O que é o Evangelho do Reino de Deus?

O Reino de Deus não é um lugar, um território. Não é o céu. Não é a Igreja. Não é alguma coisa, um objeto, um estado. Gramaticalmente falando, a palavra Reino é um substantivo. Existem substantivos que indicam coisas, pessoas, lugares, sentimentos,

Mateus 6.10: Venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu.

O Reino de Deus é o Governo de Deus

A primeira coisa que deveríamos fazer antes de falarmos do evangelho do Reino de Deus era saber o que é o reino de Deus. Então, o que é o reino de Deus? Jorge Himitian responde a esta pergunta dizendo o seguinte: “(…) O Reino de Deus não é um lugar, um território. Não é o céu. Não é a Igreja. Não é alguma coisa, um objeto, um estado. Gramaticalmente falando, a palavra Reino é um substantivo. Existem substantivos que indicam coisas, pessoas, lugares, sentimentos, etc. Mas, também existem substantivos que indicam ação, por exemplo: a palavra salvação é substantivo que indica ação. O dicionário traduz esta palavra como: ação de salvar. Preparação: ação de preparar. Reino é um substantivo que indica uma ação. REINO é uma ação de reinar. O Reino de Deus é uma ação. O Reino de Deus é o reinar de Deus”. A apostila de Buenos Aires-ARG (Iniciando a Vida Cristã), entre outras coisas nos diz que “o reino de Deus é o governo de Deus”.

O que é o Evangelho do Reino de Deus?

A apostila 1 (Princípios Elementares do Reino de Deus, pág. 16) responde da seguinte maneira: “O evangelho do reino é o fim da rebelião e da independência do homem. Deus quer perdoar, mas também quer governar, quer reinar sobre o homem. E este é o significado do arrependimento. No grego a palavra que aparece é “metanoia”, que significa mudança de mente, mudança de atitude interior. Que mudança é esta? É a troca de uma atitude de independência para uma atitude de dependência. Da atitude de rebelião (faço o que eu quero) para a atitude de submissão (pertenço a Deus para fazer a sua vontade). Quando mudamos a nossa atitude para com Deus, mudam também os nossos atos. Quando mudamos somente os nossos atos (deixamos de fazer algumas coisas que consideramos muito erradas), mas continuamos no interior com uma atitude de independência, estamos ainda em rebelião e necessitamos de arrependimento”.

Eu diria que o evangelho do reino de Deus é a boa notícia que Deus quer governar a vida do homem, trazendo-lhe a libertação do pecado.

Um outro evangelho
Lembro-me quando descobri a expressão “evangelho do Reino de Deus” pela primeira vez. Ela sempre esteve ali na bíblia, mas nunca tinha percebido a sua existência. Sempre imaginei que evangelho é evangelho. Que só pudesse existir um único evangelho. Só quando me deparei com este detalhe – que Jesus não pregou qualquer evangelho, mas pregou o Evangelho do Reino, é que a expressão que Paulo usa aos gálatas teve um novo sentido (Gálatas 1.6-9). Então, segundo Paulo, há sim a possibilidade de existir outro evangelho, ou ainda pior: o estarmos pregando outro evangelho.

Qual era o tema da pregação de Jesus?

Então como saber se o evangelho que prego é mesmo o evangelho do Reino? Como já nos é comum, devemos olhar o modelo que nos foi deixado por Jesus e pelos apóstolos. Vejamos:
a) Isaías profetizou qual seria o evangelho que Jesus pregaria, Isaías 52.7
b) Jesus começou o seu ministério com a mensagem do Reino de Deus, Mateus 4.17
c) Em toda Galileia Jesus pregou o Evangelho do Reino de Deus, Mateus 4.23 e Mc 1.14-15
d) Em todas as cidades e aldeias de Israel Jesus pregou o Evangelho do Reino de Deus, Mateus 9.35 e Lucas 8.1.
e) Jesus sabia muito bem porque tinha sido enviado. Para pregar o Evangelho do Reino de Deus, Lucas 4.42-43
f) Jesus enviou os doze para pregar a mesma mensagem do Reino, Lucas 9.1-2
g) Enviou os setenta para pregar o Reino de Deus, Lucas 10.1, 8-9:
h) Lucas fez um resumo significativo de toda a mensagem de Jesus, Lucas 16.16
i) Jesus ressuscitado – Qual foi o assunto de Jesus com os seus durante 40 dias? Atos 1.3

