A igreja é o projeto eterno de Deus

A igreja é a família que Deus se propôs a ter segundo o seu beneplácito, segundo a sua vontade, segundo as abundantes riquezas da sua graça.

Desde o começo do Século XX, a Igreja tem sido muito abençoada, inspirada e avivada ao ter como referência a igreja do primeiro século, especialmente ao ler e estudar o livro de Atos dos Apóstolos. Foi assim que ‘ nasceu o avivamento pentecostal no começo do século passado. No segundo terço do século surgiram os movimentos de curas divinas. E no último terço do século XX nasceu o movimento carismático ou de renovação. Cada um destes movimentos contribuiu com uma nova riqueza e graça ao Corpo de Cristo em todo o mundo.

A maioria dos que estamos aqui fomos alcançados pela terceira destas três grandes ondas do século passado. Temos uma experiência bastante comum; uma visão e uma herança similares. A palavra “restauração” tem sido uma palavra-chave para muitos de nós, e um conceito importante em nossa visão e compreensão dos princípios eternos da Palavra de Deus. Nos tem ajudado muito na recuperação de verdades, riquezas, dons e práticas que a igreja lamentavelmente havia perdido através dos séculos. Contudo, o conceito de “restauração”, involuntária e inadvertidamente, pode ter produzido em nós um condicionamento ou uma limitação quanto à visão da igreja que Deus quer.

Jesus não disse “restaurarei minha igreja”, mas “edificarei minha igreja” (Mateus 16:18). Isto já vimos no ano passado. Se por “restauração” da igreja queremos dizer a recuperação dos princípios bíblicos que como igreja tínhamos perdido ou ignorado, está tudo bem. Mas se ao falar da “restauração” da igreja pretendemos voltar a ser como as igrejas do primeiro século, estamos mal. Lembremos que muitas da igrejas do Novo Testamento eram bastante problemáticas. Os coríntios eram carnais. Os gálatas se voltaram à lei. Em Éfeso havia ameaça de divisão. Das 7 igrejas da Ásia, poucas constituem um bom exemplo para nós. A própria igreja de Jerusalém não queria sair de Jerusalém, e só prejudicava os judeus.

Ao estudar as primeiras cartas escritas por Paulo, temos a impressão de que no começo de seu ministério ele tinha a idéia de que em sua geração se completaria a edificação de toda a igreja, e que Jesus voltaria rapidamente. Mas, ao estudar as cartas seguintes, como Efésios, percebemos claramente que Paulo advertia sobre os sinais futuros e que , antes do retorno de Cristo, a igreja alcançaria sua plenitude histórica:

“…para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesús.” (Efésios 2.7).
“… até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo…” (Efésios 4.13).
“…para apresentar-se a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e em defeito.” (Efésios 5.27).

O PROJETO ETERNO DE DEUS

Nossa referência absoluta para a edificação da igreja não é a igreja dos séculos passados, nem sequer a igreja do primeiro século. Nossa referência é a igreja anterior a todos os séculos, a igreja que Deus se propôs a ter antes da fundação do mundo.

A igreja é o projeto eterno de Deus

Ela não nasceu na mente de Deus há 2.000 anos, quando enviou o Seu Filho ao mundo. A igreja estava na mente e no coração de Deus desde os séculos eternos, desde “antes da fundação do mundo”.

A igreja não foi o “Plano B” de Deus depois da queda do homem. A igreja é o “Plano A” de Deus desde antes de exisitirem homens ou demônios. A queda foi um desvio, um atentado contra o projeto eterno de Deus. A redenção fez as coisas voltarem ao plano original.

A igreja é a família que Deus se propôs a ter segundo o seu beneplácito, segundo a sua vontade, segundo as abundantes riquezas da sua graça. O pecado revelou a grandeza inimaginável da graça de Deus.

Este projeto eterno de Deus que é a igreja, tem um propósito eterno, que, como um estribilho, se repete três vezes nesse extraordinário ‘magnificat’ de Paulo em Efésios 1.3-14.

“… para louvor da glória de sua graça” (v.6)
“… para louvor da sua glória” (v.12)
“… em louvor da sua glória” (v.14)

A igreja tem uma só razão de ser: manifestar neste século e no vindouro a glória de Deus.

