{"id":106,"date":"2015-04-02T20:31:03","date_gmt":"2015-04-02T20:31:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=106"},"modified":"2015-04-02T20:31:03","modified_gmt":"2015-04-02T20:31:03","slug":"capitulo-6-o-profeta-balao-tenta-amaldicoar-os-israelitas-a-rogo-dos-midianitas-e-de-balaque-rei-dos-moabitas-mas-deus-o-obriga-a-abencoa-los-varios-israelitas-e-especialmente-zinri-levados-pel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-6-o-profeta-balao-tenta-amaldicoar-os-israelitas-a-rogo-dos-midianitas-e-de-balaque-rei-dos-moabitas-mas-deus-o-obriga-a-abencoa-los-varios-israelitas-e-especialmente-zinri-levados-pel\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 6 &#8211; O profeta Bal\u00e3o tenta amaldi\u00e7oar os israelitas a rogo dos midianitas e de Balaque, rei dos moabitas, mas Deus o obriga a aben\u00e7o\u00e1-los. V\u00e1rios israelitas, e especialmente Zinri, levados pelo amor \u00e0s filhas dos midianitas, abandonam a Deus e sacrificam aos falsos deuses. Castigo espantoso que Deus lhes manda, particularmente a Zinri."},"content":{"rendered":"<p><em>N\u00fameros 22, 23 e 24. <\/em>Balaque, rei dos moabitas e unido aos midianitas pela amizade e por uma antiga alian\u00e7a, come\u00e7ou a temer por si mesmo ao ver o progresso dos hebreus. Ele n\u00e3o sabia que Deus lhes havia proibido empreender a conquista de outros pa\u00edses que n\u00e3o o de Cana\u00e3. Assim, por um mau conselho, resolveu opor-se a eles. Todavia, como n\u00e3o ousava atacar uma na\u00e7\u00e3o cujas vit\u00f3\u00adrias haviam tornado orgulhosa e altiva, pensou apenas em impedi-la de crescer e de continuar progredindo. Mandou por isso embaixadores aos midianitas, a fim de deliberar a respeito do que deveriam fazer.<\/p>\n<p>Os midianitas enviaram esses mesmos embaixadores, juntamente com os homens mais importantes dentre o povo, a Bala\u00e3o \u2014 c\u00e9lebre profeta e amigo de Balaque \u2014, que morava pr\u00f3ximo do Eufrates, para rogar-lhe que viesse fazer impreca\u00e7\u00f5es contra os israelitas. Ele recebeu muito bem os embaixadores e con\u00adsultou a Deus para saber o que lhes responder. Deus proibiu-o de fazer o que desejavam, e por isso Bala\u00e3o respondeu-lhes que bem queria poder testemunhar a afei\u00e7\u00e3o que lhes tinha, mas Deus, ao qual devia o dom da profecia, o proibira de aceitar a proposta, porque Ele amava o povo ao qual eles queriam obrig\u00e1-lo a amaldi\u00e7oar. Por esse motivo, ele os aconselhava a fazer a paz com os israelitas.<\/p>\n<p>Voltaram os embaixadores com essa resposta, mas os midianitas, instados pelo rei Balaque, enviaram uma segunda embaixada ao profeta. Como este desejava agrad\u00e1-los, consultou de novo a Deus, o qual, julgando-se ofendido, ordenou-lhe que fizesse o que os embaixadores queriam. Bala\u00e3o, n\u00e3o percebendo que Deus lhe falara encolerizado pelo fato de ele n\u00e3o ter seguido a sua ordem, partiu com os embaixadores. No caminho, encontrou uma estrada entre dois barrancos, t\u00e3o es\u00adtreita que mal dava para passar, e a\u00ed um anjo veio ao seu encontro.