A Parábola Sobre o Amor do Pai

Há poucos relatos no Novo Testamento que revelam o amor do Pai. Jesus veio trazer esta revelação através de si mesmo! Os discípulos disseram: “mostra-nos o Pai e nos basta”, e Jesus disse-lhes: “estou há tanto tempo com vocês e vocês não viram isto ainda!?” (João 14.7-9). Jesus veio revelar este caráter e amor do Pai. O Pai se deu a conhecer através de Jesus. Mas em Lucas 15 Jesus fala do Pai e não de si mesmo. Ele nos mostra como é o coração do Pai.

E CHEGAVAM-SE a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir. E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores, e come com eles. E ele lhes propôs esta parábola, dizendo: Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e não vai após a perdida até que venha a achá-la? E achando-a, a põe sobre os seus ombros, gostoso; E, chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida. Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar? E achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida. Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende. E disse: Um certo homem tinha dois filhos; E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda. E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente. E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a padecer necessidades. E foi, e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para os seus campos, a apascentar porcos. E desejava encher o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada. E, tornando em si, disse: Quantos jornaleiros de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti; Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros. E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho. Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés; E trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos; Porque este meu filho estava morto, e reviveu, tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a alegrar-se. E o seu filho mais velho estava no campo; e quando veio, e chegou perto de casa, ouviu a música e as danças. E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo. E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo. Mas ele se indignou, e não queria entrar. E saindo o pai, instava com ele. Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos; Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado. E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas; Mas era justo alegrarmo-nos e folgarmos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se.

Uma única grande parábola

Já no início do capítulo temos a razão de existir desta parábola. Vemos que este conjunto de parábolas foi gerado pela crítica dos fariseus e mestres da lei fizeram de Jesus por causa da maneira como ele se relacionava com os pecadores, v. 1-2. Todas as 03 parábolas constituem na resposta de Jesus a estes críticos, então percebemos que elas são uma só resposta, embora fatiada em três pedaços.

Todas as 03 parábolas (da ovelha perdida, da moeda perdida e do filho perdido) são, a grosso modo, a mesma parábola, constituem, por assim dizer, uma única grande parábola. Fala do amor de Deus pelo perdido e do seu esforço pessoal em conduzi-lo ao arrependimento. Assim Ele age conosco todos os dias: a) com o incrédulo que não o conhece; b) com aquele que se desvia; e c) também conosco não só quando pecamos e precisamos de arrependimento, mas também quando nos fechamos e nos perdemos dentro de nós mesmos, nos conflitos e confusões gerados pela profusão e inquietude de nossa alma. Esta alma que nos leva, tantas vezes, para longe de Deus, quando resolvemos duvidar de Sua palavra e amor por nós. Só Deus, através da ação do Espírito Santo para nos trazer de volta, para nos conduzir ao arrependimento e de volta para os seus braços.

Um relato do amor do Pai

Estas parábolas relatam o amor do Pai. Amor demonstrado para com:

a) Uma ovelha que se perdeu do rebanho;

b) A uma moeda de grande valor (a dracma). Jesus poderia ter dito “uma mulher tinha dez moedas”, mas Ele diz “a mulher tinha 10 dracmas (moedas de grande valor)”, dando a entender o valor que os pecadores e nós todos temos para Deus, v.1-2. Outra coisa que Ele diz é que era uma mulher e não um homem, e todos nós sabemos que o dinheiro tem um valor diferente na mão de um homem e na mão de uma mulher; e

c) Para um rapaz que decidiu fazer a sua própria vontade.