Para que se cumpra plenamente o propósito do projeto eterno de Deus, a igreja deve ter necessariamente aqui na terra três características:

QUALIDADE – UNIDADE – QUANTIDADE

Jesus disse:

“…edificarei minha igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16:18)
Hoje, Jesus conta com todos os recursos necessários para edificar a igreja gloriosa que o Pai planejou na eternidade passada. Ele tem toda autoridade e poder no céu e na terra, e a ordem de cumprir o plano do Pai segundo Seu propósito eterno. Aleluia!

Cristo fará! Edificará sua igreja! Não qualquer classe de igreja, senão aquela que chegue a ser uma. Acabarão todas as divisões aqui na terra. Será santa. Será o fim da mediocridade, da carnalidade, do mundanismo. Deixaremos de ser crianças, alcançaremos a estatura da plenitude de Cristo. Seremos cheios de toda a plenitude de Deus. A oração de Cristo em João 17 será plenamente respondida pelo Pai. Todos seremos um. Seremos santos. E o mundo crerá que Jesus, em verdade, é o Filho de Deus. Haverá um grande avivamento mundial em meio a todas as nações. Centenas de milhares se converterão ao Senhor. Inclusive Israel crerá que Jesus é o Messias; e como disse Paulo: “Porque, se o fato de terem sido eles rejeitados trouxe reconciliação ao mundo, que será o seu restabelecimento, senão vida dentre os mortos?” (Romanos 11.15).

COMO AVANÇAR NA PRÁTICA EM DIREÇÃO À UNIDADE DA IGREJA?

A IGREJA RUMO À SUA PLENITUDE (Plenitude-Unidade-Desenvolvimento)

Nos cabe tratar do sub-tema DESENVOLVIMENTO. Pediram-me para enfocar especificamente o desenvolvimento a caminho da unidade da igreja.

Como avançar na prática até a unidade que Deus predeterminou para sua igreja?

Como chegar mesmo à unidade da igreja?

(A frase original surgiu em inglês: “How to bring about the unity of the church”).

O PROGRAMA DE CRISTO:

A fim de executar o projeto de Deus, Cristo tem um programa: dar dons aos homens. E, com estes dons, constituir

“uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do Corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Efésios 4.11-13).

A necessidade dos apóstolos e profetas hoje

– Os apóstolos e profetas são homens que têm revelação de Deus acerca do mistério de Cristo e da igreja. Não é suficiente ter a Bíblia, lê-la, pregar sobre ela (já temos feito isto por séculos, graças a Deus!). A igreja necessita de revelação para comprender e experimentar a mensagem da Bíblia em sua plenitude. Os canais dessa revelação são os apóstolos e profetas (Efésios 3:4-5). A função dos apóstolos e profetas de hoje não é receber “novas” revelações, ou pregar “outro evangelho”, mas captar, comprender e comunicar à igreja e a outros ministérios a velha e única mensagem, que já foi revelada aos apóstolos e profetas do primeiro século, e que temos escrita no Novo Testamento.

– A responsabilidade dos apóstolos é edificar uma só igreja, não muitas igrejas. Sua função não é edificar sua igreja particular, o seu “reininho”. Isso seria trair ao Senhor e desperdiçar seu dom ministerial. Sua verdadeira função é edificar a igreja do Senhor segundo o projeto eterno de Deus. O apóstolo Paulo, ainda que se reconheça a si mesmo pai espiritual dos coríntios, sob nenhum ponto de vista permite que os coríntios se dividam alinhando-se atrás de diferentes apóstolos: Paulo, Cefas ou Apolo.

– A igreja sairá do quadro atual de divisão na medida em que surjam apóstolo e profetas conforme o coração de Deus. Homens vazios de si mesmos e de toda a ambição pessoal, que só busquem a glória de Cristo e reconheçam como único cabeça da igreja a Jesus Cristo, o Senhor.

