Como achar a vontade de Deus Parte 1

Dois extremos

“Pois, enquanto os judeus pedem sinal, os gregos buscam sabedoria” (1 Co 1:22).

Há no mundo hoje duas espécies de pessoas. Uma classe, semelhante aos gregos, é intelectual. Quando uma pessoa desta classe se converte, ela se prende mais ao aspecto intelectual do evangelho. Podemos dizer que estas pessoas aceitam mais o lado objetivo das coisas. Estão acostumadas a interpretar e a estudar as coisas conforme as exigências da sua razão, e trazem esta tendência para sua vida espiritual também.

Outra classe de pessoas se assemelha aos judeus. Estas são tendentes, por natureza, ao lado subjetivo das coisas. São emocionais, baseiam suas opiniões e idéias em experiências e sentimentos. No evangelho também elas reagem mais a um sinal ou milagre que a uma apresentação lógica dos fatos. Na vida cristã, elas buscam experiências, sentimentos, curas e fenômenos sobrenaturais.

Deus tem usado ministérios diferentes no mundo espiritual. Alguns têm uma ênfase mais lógica, intelectual, ou objetiva nos seus ministérios. Outros possuem sinais e milagres. Deus tem lugar para todos. A contribuição de cada um é importante.

Ao mesmo tempo, é perigoso ir a um ou outro extremo. Atualmente vivemos numa sociedade dominada por materialismo, razão humana, e intelecto natural. Todos andam atrás de sabedoria e conhecimentos. No meio da renovação da igreja, que Deus está trazendo através do derramamento do seu Espírito em todo o mundo, muitos intelectuais têm sido atingidos. Tendo já procurado conhecer a Deus por meio da sua razão, cheios de diplomas e títulos, descobriram que tudo isto só produz morte. Porém, ao encontrar o outro lado da verdade, e a realidade de uma experiência viva com Deus através do Espírito Santo, correm o risco de ir ao outro extremo. Muitas vezes saem do intelectualismo para entrar no misticismo. Começam a dar ênfase apenas aos aspectos subjetivos do cristianismo. Isto tem ocorrido também com os jovens modernos. Antes de se converterem, reagindo à sociedade materialista, recorriam a drogas e outras experiências para fugirem da frieza e do vazio oferecidos pela sabedoria natural e impessoal. Depois, quando convertem, são encantados pela experiência transbordante e sobrenatural que encontram no Espírito. Passam também ao extremismo das experiências subjetivas do cristianismo e ignoram os aspectos objetivos.

Se você viver no extremo subjetivo, vai acabar em misticismo e orientação falsa. Se você viver no extremo objetivo e intelectual, vai murchar e secar. A letra mata. E possível possuir poder – tanto poder que você explode. É possível possuir sabedoria – tanta sabedoria que você se resseca e morre! Mas nós não queremos ir a nenhum dos dois extremos.

Em Mt 22:29 Jesus disse aos fariseus: “Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus”. É possível conhecer apenas as Escrituras – e secar-se completamente. É possível também conhecer apenas o poder sobrenatural de Deus – e sofrer uma explosão na sua vida. Mas se você conhecer as Escrituras e o poder de Deus, irá crescer e amadurecer. Pois este é o propósito de Deus: que todos nós cresçamos até a medida da estatura de varão perfeito (Ef 4:14).

Qualquer cristão que estiver andando neste caminho de crescimento e desenvolvimento espiritual, agindo na dimensão de uma fé viva, e obedecendo à palavra do Senhor para a sua vida, enfrentará, dia a dia, a necessidade de descobrir a vontade de Deus em situações concretas e urgentes. O próprio crescimento, as bênçãos do Senhor, e o progresso espiritual trazem a necessidade de orientação divina, a fim de dar o passo seguinte e pôr em prática aquilo que Deus vai revelando.

Neste campo de orientação divina nós encontramos os dois extremos já mencionados. Podemos buscar a direção de Deus usando o nosso próprio intelecto e raciocínio como instrumento básico. Por outro lado, podemos ir ao extremo do misticismo.

