A história dos “Três Porquinhos” e o Reino de Deus

Existe uma história infantil que todos nós conhecemos e que as crianças gostam muito, ao ponto de eu estar no meu quarto com a porta fechada, minha filha começa a bater me chamando, eu me demoro a responder e ela não tem dúvidas, começa a soprar a porta para ver se ela cai, tal qual as casinhas dos porquinhos.

Quero relembrar a vocês a vocês a estória dos três porquinhos, porque acho que ela tem loções preciosas para os nossos filhos e para nós.

Eram três irmãos, que provavelmente foram criados juntos e certamente a mãe passou para cada um deles os mesmos ensinamentos sobre a vida, tipo não falem com estranhos, tenham cuidado com as amizades, respeitem as autoridades, enfim conselhos que os pais sempre dão aos seus filhos no período de formação do seu caráter na expectativa de sejam pessoas retas e que façam boas escolhas.

Nós como discípulos formadores de novos discípulos estamos sempre nesta missão, tanto com relação aos nossos filhos na carne com relação aos filhos espirituais, sempre na expectativas de que se tornem pessoas apaixonadas pelo senhor Jesus Cristo, e que suas escolhas sejam sempre pautadas por esta paixão.

E chegou a hora daqueles porquinhos colocarem em prática os conselhos, os exemplos e os ensinamentos recebidos. Porque esta é a ordem natural: nós somos formados, instruídos, preparados para podermos chegar à maturidade emocional e espiritual juntamente com a maturidade física. Não fomos formados para viver toda a vida sob a saia de nossas mães.

Os discípulos que formamos não podem viver dependentes de nós, pois nosso papel é formas discípulos, preparando-os com o objetivo de que estes façam novos discípulos, ensinando-os, passando para eles tudo que aprenderam. Essa é a grande comissão e  a expectativa de deus por nossas vidas.

Novamente este é um tempo de nos levantarmos contra mentiras que o mundo que infiltrar dentro da igreja quando vemos adultos totalmente dependentes, financeira ou emocionalmente de seus pais. Deus quer que saiamos como águias voando bem alto, deixando o conforto de nossos ninhos.

E embora tenham recebido as mesmas instruções, os porquinhos eram muito diferentes entre si, e suas escolhas demonstraram claramente estas diferenças. Tenho aprendido que nunca haverá uma forma padrão de resposta à formação que damos, com meus filhos vejo isso claramente, como são diferentes, como respondem de forma diferente aos estímulos. Com os discípulos que acompanho é a mesma coisa, as lutas e as respostas às dificuldades são muito específicas.

Alguns se veem diante do problema, que neste caso é construir uma casa, e logo definem sua prioridade. Heitor, esse é o nome do 1º porquinho não queria desprender muita energia nesta tarefa, o material deveria ser leve para que ele o pudesse transportar com muita facilidade e sem muito suor.

Em algumas situações somos colocados diante deste mesmo dilema: minha alma, meu corpo pede que eu não me esforce muito, e chegam mensagens na minha mente do tipo: “não vale mais a pena, ele é um caso perdido”, ou “você já fez tudo que estava ao seu alcance agora entrega a deus”, ou ainda “para que se importar com esta situação, deixe que alguém tome a frente e faça algo, quem sabe o pastor.”

Confesso que algumas vezes não tenho tomado atitude, tenho esperado que alguém tome em meu lugar, tipo assim: se um irmão precisa de ajuda, seja financeira, espiritual ou até braçal, muitas vezes não sou o 1º a chegar junto, fico a espera de que outro se aproxime 1º e só se não aparecer ninguém aí é que vou agir.

E essa atitude vai de encontro a aquilo que o mestre espera de mim quando diz em Mateus 16:24-26 : “se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar a sua vida, a perderá, mas o que perder a sua vida por causa de mim, a achará. De fato, que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro mas perder a sua alma?”