Como se não fosse o bastante durante os três anos e meio falar sobre este tema, agora em seus últimos quarenta dias ressuscitado ele lhes fala sobre o mesmo tema!

Qual era o tema da pregação dos apóstolos?

a) Pedro no Pentecostes: Apresentou a Jesus como aquele que se assentou no trono de Davi, para Reinar para sempre. Concluiu a sua mensagem apresentando a Jesus como SENHOR – Atos 2.29-36.
b) Felipe em Samaria: Pregou o Evangelho do Reino de Deus – Atos 8.12.
c) Paulo em Éfeso: Primeiro, por três meses na sinagoga falou sobre o Reino de Deus (Atos 19.8). E logo define o seu ministério de três anos nessa cidade (Atos 20.25).
d) Paulo preso em Roma: Pregou o Reino de Deus: Atos 28.23, 30-31.

Plantando a semente do Evangelho do Reino

Em Mateus 13 há oito parábolas, todas com o mesmo tema: o Reino de Deus. Não vamos falar de todas elas, vamos ver só a primeira, que é a parábola do semeador, nela contém o detalhe sobre qual é a semente que devemos semear. Ao terminar de contar esta parábola, os discípulos pedem para explicar o que Jesus quer dizer com esta parábola, olhemos Lucas 8.11 e comparemos com o de Mateus 13.18 e 19.

Veremos que a semente que em Lucas é a palavra de Deus, em Mateus diz que é a palavra do Reino. Isto irmãos, é o que temos que semear. Não temos que plantar qualquer semente. Temos que plantar a palavra do Reino. Porque o que semeamos, isso é o que colhemos. Se plantamos sementes de trigo vamos colher trigo, se feijão, colheremos feijão. Quem já ouviu falar de alguém plantando alface e colhendo pimenta?! Se plantamos o evangelho das ofertas, se pregamos um evangelho aguado, vamos colher crentes aguados. Quando planto um evangelho que só propõe benefícios, vamos colher crentes que só buscam benefícios. Se pregamos o evangelho do Reino, vamos colher crentes que vivem debaixo do Reino de Deus.

A semente do Reino

Depois disto tudo que ouvimos, nos vem a pergunta: Qual é a semente do Reino? Bem, quando Jesus inicia seu ministério ele diz: Marcos 1.14-15.

Ele expõe as duas etapas do evangelho do reino: Arrependimento e fé. Esta era a semente. A pregação do evangelho do reino é como uma semente de feijão: tem duas bandas (em biologia dir-se-ia que o feijão é dicotiledônio). Uma é o arrependimento e outra é a fé. Ou ainda: uma é a demanda e a outra é a promessa. Um é o mandamento e outra é a benção. Um é o didake e a outra é o kerigma. Uma é a doutrina e a outra é a mensagem de fé. Uma é a cruz de Cristo e a outra é a face de Cristo. Por assim dizer, o evangelho do reino é a soma das demandas (condições, exigências) e das promessas.

Fica fácil agora identificar o evangelho do reino quando eu entendo que ele é a soma das demandas (condições e exigências) e das promessas do reino, um exemplo é o texto de Romanos 10.8-9, que nos expõe a condição para ser salvo:

  • As demandas – Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor (as condições do arrependimento – negar-se a si mesmo, tomar a cruz, perder a vida e renunciar tudo)
  • A promessa – e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo (a fé na promessa).

