capit\u00e3es, pois a pluralidade de chefes com igual autoridade, em lugar de ser vantajosa, \u00e9 muitas vezes prejudicial, pela demora que traz \u00e0 execu\u00e7\u00e3o das empresas. Quanto aos soldados, \u00e9 preciso escolher os mais valentes e robustos, sem misturar com eles os fracos e covardes, pois estes, em vez vos serem \u00fateis, s\u00ea-lo-\u00e3o aos vossos inimigos, fugindo quando deveriam combater.<\/p>\n<p>N\u00e3o se obrigar\u00e1 a ir \u00e0 guerra os que tiverem constru\u00eddo uma casa at\u00e9 que nela tenham habitado durante um ano, nem os que tiverem plantado uma vinha at\u00e9 que dela tenham recolhido os frutos e nem os rec\u00e9m-casados, pois estes, pelo desejo de se conservarem para desfrutar os prazeres que lhes s\u00e3o caros, podem vir a afrouxar a coragem e poupar a vida demasiadamente.<\/p>\n<p>Observai nos vossos acampamentos uma disciplina rigorosa, e quando atacardes uma pra\u00e7a e tiverdes necessidade de madeira para fazer m\u00e1quinas, evitai cortar as \u00e1rvores frut\u00edferas, porque Deus as criou para utilidade dos ho\u00admens, e, se elas pudessem falar e mudar de lugar, queixar-se-iam do mal que lhes estar\u00edeis fazendo sem vos terem dado motivo para isso e ir-se-iam estabe\u00adlecer em outras terras.<\/p>\n<p>Quando sairdes vitoriosos, matai os que vos resistirem no combate, mas poupai os outros, para torn\u00e1-los tribut\u00e1rios, exceto os cananeus, que exterminareis com\u00adpletamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Deuteron\u00f4mio 22.<\/em><\/p>\n<p>Ficai atentos a tudo o que se refere \u00e0 guerra, principalmente para que nenhu\u00adma mulher se disfarce de homem e nenhum homem de mulher.<\/p>\n<p>Essas foram as leis que Mois\u00e9s deixou \u00e0 nossa na\u00e7\u00e3o. Ele deu tamb\u00e9m as que havia escrito quarenta anos antes, das quais falaremos em outro lugar.<\/p>\n<p><em>Deuteron\u00f4mio 30, 31, 32 e 34. <\/em>Esse homem admir\u00e1vel continuou nos dias seguintes a reunir o povo, pediu a Deus com fervorosas ora\u00e7\u00f5es que os assistisse, se eles observassem as suas santas leis, e fez impreca\u00e7\u00f5es contra aque\u00adles que a elas faltassem. Deu-lhes depois um c\u00e2ntico que havia composto em versos hex\u00e2metros, no qual predizia as coisas que lhes deviam acontecer, das quais uma parte j\u00e1 se realizou e o resto realizar-se-\u00e1 depois, sem que se tenha podido notar uma m\u00ednima coisa que n\u00e3o fosse conforme \u00e0 verdade. Entregou esse livro sagrado \u00e0 guarda dos sacerdotes, juntamente com a arca, na qual esta\u00advam as duas T\u00e1buas da Lei, e confiou-lhes o cuidado do Tabern\u00e1culo.<\/p>\n<p>Ele recomendou ao povo que quando estivessem de posse da terra de Cana\u00e3 se recordassem da inj\u00faria que haviam recebido dos amalequitas e lhes declarassem guerra, para castig\u00e1-los como mereciam, pela maneira injuriosa com que os haviam tratado no deserto.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Deuteron\u00f4mio 27 e 28. <\/em>Ordenou-lhes tamb\u00e9m que, depois de conquistar essa mesma terra de Cana\u00e3 e de passar todos os seus habitantes a fio de espada, cons\u00adtru\u00edssem perto da cidade de Siqu\u00e9m um altar voltado para o oriente, que tivesse \u00e0 direita o monte Gerizim e \u00e0 esquerda o Ebal, e que em seguida se dividisse todo o ex\u00e9rcito em dois, colocando seis tribos sobre um monte e seis sobre o outro e dividindo igualmente os sacerdotes e os levitas entre os dois montes.