O legado de Jesus: Qualidade

Sua última conversa com seus discípulos antes de sua morte

Leia  João 13, João 14, João 15, João 16 e João 17

O Evangelho de João tem 21 capítulos.Os primeiros 12 capítulos relatam o ministério de Jesus, que durou cerca de três anos e meio. Nestes cinco capítulos ( 13 a 17 ), João relata o que aconteceu em poucas horas entre Jesus e seus discípulos. E os últimos quatro capítulos são a história de sua paixão, morte, ressurreição e do aparecimento de Jesus a seus discípulos, acontecido em uns 43 dias.

Observemos a importância destes cinco capítulos:

  • Os primeiros 12 capítulos para relatar 3 anos e meio, isto é, uns 1.200 dias.
  • Os quatro últimos capítulos, para 43 dias.
  • Estes cinco capítulos, 13 ao 17, para um só dia!

Isso mostra o quanto era importante para João, o discípulo amado, o que Jesus transmitiu a eles naquele dia. Eu gosto de chamar esses capítulos de: o legado de Jesus aos seus discípulos, pois é a última coisa que ele comunicou-lhes antes de sua morte.

Situemo-nos no momento que eles estavam vivendo. Jesus sabia que sua hora tinha chegado, e entra em Jerusalém. A multidão gritava: “Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel”. Os principais sacerdotes, contudo, já haviam concordado em matar não somente Jesus, mas também Lázaro a quem ele ressuscitara em Betânia, pertinho de Jerusalém (João 12.10).

Chegou o dia da Festa dos Pães Asmos, em que era necessário sacrificar o cordeiro pascal. Jesus procurou um espaço para ter intimidade com seus discípulos. Lucas diz bem (22.8-12):

E Jesus enviou a Pedro e a João, dizendo: Ide, preparai-nos a páscoa, para que a comamos. Perguntaram-lhe eles: Onde queres que a preparemos? Respondeu-lhes: Quando entrardes na cidade, sair-vos-á ao encontro um homem, levando um cântaro de água; segui-o até a casa em que ele entrar. E direis ao dono da casa: O Mestre manda perguntar-te: Onde está o aposento em que hei de comer a páscoa com os meus discípulos? Então ele vos mostrará um grande cenáculo mobiliado; aí fazei os preparativos. Foram, pois, e acharam tudo como lhes dissera e prepararam a páscoa.

A história deste encontro de Jesus com seus doze discípulos está registrada nos quatro evangelhos, mas o relato de João é único. João descreve palavras, frases, gestos e ações de Cristo de uma forma muito profunda. Deixa de lado alguns detalhes históricos para se referir ao mais transcendente. Jesus, neste encontro singular com os seus discípulos, abre totalmente o seu coração para comunicar os anseios mais importantes e profundos que ele tem para a comunidade dos discípulos. Sua intenção foi marcá-los de um jeito definitivo. Este é o legado mais 2 precioso que lhes confiou. João, compreendendo isto, dedicou a esta conversa cinco capítulos em seu evangelho.

Que o Espírito Santo derrame sobre nós espírito de sabedoria e de revelação para que, sob a ação poderosa da palavra de Jesus, sejamos todos transformados, incorporando a nossas vidas todos os aspectos deste valiosíssimo legado de Jesus.

Primeira Mensagem – QUALIDADE

“Uma comunidade de discípulos parecidos a Jesus”

Convido você não só a ler esta história, senão a entrar nesta história junto com os doze discípulos de Jesus. Em sua imaginação entre comigo nesta sala onde se reuniu Jesus com seus discípulos, e vivamos juntos a experiência de estar com Jesus.

Antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, e havendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. Enquanto ceavam, tendo já o Diabo posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, que o traísse, Jesus, sabendo que o Pai lhe entregara tudo nas mãos, e que viera de Deus e para Deus voltava, levantou-se da ceia, tirou o manto e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois deitou água na bacia e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido. Chegou, pois, a Simão Pedro, que lhe disse: Senhor, lavas-me os pés a mim? Respondeu-lhe Jesus: O que eu faço, tu não o sabes agora; mas depois o entenderás. Tornou-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Replicou-lhe Jesus: Se eu não te lavar, não tens parte comigo. Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça. Respondeu-lhe Jesus: Aquele que se banhou não necessita de lavar senão os pés, pois no mais está todo limpo; e vós estais limpos, mas não todos. Pois ele sabia quem o estava traindo; por isso disse: Nem todos estais limpos. Ora, depois de lhes ter lavado os pés, tomou o manto, tornou a reclinar-se à mesa e perguntou-lhes: Entendeis o que vos tenho feito? Vós me chamais Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Em verdade, em verdade vos digo: Não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou. Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes.

Jesus, perante a admiração e o desconforto de seus discípulos, lavou os pés deles.

O aspecto histórico do lava-pés

Era um costume muito velho lavar as mãos e os pés antes de comer, pois as mesas eram baixas, e os comensais se assentavam em almofadas. Também a gente usava sandálias, e as ruas eram empoeiradas.

  1. Abraão e os três homens. Gênesis 18,4: Mandarei buscar um pouco d’água para que lavem os pés e descansem debaixo desta árvore.
  2. A fonte de bronze na entrada do tabernáculo. Êxodo 30,18-19: Arão e seus filhos lavaram as mãos e os pés.
  3. No tempo de Jesus, o costume havia mudado um pouco. As famílias ricas tinham escravos, e um deles era encarregado de lavar os pés das visitas antes do jantar.

A cultura do Reino

Acontece que quando Jesus se reuniu com seus discípulos para aquele jantar especial, o escravo encarregado de lavar os pés não estava. Jesus rompe com a cultura da época, e introduz algo revolucionário. Como temos lido, levantou-se da ceia, tirou o casaco, pegou a toalha e a jarra de água, e, para o assombro dos seus discípulos, se ajoelhou diante de cada um deles e lavou-lhes os pés.

Ora, depois de lhes ter lavado os pés, tomou o manto, tornou a reclinar-se à mesa e perguntou-lhes: Entendeis o que vos tenho feito? Vós me chamais Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Em verdade, em verdade vos digo: Não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou. Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes.

Com seu exemplo Jesus estabelece algo que quebra todos os paradigmas, todos os costumes e culturas, e todas as hierarquias falsas. Estabelece a marca que deve caracterizar a todos os seus discípulos: SERVIR. Servir aos outros. Ser o primeiro a servir. Fazer os serviços mais simples, menos gratificantes, o que todos querem evitar. Servir aos irmãos. Servir aos menores. Servir a todos; até a Judas, retribuindo bem por mal.

Ele é o Senhor (Kyrius), eu sou seu escravo.
Ele é o Mestre, eu sou seu discípulo.

Quem é o maior? Quem está à mesa ou quem serve? Que revolução! Que loucura. Esta é a loucura de cruz.

Sirvamos uns aos outros em nossa casa. Sirvamos no trabalho; na igreja. Por quê? Pois nosso Pai quer ter uma família com muitos filhos semelhantes a Jesus. Este é o propósito eterno do Pai, que sejamos como Jesus.

“Se sabeis estas coisas, bem-aventurados (felizes) sois se as praticardes.”

Coloquemo-nos o avental, façamos um nó bem forte para que seja nosso avental permanente. Vivamos as 24 horas do dia com o avental posto.

Nos bastidores

Por que Jesus poderia fazer isso? por 3 razões.

1. Porque ele amava a seus discípulos.

(V.1) “… Sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, e havendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.” O amor é o maior mandamento. É o motor que faz funcionar tudo na vida cristã. O amor nos “motiva” (impulsiona) para fazer a vontade de Deus com alegria. “Amou-os até o fim”. Um amor imutável. Jesus os amou até às últimas consequências.