Outros exemplos de proclamação do evangelho do Reino:

a) João 14.21 (a demanda: Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; a promessa: e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele).
b) Sl 23 (a promessa: vv 1b-6; a demanda: se o Senhor é o pastor – governante, dono, rei, Kyrios)

Pregação que não seja do Evangelho do Reino é outro evangelho
Queridos, não nos enganemos: Só a pregação do Evangelho do Reino produz uma conversão genuína! Como posso afirmar isto? Quem já ouviu falar de alguém que tenha plantado metade da semente do feijão? Ao plantar-se metade uma semente de feijão, o que isto vai produzir? Um pé de feijão? Poderemos plantar só uma metade que não haverá problema algum? Será que vai dar um pé de feijão com a metade do tamanho? Metade da produção da lavoura? Uma pregação que não seja a do evangelho do reino produz religiosidade.

Não nos enganemos: A pregação que não seja do evangelho do reino é outro evangelho, é outra semente! Novamente ouso dizer: É uma pregação de outro evangelho! Gálatas 1.6-9.

No reino natural há vários princípios. Por exemplo: o princípio da gravidade. Para explicá-lo de forma simples, diríamos que todo objeto solto no ar, tende a cair até o solo. Do mesmo jeito, existem vários princípios espirituais, entre eles há o da semeadura e colheita. Este princípio espiritual diz que colhemos apenas o que plantamos, Gálatas 6.7. Se plantamos a semente do evangelho do reino, colheremos discípulos, crentes comprometidos com o Senhor, se plantarmos um evangelho fofinho, colheremos, no máximo, pessoas religiosas!

Com esta afirmação, não quero dizer que sejamos a única congregação que prega o evangelho do Reino, precisamos ter discernimento disto. Não quero, também, por em dúvida as muitas conversões que o Espírito Santo vem produzindo em todo o lugar através de nossos irmãos que não congregam diretamente conosco. O que quero dizer é que somos responsáveis por aquilo que semeamos e com o fruto da nossa semeadura.

Que condição Deus estabeleceu para a salvação?

Por muitos anos a igreja evangélica tem pregado e insistido que a condição para ser salvo é aceitar a Jesus como Salvador pessoal. De fato, Cristo é o único salvador; a Bíblia diz isso com clareza. Sem Jesus não há salvação (Atos 4:12). Mas, esse não é o problema. A questão é:
– Segundo a Bíblia, o que Deus requer do pecador para salvá-lo?

Parece estranho, mas não encontramos nenhum texto do Novo Testamento que afirme que Jesus nos salva apenas por recebê-lo como nosso Salvador. Em Romanos 10:8–9, o apóstolo Paulo declara: “isto é, a palavra da fé que pregamos. Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”. Os que pregam deste jeito só estão oferecendo metade da semente: as promessas!

Um estudo cuidadoso do Novo Testamento revela que a CONDIÇÃO para ser salvo é reconhecer a Jesus Cristo como o “KYRIOS.” A tradução em português desta palavra grega é SENHOR. O termo Kyrios, com referência a Jesus, é mencionado no Novo Testamento mais de 600 vezes. O termo SALVADOR, com referência a Jesus, é mencionado só 16 vezes.

KYRIOS SALVADOR
Nos evangelhos 130 2
Em atos 170 2
Cartas de Paulo 260 6
Restante do N.T 50 6
Total 610 16

Aceitar a Jesus como Senhor significa reconhecê-lo como Amo, Dono, Mestre e suprema autoridade sobre minha vida. Para que Jesus seja meu Salvador devo reconhecê-lo como meu Senhor. Este é o ponto central do Evangelho do Reino de Deus.

Conclusão
Nas viagens missionárias que fazemos à Buenos Aires – PE, temos visto o impacto que a mensagem do evangelho do Reino tem produzido nas vidas. O interessante é perceber que muitas vezes fomos tentados pelo diabo a proclamar um outro evangelho, um evangelho fofinho, para que pudéssemos ver conversões mais rapidamente, já que no início a obra não parecia dar frutos.