– Qual é a característica de um apóstolo? Um apóstolo é um enviado de Deus ao mundo com uma missão específica: criar, usando os dons e a graça que Deus lhe deu, igreja onde não há igreja. Os apóstolos e profetas são homens de fé, de intrepidez, autoridade e poder. Homens humildes e pacientes, cheios de graça e amor; mas, também, homens fortes em Deus, que se esforçam para chegar a um lugar e arrancar, derrubar, plantar, colocar fundamentos e edificar, mudar a história do lugar. São pioneiros, valentes, sofridos. Muitas vezes incompreendidos, algunas vezes perseguidos. Mas nada os detém. Seguem adiante, têm uma missão, uma comissão, e não vão parar até o seu cumprimento. Hoje precisamos desta classe de apóstolos. Homens que conhecem o quadro atual da igreja no mundo. E enquanto muitos por aí dizem: “A unidade da igreja? Isso é algo impossível!”, os apóstolos têm seus olhos postos nAquele que diz: “Eu edificarei minha igreja”. E declaram: “Senhor, tu o farás. És poderoso para realizar tudo que tens prometido”. São homens que crêem que a igreja crescerá em qualidade, em unidade e que milhões e milhões virão a Cristo e serão parte dessa única e gloriosa igreja do Senhor!

A necessidade da revelação hoje

“Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele…” (Efésios 1.17-18).
Precisamos de revelação para ver que a divisão atual da igreja não glorifica a Deus, que é algo completamente contrário ao seu projeto eterno, que não tem nenhum fundamento bíblico nem teológico, e que se constitui num grande estorvo para que o mundo creia no evangelho (João 17:21).

Precisamos de revelação para nos limparmos completamente dos paradigmas “evangélicos” de divisão e dos argumentos humanos que querem justificar a divisão atual até usando versículos bíblicos.

Um só corpo, uma só cabeça

“Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidade pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor” (Efésios 4.15-16).
A igreja é um corpo só. Um corpo é um organismo vivo em que todos os membros estão unidos entre si. Um corpo é uma unidade orgânica e funcional. Esta é a figura mais reiterada no Novo Testamento para representar a igreja.

Hoje a igreja evangélica está dividida em milhares de “corpinhos”. Temos conseguido o absurdo: dividir o indivisível. Temos despedaçado o corpo de Cristo.

Estamos como o vale dos ossos secos de Ezequiel 37. O pecado da Igreja Católica é sua “mariolatria” e seu culto às imagens e aos santos. O pecado da Igreja Evangélica é sua terrível divisão. Qual é pior? Qual dos dois é mais fácil resolver?

Deus nos diz hoje: Filho do homem, se unirão estes ossos? Minha igreja voltará a ser um só corpo?

– Senhor, é muito difícil… quase impossível … mas Tu sabes.

– Tem razão. Eu sei. Portanto, profetize, dizendo o que Eu digo: “… até que todos cheguemos à unidade da fé…” “todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta…”

Isto acontecá em todos os níveis: congregacional, na cidade, na nação e também em âmbito internacional. Em muitos países já começou. O início é geralmente simples, despretencioso, às vezes imperceptível, mas se torna muito importante se Deus é quem está à frente.

A igreja da cidade

De acordo com os princípios bíblicos a igreja é uma só. A forma correta de manifestar essa unidade no mundo é em cada cidade. Hoje, mais do que nunca, o mundo está aglomerado em cidades. O princípio que Watchman Nee redescobriu e deu tanta ênfase: Uma só igreja em cada cidade. Em uma cidade pode haver centenas de congregações, e inclusive um número muitos maior de pequenas comunidades nas casas, mas uma só igreja, debaixo de um só presbitério.

A Igreja Católica tem conservado bem alguns princípios através dos séculos, e um deles é este: Uma só igreja em cada cidade, a qual é chamada de diocese. Pode haver muitas paróquias, mas todas elas formam a única igreja na cidade. Eles mantêm essa unidade debaixo da autoridade do bispo (praticam o episcopado monárquico, o qual não estou afirmando que seja bíblico ou correto).

Nos últimos 20 anos, em muitas cidades da América Latina e do mundo têm surgido Conselhos de Pastores. Em nosso país, Argentina, há 20 anos só havia Conselho de Pastores em duas cidades: Santa Fé e Resistência. Hoje, existem mais de 200 cidades na Argentina onde funcionam Conselhos Pastorais. Alguns deles ainda são frágeis e problemáticos. Outros, como na cidade de Rosário, é um exemplo. Em muitos Conselhos vem crescendo a visão da Igreja da Cidade. É o início do fim de todas as divisões denominacionais. É necessário dar força a esses Conselhos com a visão de Deus. Esses Conselhos de hoje serão o presbitério de amanhã. Chegará o dia em que não haverá mais Igreja Batista, Igreja Pentecostal, Igreja Renovada, etc. Seremos só IGREJA. Haverá uma só igreja em cada cidade.