Podemos ser tão místicos e superespirituais ao ponto de buscarmos direção do Espírito até para saber qual vestido devemos vestir hoje. Ou qual alimento devemos preparar para o almoço. Absurdo? É uma realidade. Pois o povo de Deus anda, na maior parte, em extremos sem saber como ser guiado pelo Senhor.

Portanto, a fim de entendermos claramente a vontade de Deus é necessário conhecer estes dois lados do assunto: o racional e o místico. Paulo diz em 1 Co 14:10 que no lado místico, ou subjetivo, existem muitas vozes, vários tipos de vozes, cada uma com seu significado próprio. Se você estiver aberto para este tipo de experiência, poderá ouvir muitas vozes. O importante é saber quais vêm de Deus e quais devem ser rejeitadas. Para isto você vai precisar da sabedoria divina e de amadurecimento.

Alguns ouvem toda espécie de voz e não discernem entre uma e outra. Outros vão ao extremo oposto e são tão lógicos, tão racionais, tão prudentes e cautelosos que rejeitam toda experiência subjetiva da vida cristã. Perdem, desta forma, um dos elementos indispensáveis da fé, que é o risco de fracassar. Pois fé não opera no nível visível onde você pode provar, apalpar, e verificar cuidadosamente as possibilidades antes de dar o passo. Pelo contrario, você dá um passo no escuro, pisa no que é invisível – e acontece o impossível! Como ocorreu isto? Pela fé. Fé é o elemento que você mistura com uma situação ou ação que seria loucura e bobagem no natural, mas que com a fé se torna possível e ao seu alcance.

Agora, a fé precisa de um fundamento. Ela tem de ser baseada em alguma coisa. Porque se você agir “pela fé” quando a sua fé não tem uma base sólida, ela deixa de ser fé. É presunção. Especialmente em se tratando de orientação divina, ao procurar a vontade de Deus para nossas vidas e decisões, podemos ser presunçosos se agirmos sem um fundamento para nossa fé, ou sem saber de onde vem a nossa direção. Por isto queremos mostrar pela palavra de Deus um caminho equilibrado, entre os extremos do misticismo e do racionalismo, onde você pode com segurança ser guiado pelo Senhor e conhecer com clareza a sua vontade.

Navegação na vida cristã

Uma pequena ilustração poderá servir para nos ajudar a entender melhor este assunto de orientação divina. Quando um navio vindo do oceano se aproxima de um porto, o timoneiro tem que tomar muito cuidado e usar muita perícia para levar o navio com segurança até o seu ancoradouro. Para ajudar o timoneiro a evitar os perigos das águas litorâneas e rasas, o porto tem uma série de luzes instaladas na água e no litoral, a fim de oríentá-lo e informá-lo, a cada momento, da sua posição. Para o timoneiro saber que esta guiando o navio no caminho certo, livre de todos os perigos, tem que estar sempre numa posição tal que todas as luzes estejam enfileiradas. Quando ele olha para aquelas luzes, e vê uma só, é porque elas estão todas alinhadas. Enquanto as luzes estiverem assim, ele sabe que o navio esta percorrendo a trajetória certa. À direita pode haver o casco de um navio submergido a poucos metros da superfície. Porém, ele não vai se chocar com este obstáculo porque ele está com todas as luzes alinhadas. À esquerda pode haver algumas minas deixadas no tempo da guerra que poderiam explodir debaixo do navio. Mas o timoneiro não vai passar por cima delas porque está com todas as luzes enfileiradas. E seguindo desta forma, mantendo sempre a sua direção através destas luzes, o navio chegará seguro sem perigo de naufrágio.

Deus tem nos dado também algumas luzes para nos ajudar a navegar no meio dos perigos da nossa experiência cristã. Através destas luzes nós podemos ter orientação segura e descobrir em cada circunstância a vontade de Deus. Vamos estudar sete destas luzes para que você encontre o caminho claro sem perigo de naufrágio.

1.Convicção interior

Vamos chamar a primeira luz que Deus nos dá para a nossa orientação de “Convicção Interior”. Encontramos esta luz em Atos 16:10. Nesta passagem, Paulo tentara entrar na Ásia, porem Deus queria que ele fosse a outro lugar. Paulo precisava de orientação. Como a recebeu?

