Vocês terão aflições!

Por favor, não se assuste com o título, nem pense que estou profetizando palavras ruins para a sua vida, como pensava o rei Acabe a respeito do profeta Micaías (2 Cr. 18.7). Trata-se apenas de uma verdade da vida, e esta verdade foi dita por Jesus (Jo. 16.33).

Por que temos aflições, “O que fazer na aflição” e “Como se preparar para as aflições” são os temas da reflexão de hoje.

POR QUE TEMOS AFLIÇÕES?

Encontramos na Bíblia 5 razões para as aflições.

1) “No mundo tereis aflições” (Jo. 16.33)

O mundo em que vivemos não é o mundo criado por Deus, ou seja, não é o resultado do projeto original de Deus. Quando Deus criou o mundo ele era bem diferente daquilo que é hoje:

Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. (Gn. 1.31)

Tente imaginar isto, Deus como auditor de sua própria obra examinando cada detalhe da criação: as estrelas e os outros corpos celestes, os mares, as montanhas, os rios e lagos, árvores, flores, frutos, a relva, os animais grandes e outros bem pequenos, o homem e a mulher. E, finalmente, concluindo: “– Tudo é muito bom”!

Nesse ambiente não havia aflição, nem dor, nem lágrimas, nem sofrimento. Será que é possível afirmar isto, já que não está explícito em Gênesis? Creio que sim. Leia a seguir o texto de Ap. 21.1,3-4. Temos aqui um pequeno resumo do novo céu e da nova terra.

1E vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe… 3Então ouvi uma voz forte que vinha do trono e dizia: – Eis o tabernáculo de Deus com os seres humanos. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles e será o Deus deles. 4E lhes enxugará dos olhos toda lágrima.  E já não existirá mais morte, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.

E duas coisas se destacam na descrição daquilo que João viu:

a) Deus habitando com os homens;

b) Como consequência de sua presença: nem morte, nem luto, nem pranto, nem dor, nem lágrimas.

O Éden foi o primeiro “tabernáculo de Deus com os homens”. Ali Deus passeava e se encontrava com Adão (Gn. 2.7-9,15-22; Gn. 3.8). Portanto, não havia aflição, nem dor, nem lágrimas, nem sofrimento, nem morte, nem luto.

O que vemos e vivemos em nossos dias é o mundo transformado­ – e transtornado­ – pelo pecado (conforme Gn. 3.17-19). Observe:

  • Em 1 Jo. 5.19 lemos que “… o mundo inteiro jaz no maligno”;
  • Em Ef. 6.12 está escrito: “A nossa luta não é contra a carne nem sangue [pessoas] e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal…”;
  • Em Jo. 14.30 podemos ler estas palavras de Jesus: “Aí vem o príncipe do mundo, e ele nada tem em mim”;
  • E em Jo. 16.11 novamente Jesus: “O príncipe deste mundo já está julgado”.

Este mundo está debaixo do domínio e da influência do diabo. Como vocês sabem, ele recebeu essa autoridade do próprio Adão quando este pecou. Originalmente a autoridade da terra foi dada por Deus a Adão (Gn. 1.26) mas ele escolheu se rebelar contra Deus e seguir os conselhos de uma serpente – o próprio diabo disfarçado, conforme Gn. 3.1-5 e Ap. 12.9. Ao fazer isso, a autoridade da terra foi entregue ao diabo (Lc. 4.5-7). Por esse motivo Jesus o chamou de príncipe desse mundo.

A razão básica pela qual temos aflições é: este não é o mundo de Deus! Neste mundo a natureza está prejudicada, o sistema é corrompido e, como se não bastasse, dentro de nós há a “carne” – que luta o tempo todo contra a vida de Deus que foi colocada em cada discípulo de Jesus (Gl. 5.17). Por isso, temos e teremos aflições!

Mas há também outros motivos para as aflições. Leia a parábola do filho pródigo (Lc. 15.11-32) e, em seguida, identificaremos mais dois motivos.

 

2) A 2ª razão para as aflições é a colheita daquilo que plantamos.

Está representada pelo filho mais novo da parábola, o filho rebelde. Como está escrito em Gl. 6.8:

Não se enganem: de Deus não se zomba. Pois aquilo que a pessoa semear, isso também colherá. Quem semeia para a sua própria carne, da carne colherá corrupção; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá vida eterna.

