Abraão, Melquisedeque, Dízimos e Família

Leia Gênesis 14

Sodoma e Gomorra e outros reinos prestavam sujeição ao rei Quedorlaomer, mas resolveram se rebelar, v.1-2. Quedorlaomer juntou-se a outros 3 reinos, e lutaram contra o rei de Sodoma e Gomorra, v.8-9. Quedorlaomer saiu vitorioso e levou Ló e tudo o que ele possuía como despojo de guerra, v.12.

Ló optou por morar nos arredores de Sodoma e Gomorra, Gn 13.10: Ele escolheu o que podia lhe render mais, mesmo sendo perto de Sodoma e Gomorra. Às vezes o sacerdote do lar faz escolhas pelo que lhe vai render mais e esquece-se que isto pode trazer prejuízo à sua família. Esquece-se que as pessoas são mais importantes do que as coisas, e que a prioridade não deve ser escolher conforto e renda, e sim a formação da família! Prefere Mamom (as riquezas) ao reino de Deus (a família)!

Diante de tal situação, Abraão junta um pequeno exército de 318 pessoas, para poder resgatar a Ló, seu sobrinho.

Nada se fala na bíblia de Abraão como um guerreiro, e aqui nós descobrimos esta sua faceta. Com este pequeno exército, ele sai a guerra contra os 4 exércitos de Quedorlaomer (se cada exército tiver cerca de 20 mil homens, teremos um total de 80 mil). 318 contra 80 mil!

Após um preparo estratégico à noite, as forças de Abrão derrotaram o inimigo, pondo-o em fuga e perseguindo-o até o norte de Damasco. Com a vitória Abraão recuperou seu sobrinho, suas posses, os que haviam sido tomados para o cativeiro, e os bens que haviam sido saqueados. Foi um ato heroico por parte de Abraão e um milagre de Deus.

Abraão deve ter se tornado orgulhoso do seu feito, visto que o despojo, a que teve acesso, deve ter tornado um homem ainda mais rico do que era, o milionário de sua época. Ele não deve ter visto que era humanamente impossível sua vitória se o Senhor não estivesse com ele!

Versículos 17 a 21

Então, ao voltar, ele recebe a visita de duas pessoas que vêm ao seu encontro: o rei de Sodoma, e o rei de Salém (forma abreviada de Jerusalém, também chamada Sião).

Se olharmos bem, o texto do v.17 continua no v.21, sem a necessidade dos v.18-20. Vejamos:

17 – Voltando Abrão da vitória sobre Quedorlaomer e sobre os reis que a ele se haviam aliado, o rei de Sodoma foi ao seu encontro no vale de Savé, isto é, o vale do Rei. (…)
21 – O rei de Sodoma disse a Abrão: “Dê-me as pessoas e pode ficar com os bens”.

Tendo um hiato entre eles, que é esta seção dos v.18-20. Então o que acontece com os v.18-20? Por que eles estão inseridos aí? Este texto parece ter caído de paraquedas aqui!

É a aparição do Verbo a Abraão!

Com 318 homens ele derrotou um exército, ele devia estar se o máximo após isto. Então o seu arauto lhe anunciou a presença de dois reis, o rei de Sodoma e um rei-sacerdote desconhecido de um lugar igualmente desconhecido (Salém), a quem ele, por curiosidade, atendeu primeiro.

Pouco é dito sobre o rei Melquisedeque além desses três versículos, mas a Bíblia nos diz que seu sacerdócio era de uma natureza que tipificou o próprio sacerdócio do Senhor Jesus (Salmo 110:4, Hebreus 5:6,10, 6:20, 7:1-24), também Sacerdote e Rei. Melquisedeque significa rei de justiça e Salém significa paz. Porque Cristo em sua eterna divindade não tem princípio nem fim, a Bíblia não indica a procedência nem o destino de Melquisedeque, que o tipifica.

Quando um rei se apresenta a outro, era costume levar presentes preciosos e coisas que representavam a sua cultura, Melquisede traz pão e vinho!