<\/p>\n<p>Quando o asno sobre o qual Bala\u00e3o estava montado percebeu o anjo, quis voltar atr\u00e1s e apertou o seu senhor t\u00e3o fortemente contra um dos muros que o feriu, sem que os golpes dados pelo profeta, pela dor que sentia, pudessem fazer o animal caminhar. Como o anjo permanecesse parado e Bala\u00e3o continuasse a bater no asno, Deus permitiu que o animal falasse ao profeta, com palavras t\u00e3o distintas quanto uma criatura humana teria podido proferir, que era estranho que, n\u00e3o tendo ele, o animal, dado o menor passo em falso, Bala\u00e3o lhe batesse e n\u00e3o visse que Deus n\u00e3o aprovava que o profeta fosse ateVider ao desejo daqueles a quem ia encontrar.<\/p>\n<p>Esse fato prodigioso espantou o profeta, ao mesmo tempo que o anjo lhe aparecia e o repreendia severamente por bater tanto no asno, sem motivo, quando era ele mesmo quem merecia ser castigado, por resistir \u00e0 vontade de Deus. Essas palavras aumentaram o espanto de Bala\u00e3o, e ele quis voltar atr\u00e1s, mas Deus lhe ordenou que continuasse o caminho e s\u00f3 falasse o que Ele lhe inspirasse. Assim, ele foi ter com o rei Balaque, que o recebeu com alegria, e pediu ao pr\u00edncipe que o fizesse levar a alguma montanha de onde pudesse ver o acampamento dos israelitas. Balaque, acompanhado por v\u00e1rios de sua corte, levou-o ele mesmo a uma montanha que distava do acampamento uns sessenta est\u00e1dios. Bala\u00e3o, de\u00adpois de refletir, disse ao rei que fizesse erguer sete altares, para neles oferecer a Deus sete touros e sete carneiros. Isso se fez, e o profeta ofereceu as v\u00edtimas em holocausto, para saber de que lado surgiria a vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Dirigindo depois a palavra ao ex\u00e9rcito dos israelitas, assim falou: &#8220;Povo bem-aventurado, do qual o pr\u00f3prio Deus deseja ser guia e quer cumular de benef\u00edcios, velando incessantemente pelas vossas necessidades. Nenhuma outra na\u00e7\u00e3o vos igualar\u00e1 em amor pela virtude, e os que nascerem de v\u00f3s ainda vos h\u00e3o de sobre\u00adpujar, porque Deus, que vos ama como sendo o seu povo, vos quer fazer o povo mais feliz de todos os homens que o Sol ilumina com os seus raios. V\u00f3s possuireis esse rico pa\u00eds que Ele vos prometeu. Vossos filhos possu\u00ed-lo-\u00e3o depois de v\u00f3s, e as terras e o mar ressoar\u00e3o com a fama do vosso nome e admirar\u00e3o o brilho de vossa gl\u00f3ria. Vossa posteridade multiplicar-se-\u00e1 de tal modo que n\u00e3o haver\u00e1 lugar no mundo onde n\u00e3o se difunda. Ex\u00e9rcito bem-aventurado, que por maior que sejais sois composto por descendentes de um \u00fanico homem. A prov\u00edncia de Cana\u00e3 ser-vos-\u00e1 suficiente agora, mas um dia o mundo inteiro n\u00e3o ser\u00e1 grande o bastante para vos conter: o vosso n\u00famero ser\u00e1 igual ao das estrelas. N\u00e3o povoareis somente a terra firme, mas tamb\u00e9m as ilhas. Deus vos dar\u00e1 em abund\u00e2ncia toda sorte de bens durante a paz e vos far\u00e1 vitoriosos na guerra. Assim, devemos n\u00f3s desejar que os nossos inimigos e os seus descendentes ousem combater contra v\u00f3s, pois n\u00e3o poder\u00e3o faz\u00ea-lo sem a sua completa ru\u00edna, de tanto que Deus, que se compraz em elevar os humildes e humilhar os soberbos, vos ama e favorece&#8221;.