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o os que estivessem sobre o monte Gerizim pediriam a Deus que aben\u00e7o\u00adasse os que observassem com piedade as leis dadas por Mois\u00e9s. Os que estives\u00adsem sobre o monte Ebal confirmariam com aclama\u00e7\u00f5es esse pedido e pronunci\u00adariam, por sua vez, as mesmas b\u00ean\u00e7\u00e3os, ao que os outros responderiam com os mesmos clamores de alegria. Por fim, fariam uns depois dos outros, na mesma ordem, todas as esp\u00e9cies de impreca\u00e7\u00f5es contra os violadores das leis de Deus. Mois\u00e9s mandou escrever todas essas b\u00ean\u00e7\u00e3os e maldi\u00e7\u00f5es e, para melhor conser\u00advar-lhes a recorda\u00e7\u00e3o, mandou grav\u00e1-las nos dois lados do altar e permitiu ao povo que dele se aproximasse somente naquele dia de oferecer holocaustos, o que lhes era proibido pela Lei. Esses foram os mandamentos que Mois\u00e9s outor\u00adgou aos hebreus e que eles observam ainda hoje.<\/p>\n<p><em>Deuteron\u00f4mio 29. <\/em>No dia seguinte, mandou reunir todo o povo e quis que as mulheres, as crian\u00e7as e mesmo os escravos estivessem presentes. Obri\u00adgou-os todos a jurar que observariam inviolavelmente e conforme a vontade de Deus todas as leis que ele lhes havia concedido por ordem dEle, sem que nem o parentesco, nem o favor, nem o medo, nem qualquer outra considera\u00e7\u00e3o os pudesse levar a transgredi-las. E, se algum dos parentes ou alguma cidade, sem motivo, quisesse fazer coisas que lhes fossem contr\u00e1rias, todos, em geral e em particular, os dominariam \u00e0 for\u00e7a e, depois de vencer esses \u00edmpios, destruiriam as suas cidades at\u00e9 os alicerces, sem que restasse, se poss\u00edvel, o menor vest\u00edgio delas. Se n\u00e3o fossem bastante fortes para venc\u00ea-los e castig\u00e1-los, que ao menos demonstrassem horror pela sua impiedade. Todo o povo prometeu com jura\u00admento observar essas coisas.<\/p>\n<p>Mois\u00e9s instruiu-os depois sobre a maneira como deviam fazer os sacrif\u00edcios, a fim de torn\u00e1-los mais agrad\u00e1veis a Deus. Recomendou-lhes ainda que n\u00e3o se metessem em guerra alguma, sen\u00e3o depois de reconhecer, pelo brilho extraordi\u00adn\u00e1rio das pedras preciosas que estavam sobre o racional do sumo sacerdote, que Deus aprovava que eles as empreendessem.<\/p>\n<p>1 Josu\u00e9 ent\u00e3o predisse, pelo esp\u00edrito de profecia, mesmo ainda vivendo Mois\u00e9s e em presen\u00e7a deste, tudo o que faria para o bem do povo ou na guerra, pelas armas, ou na paz, pela publica\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias leis boas e santas. Exortou-os a praticar com cuidado a maneira de viver que lhes acabava de ser determinada e disse-lhes que Deus lhe havia revelado que, se eles se afastassem da piedade de seus antepassados, seriam oprimidos por toda esp\u00e9cie de desgra\u00e7as: o seu pa\u00eds se tornaria presa de na\u00e7\u00f5es estrangeiras e os seus inimigos destruiriam as suas cida\u00addes, queimariam o Templo e lev\u00e1-los-iam escravos. Eles gemeriam numa escravi\u00add\u00e3o tanto mais dolorosa quanto teriam por senhores homens sem piedade e ent\u00e3o se arrependeriam, por\u00e9m muito tarde, de sua desobedi\u00eancia e ingratid\u00e3o. Todavia a infinita bondade de Deus n\u00e3o deixaria de restituir as cidades aos seus antigos habitantes e o Templo ao seu povo, o que aconteceria n\u00e3o somente uma vez, mas diversas.