Nas Mãos do Oleiro

Um ano de muitas lágrimas, dores, decepções, onde me senti rejeitada por pessoas que nem imaginava. Pessoas por quem havia me lançado sem reservas, dando a minha vida, o meu tempo, o meu coração. Pessoas, a quem eu lançava as minhas expectativas e anseios. Imaginando viver uma amizade verdadeira, como a de Jônatas e Davi.

Lembro-me perfeitamente, quando Deus começou a ministrar ao meu coração no texto de Jeremias 18:1-6.

“A palavra do Senhor, veio a Jeremias, dizendo: Levanta-te, e desce à casa do oleiro, e lá te farei ouvi as minhas palavras. E desci à casa do oleiro, e eis que ele estava fazendo a sua obra sobre rodas, como o vaso, que ele fazia de barro, quebrou-me na mão do oleiro, tornou a fazer dele OUTRO vaso, conforme o que pareceu bem aos olhos do oleiro fazer. Então veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? Diz o Senhor. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel”.

Nas Mãos do Oleiro

Ao meditar nesse texto, comecei a perceber que o Oleiro queria fazer OUTRO VASO,  de minha vida, de meu coração. E tudo foi convergindo para isso!

No ano de 2014 recebi outro texto: “Se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, continuará ele só. Mas se morrer, dará muito frutos”.

O meu espírito e a minha alma começaram a ficar em aflição, angustiada, imaginando que algo muito doloroso iria acontecer. Recebi milhares de ministrações e cânticos, que falavam sobre isso. Não sabia eu, que exatamente neste ano, as mãos do oleiro começavam um processo de me moldar à sua imagem e semelhança.

1 Samuel 18: 3-4 “E Jônatas fez aliança com Davi, pois o amava como a sua própria alma. Jônatas, se despojou da capa que trazia sobre si, e a deu a Davi, como também  suas vestes, até a sua espada, e o seu arco, e o seu cinto”.

Essa é uma das histórias de ALIANÇA que sempre marcou a minha vida. Porém, o Espírito Santo começou a dizer-me que era o coração de Jonatas que eu deveria ter. Deveria alegrar-me em ser a segunda, a dar a honra, a não ser reconhecida. E Ele foi usando pessoas, situações para me ensinar essas coisas.

Um ano de muitas lágrimas, dores, decepções, onde me senti rejeitada por pessoas que nem imaginava. Pessoas por quem havia me lançado sem reservas, dando a minha vida, o meu tempo, o meu coração. Pessoas, a quem eu lançava as minhas expectativas e anseios. Imaginando viver uma amizade verdadeira, como a de Jônatas e Davi. No entanto, foram amizades que me trouxeram peso, tristezas cobranças humanas e intimidação, muito mais da minha parte. Não dormia, andava triste. E por muitos anos perguntei: porque Deus? De Julho a Dezembro de 2014, não conseguia ouvir a voz do Senhor, havia muita areia no meu deserto, vendavais que embaçavam a minha visão.

Meu deserto estava apenas começando

Ano de 2015, comprei um livro com o título, MOLDADO POR DEUS, Max Lucado.  Foi quando percebi que meu deserto, estava apenas começando. E li algumas coisas que foram me fazendo compreender o trabalhar do Senhor em minha vida.

“O ferreiro sabe o tipo de instrumento que ele quer. Ele sabe o tamanho. Ele sabe o formato. Ele sabe a força. Pá! Pá! Bate o martelo. Os barulhos ressoam na loja, o ar se enche de fumaça, e o metal ainda mole responde. Mas a resposta não vem fácil. Não vem sem um desconforto. Para derreter o ferro velho e refundi-lo como novo passa-se um processo de ruptura. O metal ainda se mantém na bigorna, permitindo que o ferreiro remova as cicatrizes, repare as rachaduras, preencha as lacunas e purifique as impurezas”. (Max Lucado)

As lágrimas escorriam em meu rosto. E orei, dizendo: Oh Senhor, tu queres fazer isso comigo! E o autor continuou:

E com o tempo, uma mudança ocorre: o que era sem corte se torna afiado, o que era torto se torna reto, o que era fraco se torna forte, e o que era inútil se torna valoroso. Então o ferreiro para. Ele cessa as batidas e coloca o martelo de lado. Com um forte braço esquerdo, levanta as pinças até que o metal recém-moldado esteja à altura dos seus olhos. Ainda em silêncio, ele examina a ferramenta em brasa. O implemento incandescente é girado e examinado para ver se existem marcas ou rachaduras. Não existe nenhuma.