“Assim que teve a visão, imediatamente procuramos partir para aquele destino, concluindo que Deus nos havia chamado para lhes anunciar o evangelho.”

Que aconteceu com Paulo? Ele recebeu uma convicção interior, uma certeza de que Deus queria que ele fizesse uma determinada coisa. Por duas vezes o Espírito havia impedido que ele entrasse na Ásia, e agora o Espírito lhe deu uma visão de um homem da Macedônia que lhe dizia: “Venha para cá, ajude-nos”. Quando Paulo viu isto, falou: “Agora estou convencido que Deus quer que vamos a Macedônia”.

Onde se iniciou a sua orientação? Na sua convicção interior sobre o que ele sentia ser a vontade de Deus. Podemos chamar isto de “testemunho do Espírito”, ou outro nome qualquer. Mas o importante é saber que antes de qualquer outra luz de orientação, você precisa ter uma certeza interior sobre a vontade de Deus. Deus põe a responsabilidade sobre você mesmo em primeiro lugar, para descobrir a sua vontade. Se você confundir a ordem das luzes e tentar usar uma antes da outra numa ordem que não seja a ordem de Deus, entrará em escuridão e confusão nas suas tentativas de descobrir a vontade de Deus.

Há muitos hoje que correm de um lado para outro em busca de ministérios proféticos, colocados por Deus no corpo de Cristo, para que lhes possam fornecer uma direção às suas vidas. Dizem: “Irmão, dê-me uma palavra do Senhor!”

Às vezes podemos procurar estes ministros quase da mesma maneira que alguém procuraria um adivinho ou feiticeiro. E por causa de um conceito errado. Em primeiro lugar, antes de qualquer outro passo, descubra o que Deus quer que você faça. Só então é que você deverá buscar confirmação.

Você pode fazer isto passando um período de tempo esperando em Deus com um coração puro e fervoroso, orando e buscando a Deus até que, ao seu espírito, venha uma convicção de que é isto que sente de Deus para esta decisão na sua vida. Não é necessário ter certeza absoluta, mas deve ser uma convicção forte sobre aquilo que Deus quer que você faça.

Não é possível enfatizar demasiadamente o fato de que este é o verdadeiro ponto de partida em qualquer busca de orientação divina. Se você partir pela direção dos outros, é quase certo que terminará em confusão. É preciso que você seja firme primeiro em seu próprio coração, entre você e Deus, para então depois, procurar confirmação.

2. As escrituras

Nenhuma direção de Deus, em hipótese alguma, contradirá os princípios que temos revelados nas Escrituras. O segundo passo consiste, portanto, de um exame das Escrituras para se obter nelas uma confirmação objetiva para nosso sentimento ou convicção subjetiva. Primeiro eu tenho um sentimento subjetivo daquilo que eu sinto que é a vontade de Deus para mim. Depois eu meço este sentimento à luz das Escrituras.

“À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva.” (Is 8:20). A lei e o testemunho representam as Escrituras. Se alguém não falar segundo a palavra escrita, é porque não há nele luz alguma. Qualquer sentimento que não estiver de acordo ou em harmonia com as Escrituras não vem de Deus. Estamos alinhando as primeiras duas luzes para verificar se estamos ou não no percurso correto. Conforme vemos em l Co 14:10 há muitas vozes, e uma voz que não falar de acordo com a palavra escrita certamente nos levará a um desvio do plano de Deus.

Muitas pessoas recebem hoje todo tipo de orientação e sentimentos. Alguém diz: “Deus está me mostrando que minha companheira no ministério não é a minha esposa é aquela outra irmã. Nós temos plena comunhão. Nossos ministérios complementam um ao outro”.

Você acha que Deus pode orientar assim? As Escrituras mostram claramente que não. Portanto toda direção subjetiva deve ser conferida com a palavra escrita. As vezes cristãos baseiam todas as suas decisões inteiramente nos seus sentimentos subjetivos. Os jovens costumam dizer: “Eu estou sentindo que devo me casar com fulana”.