Melquisedeque trouxe pão e vinho para Abrão, símbolos que o Senhor nos deixou de seu corpo e do seu sangue, para lembrarmos sua morte por nós. Como poderia Melquisedeque saber disto? O Deus a quem ele servia sabia! Também ele abençoou a Abraão – o superior abençoa o inferior, demonstrando que seu sacerdócio era superior ao que seria mais tarde instituído para os descendentes de Abrão: o sacerdócio do Senhor Jesus semelhantemente é superior ao sacerdócio de Arão e levitas que somente serviam a Israel

Este Melquisede lhe apresenta o verdadeiro motivo dele ter vencido a guerra: o Senhor Altíssimo, 19-20. Foi Deus quem deu a vitória a Abraão e não o seu braço forte!

É a chegada do reino de Deus a Abraão, e cheio do Verbo (pão e vinho), ele reconhece que é o Senhor que o sustém, e não o seu braço forte, sua capacidade e merecimento.

Este Melquisede lhe pede 10% de todos os despojos, e Abraão dá por fé o dízimo a um rei de um lugar que ele nunca tinha ouvido! E aí sai Melquisedeque com várias carruagens cheias dos despojos!

Devolver os dízimos é uma demonstração de quem manda na vida, de obediência. É reconhecer que toda a minha renda vem do Senhor!

Foi isto o que Abraão fez: Agora ele reconhece que não foi sua estratégia e sua capacidade que venceram a guerra e lhe supriram de tão grandes riquezas, foi o Senhor!

O mesmo acontece conosco: É o Senhor que nos supre 100% de nossa renda. Devolver o dízimo é reconhecer que Ele é o dono de tudo! Nosso suprimento não é meramente fruto de nosso esforço, estudo, horas trabalhadas, horas-extras, etc. Todo nosso sustento vem do Senhor!

Dar 10% de $100 é muito fácil, mas dar de $80.000 exige dependência do Senhor. Às vezes podemos ficar pensando: mas eu trabalhei muito, é fruto do meu esforço e diligência, é muito dar este valor, e ficamos com a parte de Ananias e Safira!

Dar dízimo é reconhecer o Senhor como dono de TUDO o que temos e somos!

No v.21 o rei de Sodoma lhe pede as pessoas.

O rei de Sodoma, por sua vez, propôs ficar com todas as pessoas, e deixar os bens para Abraão. Na realidade, segundo os costumes da época, registrados no código de Amurabi, Abraão como resgatador, tinha direito a tudo! Foi uma tentação para Abraão mas ele, agora cheio do Verbo, recusou a receber qualquer coisa que houvesse pertencido ao rei de Sodoma, e reconhece quem realmente ganhou a batalha para ele ao repetir a expressão de Melquisedeque:

22 – De mãos levantadas ao Senhor, Deus Altíssimo, Criador dos céus e da terra (…)
O mesmo ocorre hoje em nossos dias, o rei de Sodoma representa o diabo, é ele que quer as vidas. E nós como sacerdotes no nosso lar, muitas vezes somos tentados a escolher nos ocuparmos dos bens, riquezas e conquistar o conforto.

Esta consideração tem 2 lados:

No lado material: Devotamos o nosso tempo e esforço para conquistarmos o “melhor” para nossa família, nos ocupamos em trabalhar ainda mais, a ocupar o nosso tempo ainda mais. E o rei de Sodoma nos diz:

– Fique com as riquezas, me dê a sua família para cuidar!

E ele oferece televisão, amizades, prazeres, instrução.

No lado espiritual: O líder se vê tentado a gastar o seu tempo com a “obra” e esquece de dar um tempo de qualidade a esposa e filhos. Gasta mais tempo com a necessidade da igreja e discípulos, enquanto quem cuida da sua família é o rei de Sodoma! Não devia nos surpreender ver líderes evangélicos que perderam seus filhos para o mundo e cujas esposas se sentem frustradas em terem escolhido ser esposa de líderes!

Conclusão

Seria um desfecho totalmente diferente se Abraão tivesse recebido primeiro o rei de Sodoma antes de Melquisedeque? Muito provavelmente sim! Foi para livrá-lo que o Senhor enviou Melquisedeque. Abraão deu prioridade ao reino de Deus, e assim as demais coisas lhes foram acrescentadas!

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