Hoje, para nós, estas três parábolas representarão 03 tipos de pessoas:

i. As ovelhas representam todos os que se perdem no caminho sem nem saber. Estas ovelhas se separam do rebanho não por uma atitude rebelde, de quem quer seguir o seu próprio caminho, mas sim por ser tola, não percebe o risco que é se afastar do rebanho para desbravar pastos e locais novos para comer e beber água. Representam pessoas que murcham e esfriam com o tempo, só isto. Vão perdendo o interesse aos poucos, não percebem isto e não tomam nenhuma atitude para mudar isto. E assim se perdem de Deus, vão se afastando aos poucos sem nem se darem conta, e ao final estão plenamente perdidos. Mas o Pai, deixando as demais ovelhas em segurança, sai em busca da que se perdeu, v. 4-7;

ii. A moeda perdida representa aqueles que se afastam da igreja do dia para a noite, de forma surpreendente, e não sabem o valor que tinham em si mesmo e juntos dos outros para com Deus. Estes nos pegam de surpresa, não é como a ovelha tola que foi aos poucos se afastando do rebanho. Este é diferente, foi alguém que subitamente saiu e se perdeu. Percebam que a mulher tinha 10 moedas, e como é que ela sabia disto? Ela sabia disto porque ela as tinha contado. Todos os dias esta mulher da parábola ia e contava suas moedas e todo dia haviam 10 moedas. Num determinado dia ocorreu algo surpreendente, ela conta nove moedas! Ela percebe que uma das moedas lhe falta, “não estavam todas juntas?”, ela deve ter se perguntado. Ela como qualquer um de nós devia guardar as suas moedas em um único lugar. E foi pega de surpresa pela falta de uma delas. E mesmo sendo de noite e com apenas a luz de uma candeia, ela a procura até a achar. Ela não deixa para fazer isto no outro dia de manhã cedo, usando a luz do sol. Ela a procura na mesma hora, era urgente para ela achar esta moeda. Assim é o nosso Pai, Ele tem urgência em nos achar, v. 8-10.

iii. O filho perdido representa aquele que premeditadamente se perde, aquele que decidiu fazer a sua própria vontade. Não foi do dia para a noite que ele tomou a decisão de pedir parte da herança e ir embora. Foi algo pensado longamente, durante dias e noites, amadurecendo e criando motivações para isto. E mesmo assim, para aquele filho que foi desleal para com Ele, o nosso Pai demonstra amor e o resgata, v. 20-24.

Para os três tipos de pessoas representadas nesta parábola há uma verdade: Deus as ama. Deus nos ama ao ponto de dar seu único filho em nosso lugar, Jo 3.16, Rm 5.5-8. E esta é uma verdade que queremos realçar hoje: Deus ama a todos os homens, com toda a sua alma e com toda a sua força.

O dono de todas as áreas de nossas vidas

Há outra interpretação possível à parábola da moeda perdida, além de vê-la apenas como uma busca da parte de Deus por pessoas que se perdem. Nesta outra interpretação as 10 moedas podem significar também 10 áreas da nossa vida. É simples: imagine que pudéssemos dividir a vida de uma pessoa em 10 áreas quaisquer, tais como: finanças, emoções, casamento, estudo, etc. O Pai todo dia vem e verifica a situação destas 10 áreas. Um determinado dia, Ele percebe que uma destas áreas não lhe pertence mais, e que Ele a perdeu, então Ele fará todo o possível para reavê-la.

Queridos, tudo que somos e viermos a ser, tudo que possuímos e viermos a possuir tem um dono e este dono é o nosso Pai. Hoje pode ser que a área da tua vida chamada “emoção” (a alma) esteja, devido aos tantos problemas e sofrimentos, fechada e dura com relação ao que Deus pode fazer por ti, você hoje esteja cheio de dúvidas, mas o Pai quer restaurar isto. Pode ser que a área da tua vida chamada “finança” esteja uma bagunça, mas o Pai busca restaurar isto. Talvez seja a área da tua vida chamada “casamento” que está se tornando difícil, mas o Pai quer restaurar isto. Nós pertencemos integralmente ao Pai, o Pai fará todo esforço para que tudo fique sempre debaixo do seu senhorio. E isto para o Pai é prioridade! E isto, queridos, é amor!