Este tipo de sentimento é muito suspeito! Se você tomar uma decisão como esta, baseando-se unicamente num sentimento, entrará num território extremamente perigoso. Precisamos das Escrituras e de outras luzes que ainda vamos citar a fim de andarmos seguros.

Imagine se você fosse um piloto, preparando-se para aterrissar, e encontrasse apenas uma luz na pista. Uma luz não lhe daria orientação nenhuma, pois de qualquer ângulo que você viesse, veria a luz da mesma maneira. As conseqüências de tal situação seriam catastróficas! Aprendamos esta lição também na vida espiritual. É perigoso navegar com apenas uma luz!

3. Confirmação profética

Uma terceira luz que Deus pode nos dar para confirmar nosso sentimento Inicial sobre a vontade dele é a confirmação profética ou a confirmação através de profecia. As Escrituras são uma confirmação objetiva enquanto que a profecia é uma confirmação subjetiva.

Em At 21:10-13 temos uma ilustração disto. O profeta Ágabo está confirmando através de profecia algo que Paulo já sabia (At 20:23). É um bom sinal do nível da igreja do Novo Testamento o fato de que em cada cidade onde Paulo ia os dons estavam em funcionamento e o Espírito lhe assegurava que cadeias e tribulações o esperavam em Jerusalém.

Ainda em At 21:4, em outro lugar, os discípulos foram movidos pelo Espírito para recomendar a Paulo que ele não fosse a Jerusalém. Aqui temos, então, três passagens, todas confirmando a mesma coisa. Todas representam esta confirmação subjetiva, ou seja, uma palavra sobrenatural. Não foi uma palavra intelectual, que poderia ser conhecida naturalmente. Foi uma palavra discernida espiritualmente.

Agora, poderíamos perguntar se Paulo estava certo ou não em ir a Jerusalém assim mesmo. At 21:4 diz que os discípulos lhe recomendaram “pelo Espírito” a não ir. Paulo foi assim mesmo. Algumas pessoas são da opinião que Paulo era um apóstolo “cabeça-dura” ou obstinado. Pode ser que isto seja verdade. Pois todo ministério ou dom se encontra num vaso de barro. Paulo começou se considerando como “em nada … inferior aos mais excelentes apóstolos” (2 Co 11:5) e terminou escrevendo em Ef 3:8 que era “o menor de todos os santos”. Você não acha que ele progrediu?

De qualquer maneira, se Paulo foi certo ou se ele foi “cabeçudo”, a verdade é que estas passagens demonstram a importância da confirmação através de profecia. E a ordem certa é que homens falam pelo Espírito para confirmar uma convicção interior coerente com as Escrituras. Se você trocar a ordem, entrará em grandes problemas. Pois muitas pessoas procuram primeiro uma profecia, depois buscam uma passagem para confirmar a profecia, para em último lugar convencer a si próprias de que aquela é realmente a vontade de Deus. Esta é a ordem errada, e se você seguir as luzes desta maneira, aterrissará no lado errado do aeroporto, com desastre certo. Pois a primeira obrigação de uma pessoa que estiver buscando uma direção de Deus é conhecer, ela própria, o que Deus quer sem nenhum outro intermediário.

É claro que este é um princípio geral, e poderá haver situações excepcionais em que Deus atue de maneira diferente. Mas normalmente deverá vir em primeiro lugar a certeza interior através de uma busca real do Senhor, esperando nele em submissão completa à sua vontade; depois um alinhamento deste sentimento com as Escrituras para ver se estas o aprovam; e finalmente poderá vir uma confirmação profética. Quando a confirmação profética vem nesta ordem, ela aumenta tremendamente a sua fé, pois mostra que você realmente ouviu de Deus e está andando no centro da sua vontade.

Agora, quando uma profecia vem sobre alguém que não descobriu primeiro por si mesmo o que Deus quer, ela será uma palavra que cai sobre terra que não produz fruto. Pois se a palavra não foi do agrado pessoal dela, a pessoa pode dizer que quem profetizou foi um falso profeta. O profeta pode ter revelado a vontade de Deus para aquela vida, mas não estando preparada, ela não permitiu que a palavra se cumprisse e produzisse o fruto esperado. Pois não tendo buscado a Deus primeiro a palavra não foi confirmada ao seu coração, e conseqüentemente a pessoa não a seguiu.