Eu entendo que sempre estaremos diante de uma tomada de posição e esta posição exigirá de nós escolher uma cruz que é bem pesada e que custará a nossa vida, diferente da palha que o vento sopra e leva, escolher a cruz significa estar disposto a pagar o preço, sair da posição de acomodação e nadar contra a maré ao invés  de se deixar levar por ela.

Irmãos, se escolhermos construir nossas casas de palha, estaremos expostos a todo vento de doutrina, isso é: nossas convicções, nossa fé não estará firmada, ela será flutuante de acordo com as situações, como uma montanha russa, hora lá em cima, hora lá em baixo.

Outro porquinho, o Cícero, resolveu construir sua casa de madeira, certamente ele ergueu os olhos e se viu rodeado por grandes árvores, e pensou: pronto, este é o material ideal, não terei que me esforçar muito para achá-lo e não gastarei muito de meus recursos pois ele está a minha disposição.

É assim que muitos pensam sobre deus: “ele está a minha disposição, posso usá-lo sempre que necessário e só quando eu estiver disposto a consultá-lo.” E tratam deus como um amuleto sem valor por ser muito comum e por estar sempre na posição de: “estou aqui se precisar, é só chamar!”.

É notório que quando as coisas nos são entregues com muita facilidade nós não as valorizamos. Tenho lutado dentro da minha casa para que os meus filhos compreendam o valor de cada coisa, e saibam do esforço que é para alcançá-las, quero prepará-los para que quando eles estiverem diante do reino de deus possam identificar o seu valor e tenham a coragem de deixar tudo para alcançar o reino.

Precisamos compreender o valor do reino de deus, para fazermos como os homens sábios das parábolas que Jesus contou em Mateus 13:44-46.

Porque se escolhermos construir nossas vidas e projetos de algo tão comum como a madeira, estaremos expostos ao fogo, isso quer dizer que as coisas que definimos como importantes para nossas vidas, das quais não abrimos mão, devem ter tal qualidade que estejam prontas a serem provadas pelo fogo, fogo das provas, das tentações, das perdas, das frustrações, e certamente só permanecerá aquilo que for ouro puro e pedras preciosas, toda a palha e madeira serão consumidas.

Finalmente temos um exemplo a ser seguido. Semana passada eu pude dar uma breve palavra no casamento do meu irmão, que foi no mesmo dia do aniversário de 42 anos de casamento dos meus pais. E meu conselho para os noivos foi que buscassem bons exemplos, meus pais embora não tenham o reino descobriram que a base do seu relacionamento não poderia ser algo frágil como a paixão ou a estabilidade financeira, durante todos estes anos eu os vi abrindo mão de projetos pessoais em função da família.

O exemplo do porquinho prático deve ser seguido, pois ele decidiu pagar o preço, ou seja, escolher o material que embora fosse mais caro, mais difícil de transportar, mais complicado de achar e de usar, era o material que poderia resistir às provas, ao vento forte, ao fogo e até ao lobo mau.

O 3º porquinho entendeu que a porta é estreita, que talvez tivesse que deixar algumas coisas do lado de fora, o comodismo, o ego, e até a vida da carne.

Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela;
E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem. – Mateus 7:13,14

É assim que somos instruídos pelo senhor quando ele nos fala dos fundamentos.

Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda. – Mateus 7:24-27.

Entendemos que ouvir a palavra e não agir de acordo com ela é igual a construir casas de palha ou de madeira, enquanto ser conduzido pela palavra equivale a construir uma casa de tijolos.

Irmãos a escolha de nossos sonhos, de nossas prioridades, as escolhas de coisas comuns de nossas vidas, de nossos empregos, de nosso lugar de morar, de nossos companheiros, isso tudo definirá se nossas casas são de palha, de madeira ou de tijolos.

Sigam os bons exemplos, olhem para irmãos maduros e procurem imitá-los assim como eles tem buscado imitar a cristo, quero esta noite honrar meu irmão Renato Prado que tenho certeza tem sido uma referência para vocês, pois temos percebido o quanto ele tem se gastado para edificar casas de tijolo nas vidas de quem ele tem cuidado.

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