<\/p>\n<p>Bala\u00e3o n\u00e3o pronunciou essas palavras prof\u00e9ticas de si mesmo, mas por inspira\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito de Deus. O rei Balaque, ferido de dor, disse-lhe que aquilo n\u00e3o era o que ele lhes havia prometido e censurou-o porque, depois de haver recebido grandes presentes para amaldi\u00e7oar os israelitas, ele lhes dava, ao contr\u00e1rio, mil b\u00ean\u00e7\u00e3os.<\/p>\n<p>O profeta respondeu-lhe: &#8220;Credes, ent\u00e3o, que quando se trata de profetizar depende de n\u00f3s dizer ou n\u00e3o o que desejamos? \u00c9 Deus quem nos faz falar como lhe apraz, sem que tenhamos parte alguma nisso. N\u00e3o me esqueci do pedido que os midianitas me fizeram. Vim com a inten\u00e7\u00e3o de content\u00e1-los: n\u00e3o pensava em publicar elogios aos hebreus nem falar dos favores de que Deus resolveu cumul\u00e1-los. Mas Ele foi mais poderoso que eu, que resolvera, contra a sua vonta\u00adde, agradar aos homens. Pois quando Ele entra em nosso cora\u00e7\u00e3o torna-se dono dele. Assim, por desejar conceder felicidade a essa na\u00e7\u00e3o e tornar imortal a sua gl\u00f3ria, Ele p\u00f4s-me na boca as palavras que pronunciei. No entanto, como os vossos pedidos e os dos midianitas s\u00e3o-me assaz importantes e para n\u00e3o deixar de fazer tudo o que dependa de mim, sou de opini\u00e3o que se ergam outros altares e se fa\u00e7am outros sacrif\u00edcios, a fim de eu ver se poderemos aplacar a Deus com as nossas ora\u00e7\u00f5es!&#8221;<\/p>\n<p>Balaque aprovou essa proposta. Os sacrif\u00edcios foram renovados, mas Bala\u00e3o n\u00e3o p\u00f4de conseguir de Deus a permiss\u00e3o para amaldi\u00e7oar os israelitas. Ao contr\u00e1rio, tendo-se prostrado em terra, predizia as desgra\u00e7as que sucederiam aos reis e \u00e0s cidades que os combatessem, entre as quais algumas que ainda n\u00e3o foram constru\u00eddas. Mas o que aconteceu at\u00e9 aqui \u00e0s que conhecemos, tanto em terra firme quanto nas ilhas, nos faz crer que o resto desse or\u00e1culo um dia h\u00e1 se de realizar.<\/p>\n<p><em>N\u00fameros 25. <\/em>Balaque,. muito irritado por ver-se desiludido em suas esperan\u00ad\u00e7as, despediu Bala\u00e3o sem lheprestar homenagem alguma. Tendo o profeta chega\u00addo pr\u00f3ximo do Eufrates, pediu para falar ao rei e aos pr\u00edncipes dos midianitas, aos quais disse: &#8220;J\u00e1 que desejais,, \u00f3 rei, e v\u00f3s, midianitas, que eu atenda em alguma coisa aos vossos rogos, contra a vontade de Deus, eis tudo o que vos posso dizer: n\u00e3o espereis que a ra\u00e7a dos israelitas pere\u00e7a pelas armas, pela peste, pela carestia ou por qualquer outro acidente, pois Deus, que a tomou sob a sua prote\u00e7\u00e3o, a preservar\u00e1 de todas as desgra\u00e7as. Ainda que eles sofram algum desastre, levantar-se-\u00e3o com mais gl\u00f3ria ainda, pois se tornar\u00e3o mais sensatos pelo castigo. Mas se quereis triunfar sobre eles por algum tempo, dar-vos-ei o meio para tanto. Mandai ao seu acampa\u00admento as mais belas de vossas filhas, bem adornadas, e ordenai-lhes que de nada se esque\u00e7am para suscitar amor aos mais jovens e aos mais corajosos dentre eles. Dizei-Ihes que quando os virem ardendo de paix\u00e3o por elas finjam querer retirar-se e quando rogarem que fiquem respondam que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, a menos que eles pro\u00admetam solenemente renunciar \u00e0s leis de seu pa\u00eds e o culto ao seu Deus para adorar os deuses dos midianitas e dos moabitas. \u00c9 o \u00fanico meio que tendes para fazer com que Deus se encha de c\u00f3lera contra eles&#8221;.