Podemos ilustrar este princípio em At 13:1,2. Na igreja em Antioquia havia certos profetas. No Novo Testamento um profeta era um homem que operava nos dons de revelação: palavra de sabedoria, palavra de conhecimento, discernimento de espíritos, e muitas vezes o próprio dom de profecia. Deus pôs cinco ministérios na igreja: os apóstolos para fundar, os profetas para revelar, os evangelistas para ajuntar, os pastores para zelar, e os mestres para ensinar. Em Atos 13 havia profetas e mestres. Estes ministérios são complementares – precisam um do outro. Enquanto eles ministravam ao Senhor, o Espírito Santo disse: “Separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13:2).

Como foi que o Espírito falou? Através dos profetas. Por que ele falou: “… a obra a que os tenho chamado”? Você pode perceber o que implica este tempo do verbo?

O Espírito já havia falado com Barnabé e com Saulo. Os profetas agora estavam confirmando o que eles já tinham recebido diretamente do Espírito. Portanto, é essencial que você tenha um encontro pessoal com Deus neste assunto de orientação divina, antes de buscar uma palavra de outras fontes. Nesta ordem você receberá a palavra profética como confirmação e saberá que está sendo guiado por Deus. Na ordem errada você não terá segurança e poderá ser levado a sair da vontade do Senhor.

4. Conselho piedoso

A quarta luz é rejeitada por muitos cristãos hoje e conseqüentemente muitos estão naufragando espiritualmente. Salomão disse, mil anos antes de Cristo: “Na multidão de conselheiros há segurança” (Pv 11:14).

Há uma idéia hoje no meio dos cristãos que é mais ou menos assim: “A ordem do rei é urgente (1 Sm 21:8); portanto, seja o que for que você estiver fazendo, faça-o com urgência”. Mas um exame do contexto desta passagem revela que a ordem do rei que exigiu pressa foi uma ordem falsa! Geralmente um serviço que exige pressa e um serviço desonesto, algo que deve ser realizado às escondidas. Mas Isaías diz: “Aquele que crer não se apressa” (Is 28:16). Se um espírito apressado começar a agir em você, é um sinal certo de que você está prestes a errar e a perder a orientação certa de Deus. Tenha cuidado daquele senso de pressão sobre você, daquela pressa que o leva a pensar que deve agir agora e que não há tempo para buscar o conselho piedoso. Isto tem levado muitas pessoas a naufragarem.

Na multidão de conselheiros há segurança. Agora, isto não significa que a Maria com quinze anos deve buscar conselho da Suzana com dezesseis anos. Estou me referindo a conselho que vem de Deus através de homens que têm andado com Deus por muitos anos, que conhecem os seus caminhos e adquiriram conhecimento espiritual. Um homem que tenha estas qualificações poderá ouvir o seu dilema ou problema e discernir quase imediatamente se você está andando na direção certa ou se está caminhando para um desastre espiritual.

Você terá muito mais segurança na sua vida espiritual, e nas decisões que você tomar, se puder parar o tempo suficiente para buscar, ouvir, e meditar no conselho que vem de um homem com vários anos de experiência com Deus. Será uma verdadeira luz que o ajudará a navegar na sua vida espiritual. Mesmo que você já tenha uma convicção interior, em harmonia com as Escrituras, e que foi confirmado profeticamente; o conselho piedoso ainda se constitui um elemento essencial para encontrar a vontade de Deus.

Com toda diligência, portanto, busque alguém que possa lhe dar este conselho. Porém, de maneira nenhuma receba conselho de neófitos. Você sabe o que é um neófito? É um novo convertido, com um ou dois anos de conversão, com pouca experiência com o Senhor, que em pouco tempo se transformou em um conselheiro perito nas coisas de Deus. Ele tem resposta para tudo! Mas o seu conselho não tem o fundamento de um conhecimento espiritual e real dos caminhos de Deus, e poderá se tornar um verdadeiro laço para desviar os outros da vontade de Deus. Conselho piedoso vem de homens experientes, tementes a Deus, que estão andando com Deus, e têm andado com ele por muitos anos.