“Sabendo Jesus que era chegada a sua hora …”. Talvez ele sentisse saudades, pois em breve deixaria de estar com eles… Como você agiria com sua família e com os irmãos se soubesse que você está em suas últimas 24 horas de vida?

O que é amor?

É pensar no outro. É esforçar-se criativamente para satisfazer as necessidades dos outros. É lavar seus pés. Servir. É colocar-se o avental de servo.

O amor lava ao irmão. Quem não ama suja ao irmão, com críticas, fofocas, calúnias, ofensas. Aquele que ama interessa-se pelos outros. Quem não ama ignora ao irmão, se esconde dos necessitados. Jesus conclui o capítulo 13, dizendo (vs. 34-45):

Um novo mandamento vos dou: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.

2. Porque Jesus não tinha complexo de inferioridade.

(V.3-4) Jesus, sabendo que o Pai lhe entregara tudo nas mãos, e que viera de Deus e para Deus voltava, levantou-se da ceia, tirou o manto e, tomando uma toalha, cingiu-se…

Jesus sabia quem era ele, e que o Pai tinha dado todas as coisas… Por isso, sem qualquer complexo, levantou-se da mesa, e lavou os pés de seus discípulos. Ele tinha certeza de quem era.

Em contraste está o complexo dos discípulos. Nenhum deles pensou em lavar os pés dos seus companheiros de equipe. Quando Jesus o fez, eles sentiram desconforto. O único que expressou seu descontentamento foi Pedro, mas, com certeza, todos sentiram o mesmo. Pedro disse: “Não, nunca me lavarás os pés”. Que resposta de Jesus!: “O que eu faço você não pode entender agora, mas depois vai entender.”

Muitas coisas acontecem em nossa vida que não conseguimos entender. Pedro certamente compreendeu isso quando ele foi cheio do Espírito Santo. Foi então que ele teve uma visão completa do que significa seguir a Cristo e se tornou um servo de seus irmãos até o fim de seus dias.

3. Jesus não permitiu que o seu estado anímico paralisasse seu serviço.

(V.2) Jesus sabia que Judas iria traí-lo.
(V.18) Aquele que come do meu pão levantou contra mim seu calcanhar.
(V.21) Tendo Jesus dito isto, turbou-se em espírito, e declarou: Em verdade, em verdade vos digo que um de vós me há de trair.

Jesus estava triste, muito triste. Turbado em seu espírito declarou a todos que um deles o trairia. Que momento! E ele sabia quem o trairia. No entanto, também lavou os pés de Judas.

Quantas vezes ficamos paralisados no serviço, por causa de nosso estado emocional. Temos que superar qualquer desconforto interior. Priorizar as necessidades dos outros e não os nossos sentimentos. Em tempos difíceis não devemos deixar de servir, não podemos deter-nos na missão.

Eclesiastes 11.4, diz: Quem somente observa o vento nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca colherá.

Não permitamos que o nosso humor nos paralise. Devemos servir nos dias difíceis e nos dias fáceis; com chuva ou com sol; com os amáveis e com os difíceis. Vamos seguir o exemplo de Jesus.

Conclusão

A vida cristã não é simplesmente uma imitação de Cristo. A vida cristã é Cristo em nós. Já não vivo eu, mas Cristo vive em mim. Jesus nos revelou o mistério da vontade do Pai: Que sejamos uma comunidade de discípulos semelhantes a Jesus. Amém.

Jesus, Jesus de Nazaré
Tua mesma imagem eu quero ter,
Como tu és desejo ser,
Jesus, Jesus de Nazaré.

Texto original em anexo para download.
Ministração de Jorge Himitian em Pau Amarelo.


Esta ministração faz parte de um conjunto de 4:

  1. O legado de Jesus: Qualidade
  2. O legado de Jesus: Quantidade
  3. O legado de Jesus: Unidade
  4. O legado de Jesus: Realidade

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