<\/p>\n<p><em>Deuteron\u00f4mio 31, 33 e 34. <\/em>Mois\u00e9s ordenou em seguida a Josu\u00e9 que le\u00advasse o ex\u00e9rcito contra os cananeus, assegurando-lhe que Deus o assistiria na\u00adquela empresa e desejando toda esp\u00e9cie de felicidade ao povo, e assim falou-lhes: &#8220;Hoje Deus resolveu terminar a minha vida, e devo ir encontrar-me com os meus pais. \u00c9 bem justo que antes de morrer eu lhe d\u00ea gra\u00e7as na vossa presen\u00e7a pelo cuidado que teve de v\u00f3s, n\u00e3o somente vos livrando de tantos males, mas vos cumulando de tantos bens, e por me assistir nas dificuldades que tive de enfrentar para vos proporcionar tantos benef\u00edcios. Pois \u00e9 somente a Ele que deveis o come\u00e7o e a realiza\u00e7\u00e3o de vossa felicidade. Eu fui apenas o seu ministro e s\u00f3 ei as suas ordens, que s\u00e3o efeitos de sua onipot\u00eancia, de que eu n\u00e3o saberia dar gra\u00e7as o suficiente nem teria como rogar-lhe a continuidade. Deixo cum\u00adprido esse dever e rogo-vos que graveis na mem\u00f3ria um t\u00e3o profundo respeito por Deus e tanta venera\u00e7\u00e3o por suas santas leis que as considereis sempre como o maior de todos os favores que Ele vos fez e que jamais poder\u00edeis dEle receber. Se um legislador, embora sendo um homem, n\u00e3o iria tolerar que se desprezas\u00adsem as leis criadas por ele e castigaria o desprezo a elas com todas as suas for\u00e7as, imaginai qual ser\u00e1 a c\u00f3lera e a indigna\u00e7\u00e3o de Deus, se deixardes de observar as suas. Rogo a Ele de todo o meu cora\u00e7\u00e3o que n\u00e3o permita sejais t\u00e3o infelizes para merec\u00ea-lo&#8221;.<\/p>\n<p>Depois de assim falar, Mois\u00e9s predisse a cada uma das tribos o que lhe deveria acontecer e desejou-lhes mil b\u00ean\u00e7\u00e3os. Toda aquela enorme multid\u00e3o n\u00e3o p\u00f4de por mais tempo reter as l\u00e1grimas. Homens e mulheres, grandes e peque\u00adnos, todos demonstraram igualmente o seu pesar por perder um chefe t\u00e3o ilus\u00adtre. N\u00e3o houve mesmo crian\u00e7a que n\u00e3o derramasse l\u00e1grimas: a sua eminente virtude n\u00e3o podia ser ignorada nem mesmo pelos dessa idade.<\/p>\n<p>Dentre as pessoas sensatas, umas deploravam a gravidade de sua perda para o futuro e outras queixavam-se de n\u00e3o terem compreendido o bastante a felicidade que era para eles ter um tal chefe e guia e de serem privados dele quando o come\u00e7avam a conhecer. Nada, por\u00e9m, demonstrou t\u00e3o bem at\u00e9 que ponto che\u00adgava a afli\u00e7\u00e3o deles como o que aconteceu a esse grande legislador. Pois ainda que estivesse convencido de que n\u00e3o era necess\u00e1rio chorar \u00e0 hora da morte, pois ela vem por vontade de Deus e por uma lei indispens\u00e1vel da natureza, ele ficou t\u00e3o comovido pelas l\u00e1grimas de todo o povo que n\u00e3o p\u00f4de deixar de chorar.