<\/p>\n<p>Dizendo essas palavras, partiu. Os midianitas n\u00e3o titubearam em executar logo o conselho, isto \u00e9, enviar as suas filhas e instru\u00ed-las conforme ele lhes havia dito. Os jovens hebreus, arrebatados pela beleza das mo\u00e7as, conceberam uma ardente pai\u00adx\u00e3o por elas, declarando-a, e a maneira pela qual elas lhes responderam acendeu-a ainda mais. Quando as mo\u00e7as os viram perdidamente enamorados, fingiram querer voltar ao seu pa\u00eds, mas eles, com l\u00e1grimas, pediram-lhes que ficassem e prometeram despos\u00e1-las, tomando a Deus como testemunha do juramento que faziam: n\u00e3o as amariam somente como esposas, mas as tornariam senhoras absolutas deles pr\u00f3prios e de todos os seus bens.<\/p>\n<p>Responderam elas: &#8220;N\u00e3o precisamos de bens ou de algo que nos possa fazer felizes, sendo n\u00f3s muito queridas por nossos pais, tanto quanto podemos desejar, e n\u00e3o viemos aqui para fazer com\u00e9rcio com a nossa beleza, mas, considerando-vos estrangeiros pelos quais nutrimos grande estima, quisemos fazer-vos esta corte\u00adsia. Agora que demonstrais tanto afeto por n\u00f3s e tanto desprazer em ver-nos partir, n\u00e3o poder\u00edamos deixar de ser vencidas pelos vossos rogos. Assim, se quereis, como dizeis, dar-nos a vossa palavra de nos tomardes por esposas, que \u00e9 a \u00fanica condi\u00e7\u00e3o capaz de nos reter, ficaremos e passaremos convosco toda a nossa vida. Mas tememos que, depois de vos terdes cansado de n\u00f3s, nos devolvais vergonhosamente, e v\u00f3s nos deveis perdoar um temor t\u00e3o razo\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n<p>Os mo\u00e7os, enamorados, ofereceram-se para dar as garantias que elas desejas\u00adsem de sua fidelidade, ao que as mo\u00e7as responderam: &#8220;Pois se tendes essa inten\u00ad\u00e7\u00e3o, e como constatamos que tendes costumes diferentes dos de todos os outros povos, como o de s\u00f3 comer certas carnes e usar determinadas bebidas, \u00e9 neces\u00ads\u00e1rio, se nos quiserdes desposar, que adoreis os nossos deuses. Do contr\u00e1rio, n\u00e3o poderemos crer que o amor que dizeis sentir por n\u00f3s seja verdadeiro. Afinal, n\u00e3o se poderia julgar estranho adorardes os deuses do pa\u00eds para onde ireis, aos quais todas as outras na\u00e7\u00f5es adoram, ou censurar-vos por isso, enquanto o vosso Deus s\u00f3 \u00e9 adorado por v\u00f3s e as leis que observais vos s\u00e3o todas particulares. Assim, toca-vos escolher: ou viver como os outros homens ou ir procurar outro mundo, onde possais viver como vos apraz&#8221;.<\/p>\n<p>Esses infelizes, levados por sua brutal e cega paix\u00e3o, aceitaram as condi\u00e7\u00f5es: abandonaram a f\u00e9 de seus pais, adoraram v\u00e1rios deuses, ofereceram-lhes sacrif\u00ed\u00adcios semelhantes aos dos midianitas e comeram indiferentemente de todas as iguarias. Para agradar \u00e0quelas mo\u00e7as, que se tornaram suas esposas, n\u00e3o teme\u00adram violar os mandamentos do verdadeiro Deus. E todo o ex\u00e9rcito viu-se num momento contaminado pelo veneno espalhado pelos mo\u00e7os, e a antiga religi\u00e3o ficou exposta a grave risco. Uma nova rebeli\u00e3o, mais perigosa que as primeiras, j\u00e1 come\u00e7ava a se esbo\u00e7ar.