Muitas vezes somos como o filho perdido

Na parábola do filho perdido vemos que ele não era um total ignorante acerca do amor do seu pai, ao contrário, ele demonstrava ter um certo conhecimento acerca do amor que o seu pai parecia ter. O  v.17 diz: “caindo em si, disse: Quantos empregados de meu pai têm comida de sobra, e eu aqui, morrendo de fome!”. Ele via a boa e carinhosa maneira como o seu pai tratava os empregados. Como quem diz: “O tratamento que o meu pai dispensa aos seus empregados é muito bom”, ou ainda: “meu pai é muito cuidadoso com os seus empregados”. Nós também somos assim, temos expectativas, um certo conhecimento acerca deste amor de Deus por nós. Como nós, o filho perdido também tinha orações já decoradas para se aproximar do seu pai, v. 18-19: “Eu me porei a caminho e voltarei para meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados”. Ele, em sua mente, já ensaiava as palavras que deveria dizer quando encontrasse o seu pai novamente. E o pai nem lhe permite concluir esta oração decorada. Ele corre em direção do filho o abraça, o beija e o traz de volta para casa. Este é o amor do Pai.

Mais do que pedimos ou pensamos

Por que o filho perdido resolveu agir assim? Porque ele pensava que conhecia o amor do seu pai e, movido por este pouco conhecimento que ele tem, ele resolve que deveria pedir ao seu pai que o recebesse de volta. Na verdade ele resolve arriscar tudo e voltar para casa. Mas o coração do Pai e o seu amor não é tão fácil assim de se entender, Ele supera as nossas expectativas. O pai resolve demonstrar compaixão pelo filho, quer abraçar, beijar, dar roupa, anel, sandália e alegrar-se com o filho. Ele é muito mais do que aquilo que pedimos ou pensamos (Ef 3.20).

O coração do nosso Pai é muito mais do que aquilo que pedimos. A oração do filho era para ser recebido como um empregado, mas foi recebido como um filho. O seu pai fez muito mais do que ele pediu!  O coração do nosso Pai é muito mais do que aquilo que pensamos. O que o filho pensava é que o pai poderia até amá-lo, depois de tudo de errado que ele fez, como amava um dos seus empregados, mas o pai fez muito mais do que ele pensou, o pai o amou como a um filho.

Diante deste grande amor que nos constrange, nossa noção de indignidade nos atrapalha, queremos ser “jornaleiros”, trabalhadores, empregados e não um filho (“não sou digno de ser teu filho”, v.19). Pensamos que, pelo fato de termos feito, pensado e falado coisas tão horríveis acerca dEle e dos irmãos, não somos dignos de Seu amor. Porém uma vez mais o Pai nos surpreende, Ele nos ama e quer nos abraçar, beijar, trazer de volta para casa, etc. Quer ter o prazer de poder dizer a todos, principalmente a Satanás: este é o meu filho e você não toca nele! (Jo 10.27-29, 1Jo 5.18). Deus não é apenas misericórdia, é pura compaixão, v. 20b. Ele é como uma galinha que quer que seus pintinhos sempre estejam debaixo das suas asas, Mt 23.37. Não seja como Jerusalém, não rejeite o abraço dAquele que te ama!

Ele nos ama desesperadamente

Ele nos amou primeiro. Na parábola diz que é Ele que vem a nós, Ele corre até nós (v. 20). Ele corre porque está desesperadamente com saudade de nós, Ele não pode suportar e corre. Sem medo de cair, de se esborrachar no chão, sem medo do que os outros vão pensar. Corre com pressa, pois não quer perder a oportunidade. Ele pensa assim: “Talvez o meu filho mude de idéia e, de tanta vergonha de mim, resolva voltar atrás e nunca mais o veja de novo, não posso e não vou perder esta oportunidade”. Há uma ânsia um senso de urgência no coração do Pai. O seu coração o perturba de tanto amor por nós, e não suportando mais isto Ele corre ao nosso encontro.

Duas exigências

Mas há duas exigências:  a primeira é arrependimento.  Todo o conjunto de ação descritas nos v. 17-20 (cair em si, reconhecer pecado, reconhecer-se como indigno e mudar o caminho) é chamado de arrependimento, é um processo que vai da tomada de decisão até a prática da vontade de Deus. O arrependimento verdadeiro precisa de todas estas etapas. É uma reação em cadeia, segue do primeiro até o último passo, e a falta de qualquer um deles quebra o elo e o arrependimento não acontece. Deus, por amor, está a nossa procura para nos conduzir a este arrependimento. A sua segunda exigência é que recebamos suas bençãos (abraço, beijo, roupa, anel e sandália), que recebamos tudo o que Ele nos quer dar. E o nosso coração envergonhado quer se recusar a receber. Um coração que diz: “não, isto não! Eu sou tão indigno, eu não posso receber isto”. Queridos, não sejamos assim, que vençamos a vergonha e recebamos tudo o que Ele quer nos dar.