5. A evidência das circunstâncias

Esta luz nem sempre aparece quando estamos buscando a vontade de Deus. Há ocasiões, até, em que você tem que se esquecer de todas as circunstâncias e obedecer a voz de Deus. Todas as circunstâncias podem ser contrárias e ainda não invalidar a orientação que Deus lhe tem dado. Há outras vezes, porém, em que ao andar no centro da vontade de Deus, você notará que as circunstâncias confirmam a sua orientação. Deus pode dar evidencia através de circunstâncias de que você está andando de acordo com a sua vontade.

Em 1963, o Senhor falou comigo e com a minha esposa que deveríamos nos mudar para o Oeste dos Estados Unidos. Fomos às imobiliárias e todas nos informavam que levaríamos um ou dois anos para vender a nossa casa devido à crise econômica. Porém, eu falei com a minha esposa: “Estou certo que Deus pode vender a nossa casa, com boas condições de venda, num prazo curto – até em duas semanas.”

Foi exatamente o que aconteceu. Tivemos quatro compradores interessados e o que realmente comprou a casa deu metade do valor à vista. Isto era muito difícil de acontecer, pois via de regra a entrada de casas baratas era muito pequena. Portanto, para nós esta era uma evidência das circunstâncias confirmando que Deus estava realmente dirigindo a nossa mudança.

Agora é importante relembrar que nem sempre ocorre assim. Há ocasiões em que todas as circunstâncias são contrárias, mas você tem a palavra de Deus bem clara no seu coração. O fato de ter um Mar Vermelho à sua frente não significa que você não vai conseguir atravessá-lo. Deus o trouxe até este ponto e ele mesmo há de providenciar um meio para passar. Se você tiver a sua palavra, pode ir em frente, que ela se cumprirá indiferentemente de circunstâncias contrárias.

No livro de Josué, ao atravessar o rio Jordão ,os sacerdotes tiveram que pôr os seus pés na água para que esta abrisse diante deles. Se você tiver a certeza da palavra do Senhor e da sua direção na sua vida, você andará até no meio do rio Jordão, sem medo, e as águas hão de se abrir diante de você. A palavra do Senhor é capaz de mudar as circunstâncias!

Mas eu gostaria também de dar uma advertência: é possível entrar no rio Jordão e afogar! Porque se você não tiver a palavra do Senhor, não adianta tentar mudar as circunstâncias. Sem a certeza da direção de Deus, não é fé ir em frente sem olhar para evidências externas — é presunção! Por isto, é importante entender como as circunstâncias podem nos servir também de luz para a nossa navegação a fim de estarmos sempre no centro da vontade de Deus.

6. A paz de Deus

Esta luz é muito importante na nossa busca da vontade de Deus. Primeiro devemos fazer uma distinção: a paz com Deus e a paz de Deus são duas coisas diferentes. Quando você é justificado pela fé (Rm 5:1), ou salvo, você recebe paz com Deus. A paz de Deus vem como resultado do seu andar em obediência à vontade de Deus.

“Não andeis ansiosos de coisa alguma… E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus” (Fp 4:6,7). A palavra “guardará” significa também “juiz” ou “árbitro”. Esta paz de Deus tem a função de “juiz” ou “árbitro” em nossos corações. Qual é a função de um juiz num jogo? Dizer o que está certo, de acordo com as regras, e o que está errado. O juiz descreve a situação como ela realmente é.

Como é que a paz de Deus age na função de um juiz? Vou mostrar. Em primeiro lugar, quando você chegar a um ponto na sua vida onde você precisa tomar uma decisão, meu conselho é: tome uma decisão: Em outras palavras, ao mesmo tempo que não devemos ter pressa em excesso, não devemos ficar numa encruzilhada por dez anos, com medo de errar! Quando você estiver enfrentando uma decisão, submeta-a ao Senhor, ore a ele, busque a sua vontade, e depois aja! No momento em que você começar a caminhar na direção que você escolheu, pode ser que a paz de Deus o abandone. O que você vai fazer? Voltar atrás, dizendo: “Senhor, fiz a decisão errada”.