Agora o ferreiro entra no estágio final da sua tarefa

Agora o ferreiro entra no estágio final da sua tarefa. Ele mergulha o instrumento ainda quente dentro de um tonel de água. Com um sonido e uma movimentação de fumaça, o metal imediatamente começa a endurecer. O calor se rende ao ataque furioso da água fria e o mineral maleável e mole se torna uma ferramenta útil e inflexível.

“Talvez você já tenha passado por algum momento de tristeza, e por todos os tipos de provações. Elas vieram para que a sua fé – que tem mais valor do que o ouro, que parece ainda que refinado pelo fogo – seja provada genuinamente e resulte em louvor, glória e honra quando Jesus Cristo for revelado” (I Pedro 1. 6-7)

Nesse momento os pensamentos começaram a se organizar. Ainda havia uma mistura de sentimentos horríveis, como o rancor, a amargura e a raiva. E relembrando um pouco de toda a minha trajetória pude entender que precisava de cura na alma. Além da própria igreja presente na minha vida, percebi que precisava de Psicoterapia, pois estava com DEPRESSÃO. Aconselhada pelos meus pais na fé procuramos juntos alguém que pudesse ser instrumento de Deus na minha vida para me ajudar a passar por essa ESTAÇÃO em que me encontrava: O INVERNO. Dias cinzentos, frios, às vezes não tinha vontade de nada, apenas cria que Deus estava ali. Não conseguia orar, ler a palavra, mas em todo tempo eu sabia que Ele estava comigo, mesmo não sentindo sua doce presença em dias tão solitários e vazios.

A menina, que havia se convertido aos 13 anos, que andou por diversas regiões do Brasil, testemunhado e proclamando sobre o evangelho do Reino; a jovem, que cantava em retiros, em encontro geral da igreja, encontro de mulheres, com simples dedilhar em seu violão, que cuidava de muitas vidas, profetizava, declarando o derramar do Espírito Santo, que sempre compartilhava com os amados no encontro da Igreja no lar, De repente estava ali, tendo que abrir mão de tudo. Tive que sair da vista de todos e apenas uma coisa permaneceu: Eu e Deus. O silêncio começou a sobressair e logo percebi que era TEMPO de ficar calada, aprendendo com o outro, sendo ministrada, aquietando a minha alma e aprendendo a descansar Nele. Era tempo, de deixar outros ministrarem o louvor, era tempo de voltar a aprender a reaprender. E assim, o OLEIRO foi me quebrando e fazendo-me novamente. Lembram-se de João 12:24? O grão de trigo tinha que morrer e foi exatamente o que o Senhor estava fazendo em minha vida.

Nossos olhos só conseguem enxergar a dor

Foram dias de muito trabalho, choro, desencontro, de aceitação por esse tempo e estação da minha vida. Mais a primeira coisa que aprendi foi expressar com liberdade e sinceridade tudo o que havia em meu coração. Falava de tudo na terapia e com os meus pais na fé, com os meus amigos mais chegados que irmãos. Falei das minhas dores, das pessoas que haviam me magoado, questionei muitas coisas, e uma delas era: porque, aquela pessoa não quis ser minha amiga? Porque, me traiu? Eis um momento, que os nossos olhos só conseguem enxergar a dor. E nesse tempo da minha vida, percebi que o Senhor estava me ensinado a andar na luz. A falar a Ele tudo que se passava em minha mente, em meu coração (intimidade). Comecei também, a me enxergar, a me conhecer. Prestar atenção no que eu precisava identificar como lixo na minha alma. E conseguimos isso, quando permitimos que o Senhor através de sua luz nos mostre os quartos escuros de nosso coração.

