A doença milenar

Todo este problema da Igreja é sintoma de uma doença milenar que podemos chamar de casta sacerdotal, devido ao falso ensino que na Igreja há dois tipos de ministérios: clero e leigo. Quanto ao clero, referem-se à liderança da igreja, àqueles que têm preparo teológico; e quanto ao leigo, referem-se àqueles que fazem parte do povo de Deus e que não têm preparo teológico. Inclusive, chamam os do clero de ministros do evangelho, sacerdotes, etc.. Acham que só eles é que foram chamados para o ministério, excluindo os demais irmãos.

Não queremos falar mal dos seminários e faculdades de teologia, mas se eles devem existir, deveriam sofrer uma grande mudança de valores sobre a sua real finalidade na obra de Deus.

Os seminários e faculdades de teologia têm a compreensão de que devem preparar líderes para fazer a obra, ao invés de prepararem líderes para que eles tenham capacidade de treinar a Igreja para fazer a obra.

Gostaria dar um exemplo pessoal. Quando me formei numa faculdade de teologia, confesso que não sabia como equipar a Igreja para a obra. E eu mesmo não me achava preparado para trabalhar. Entendia que meu ministério, conforme a compreensão tradicional, era de pregar e ensinar; entretanto, não fui preparado para equipar a Igreja para fazer a obra. Por isso, a formação teológica coopera para a existência da casta sacerdotal, em que os líderes devem fazer a obra no lugar dos santos, e não levar cada santo a desempenhar o seu serviço.

Há grupos que pregam contra a casta sacerdotal, e, na verdade, ainda contraem esta doença. Seus líderes, na prática, embora possam até treinar os santos para a obra, acabam fazendo a obra no lugar deles. Muitos destes grupos chamados de renovados e restaurados, também colaboram para a casta sacerdotal.

Uma frase muito usada por aqueles que exercem o pastorado: “fui chamado para o ministério”, revela o mal da casta sacerdotal. Mostra que alguns são chamados para o ministério e outros não.

Temos que entender de uma vez para sempre, que a palavra ministério, simplesmente significa: serviço. No original grego, o verbo servir e o verbo ministrar são um e o mesmo verbo – diakoneo.

E todos nós, não só alguns, fomos chamados para o ministério ou para o serviço. O nosso texto chave, Efésios 4.12, diz que todos têm que desempenhar o serviço dos santos, ou conforme outras versões, “a obra do ministério”. Todos nós fomos chamados para o ministério, o serviço. Todos nós somos ministros do evangelho, sacerdotes de Deus. Só há uma diferença: uns são líderes e outros são liderados, porém todos devem fazer a obra.

Há quem procure a base para o ministério lançando mão do Antigo Testamento, ignorando que é no Novo Testamento que a encontramos. No Antigo Testamento, podemos ainda encontrar a casta sacerdotal, quando Deus separou a tribo de Levi para ministrar, em razão de que o povo teve medo de se aproximar do Senhor (Êxodo 20.18-20). Mas Deus sempre teve a intenção de ter um povo sacerdotal, não só alguns sacerdotes (Êxodo 19.6). No Novo Testamento, Deus nos revela que seu propósito é cumprido através de Cristo (1 Pedro 2.9).

Por esta razão, não podemos cair no erro de perder a revelação da nova aliança para abraçar conceitos da antiga aliança.

Não devemos regredir na fé e na obra que o Senhor tem revelado à sua Igreja. Devemos viver de acordo com a restauração que o Senhor tem operado nestes dias.

Precisamos perguntar de novo: quem foi chamado ao ministério?

Devemos responder bem alto: toda a Igreja foi chamada ao ministério, ao serviço, à obra!

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