Onde está o teu irmão?

Eu orei ao Senhor e pedi que o seu Espírito Santo pudesse me usar mais uma vez para falar aquilo que ELE quer transmitir à sua Igreja. Esta semana lendo o “Presente Diário”, um devocional gêmeo do “Pão Diário”, li um texto que me chamou a atenção e reacendeu algo que há muito tempo me incomoda. O texto bíblico está em Gn 4:9 e retrata um encontro de Caim com Deus, logo após o assassinato de Abel.

E disse o SENHOR a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Não sei; sou eu guardador do meu irmão?”

Ao ler esse texto, tem algumas vertentes que procurarei explicar, apesar de minhas limitações, pois dizem respeito ao que leio, ao que vejo e presencio, e ao que o espírito me inquieta.

Quando leio esse texto me chama a atenção o “meu irmão”. E como uma cobrança de algo que já não faço, procuro me lembrar se estou falhando com algum irmão, ou se tenho estado com meus irmãos, ou até mesmo se tenho me preocupado ou me esquecido de meus irmãos. Me vem à mente que com alguns sou mais chegados e me importo e de outros nem me lembro tanto. Mas nessa vertente o “meu irmão” diz respeito àqueles que frequentam o mesmo lugar de reuniões que frequento, ou do meu grupo caseiro de discipulado, ou até mesmo da congregação; ou seja, estão mais perto.

Pois bem, a respeito desses, e para ilustrar, me lembro de uma ocasião em que um irmão, um senhor já idoso, chegou ao local da reunião e pediu perdão à congregação dizendo que pecou por ocasião das festas do natal, pois muitos da família dele não são convertidos e nessas ocasiões bebem e se excedem, e ele não resistiu e caiu em pecado. Ele pediu perdão e pediu para alguém orar por ele. Lembrei que não era a primeira vez que isso ocorria, mas de outras vezes em situações semelhantes o fato se repetia. Mas o que me chamou a atenção na ocasião foi que um irmão que se dispôs a orar disse: meu irmão eu também quero pedir perdão a você porque da outra vez que aconteceu a mesma coisa eu orei por você e depois não o  acompanhei, depois não te liguei por telefone; não procurei saber como você estava; então quero pedir perdão também e quero ajuda de Deus para me lembrar e me preocupar mais com você, sabendo de sua fragilidade, para estar mais perto, cuidar mais de você.

Com essa ilustração quero enfocar o “meu irmão” como aquele que convive comigo, nas reuniões e no discipulado; e o “meu irmão” que entra por aquela porta participa das reuniões, e depois vai embora, e muitas vezes eu nem sei de que jeito ele vai para casa. Se tem transporte, se vai de carro ou à pé; enquanto eu vou de carro e não ofereço sequer uma carona. Mas no domingo estaremos juntos novamente. Vá na paz “meu irmão”! E me despeço dele descompromissadamente. Domingo agente se vê!

Quando Deus perguntou a Caim: Onde está o teu irmão, o espírito de Caim diz: não tenho responsabilidade de saber onde ele está. Diferente do que o espírito de José diz: “Procuro meus irmãos” (Gn 37.16).

Então podemos enfocar o aspecto da responsabilidade de uns com os outros enquanto irmãos, filhos do mesmo Pai, membros da mesma família: a Família de Deus.

Já ouvimos a expressão popular: Quem ama Cuida! Pois bem…

Onde está o teu irmão?

Quando Deus nos faz esta pergunta, ele nos faz lembrar que devemos:

1- Amar uns aos outros.

A lei antiga dos Judeus já prescrevia isso “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” Lv 19:18 – aqui o padrão é o indivíduo, o limite é “a si mesmo” – o que já é para muitos quase impossível, gostar de alguém como gosta de si mesmo. E já se discutia sobre quem é esse próximo. Se o inimigo também é o meu próximo ou somente os amigos, ou até se o próximo é somente quem é irmão. Algumas denominações até dizem: irmão é o da minha igreja, o das outras denominações é primo! Misericórdia!