Na bigorna de Deus. Talvez você já tenha estado lá. Derretido. Sem forma. Desfeito. Colocado na bigorna para…ser refeito? Um pouco de dureza encerra muitas coisas. Disciplinas? (Disciplinas de um bom pai.) Testes? (Mas porque tão duros?) Eu sei. Eu passei por isso. É desagradável. É uma queda espiritual, é uma penúria. O fogo se apaga. Embora o fogo talvez queime por um momento, mas logo desaparece. É uma inclinação decrescente. Decrescente para dentro de um nublado vale de perguntas, a planície do desencorajamento. A motivação se enfraquece. O desejo se distancia. As responsabilidades são deprimidas. Paixão? Escorrega-se porta fora. Entusiasmo? Você está brincando? Em tempos de provações. Ela pode ser causada por uma morte, o fim de um relacionamento, uma falência ou desânimo para orar. A luz é apagada e o quarto se torna em trevas. “Todas as zelosas palavras de ajuda e esperança foram gentilmente ditas. Mas ainda estou machucado, pensativo…” Na bigorna.

Levado a ficar face a face com Deus, fora da total compreensão de que não temos nenhum outro lugar para ir. Jesus no jardim. Pedro com um rosto coberto por lágrimas. Davi atrás de Bate-Seba. Paulo, cego em Damasco. Bate, bate, bate.

Eu espero que você não esteja passando por um tempo de provação. (A menos que esteja precisando de um, e se estiver precisando, então espero que você passe.) Tempos de provações não são para serem desprezados; eles são para serem experimentados. Embora o túnel seja escuro, ele vai através da montanha. Tempos de provações nos fazem lembrar de quem somos e de quem Deus é. Não deveríamos tentar escapar deles. Escapar desses momentos pode significar escapar de Deus. Deus vê as nossas vidas do começo ao fim. Talvez ele nos faça passar por uma tempestade aos 30 anos de idade para que possamos suportar um furacão aos 60. Um instrumento é útil somente se ele estiver na forma certa. Um machado sem corte ou uma chave de fenda torta precisa de atenção, e nós também. Um bom ferreiro mantém as suas ferramentas em boa forma. E Deus faz o mesmo. Se Deus colocá-lo em provação, seja grato a ele por isso. Isso significa que ele pensa que você ainda pode ser melhorado. (Max Lucado)

Aleluia! Que Ele cresça e eu diminua. E o processo de Deus continuou…

Eu queria estar no controle

Após várias terapias, discipulado, orando e clamando ao Senhor, mais um quarto foi visto pela luz de Deus. Eu queria estar no controle de todas as coisas e das pessoas. Eu queria ser vista, ser notada, ser aceita pelo outro. Eu queria moldar o outro a mim, media o outro por minhas qualidades, pelo que acreditava que era certo. Queria que minhas necessidades emocionais fossem supridas, não aceitava outras opiniões, a minha tinha que prevalecer, assim como as minhas idéias. E às vezes, por querer mostrar ser uma pessoa que entendia de tudo, que era madura, INVADIA o outro. Eu sentia raiva quando percebia algum tipo de rejeição ou desqualificação. Foi quando entendi a grande esperança que Deus nos mostra para cada pessoa que confia Nele. Mesmo quando falhamos em viver uma vida perfeita, o valor próprio não é apagado.

Exultai, ó céus, e alegra-te, ó terra, e vós, montes, estalai com júbilo, porque o Senhor consolou o seu povo, e dos seus aflitos se compadecerá. Porém Sião diz: Já me desamparou o Senhor, e o meu Senhor se esqueceu de mim. Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti. (Isaías 49:13-15). Oh Jesus, tenha misericórdia de mim!