O filho perdido volta com um coração diferente, ele não volta com um coração de “filho” (que tem direito a tudo, que tem direito a herança), ele volta com um coração de servo (deseja ser empregado, e empregado não tem herança, só quer servir). Se ele conhecesse o coração do pai, saberia que o pai o receberia como um filho novamente. Devemos sim ter este coração de servo sempre, mas sobretudo devemos saber que nós somos filhos!

O muito trabalhar sem se relacionar com o Pai vai trazer frustração

Interessante que há uma figura que é retratada em detalhes na terceira parábola1, a do filho que não sai de perto do seu pai (a 3ª parábola diz que um homem tinha dois filhos, v. 11). Este segundo filho representa aqueles que ficam, que fazem a obra, que se empenham em servir e fazer a vontade de Deus à risca. Representa o fiel, o que sempre esteve e está ligado à igreja. Muitas vezes ele se sente injustiçado, pois depois de tanto trabalhar ele percebe que o seu esforço parece ter sido em vão e que ele não está chegando a lugar nenhum. E de repente aparece um filho perdido, ou um novo convertido ou alguém que chega de outra cidade ou congregação, e este “novato” passa a ser o centro das atenções dos irmãos.

Este irmão se acha uma pessoa que passa despercebida dentro da igreja, que não é ninguém, e que se um dia ele não vier à reunião ninguém notará a sua falta. Ele até acha que ninguém e nem mesmo Deus o percebe e o vê. Pode até se referir a mim (David): “esse daí chegou ontem e já está aí na frente falando, e eu continuo aqui sentado!”. Este também precisa saber que é amado pelo Pai, que tudo o que o Pai tem é dele! Precisa ter a certeza de que não foi esquecido pelo seu Pai, 1Cor 15.58.

Ele era um filho que se dedicou a trabalhar para o pai. Mas somos chamados a provar do amor do Pai e não só trabalhar para o Pai. O muito trabalhar para o Pai sem se relacionar com o Pai vai trazer frustração. É muito perigoso para a fé de um discípulo viver assim. Há uma Apostila chamada “Comunhão com Deus”, da igreja em Salvador-BA, que diz o seguinte:

“O mais importante no presente e na vida futura é conhecer a Deus. Passaremos a eternidade nos relacionando com Ele e conhecendo-O melhor. Nos céus, isto será tudo: relacionar-se com o Senhor, conhecê-Lo e amá-Lo cada vez mais. Que bem-aventurança. E, já nesta vida, não há nada melhor do que desenvolver este conhecimento. Que aventura tremenda e desejável: conhecer e relacionar-se com o Amado e Todo-poderoso Deus do Universo.

Na vida, nada se compara ao relacionamento com Deus”.

Confirma isto os textos de Jo 15.15, 17.3 e Os 6.3.

Uma lição para a família

Aqui há uma lição para os pais: nossos filhos precisam ter plena certeza, convicção de que são amados e não uma mera ideia vaga acerca deste amor. Não basta achar que o filho sabe que você o ama, tem que dizer.

Aqui há outra lição para os pais: os pais devem aprender a deixarem seus filhos adultos2 tomarem suas próprias decisões, mesmo que isto os conduza ao erro! (isto não isenta os pais de aconselharem os filhos a uma decisão melhor).

Aqui há uma lição para os filhos: nós filhos precisamos abrir nossos corações para os nossos pais, precisamos abrir espaço para que eles nos amem. Não basta achar que seus pais sabem que você os ama, tem que dizer, 2Cor 6.11-13.

