José, um pai revestido de caráter

O caráter de homens como este costuma não morrer facilmente: continua vivo na vida das pessoas que foram impregnadas por ele.

Todos sabemos que os pais exercem ou podem exercer alguma influência na formação do caráter dos seus filhos. Alguns traços de personalidade e até algumas tendências podem sim ser oriundos de herança genética. Entretanto, a relevância da herança adquirida na formação do ser humano tem sido cada vez mais destacada.

Esta herança é aquela que, apesar de não transmitida geneticamente, transmite-se através do convívio, de fatos observados, dos exemplos absorvidos. Muitas pessoas já puderam comprovar a força desta influência em suas próprias histórias de vida.

Nós, cristãos, cremos que Jesus é o Filho de Deus, concebido pelo Espírito Santo. No mundo natural, seu pai era José. Talvez nem mesmo o próprio José pôde, naquele momento, compreender a plenitude da sua responsabilidade. Talvez ele pensasse que sua tarefa, como pai terreno de Jesus, fosse a de educar o menino nos caminhos do Senhor, exercer influência positiva sobre ele, e contribuir para a concretização dos planos de Deus. Talvez José desejasse transmitir o que tinha de melhor: seu caráter, seu amor a Deus e seu ofício.

Jesus, o Messias, cresceu em graça e conhecimento diante de todos. Foi o nosso exemplo supremo de renúncia aos direitos que tinha, em favor da humanidade perdida. Mas, teria José realmente dado algum exemplo de renúncia para Jesus? Qual era o caráter deste homem? Que tipo de influência o Messias teria recebido de seu pai terreno? O que Jesus pôde observar ou saber sobre José?

Não podemos comprovar biblicamente até que ponto ocorreu a influência paternal terrena sobre Jesus. Não sabemos nem exatamente até que idade Jesus teve José por perto. Mas podemos verificar que José tinha caráter. E o caráter de homens como este costuma não morrer facilmente: continua vivo na vida das pessoas que foram impregnadas por ele.

Tente visualizar. De repente, o inesperado aconteceu para um homem cheio de amor por sua noiva. Este homem simples, chamado José, vivia agora um grande conflito interior. Ele sabia que o filho que estava sendo gerado no ventre dela não era seu, pois não havia tocado nela.

Quantos pensamentos devem ter passado pela cabeça de José… desapontamento, insegurança, dúvidas. Quanto tempo dependido… quanto investimento na relação… compromissos assumidos em função da iminência do casamento… tudo seria perdido. Sem contar na vergonha pública pela qual passaria perante a sociedade da época.

José precisava tomar uma decisão. Certamente não poderia continuar com ela. Segundo as leis mosaicas em vigor, ele tinha o direito de levá-la ao apedrejamento.

Talvez esta história já não tenha mais tanto impacto sobre sua mente, pois você já conhece o final. Mas imagine a situação: o anjo ainda não apareceu a José, e ele ainda não sabe nada sobre a revelação messiânica! É a mente de um homem comum, que se sente traído pela pessoa que ele mais amava – sua noiva.

Até então é uma situação humana. Os sentimentos vão aflorando, a racionalidade ganhando força e a decepção aumentando. Ele precisa tomar uma postura firme. Quem sabe levar Maria ao apedrejamento, o que seria “justo” – de acordo com a Lei.

Mas este homem era mais justo diante do Senhor do que aquilo que seria considerado “justo”. Ele tinha caráter. Eis sua decisão: “Como José, esposo de Maria, era homem justo, e não a queria infamar, intentou deixá-la secretamente.” (Mt. 1.19.)

José, no ápice de seu sofrimento, escolheu silenciar. Escolheu abrir mão dos seus direitos e não levar sua quase ex-noiva à morte. Ele escolheu não abrir a boca.

Depois disso Deus se mostrou, e revelou os seus planos para Maria e José. O final da história, você já conhece!

Como disse anteriormente, não podemos comprovar a influência do caráter de José em Jesus. Não sabemos se, anos mais tarde, José e Maria puderam contar esta história para Jesus. Não temos certeza se Jesus carregou desde adolescente um orgulho sadio por ter um “pai” justo, que fez a escolha que fez.

Mas sabemos que a justiça e o temor a Deus de José eram oriundos da mesma fonte que revestiu Jesus de sabedoria e santidade. Podemos ler na Palavra várias passagens nas quais Jesus silenciou. Vários episódios nos quais ele não abriu a boca e abriu mão de seus direitos. Veja estas tremendas declarações de Isaías e Pedro: “Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca.” (Is. 53.7); “Quando foi injuriado, não injuriava, e quando padecia, não ameaçava. Antes, entregava-se àquele que julga justamente.” (1 Pe. 3.23.)

Ser exemplo de caráter, amar a Deus acima de todas as coisas e abrir mão de seus direitos foram algumas virtudes de José, pai terreno de Jesus. Quando lemos textos como os mencionados acima, podemos ver – guardadas as devidas proporções – o mesmo tipo de atitude em Jesus.

Por citações bíblicas tão breves como a deste episódio, podemos acreditar que José cumpriu fielmente o seu papel de pai na formação do caráter de Jesus. Sim, nós sabemos que Jesus é o Filho de Deus (portanto, o próprio Deus como Pai transmitiu o seu caráter a seu Filho), mas isso de maneira alguma desmerece o importante papel humano de José na história.

Que o Senhor forje mais homens e mulheres de Deus com o mesmo caráter deste “pai”, homem justo diante de Deus.

Em amor

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