<\/p>\n<p>Os mo\u00e7os, tendo experimentado as do\u00e7uras da liberdade que lhes davam as leis estrangeiras de viver segundo desejassem, deixavam-se levar sem nenhum obst\u00e1culo e corrompiam com o seu exemplo n\u00e3o apenas o povo, mas at\u00e9 mesmo pessoas de maior distin\u00e7\u00e3o. Zinri, chefe da tribo de Sime\u00e3o, desposou Cosbi, filha de Zur, um dos pr\u00edncipes de Midi\u00e3. E, para agrad\u00e1-lo, ofereceu sacrif\u00edcios segundo o uso desse pa\u00eds e contra as ordens contidas na lei de Deus.<\/p>\n<p>Mois\u00e9s, vendo t\u00e3o estranha desordem e temendo-lhes as conseq\u00fc\u00eancias, reu\u00adniu o povo e sem censurar a ningu\u00e9m em particular, receando fazer desesperar os que julgando poder esconder a propria falta eram capazes de voltar ao dever, disse-lhes que era coisa indigna de sua virtude e da de seus antepassados preferir a voluptuosidade \u00e0 religi\u00e3o; que eles deviam cair em si mesmos enquanto ainda era tempo e mostrar a for\u00e7a de seu esp\u00edrito, n\u00e3o desprezando as leis santas e divinas, mas reprimindo a paix\u00e3o; que seria estranho, ap\u00f3s terem sido t\u00e3o sensa\u00adtos no deserto, se deixarem levar num pa\u00eds t\u00e3o belo a tais desordens, perdendo na abund\u00e2ncia o m\u00e9rito que haviam conquistado durante a carestia.<\/p>\n<p>Enquanto Mois\u00e9s procurava com essas palavras levar os insensatos a reconhe\u00adcer o pr\u00f3prio erro, Zinri retrucou-lhe: &#8220;Vivei, Mois\u00e9s, se bem vos parece, segundo as leis que fizestes e que um longo uso at\u00e9 hoje autorizou, sem o qual h\u00e1 muito tempo lhes ter\u00edeis deixado o jugo e aprendido \u00e0 vossa pr\u00f3pria custa que n\u00e3o dev\u00edeis assim nos enganar. Por mim, quero que saibais que n\u00e3o mais obedecerei aos vos\u00adsos tir\u00e2nicos mandamentos, porque bem vejo que sob os vossos pretextos de pi\u00adedade e de nos dar leis da parte de Deus usurpastes o governo por meios de artif\u00edcios e nos reduzistes \u00e0 escravid\u00e3o, proibindo-nos prazeres e tirando-nos a liberdade que todos os homens nascidos livres devem ter. Havia, acaso, em nosso cativeiro no Egito algo t\u00e3o rude quanto o poder que vos atribuis, de nos castigar como vos apraz segundo leis que v\u00f3s mesmos estabelecestes? V\u00f3s \u00e9 que mereceis ser castiga\u00addo, porque, desprezando as leis de todas as outras na\u00e7\u00f5es, quereis que somente as vossas sejam observadas e preferis assim o vosso ju\u00edzo particular ao de todo o resto dos homens. Assim, como creio muito bem feito o que fiz e que era livre para fazer, n\u00e3o temo declarar diante de toda esta assembl\u00e9ia que desposei uma mulher es\u00adtrangeira. Ao contr\u00e1rio, quero que o saibais de minha pr\u00f3pria boca e que todos o saibam. \u00c9 verdade tamb\u00e9m que sacrifico aos deuses aos quais proibis sacrificar, porque julgo n\u00e3o me dever submeter \u00e0 tirania de receber somente de v\u00f3s o que se refere \u00e0 religi\u00e3o e n\u00e3o quero que me obrigueis a desejar somente o que quereis nem que tenhais mais autoridade sobre mim do que eu mesmo&#8221;.