Se, ao mudar de direção, você notar que a paz de Deus volta ao seu coração, então poderá saber que você está fazendo a sua vontade. Isto não é um princípio teórico – é muito prático. Pois a paz de Deus realmente age como juiz em nossos corações. Se ela o abandonar, é porque é tempo de parar e examinar a situação.

Aqui também cabe uma palavra para explicar situações um pouco anormais. Você pode se encontrar numa situação onde sente tanta confusão interior que se torna impossível ter a paz de Deus. Talvez você tenha sido abalado tanto de um lado para outro que decisão alguma parece lhe trazer paz. Mas esta situação não é normal, e enquanto ela permanecer na sua vida para um fim especial de Deus para o seu aperfeiçoamento, transformação e reconstrução, você terá que depender exclusivamente de outras luzes para sua orientação. Geralmente, porém, você pode depender da paz de Deus para agir como juiz no seu coração e mente, mostrando-lhe se está andando na sua vontade ou não.

7. A provisão de Deus

Uma outra luz que serve para nos orientar é a provisão de Deus. Devemos buscar a provisão de Deus na direção em que estamos caminhando. É claro que isto não quer dizer que você tem que ver uma mina de ouro na sua frente para acreditar que Deus o está guiando.

Posso ilustrar o que quero dizer com um exemplo de missionários. Muitas vezes eu converso com um missionário que tem um chamado para algum país estrangeiro na África ou na Ásia ou outro lugar, e pergunto: “Quando você chegar lá, como você vai ser sustentado financeiramente?”

Às vezes ele está pensando que eu vou ajudá-lo! Mas quando eu dou resposta negativa, ele diz: “Eu vou assim mesmo.”

Então eu pergunto: “Você vai sem provisão alguma?”

“Sim, eu vou, pois Deus falou comigo para ir e eu vou!”

“Mas”, eu pergunto, “você tem certeza que foi Deus quem lhe falou, ou é apenas a sua vontade própria misturada com um pouco de teimosia?”

Porque você pode andar pela fé numa situação impossível – se você tiver uma palavra definida e confirmada de Deus. Mas se você não tiver esta palavra, poderá cair num buraco enorme e encontrar desastre. Watchman Nee dizia que Deus usa a necessidade de provisão para segurar alguns dos seus filhos que são zelosos demais. Se alguém quiser ir à Índia, por exemplo, fora da vontade de Deus, ele simplesmente não providencia o dinheiro da passagem. E assim ele o impede de sair da sua vontade.

Hudson Taylor, missionário para a China, dizia: “Onde Deus guia, ele providencia”. Esta lei espiritual é invariável. A provisão de Deus é um dos elementos essenciais da direção divina. Eu conheço pessoas que foram “fazer a vontade de Deus”, e deixaram suas esposas e filhos sem dinheiro, comida, roupa, ou outra necessidade, Simplesmente saíram para obedecer um “chamado de Deus” dizendo que Deus cuidaria da família. Mas isto não funciona. Qualquer que seja a vontade de Deus, ela não o isentará da sua responsabilidade em relação à sua família ou em relação a outros seres humanos que dependem de você.

O mesmo Hudson Taylor também dizia: “A obra de Deus, realizada na hora de Deus, da maneira de Deus, nunca faltara a provisão de Deus”. Vale a pena sempre se lembrar disto. Quando você propõe fazer a vontade de Deus, pode estar certo de que ele mesmo providenciará.

Eu fiz um contrato com Deus alguns anos atrás. Falei com ele: “Senhor, irei a qualquer lugar, qualquer hora que quiseres – numa condição: que tu providencies tudo e pagues todas as contas”.

Ele falou: “Está certo. Pode assinar aqui”.