Fui orientada a ouvir das pessoas mais importantes para mim, se elas já tinham se sentidas invadidas por mim. E se sim, em qual momento. Como foi duro ouvir a verdade. Enxergar que eu mesma fui muitas vezes, o principal motivo para que algumas pessoas recusassem a serem próximas de mim.

Aprendi a amar as pessoas como elas são! A compreender que cada pessoa tem o seu tempo, suas limitações, seu DNA. Aprendi que eu não precisava estar no controle das coisas, para ser aceita.

Estou aprendendo a reconhecer meus limites pessoais. Primeiramente, entendi que Jesus era a pessoa mais importante que precisava me aceitar. E Ele o fez, dando a vida dele por mim. Comecei a compreender que a minha estabilidade emocional dependia excessivamente dos outros, e não de Deus.  Essa dependência estava trocada.

O meu comportamento controlador demonstrava formas de autoritarismo, a crítica excessiva, a teimosia, a comunicação dogmática e a refutação crônica.

Como foi esplêndido ver o seu AMOR por mim… E ele me dizia. O Meu amor te basta. Eu Sou tudo pra você. Não viva para o outro! Viva para mim! Tudo é por Ele e para Ele.

Aprendi a descansar no Senhor

E assim, aprendi a descansar no Senhor. Hoje, quando alguma coisa não sai da forma que eu planejei, eu falo, DEUS ESTÁ NO CONTROLE DE TODAS AS COISAS. E isso é suficiente para não me frustrar. O suficiente para viver a cada dia o seu dia.

Mais um quarto foi iluminado no meu coração. E desta vez foi a dificuldade que eu tinha em liberar perdão. Como foi difícil! Às vezes percebia que eu gostava de relembrar as dores, as palavras que fincavam em meu coração, causando uma sensação de tristeza.

Essa foi uma fase onde os sintomas físicos começaram a surgir. Dores de cabeça, coração acelerado, respiração profunda e acelerada quando me deparava com pessoas que havia me ferido. Pânico de conhecer pessoas. Acho que eu pensava que seria mais alguém, que poderia me ferir! Lembro bem, que quando eu cruzava com alguma destas pessoas, eu abaixava a cabeça, por medo, por mágoa. Houve um tempo que eu procurei essas pessoas, mais não sentia que as correntes tinham sido quebradas. Foi então que eu resolvi esperar pelo tempo de Deus, e não pela minha força, fazendo de uma maneira precipitada. Algumas pessoas me procuraram para me pedir perdão, e eu falava que perdoava, mas lá no intimo do meu coração, eu sabia que não.

No ano de 2017, participando de um retiro da igreja, meu paizinho na fé, amigo e conselheiro, ministrava sobre a importância de sermos vinho novo e odre novo. Precisávamos mudar os paradigmas, passar por verdadeiras mudanças de mente, deixar Deus desconstruir e reconstruir. Jogar os escombros que estava nos impedindo de ver a glória de Deus. E no ambiente de muito quebrantamento, eu decidi abrir mão dessas mágoas que me consumiam. Quebrar toda raiz de amargura, em meu coração. Lembro-me como hoje, eu declarando a verdade de Cristo sobre a minha vida ao lado de um grande amigo, que naquele momento chorava comigo, buscando a CURA e a LIBERTAÇÃO que minha alma precisava.

É verdade que Deus já tinha usado outras coisas, como um louvor que dizia “NÃO TEMPO PRA PERDER COM RESSENTIMENTOS QUANDO PENSO QUE ELE ME AMA”.

Eis um dia que essas letras foram verdades em minha vida. Ali orei. E disse: Pai não quero perder a tua glória por essas coisas tão pequenas. O que elas são, comparado a Ti? Quero mergulhar em tua presença… E ali fiquei livre! Procurei todas as pessoas que Deus colocou em meu coração. E testemunhando no que Deus fez comigo, eu liberava o perdão. E entendi que o Perdão é uma questão de escolha. Quando perdoamos, somos libertos, curados, liberamos benção sobre o outro. Aleluia! O perdão não apenas faz bem ao o outro, mais principalmente a você mesma.

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