Mas, só a lei não é suficiente, Cristo muda tudo, é mais radical. Ele passa a ser a referencia, o padrão ao invés do meu ego, do meu jeito. Vejamos em João 13:34-35  “34  Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. 35  Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.”. Essa então é a Lei de Cristo e João lembra isso em: I Jo 3:11 – “Porque esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio, que nos amemos uns aos outros.”

2- Perdoar uns aos outros.

É difícil imaginar que irmãos frequentam o mesmo local, se apresentam para cultuar ao senhor juntos e muitas vezes não se falam, que guardam mágoas uns dos outros, que nutrem sentimentos que não são bons. Será que essas orações estão sendo ouvidas pelo Senhor? É Jesus quem diz e está registrado em Mateus 5:23-24  “23 Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24  Deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta.”

O apóstolo Paulo nos ensina em: Ef. 4:32 – “Antes sede bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.” Aqui novamente o padrão de perdão é Cristo. Será que Cristo anda se lembrando do que fomos? Será que Ele não já nos perdoou? Lembremo-nos da oração que Cristo nos ensinou o Pai Nosso : “…perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos ofendeu.” Estamos agindo assim?

3- Suportar uns aos outros.

Ef 4:1-3   “1 ROGO-VOS, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados, 2  Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, 3  Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz.”

Cl 3:13 – “suportando-vos e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como o Senhor vos perdoou, assim fazei vós também.”

Gl 6: 2,5 – “ 2 Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo. 5 Porque cada um levará o seu próprio fardo.”

Cabe alguma explicação aqui sobre o “suportando-vos”. Esse suportar , como sendo dar suporte, ajudar os outros a resistirem ao “peso” da tentação do pecado. E ai podemos ver claramente a diferença de carga e de fardo. Eu levo a minha cruz, o meu fardo, por esse eu serei responsável diante de Deus, por tudo que fiz ou disse, ou até pensei. Mas isso não impede de ser solidário com a carga do meu irmão e ajudá-lo diante das dificuldades, das tentações que ele sente diante do pecado, das dores e sofrimentos pelos quais ele possa estar passando, consolando-o, exortando-o, animando-o na fé.

4- Exortar (animar) uns aos outros.

Exortar é animar, alertar, incentivar. Não vamos confundir com repreender, reprimir ou punir. O APÓSTOLO Paulo nos ensina em: Hb 3:13 – “…antes exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado;” Quando diz esse tempo que se chama hoje é para não deixar para amanhã o que se pode fazer hoje, nem se lamuriar no ontem porque deixou passar. Hoje é Hoje!

Esse “antes” significa que estou acompanhando e antes que aconteça estou junto. Não se refere a depois que o pecado se instalou e agora vou castigar o irmão. É prevenir antes que aconteça, é ajudar o irmão a não cair em falta. É alertar que tal caminho não parece ser caminho bom, mas caminhos de morte. Isso antes de acontecer, e só se sabe que o pecado está rondando o irmão quem está perto e se importa com ele.

Portanto esta pergunta serve para nós que queremos unidade do Corpo de Cristo – da Igreja. Onde estão teus irmãos? Onde está o teu discípulo, pois Jesus nos chamou para fazermos discípulos.

Onde está o novo convertido de Domingo passado?

Esse é outro aspecto da palavra que trago hoje. Sobre nossa responsabilidade para com os novos convertidos. Aqueles a quem um dia falamos de Cristo e ele veio até o nosso local de reunião, seja na congregação ou mesmo nos grupos que se reúnem nas casas, e resolveram entregar suas vidas a Cristo. Às vezes insistimos tanto em que a pessoa se converta e de imediato nos damos satisfeitos pelo seu SIM como resposta e logo os largamos sem acompanhar, sem integrá-los ao corpo à igreja. Simplesmente nos esquecemos dele, ou transferimos a responsabilidade para o Pastor. Vai que a bola é tua Passstttooorrr! Cruzamos os braços e ficamos livres do problema. Ou seja, transferimos a responsabilidade para outro, do mesmo jeito que Adão fez quando Deus lhe indagou sobre o pecado: …. foi a mulher que me deste. Ou seja, a culpa é sua Deus.