Esse é um sofrimento que acontece por nossa culpa mesmo, porque escolhemos caminhos que não são os de Deus e nos rebelamos contra a sua vontade. Nem sempre são grandes rebeliões como a desse jovem, mas são rebeliões. E a consequência chega, a colheita das nossas escolhas. E, com elas, as aflições e sofrimentos. O jovem da parábola passou por fome, desprezo e solidão. Pode ser que alguns de nós estejamos em situação semelhante, colhendo sofrimento porque fomos desobedientes a Deus.

 

3) O 3º motivo para haver aflições é revelar para nós o nosso coração.

O filho mais velho da parábola era um “bom filho”, trabalhador, obediente e fiel. Mas o seu coração estava cheio de justiça própria. Para ele foram inaceitáveis a misericórdia e a compaixão do pai para com o seu irmão mais novo. Então, como diz o texto, ele se indignou e, por conta da indignação, veio a aflição.

Sua indignação revelou o seu coração, mostrando que ele também era um “filho perdido” assim como seu irmão. Dentro de casa, próximo do pai, mas igualmente “perdido”. Observe o que ele diz para seu pai:

Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua… (Lc. 15.29)

A palavra traduzida pelo verbo sirvo no texto em português é, no original, douleou (gr.) derivado de doulos (gr.) “escravo”. Tem dois significados:

a) Ser obediente;

b) Ser escravo.

A obediência do filho mais velho não era movida por amor e consideração para agradar ao pai por usufruir da sua presença, cuidado e bondade. Era uma obediência do coração que se vê obrigado, como o de um escravo e não do coração que ama. Na sua vida o “caminho mal” era uma atitude interior. Provavelmente ainda não havia nenhuma ação exterior que indicasse essa atitude interior, até que a provação chegou e o seu coração foi revelado.

O salmista escreveu:

Sonda-me e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos. Vê se há em mim algum caminho mal e guia-me pelo caminho eterno. (Sl. 139.23-24)

Às vezes Deus permite – em sua bondade, misericórdia e cuidado conosco – provas e aflições na vida de um discípulo para que este possa conhecer o seu próprio coração. Qual a razão? Saber que há em si mesmo um caminho mal, para que possa mudar e se dispor a ser guiado pelo caminho eterno.

Antes de ser afligido, eu andava errado, mas agora guardo a tua palavra. Tu és bom e fazes o bem; ensina-me os teus decretos. (Sl. 119.67-68)

 

4) Outro motivo para haver aflições e sofrimentos é para nosso amadurecimento.

Observe o que está escrito a respeito de Jesus em Hebreus 5.8-9:

Embora fosse filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem.

A palavra “aperfeiçoado”, no texto em português, é a tradução do original grego teleioo, “amadurecido”, derivado do adjetivo teleios, “maduro”. Na vida de Jesus não havia nenhum tipo de pecado e, nem mesmo, um “caminho mal” no coração (2 Co. 5.21). Mas a Bíblia afirma que ele precisou sofrer para amadurecer. Será que pode ser diferente conosco?

Leia com atenção o que escreveu Tiago sobre esse tema (Tiago 1.2-4). Não há indícios de que fosse masoquista, alguém que gostava do sofrimento pelo sofrimento. Quando falou em alegria nas provações ele tinha em vista aquilo que escreveu no vs. 4:

Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que vocês sejam perfeitos e íntegros, sem que lhes falte nada (Tg. 1.4)

Perfeitos no original é teleios, que já vimos que significa “maduros”. Tiago está nos ensinando que a perseverança na fé durante as provações produz maturidade espiritual. Deus tem uma expectativa a respeito de seus filhos e filhas:

… até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de pessoa madura [gr. “teleios”], à medida da estatura da plenitude de Cristo. (Ef. 4.13)

E as provações e aflições são uma ferramenta importante nesse caminho.

 

5) A última razão para as aflições são as perseguições por causa da fé.

Os profetas do A.T. e muitos irmãos da igreja primitiva conheceram bem o que é ser perseguido por causa da fé. Sobre eles está escrito que:

… passaram pela prova do escárnio e açoites, além de algemas e prisões. Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio de espada. Andaram peregrinos, necessitados, afligidos e maltratados. (Hb. 11.36-37)

Em toda a história da igreja houve esse tipo de perseguição, e em nossos dias não é diferente, especialmente em algumas regiões da Índia, em alguns países muçulmanos e em outros de ideologia comunista. Vocês devem lembrar que há poucos anos atrás o Estado Islâmico degolou cristãos na Síria e no Iraque, e filmou e publicou essas execuções na internet.