Uma lição para a igreja

Como vínhamos falando, a atitude do coração do Pai é de amor, é buscar aqueles que se perdem, não só aqueles que estão perdidos no mundo e não O conhecem, mas os que se desviam e também os que se perdem dentro de si mesmos sem nem saírem de dentro da igreja. Mas há aí uma lição para a igreja: este ministério de ir atrás dos perdidos (seja em que tipo de perdição ele esteja) foi iniciada pelo Pai através de Jesus e repassada aos seus discípulos. É do coração amoroso do Pai a intenção de buscar os perdidos, isto Ele fez através de Jesus, Is 42.1-7, 61.1-3, e isto é necessário que a igreja faça também. Buscar os perdidos é missão da igreja! Mt 28.18-20

Conclusão

Há um quinto personagem que está implícito na parábola: a do filho que conhece e vive no amor do Pai sem se desviar. Ele não é descrito por Jesus, mas está implícito. Pois ao apresentar os 03 que se perderam (a ovelha, a moeda e o filho) e o filho que não se perdeu mas não conhecia o coração do Pai, Ele acaba revelando um 5ª personagem: alguém que não se perde e que conhece o coração do Pai.

O Espírito Santo nos convida a sermos assim: alguém que entendeu que tudo o que o Pai tem é também dele, e que ele pode e deve chamar os seus amigos e irmãos para festejar com ele sempre. Que pode pedir ao Pai vestes e sandálias novas para a festa, pois de anel novo ele sabe que não precisa, pois sua aliança com o Pai não foi e nem tem motivo para ser quebrada, o seu anel sempre permaneceu em seu dedo (anel é uma afirmação de aliança, no caso do filho perdido é um sinal de renovação de aliança, como ele tinha perdido tudo o que tinha em uma vida de prazeres, subentende-se que ele perdeu o anel também). Ele sabe que pode matar um animal cevado sempre que quiser. Somos chamados para sermos assim.

A quem podemos comparar este filho que ama a Deus sem se desviar? Este filho é semelhante a Jesus, alguém que não se desviou de fazer a vontade do Pai e cujo coração conhece e desfruta do amor do Pai. O Propósito Eterno de Deus é que sejamos uma família de muitos filhos semelhantes a Jesus para a glória de Deus Pai. Semelhantes a Jesus, esta é a chave! Devemos ser semelhantes a Jesus, não só em atitudes, obras e caráter. Mas também no nosso relacionamento com o Pai. Jesus era uma pessoa que sobretudo se relacionava com o Pai!

Para isto é necessário que eu abra meu coração para receber o amor do Pai, que eu não tenha reservas com Ele. Que de fato eu queira e receba o seu abraço, por mais constrangedor que isto me pareça ser.

Somos hoje desafiados pelo Espírito Santo a viver uma vida que impressione o coração do Pai. Precisamos impressionar o coração do Pai de tal forma que o Pai possa dizer de nós: “venha, bendito, receba como herança o reino que foi preparado”, Mt 25.34, assim como Ele disse tantas vezes do seu filho Jesus:  “Este é meu filho em que me agrado”, Mt 3.17, 17.5. Ele se impressionou tanto com Jesus que lhe deu o nome que está acima de todo nome, e, guardadas as proporções, o mesmo Ele deseja fazer conosco, Ap 2.17.

Notas

1 Esta figura também é retratada nas outras duas parábolas. Ela é representada pelas 99 ovelhas e 9 moedas que não se perdem.

2 Ser adulto não é uma questão de idade, é sim uma capacidade de tomar decisões.

Referências

João 14.7-9

7 Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto.

8 Disse-lhe Felipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta. 9 Respondeu-lhe Jesus: Há tanto tempo que estou convosco, e ainda não me conheces, Felipe? Quem me viu a mim, viu o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai?

Lc 15:1-32

1 Ora, chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir. 2 E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores, e come com eles. 3 Então ele lhes propôs esta parábola:

4 Qual de vós é o homem que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, e não vai após a perdida até que a encontre? 5 E achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo; 6 e chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos e lhes diz: Alegrai-vos comigo, porque achei a minha ovelha que se havia perdido. 7 Digo-vos que assim haverá maior alegria no céu por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.