Creio que o Senhor fez e que ainda continua a fazer. Ainda hoje o Senhor pergunta a cada um de nós: Onde está o teu irmão?

Só que nós também respondemos: Não sei! Será que eu sou o guarda do meu irmão? Tu é que devias saber Senhor. Tu é que és Deus, cada um tem que saber de si e Tu tens que saber de todos. Eu não sei do meu irmão. Olha por acaso vi-o há duas semanas no Culto. Ele não tem aparecido, como é que posso saber dele? Vai lá procura-lo Senhor, ele não tem aparecido, mas toca o seu coração para que venha. Envia os teus anjos para despertá-lo.

Paulo nos ensina a acolher o débil na fé, o iniciante, ou aquele que faz muito tempo, mas emperra e não cresce. Lemos em Romanos 14:1 “Acolhei o que é débil na fé, não, porém para discutir opiniões”.

É preciso ter paciência com o irmão débil na fé porque uma característica dele é discutir detalhes secundários como se fossem os mais importantes, isso feito um torcedor de futebol que se apega mais a um lance secundário que ao resultado final da partida.

O cristão débil na fé trata as questões secundárias com zelo excessivo. Preste atenção no que digo: questões secundárias, e não essenciais!

O débil normalmente é uma pessoa que até pode ser confundida como muito espiritual e forte. Todavia é débil, é fraca. Ela costuma interpretar tudo ao pé da letra, é intolerante e não sabe ser diplomata nas questões secundárias.

Isso me remete ao início de minha caminhada, às minhas resistências, meus medos, mas também ao meu discipulador que teve muita, mas muita paciência comigo.

Isso me faz lembrar um livro do Pastor ABE HUBER – O fator Barnabé. Ele faz referência à conversão de Saulo e ao início da caminhada quando ele se apresenta à igreja, mas todos o temiam, não acreditavam na conversão dele. Lendo Atos 9:26-30 vemos que Paulo falava e discutia com os judeus de fala grega, mas estes tentavam matá-lo. Sabendo disso, os irmãos o levaram para Cesaréia e o enviaram para Tarso. Saulo aqui é um novo convertido. Ele era impetuoso na força de pregar. O novo convertido é como um bebê. Precisa ter pessoas disposta a ajudar. Olhando mais atentamente para a leitura de Atos vemos que foi necessária a ajuda de Barnabé. Barnabé teve paciência com o novo convertido, o escutou, estava ao seu lado. A igreja naquela ocasião se viu livre do problema e mandou Paulo de volta para a sua terra, para Tarso. O pastor Abe em sua explanação que está disponível na internet, no youtube, de forma humorada diz : “chamaram Paulo e deram uma passagem só de ida para Tarso. Colocaram o novo convertido numa cidade que não tinha ainda  igreja e sozinho. Pronto!”

Mas, vejamos que mais adiante em Atos 11:19-26,  quando Barnabé vai para a Antioquia, e lá a igreja estava cada vez mais aquecida pelo Espírito Santo, ele se lembra de Paulo e vai buscá-lo lá distante em Tarso e o traz para o meio do avivamento. Barnabé era mais que amigo, era irmão, era como o seu nome significa “Filho do Espírito Santo”. Ele animou, Ele acreditou, Ele não deixou Paulo ali na depressão, sozinho. Ele o trouxe para o meio do avivamento.

Barnabé investiu muito na vida de Paulo. Sabemos que valeu a pena. Paulo fez muito pelo Evangelho de Cristo. Em 2 Timóteo 4,7 vemos o que Paulo disse no final da vida: Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Ele cresceu. Abriu igreja. Venceu muitas batalhas. Ele se gastou ate o último. Em outras palavras, ele fez valer a pena o investimento de Jesus Cristo, de Barnabé e dos irmãos que o ajudaram. Precisamos fazer valer a pena o que Jesus Cristo fez por nós, o que meus irmãos mais antigos fizeram e me ensinaram.