Podemos imaginar o potencial de recursos humanos, econômicos e sociais que isto significa! Podemos imaginar o potencial sobrenatural que isto vai desencadear! Quando Deus vir o seu povo unido em cada cidade,o que ele não fará? Que oração ficará sem resposta? Os demônios tombarão, as potestadores dos ares cairão, e o Reino de Deus avançará como nunca na história. “Pai, que sejam um para que o mundo creia”. Seremos um, e o mundo crerá!

PONTO DE INFLEXÃO

– O derramamento do Espírito Santo no último terço deste século tem ultrapassado todas as barreiras denominacionais. Hoje praticamente não se distinguem as igrejas pentecostais das não-pentecostais. Algunas igrejas não-pentecostais são mais pentecostais que as pentecostais. Muitas reuniões católicas são muito “evangélicas”. O que está acontecendo? Deus está cumprindo a sua promessa de derramar seu Espírito sobre toda carne. E vai chegar até o cumprimento pleno.

Estamos num ponto de inflexão na história da igreja. As linhas divergentes dos últimos 500 anos foram quebradas para tornarem-se linhas convergentes. Quantos anos demorará este processo até que sejamos “perfeitos em unidade” como pediu Jesus? (João 17:23). Mas sabemos que assim será.

Em nossa experiência na América Latina, temos aprendido que este processo deve ser gradual e progressivo, e que requer muita paciência, amor e fé. O processo não é sempre uma linha ascendente. Há avanços e retrocessos. Devemos perseverar, crer, interceder, orar, lutar, e voltar a crer que Aquele que começou a boa obra há de completá-la.

Temos aprendido pela experiência que há três passos progressivos para crescer na comunhão:

Conhecimento. É fundamental que nos conheçamos pessoalmente, que sejamos amigos, que abramos o coração, que tenhamos comunhão, que cultivemos e desenvolvamos uma amizade. Não há atalhos, isto requer tempo, e tempo de qualidade juntos. Isto nos levará ao segundo nível de comunhão:

Confiança. Na medida em que nos conhecemos crescerá a confiança (ou não). Se não temos confiança uns nos outros, não podemos avançar ao nível seguinte:

Compromisso. É importante respeitar este processo a fim de que construamos relacionamentos firmes, duráveis e comprometido uns com os outros.

Este processo aconteceu e está acontecendo entre nós a nível de cidade, a nível nacional, a nível regional ou continental, e agora com a IAF estamos crescendo para chegar à unidade e ao compromisso a nível internacional.

CONCLUSÃO

Na realidade a minha função tem sido dar uma introdução a este tema. A resposta virá de Deus, através de cada um de vocês nos grupos de discussão.

PARA OS GRUPOS DE DISCUSSÃO:

Trabalharemos em torno das seguintes perguntas:

  1. Quais são os principais argumentos humanos que devemos superar para avançar com mais certeza sobre a unidade que Deus quer?
  2. Quais são as principais barreiras pessoais que temos de superar em nosso interior para avançarmos a caminho da unidade? Que posições ou atitudes devemos derrubar em nós mesmos para não atrapalhar a unidade que Deus está construindo? (Tempo de reflexão, arrependimento e confissão)
  3. Quais são a sua visão e fé para avançar rumo à unidade em sua própria cidade e país? Como podemos ser fatores de unidade em nossa cidade, país e mundo?
  4. Como transmitir esta visão de Deus ao resto do Corpo de Cristo e às novas gerações?
  5. Como podemos progredir em direção à unidade da fé neste grupo? Como podemos crecer em nossa relação dentro deste círculo de comunhão apostólica internacional em direção à unidade da igreja do Senhor a nível mundial?

Culto ministrado por Jorge Himitian – Buenos Aires – Argentina (setembro de 2005)

Compartilhe com seus irmãos e amigos


ou copie este link e envie para seus contatos

Seja o primeiro a comentar!



* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do site e passarão por aprovação do administrador.