Porém eu creio, sinceramente, que aqui no Brasil só podemos afirmar que uma aflição é o resultado de perseguição por causa da fé se pudermos excluir todas as outras possibilidades. Conheci pessoas que se diziam perseguidas pelos seus chefes no trabalho apenas porque eram crentes. Na verdade, eram maus profissionais: preguiçosos, respondões, brigões, desatentos, fazendo suas tarefas de forma relaxada, recusando-se a ajudar os colegas e “coisas semelhantes a essas”. Pedro tratou desse tema em sua 1ª carta (1 Pe. 4.14-16).

 

O QUE FAZER NA AFLIÇÃO

Uma vez que as aflições fazem parte da vida e, de vez em quando, estarão presentes, o que devemos fazer quando estivermos em aflição e sofrimento? Se você está vivendo dias de aflição, o que precisa fazer?

a) Arrepender-se

Se a aflição é resultado/colheita de desobediência a Deus, o caminho a seguir é reconhecer o pecado, arrepender-se e confessar ao Senhor:

Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor secou como no calor do verão. Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Eu disse: “– Confessarei ao Senhor as minhas transgressões”; e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado. (Sl. 32.3-5)

Quem encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e abandona alcançará misericórdia. (Pv. 28.13)

As demais ações e atitudes listadas a seguir servem para todos os outros motivos de aflições. Mas servem também para aquele (a) que pecou e já se arrependeu e confessou o seu pecado.

b) Clamar a Deus

Achegar-se a Ele, orar, pedir direção. Como escreveu Tiago,

Está alguém sofrendo? Faça oração. (Tg. 5.13)

Clame, jejue, busque, “bata na porta” (Mt. 7.7; Mt. 21.22). Temos a garantia dada por Jesus de que a porta será aberta e a oração será respondida. Homens e mulheres de todas as épocas, culturas e nações experimentaram o socorro do Senhor.

Laços de morte me cercaram e angústias do inferno se apoderaram de mim; fiquei aflito e triste. Então invoquei o nome do Senhor: “– Ó Senhor, livra a minha alma“. Compassivo e justo é o Senhor; o nosso Deus é misericordioso. (Sl. 116.3-5)

c) Dividir a carga

Não se isolar, procurar alguns irmãos maduros (sugiro que não passe de três) e compartilhar a situação com eles pedindo que lhe cubram em oração.

Não é bom que o homem esteja só. (Gn. 2.18)

Embora essa afirmação de Deus tenha tido uma aplicação imediata e direta na vida de Adão, e apontava para a criação de Eva, também é uma sentença criacional, válida para todos os homens e mulheres de todas as épocas.

Deus nunca foi solitário! Mesmo antes de criar os anjos, arcanjos, querubins, serafins e outros seres celestiais, Deus sempre foi o Pai, o Filho e o Espírito Santo, três pessoas vivendo em comunhão perfeita e absoluta na Trindade. Portanto, o homem – que foi criado à imagem e semelhança de Deus – jamais deveria tentar viver ou resolver suas aflições sozinho.

Quando esteve profundamente angustiado no Getsêmani Jesus compartilhou sua aflição com Pedro, Tiago e João, os discípulos mais próximos:

E, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a sentir-se tomado de tristeza e de angústia. Então lhes disse: ”– A minha alma está profundamente triste até a morte; fiquem aqui e vigiem comigo”. (Mt. 26.37-38)

d) Ter paciência

Você ainda verá a bondade do Senhor e o louvará! Persevere na fé, faça tudo o que orientamos acima e aguarde no Senhor.

Eu creio que verei a bondade do Senhor na terra dos viventes [ou seja, aqui e não apenas nos céus]. Espere no Senhor. Anime-se e fortifique-se o seu coração; espere, pois, no Senhor. (Sl 27.13-14)

Por que você está abatida, ó minha alma? Por que se perturba dentro de mim? Espere em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu. (Sl. 42.5)

 

COMO SE PREPARAR PARA AS AFLIÇÕES?

Nos preparamos arduamente para tantas coisas: ENEM, SSA, concursos públicos, entrevistas de emprego, os anos na universidade ou em capacitações técnicas, etc. No entanto, estamos nos preparando para as aflições? Jesus disse que podemos e devemos nos preparar para esses dias. Também através de Paulo o Espírito Santo afirmou que há uma armadura de Deus que podemos usar para “resistirmos no dia mau”, pois o “dia mau” é uma realidade. Medite nisto e, principalmente, ponha em prática.

  • O conselho de Jesus: Mateus 7.24-25;
  • A armadura de Deus: Efésios 6.13-18.

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