Será que não estamos pensando tanto em nós que esquecemos quando o irmão está na pior?  Cobramos de um, de outro, ou da igreja em geral a visita de alguém em casa somente quando há um falecimento, quando alguém já está hospitalizado ou quando um casamento acaba? Espera-se ficar na pior para, então, querer entrar em contato com o irmão?

Ah!  Ele não é entrosado. É membro novo. Ele é irmão! Ah!  ele já é antigo e não muda, às vezes até é meio chato. Mas é irmão! Pegou no meu pé. Deu bola fora. Falou o que não era para falar. Está na pior. Mas é irmão! Ah!  Ele fala e você discorda. Já deu até briga. Ele olha para você meio torto. Mas é irmão!

– Onde está o teu irmão? Vá atrás dele. Aprenda a conviver em comunidade. Esta é a família de muitos irmãos, e Cristo é o primeiro dos irmãos (Rm 8.29).

– Faça como gostaria que fizessem com você. É a regra áurea (Mt 7.12). Ah! Aproveite para fazer o seguinte: veja se você também está sendo um bom irmão.

E por último o Espírito Santo me incomodou para tratar de mais um aspecto da Pergunta : Onde está o teu irmão?

Tratar do assunto de irmãos que estavam conosco e que já não estão mais. Que abandonaram a fé, ou que esfriaram na fé, ou que foram dragados pelo pecado e que já não congregam mais conosco. Fico a pensar…. Será que Cristo não os ama mais? Como seria o amor de Cristo para com essas pessoas. É ele mesmo que nos ensina a amar até o inimigo, pois amar quem ama agente é fácil. Ele diz que isso até os gentios também o fazem. Lc 5:43-48.

Em diversas ocasiões em que Jesus operou milagres vemos que Ele foi movido por íntima compaixão. A compaixão pelos perdidos, a compaixão pelas multidões; Ele via mais que os nossos olhos carnais. O olhar de Jesus é diferente e nos convida a olhar com olhos espirituais. Ou será que o sacrifício dele na cruz também não foi também por essas pessoas?

Alguém já disse que “A Igreja é o único exército que deixa os feridos pelo caminho”.

Quantos de nós já nos movemos ao menos para orar por essas vidas? Quantos de nós já nos movemos ao menos para ir até essas pessoas e dizer: Arrependa-se irmão! Volte para a sanidade! Jesus te ama; eu também!

Onde está o teu irmão?

Confesso que muito do que eu disse aqui, eu também tenho falhado. Não tenho agido assim, mas o espírito santo me incomodou, e em obediência estou falando essas coisas. Preciso mudar, preciso de Jesus para mudar, preciso de você meu irmão para mudar. Quero ser semelhante a Jesus quero ser reconhecido como Ele mesmo falou em Jo 13: 35 “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.”

Quando comparo João 3:16 com Primeira João 3:16 me pergunto se estou realmente preparado para manifestar a fé que professo de forma prática. Num eu vejo como Deus amou o mundo; no outro me pergunto se estou disposto mesmo a dar a minha vida pelo meu irmão? Tenho gasto ao menos um pouco do meu tempo me dedicando ao meu irmão?

Sei que minhas atitudes podem cooperar ou não para que a Igreja enquanto Corpo de Cristo seja um corpo bem ajustado, como está escrito em Ef 4:12-16 12  Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; 13  Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, 14  Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente. 15  Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, 16  Do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor.”

Lembro que o irmão Asaph Borba compôs um louvor que diz: “eu não sei o que seria de minha vida sem irmão e irmãs”. Acho que é esse o sentimento que tenho agora e quis compartilhar da parte do Senhor esse sentimento como algo que é para toda a sua Igreja. Amém. Que o Senhor nos ajude!

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