8 Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas e perdendo uma dracma, não acende a candeia, e não varre a casa, buscando com diligência até encontrá-la? 9 E achando-a, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu havia perdido. 10 Assim, digo-vos, há alegria na presença dos anjos de Deus por um só pecador que se arrepende.

11 Disse-lhe mais: Certo homem tinha dois filhos. 12 O mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me toca. Repartiu-lhes, pois, os seus haveres. 13 Poucos dias depois, o filho mais moço ajuntando tudo, partiu para um país distante, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente. 14 E, havendo ele dissipado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a passar necessidades. 15 Então foi encontrar-se a um dos cidadãos daquele país, o qual o mandou para os seus campos a apascentar porcos. 16 E desejava encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam; e ninguém lhe dava nada.

17 Caindo, porém, em si, disse: Quantos empregados de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! 18 Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; 19 já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados. 20 Levantou-se, pois, e foi para seu pai. Estando ele ainda longe, seu pai o viu, encheu-se de compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.

21 Disse-lhe o filho: Pai, pequei conta o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. 22 Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e alparcas nos pés; 23 trazei também o bezerro, cevado e matai-o; comamos, e regozijemo-nos, 24 porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a regozijar-se.

25 Ora, o seu filho mais velho estava no campo; e quando voltava, ao aproximar-se de casa, ouviu a música e as danças; 26 e chegando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo. 27 Respondeu-lhe este: Chegou teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo. 28 Mas ele se indignou e não queria entrar. Saiu então o pai e instava com ele. 29 Ele, porém, respondeu ao pai: Eis que há tantos anos te sirvo, e nunca transgredi um mandamento teu; contudo nunca me deste um cabrito para eu me regozijar com meus amigos; 30 vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado. 31 Replicou-lhe o pai: Filho, tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu; 32 era justo, porém, regozijarmo-nos e alegramo-nos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado.

Jo 3.16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Rm 5.5-8

5 e a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. 6 Pois, quando ainda éramos fracos, Cristo morreu a seu tempo pelos ímpios. 7 Porque dificilmente haverá quem morra por um justo; pois poderá ser que pelo homem bondoso alguém ouse morrer. 8 Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós.

Ef 3.20 Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera,

Jo 10.27-29

27 As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem; 28 eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da minha mão. 29 Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai.

1Jo 5.18 Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca.

Mt 23.37 Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, apedrejas os que a ti são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e não o quiseste!

1Co 15.58 Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.

Jo 15.15 Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer.

Jo 17.3 E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.

Os 6.3 Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor.

2Cor 6.11-13

11 Ó coríntios, a nossa boca está aberta para vós, o nosso coração está dilatado! 12 Não estais estreitados em nós; mas estais estreitados nos vossos próprios afetos. 13 Ora, em recompensa disto (falo como a filhos), dilatai-vos também vós.

Is 42.1-7

1 Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem se compraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele. ele trará justiça às nações. 2 Não clamará, não se exaltará, nem fará ouvir a sua voz na rua. 3 A cana trilhada, não a quebrará, nem apagará o pavio que fumega; em verdade trará a justiça; 4 não faltará nem será quebrantado, até que ponha na terra a justiça; e as ilhas aguardarão a sua lei. 5 Assim diz Deus, o Senhor, que criou os céus e os desenrolou, e estendeu a terra e o que dela procede; que dá a respiração ao povo que nela está, e o espírito aos que andam nela. 6 Eu o Senhor te chamei em justiça; tomei-te pela mão, e te guardei; e te dei por pacto ao povo, e para luz das nações; 7 para abrir os olhos dos cegos, para tirar da prisão os presos, e do cárcere os que jazem em trevas.

Is 61.1-3

1 O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; 2 a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes; 3 a ordenar acerca dos que choram em Sião que se lhes dê uma grinalda em vez de cinzas, óleo de gozo em vez de pranto, vestidos de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantação do Senhor, para que ele seja glorificado.

Mt 28.18-20

18 E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. 19 Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 20 ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.

Mt 25.34 Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;

Mt 3.17 e eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.

Mt 17.5 Estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu; e dela saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi.

Ap 2.17 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer darei do maná escondido, e lhe darei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe.

Por David Jesus – 21/04/2013

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