Não devemos ceder a pressão de querer ver frutos com rapidez, devemos pregar o evangelho do Reino, pois é o Senhor que concede os que vão ser salvos (Atos 2.47). Devemos desejar a multiplicação que vem do Senhor, que é produzida pela mensagem que Ele nos deixou. Não devemos sucumbir à tentação do diabo de amenizar o conteúdo do evangelho do Reino. Devemos resistir sempre ao diabo, pois é garantido que ele fugirá de nós.

Hoje nós devemos fazer igual a Jesus e aos apóstolos, devemos pregar o Evangelho do Reino de Deus. E, como Paulo, esta é a palavra que devemos pregar: Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. (Rm.10:8-9).

Evangelho das Ofertas: Evangelho do Reino:
A pregação de todas as promessas e bênçãos de Deus sem as demandas (as exigências e condições) do reino colocadas por Jesus, o 5º Evangelho segundo os santos evangelhos, ou seja somente os textos sublinhados. Ex.:Lc 12.32 – promessaLc 12.33 – demandaMt 11.28 – promessaMt 11.29 – demanda Existem promessas, mas também existem condições, exigências. Crer sem obedecer é ter uma fé morta, inoperante: vinde a mim não tem valor sem tomai o meu jugo. Ex.:Mt 4.23Mt 9.35Lc 14.33 (ver o jovem rico)At 28.31Mc 8.34-36
O homem e a felicidade do homem é o centro da mensagem. O evangelho das ofertas impõe condições à Deus para o servi-lo. Jesus, sua vontade, sua autoridade e seu reino é o centro da mensagem. O homem deve buscar a Deus e sua vontade. A felicidade é um subproduto (uma conseqüência) Rm 12.1-2.
Deus não é Senhor é um servo a serviço do homem. Deus é Senhor e nós somos os servos.
Condição para ser salvo: aceitar a Jesus Cristo como o seu salvador. Condição para sermos salvo: submeter ao senhorio de Cristo. Hb. 5.9 ; At 2.38 ; Mt. 7.21-23.
Conversão sem compromisso. Conversão com as condições para ser um discípulo. Lc. 14.26,27.
Consagração (dedicação total da vida a Deus) é um passo opcional e progressivo depois da conversão. Consagração é conversão, conversão é consagração Lc 9.57-62
O Reino é no futuro, na 2a vinda de Cristo. O Reino é presente e futuro. Cl 1.13.
O reino é no céu. O reino é o governo de Deus em nossas vidas: Aqui e Agora Mt 6.10

 

Marcos 8.34-36O homem e a felicidade do homem é o centro da mensagem. O evangelho das ofertas impõe condições à Deus para o servi-lo.Jesus, sua vontade, sua autoridade e seu reino é o centro da mensagem. O homem deve buscar a Deus e sua vontade. A felicidade é um subproduto (uma consequência) Romanos 12.1-2.Deus não é Senhor é um servo a serviço do homem.Deus é Senhor e nós somos os servos.Condição para ser salvo: aceitar a Jesus Cristo como o seu salvador.Condição para sermos salvo: submeter ao senhorio de Cristo. Hebreus 5.9 ; Atos 2.38 ; Mateus 7.21-23.Conversão sem compromisso.Conversão com as condições para ser um discípulo. Lucas 14.26,27.Consagração (dedicação total da vida a Deus) é um passo opcional e progressivo depois da conversão.Consagração é conversão, conversão é consagração Lucas 9.57-62O Reino é no futuro, na 2a vinda de Cristo.O Reino é presente e futuro. Colossenses 1.13.O reino é no céu.O reino é o governo de Deus em nossas vidas: Aqui e Agora Mateus 6.10

por David Jesus

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