Deus, não só tem cumprido a sua parte do acordo, mas tem exigido de mim que eu cumpra a minha! Eu tenho atravessado o mundo, andando em mais de cinqüenta países, e ele nunca tem me chamado a um lugar sequer sem providenciar o suficiente para mim e para deixar com a minha família. Eu nunca subi a um púlpito com a intenção de levantar uma oferta para ajudar cobrir as minhas despesas. Até hoje só tenho recebido duas ofertas públicas de uma igreja. Muitos perguntam: “Como você consegue viajar assim?” A resposta é que Deus tem providenciado.

Mas Deus me guardou por doze anos num estado financeiro tão crítico que muitas vezes eu não tinha dinheiro para andar de ônibus urbano. Assim ele usou esta falta, por tantos anos, para me conservar no lugar onde ele queria, onde ele podia me preparar. Se eu tivesse feito a minha vontade, eu teria saído muito antes da hora. Cheguei até a tentar fazer isto, e há marcas ou “cicatrizes” na minha vida que mostram quantas portas tentei derrubar! Mas Deus segura as chaves e se você andar com ele, for fiel a ele e consagrar sua vida inteiramente a ele, é certo que você terá a sua provisão. Pois quando chegou a hora dEle para eu sair, ele fez a provisão e tem feito até hoje.

Não quero dizer com isto que é errado levantar ofertas ou que todos são dirigidos de forma exatamente igual. Mas Deus usa a provisão como uma das suas luzes para nos guiar e é uma lei espiritual que onde ele guia, ele sempre providencia.

Guiando cegos

“Guiarei os cegos por um caminho que não conhecem, fá-los-ei andar por veredas desconhecidas: … Quem é cego como o meu servo, ou surdo como o meu mensageiro, a quem envio? Quem é cego como o meu amigo, e cego como o servo do Senhor?” (Is 42:16,19).

Talvez a minha conclusão pareça a alguém uma contradição de tudo que tenho falado até este ponto. Mas não vou anular nada que eu disse antes – apenas vou acrescentar uma explicação sobre uma situação pela qual quase todos os cristãos passam em algum ponto da sua experiência.

Você já passou pelos tratamentos de Deus em que não sabia em qual rumo estava andando – se para cima, para baixo, para a direita ou para a esquerda? Você já esteve num lugar onde não podia discernir nenhuma luz para o orientar, para lhe dar segurança sobre o que estava acontecendo ou em que caminho você estava andando? Tenho algo para lhe dizer. Se você tiver sua vida inteiramente dedicada a Deus e comprometida à sua vontade, e se você não estiver em rebelião contra Deus, então mesmo numa situação como esta, você pode estar certo, Deus está guiando-o. Na passagem que citamos acima, Deus fala que guiará cegos por um caminho que não conhecem. Deus pode nos guiar através destas sete luzes que mostramos, ou pode nos guiar na nossa cegueira – mas ele está guiando. Ó quão grande é a misericórdia e graça de Deus em nos guiar! Quando eu olho para trás na minha própria vida, eu posso enxergar agora que Deus me guiava mesmo quando eu tinha perdido a visão do caminho por onde devia andar, não sabia aonde estava indo, nem a razão de me encontrar daquela maneira – contudo Deus estava me guiando. Tanto na cegueira, como quando eu estava na luz, com clareza enxergando a sua direção e com certeza de que eu estava andando na sua vontade, Deus estava me guiando.

Se você estiver em rebelião contra Deus ou contra sua vontade, você não poderá gozar desta confiança de que Deus o está guiando mesmo na sua cegueira. Mas se você estiver passando pelos açoites e tratamentos e disciplinas do Senhor, encontrando a sua vida como a de José na prisão do Egito, pode ficar confiante de que ele está guiando e dirigindo. Quer pela luz ou pela cegueira, se a sua vontade for comprometida e dedicada a fazer somente a vontade de Deus, então certamente ele o guiará. Deus há de guiá-lo!

Esta mensagem foi traduzida e publicada por John Walker a partir de uma fita gravada por Ralph Mahoney em 01/05/2001, intitulada “How to Obtain Divine Guidance”. É a quinta fita numa série de 5 mensagens chamada “Growth of Faith”.

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