<\/p>\n<p>Caminhou depois para onde deveria terminar a vida, e todos seguiram-no gemendo. Aos mais afastados, ele sinalizou com a m\u00e3o que parassem e rogou aos que estavam mais pr\u00f3ximos que n\u00e3o o afligissem mais ainda, seguindo-o com tantas demonstra\u00e7\u00f5es de afeto. Assim, para obedecer, eles pararam, e todos juntamente lamentavanra infelicidade por t\u00e3o grande perda. Eleazar, o sumo sacerdote, Josu\u00e9, o comandante do ex\u00e9rcito, e os Senadores foram os \u00fanicos que o acompanharam. Quando ele chegou ao monte Nebo, que est\u00e1 em frente a Jerico e \u00e9 t\u00e3o alto que de l\u00e1 se pode ver todo o pa\u00eds de Cana\u00e3, despediu-se dos Senadores, abra\u00e7ou Eleazar e Josu\u00e9 e deu-lhes o \u00faltimo adeus. Ainda ele falava quando uma nuvem o rodeou e ele foi levado a um vale.<\/p>\n<p>Os Livros Santos, que ele nos deixou, dizem que Mois\u00e9s morreu porque se temia que o povo n\u00e3o acreditasse que ele ainda estava vivo, arrebatado ao c\u00e9u por causa de sua eminente santidade. Faltava somente um m\u00eas para que, dos cento e vinte anos que viveu, ele completasse quarenta no governo daquele grande povo, cuja dire\u00e7\u00e3o Deus lhe havia confiado. Ele morreu no primeiro dia do \u00faltimo m\u00eas do ano, que os maced\u00f4nios chamam dystros, e os hebreus, adar.<\/p>\n<p>jamais homem algum igualou em sabedoria esse ilustre legislador, e ningu\u00e9m soube, como ele, tomar sempre as melhores resolu\u00e7\u00f5es e t\u00e3o bem p\u00f4-las em pr\u00e1tica, jamais algum outro se lhe p\u00f4de comparar na maneira de tratar com um povo, de govern\u00e1-lo e persuadi-lo pela for\u00e7a de suas palavras. Sempre foi t\u00e3o senhor de suas paix\u00f5es que parecia at\u00e9 delas estar isento e que as conhecia ape\u00adnas pelos efeitos que via nos outros. Sua ci\u00eancia na guerra p\u00f4de dar-lhe um lugar entre os maiores generais, e nenhum outro teve o dom da profecia em t\u00e3o alto grau. As suas palavras eram outros tantos or\u00e1culos, e parecia que o pr\u00f3prio Deus falava por sua boca.<\/p>\n<p>O povo chorou-o durante trinta dias, e nenhuma outra perda lhe foi jamais t\u00e3o sens\u00edvel. E ele n\u00e3o foi lamentado apenas por aqueles que tiveram a felicidade de conhec\u00ea-lo, mas tamb\u00e9m por aqueles que conheceram as leis admir\u00e1veis que ele nos deixou, porque a santidade que nelas se nota n\u00e3o pode permitir d\u00favidas sobre a eminente virtude desse legislador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deuteron\u00f4mio 4. Quando faltavam apenas trinta dias para se dizer que eram passados quarenta anos desde a sa\u00edda do Egito, Mois\u00e9s mandou reunir todo o povo no lugar onde est\u00e1 agora a cidade de Abil\u00e3, \u00e0 margem do rio Jord\u00e3o, terra muito rica em palmeiras, e falou-lhes deste modo: &#8220;Companheiros de meus longos trabalhos, com&#8230; <a href=\"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-8-excelente-discurso-de-moises-leis-que-outorga-ao-povo\/\">ler mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[958,1205,1768,1959,2138,2303],"class_list":["post-110","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livro-quarto","tag-discurso","tag-excelente","tag-leis","tag-moises","tag-outorga","tag-povo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=110"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=110"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=110"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=110"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}