<\/p>\n<p>Zinri falava assim tanto em seu nome quanto no dos que eram de sua opi\u00adni\u00e3o. O povo aguardava em sil\u00eancio e temeroso o t\u00e9rmino dessa grande pol\u00eamica, por\u00e9m Mois\u00e9s n\u00e3o lhe quis responder, temendo incitar ainda mais a insol\u00eancia de Zinri e que outros, imitando-o, aumentassem o tumulto. Assim, a assembl\u00e9ia se dissolveu, e as conseq\u00fc\u00eancias desse mal teriam sido ainda mais perigosas n\u00e3o fora a morte de Zinri, que se deu como conto a seguir.<\/p>\n<p>Fin\u00e9ias, que sem contesta\u00e7\u00e3o era tido como o primeiro de seu tempo, tanto por causa de suas excelentes virtudes quanto pelo privil\u00e9gio de ser filho de Eleazar, sumo sacerdote e sobrinho de Mois\u00e9s, n\u00e3o p\u00f4de tolerar a ousadia de Zinri. Com receio de que o desprezo pelas leis aumentasse ainda se ele ficasse impune, resolveu vingar aquele t\u00e3o grande ultraje contra Deus. Como n\u00e3o houvesse coisa que n\u00e3o fosse capaz de fazer, porque n\u00e3o tinha menos coragem do que zelo, foi \u00e0 tenda de Zinri e matou-o com um golpe de espada, morrendo tamb\u00e9m a mulher deste.<\/p>\n<p>V\u00e1rios outros mo\u00e7os, levados pelo mesmo esp\u00edrito de Fin\u00e9ias e animados pela sua coragem e exemplo, lan\u00e7aram-se sobre os que eram culpados do mesmo pecado de Zinri e mataram grande parte deles. E uma peste enviada por Deus fez morrer n\u00e3o somente todos os outros, mas tamb\u00e9m os parentes deles, que, em vez de repreend\u00ea-los e impedir que cometessem t\u00e3o grave pecado, a ele os havi\u00adam levado. O n\u00famero dos que pereceram desse modo foi de quatorze mil.<\/p>\n<p><em>N\u00fameros 31. <\/em>Nesse entremeio, Mois\u00e9s, irritado com os midianitas, man\u00addou o ex\u00e9rcito marchar para extermin\u00e1-los completamente, como relatarei de\u00adpois de narrar, em seu louvor, uma coisa que n\u00e3o deve passar em sil\u00eancio. \u00c9 que, embora Bala\u00e3o tivesse vindo a rogo dessa na\u00e7\u00e3o para amaldi\u00e7oar os hebreus e depois Deus o tivesse impedido, ele dera aquele detest\u00e1vel conselho de que aca\u00adbamos de falar, com o qual julgava poder arruinar inteiramente a religi\u00e3o de nossos pais. Mois\u00e9s, no entanto, concedeu-lhe a honra de inserir aquela profecia em seus escritos, ainda que teria sido f\u00e1cil ao legislador atribu\u00ed-la a si mesmo sem que ningu\u00e9m o pudesse censurar. Mas ele quis deixar \u00e0 posteridade um testemu\u00adnho t\u00e3o vantajoso em sua mem\u00f3ria. Deixo, por\u00e9m, a cada qual que julgue como quiser e volto ao meu assunto.<\/p>\n<p>Mois\u00e9s enviou somente doze mil homens contra os midianitas, tendo cada tribo fornecido mil combatentes. Deu-lhes por chefe a Fin\u00e9ias, que acabava de restaurar a gl\u00f3ria das leis e de vingar o crime que Zinri, violando-as, havia cometido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00fameros 22, 23 e 24. Balaque, rei dos moabitas e unido aos midianitas pela amizade e por uma antiga alian\u00e7a, come\u00e7ou a temer por si mesmo ao ver o progresso dos hebreus. Ele n\u00e3o sabia que Deus lhes havia proibido empreender a conquista de outros pa\u00edses que n\u00e3o o de Cana\u00e3. 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